Notas iniciais
Se uma demora, a outra procrastina... Eu me atraso, mas, não decepciono. Espero eu.♠ ~Enjoy~♥

Perseu subiu as escadas, estava repleto de ódio e raiva. Enquanto ele se afastava Estela conseguia ouvir com muita precisão o som dos seus passos, seus pés pareciam que estavam queimando sobre os degraus, mas, a umidade das masmorras fazia com que o fogo não crescesse. Era um barulho muito alto em seus ouvidos, mesmo que Perseu estivesse longe dela o suficiente. Ele estava completamente devastado, porque o esforço dele não estava sendo levando em conta? Como aquele crápula, desprezível, ordinário e patife conseguia desarmar qualquer defesa de uma mulher como Estela? Como ela poderia dizer que “Minha vida não era totalmente feliz com Estevão.” Mas, pelo que ele viu, em nenhum momento reclamou, em nenhum momento recuou, em nenhum momento se opôs.

Ele deu uma risada abafada de indignada quando chegou ao hall de entrada. Estela precisava de atenção, precisava da emoção de ser desejada a força ou não. Aquilo era ridículo, senão patético. Ele sempre desejou poder, e quem tinha esse poder, era Estela, Estevão só tinha um enorme devaneio doentio. Depois de caminhar mais um pouco em direção á Artemisa que estava claramente assustada, assim como Orion que estava confuso. Foi quando o Rei de olhos azuis ouviu Estela andando rápido pelos corredores, ela não podia alcança-lo; a única coisa que impediria ela de chegar perto dele seria seu filho. Foi quando ele fechou os olhos e naquele momento, Sísifo se mexeu violentamente na barriga de Estela, o que a fez se encostar-se à parede e se deixar escorregar até o chão frio e chorar; foi quando ele se retirou com Artemisa para fora do castelo, não tinha mais o que fazer.

“Luto do seu casamento relâmpago.” Aquilo também estava ecoando na cabeça de Estela; mesmo que o casamento havia durado algumas luas, era algo vivido em sua mente, em seus olhos, na sua vida por 15 anos. Artemisa era a prova de a paixão intensa que ela teve por Perseu, na qual ela se arriscou, a fez sentir esperança, e se sentir altamente poderosa e vitoriosa; ele mudou a vida dela de uma forma que em anos Estevão não conseguiu profundamente. Era algo sólido, era duradouro, era firme, mas, também, era desgastante, devastador, assustador. Durante seus pensamentos adormeceu rodeada da família Balaur ao seu redor; ela teve uma visão, estava um pouco embaçado. Mas, ela conseguia ver claramente entre as distorções das cores, Artemisa e Perseu. Ambos subindo em Atlas, na qual o dragão voava baixo, até chegar extremamente perto dela para o próprio dragão poder dizer:

“Sísifo vai para Saphiral! E se não for, sua fortaleza se derreterá como cera.”

Estela ergueu levemente o tronco com o susto, já estava de noite, ela devia ter cochilado, mais o quarto não parecia tão escuro, parecia que ela estava sozinha no quarto, por um breve momento foi viu o sobrinho a observando no pé na cama.

—Ouh. – Orion deu dois passos para trás, suas seus dedos estavam entrelaçados um no outro e suas mãos foram sobre seu peito. – Como a senhora está tia? É um grande momento esse, não é? – Ela passou a mão no rosto, estava aliviada sorriu e parecia que tinha prendido a respiração por horas. Orion estava com sua roupa formal, tudo não passou de um horrível sonho ruim, ela deu um sorriso para o sobrinho e se aproximou mais dela.

—Eu não quero surpresas. – Foi quando o garoto deu um sorriso para ela, não o sorriso como ele costumava dar, era mais característico, menos a ver com Auterpe, nem com William; diferente nele, mas, não era incomum para ela.

—Não se preocupe. Tio Estevão disse que não podemos te agitar com o bebê. – Estela sentiu o corpo gelar e a garganta secar. – Então, eu me ofereci para te ajudar a arrumar seu melhor vestido. – Era verde. Verde como a dinastia que Estevão criou, aquela cor infinita de Calasir a fez ficar enjoada ao ver um modelo de vestido verde que era semelhante ao do seu primeiro casamento; com exceção, de que haviam bordados prateados.

—E.Estevão?! — Sempre parecia que ela estava em um transe. E quando conseguia sair, mal conseguia pensar. – Cadê o Perseu? – Ela perguntou preocupada, era um devaneio, não poderia ser verdade. Orion a olhou confuso.

—Ele está partindo para Saphiral...

—Mas. – Ela perdeu a fala.

—Ele queria que meus pais fossem junto com ele, mas, convenhamos tia Estela; não é sempre que alguém volta dos mortos para nos manter felizes!

—Preciso falar com Perseu! – Ela repetiu. Não era para tudo aquilo estar acontecendo.

—Tio Estevão vai brigar... – Era uma advertência, quase severa.

—Eu não me importo, preciso fazer Perseu entender que...

—Entender o que? – Estela se virou para o sobrinho, ele estava alisando o vestido devagar, sem olhar para ela com um sorriso no rosto. – Você não desistir do tio Estevão. Afinal, vocês tiveram seis filhos. Ele construiu uma cidade e um templo para você, cuidou dos seus dragões e de você. Não foi? – Estela colocou a mão sobre o peito.

—Orion... Isso não importa e...

—Ele faria uma guerra por você. Castraria, mataria e casaria qualquer homem que te tirasse dos braços dele. Não é verdade? – Houve uma pequena risada. – Foram tantos momentos, tantas memórias, é um apego. E por muito tempo, você sentiu saudade daqueles braços fortes e brutais do Estevão, não é?

—Orion. Por favor; pare... – Ele começou a vestir ela com o vestido verde, enquanto a olhava de soslaio ás vezes.

—Mas, eu sei. Eu não sou burro; eu sei que você adora quando o tio Estevão te pressiona com força contra um móvel, é feroz com você.

—Se você não parar com isso, eu contarei aos seus pais! Pare, por favor! – Ele parou de andar, ficou um tempo imóvel e olhou para ela sério.

—Como se eu estivesse mentindo... Aliás, a vida é uma vasta dança, e o tio Estevão nunca quer abdicar do seu tempo de dança. – Ele sorriu. – Que triste ter uma filha que gostava de montar Pégasus. E como seu casamento foi anulado, Artemisa voltou a ser bastarda... – Ele fez um gesto negando com a cabeça. – Tisc; que horrível. Porque você não poderia manchar sua linda linhagem com uma bastarda.

—Orion! – Ela chamou a atenção dele e se afastou do garoto. – Porque está dizendo isso?!

—Eu estou mentindo? Você ama ser disputada... Se tiver um baile no reino e não tiver ao menos 80 homens olhando para você; você nem quer ficar... – O sorriso dele era astuto, talvez, como o de Urion? Joice? Aquele não era o sorriso do Orion. – Você se acha ambrosia do Olimpo, mas, é água do rio Aqueronte! – O garoto batia a ponta dos dedos um no outro, talvez aquele gesto fosse meramente parecido com o de William quando ambos se conheceram. Orion não tinha consideração por sua tia naquele momento, era como se as palavras dele cortasse o ar pesado.

—Rio... Aqueronte? – Estela olhou confusa para ela. – Orion inclinou a cabeça para ela.

—O Rio Aqueronte é um rio que flui no submundo de Hades. Ele é o rio da dor! – Ele caminhava devagar pelo quarto, com certa expressão de intimidação. – É um rio turbulento, cheio de lama, que flui através de um vale desolado. É símbolo de dor e sofrimento. Um lembrete inevitável de todos os seres mortais. Um lembrete do destino inevitável de todos os seres mortais e da dor e do sofrimento que podem acompanhar a morte. – Ele se aproximou e tocou na ponta do nariz dela. – Como você! Uma mortal poderosa, porém, não. Você não tem poder, seu poder é ser resgatada, venerada, amada, cuidada!

—Chega! – Ela conseguiu elevar um pouco a voz. – Eu não vou admitir que você diga isso de mim ou fale comigo dessa maneira. Você é só um garoto! Você, não é assim, você é gentil, você é.

—Alguém com consciência. – Ele tocou na cabeça dele. – Porque você não quer ver e afirmar que não largaria o Tio Estevão porque ele beija o chão que você pisa. – Orion revirou os olhos. – Óbvio; ele não tem poderes... Ele nem é carinhoso como o Tio Perseu. Mas, você gosta! Gosta porque, ama a brutalidade! A voracidade! Ama como é desejada... – Estela começou a ficar com o rosto vermelho e coma expressão ansiosa, por parte, o sobrinho não estava mentindo. Mas, era cruel ouvir.

Estevão era um bom Rei, quando conveniente era um bom marido. Mas, ela viu aquele assassino o matar, viu seu corpo ser incinerado, observou suas cinzas voarem pelo ar. Ela não pode cumprir o período de luto nem foi por causa de Perseu, ela estava preocupada com Artemisa e com a segurança dos filhos. Mas, ele faria uma guerra por ela e infelizmente, como o mesmo disse: “Perseu é covarde demais para causar guerras, não importava quantas batalhas ele tenha ganhado.” Talvez, ela sabia que ele não faria uma guerra por ela ou lutasse corpo a corpo contra alguém, como foi no caso de James. No fundo, o que Estevão lhe proporcionava era do bom e do melhor, das roupas, dos arranjos, da fortaleza. Os ombros dela caíram, enquanto ela se sentava na cama se sentindo derrotada.

—Você está tão incrivelmente linda! – A voz de Estevão a tirou dos seus pensamentos confusos e conflitantes. Estela olhou surpresa para ele surpresa, ele estava bem vestido. – Orion disse que viria te chamar para o jantar de comemoração.

—Comemoração de que? – Era muita coisa acontecendo naquele dia.

—Do meu retorno; todos estão esperando você! – Ele estendeu a mão para que ela, porém, ela olhou para o marido, ou ex marido e inclinou a cabeça. Estevão se agachou na altura dela acariciando suas pernas por cima da saia do vestido. – O que foi? Achei que estava feliz em me ver.

—Estevão; não quero que você me entenda mal; mas, nessa manhã, quando eu acordei, você está morto, eu não consigo entender como você está vivo. E mesmo que o nosso casamento tenha sido na fé de Calasir; quero que você saiba... – O rosto de Estevão ficou sério, ele travou a mandíbula, dava para ver as veias saltarem de seu pescoço, foi quando ela respirou fundo, não iria contar que o casamento dela com Perseu foi uma celebração cheia de significados e um casamento de sangue e fogo. Então ela pressionou os lábios. – Eu preciso me despedir de Perseu e da Artemisa.

—Porque você faria isso? Você ouviu o que ele falou... Não precisa ir se despedir dele. – Estela respirou fundo e olhou com olhos suplicantes para ele tocando em seu rosto.

—Chame Perseu do que quiser; mas, ele ajudou Eilon a ter coragem para ser devidamente coroado. – Ela precisava conversar com ele, mesmo que ele tenha sido devidamente frio e rancoroso. – Perseu nunca se casou, eu, sei que preciso dar a ele um encerramento, não quero que ele venha a atacar Calasir futuramente.

—Perseu é. – Estela negou sabia o que ele iria dizer, que o Rei de olhos azuis não faria isso, mas, ela nunca se esqueceu do que viu ele fazer com os poderes dele. Incinerar um homem, lutar contra uma deusa furiosa, reconstruir Deragona, os seres que ele luta não são como os homens que Estevão confronta.

—Já sei o que você vai dizer... – Ela hesitou um pouco antes de continuar a falar. – Sobre o que ele fez, e o que ele não fez, faz ou fará. Entretanto, eu preciso mesmo me despedir deles.

—Porque tanta insistência? – Estevão como sempre enrolou seus dedos sobre a mecha de Estela que começou a sentir como se Sísifo fosse sair rasgando a sua barriga. Ela colocou a mão sobre a barriga de modo que não quebrasse o contato visual com seu primeiro marido por um motivo; para que ele não tocasse em sua barriga que nesse momento já devia estar cheia de bolhas. – Ele disse para eu fazer o que quiser com você; algo que eu nunca faria. – Estela sentiu o peito queimar de angustia e dor pelas palavras de Perseu, na qual ela assentiu sentindo o toque dele. – Então, porque está insistindo em ir vê-lo? Querida, esqueça aquele homem, que praticamente abandonou você.

—Não... – Ela arfou tentando manter-se acordada, sua cabeça estava girando, sua nuca estava ardendo e Sísifo parecia estar em erupção. – Digo, não quer manter a aliança com Saphiral? – Estevão a encarou por uns segundos com um sorriso sarcástico.

—Porque eu faria isso?

—Saphiral nos ajudou e.

—Bom. – Ele a interrompeu um sorriso presunçoso. – Como William se casou com Auterpe, acho muito melhor uma aliança com Ruphira do que com Saphiral...

—Estevão... – Ela não queria implorar, mas, queria se despedir adequadamente. – Por favor. Eu apenas quero encerar as coisas, entenda, ele foi uma companhia... Preciosa depois que.. – Motivos... – Eveline morreu, depois que você se foi, antes de Eilon ser coroado. Eu fiz tanta coisa por você, por nós, pelo Reino, por nossa família, por favor... – Estevão suspirou forte e segurou o pulso dela com força a encarando ferozmente, como se fosse enforca-la.

—Apenas não se esqueça; eu sou seu marido! Você é minha esposa, mãe dos nossos filhos. – Ela assentiu novamente, mesmo que sentisse que não devia fazer isso. – Eu observo você no pátio. Não ouse tentar nada. – Estela se levantou da cama com ajuda de Estevão, eles seguiram outro caminho sem passar pela mesa de jantar.

Seu coração parecia que iria explodir, seus olhos estavam levemente marejados, o pulso do seu primeiro marido segurava seu pulso com firmeza, eles caminharam até o pátio, onde dava para ver o covil, estava tão perto. Assim que a mão a soltou ela caminhou com passos calmos, porque não queria Estevão se aproximasse. Sua mente estava tumultuada, ela começou a falar baixinho consigo mesma:

—Estou casada com Perseu. Estou casada com Estevão. Pelos deuses, espero que Perseu ainda não tenha ido embora... Eu amo Estevão, eu amo Perseu. Porque as coisas estão assim? Não era para isso acontecer. — Sua mente estava cheia de perguntas, seu coração estava dividido, eram conexões que não deviam existir no mesmo momento.

Assim que ela chegou perto do covil Perseu estava instruindo Artemisa a montar em Atlas enquanto ele selava Gameon. O seu coração pesou, sua filha estava limpando as lágrimas enquanto ele dizia para ela que tudo ficaria bem.

—Rainha Estela... – Artemisa apontou antes de Estela surpreender Perseu. Houve uma expressão de desapontamento na feição dela, novamente, depois de tanto tempo em paz, ouvir o tom de indiferença na voz da sua filha, feridas antigas estavam sendo reabertas.

—Sou sua mãe Artemisa... – Perseu se colocou na frente dela.

—O que Vossa Alteza gostaria agora?

—Perseu... Eu sinto muito. – Suas lágrimas começaram a rolar pelas suas bochechas, mas, ele mantinha uma expressão séria, a aflição de Estela não o abalava. – Por favor, não vá embora agora; eu não posso deixar você levar Artemisa sem eu dar um abraço nela e.

—Não! – Sua voz era firme, estava quase tão forte quanto de Estevão. – Quero apenas que saiba que vão vir pegar Sísifo.

—O que?! Perseu... – Ela voltou a sentir o gosto de sangue em sua boca.

—Ah, Estela... – Ele disse em um tom sarcástico. – Eu queria te levar para um lugar lindo e seguro, mostrando o quando eu me importei com você. Eu observei o quanto Joice tem razão sobre você. – Estela colocou a mão na boca horrorizada. – Você se aproveita e homens poderosos e usa a seu bel prazer. Se eles não empunham espadas, se eles não te presenteiam com cidades, travando guerras, se forçando ou te mantendo no encalço deles, você não está satisfeita.

—N. não é verdade... – Ela disse em um tom choroso ela deu dois passos para tocar nele, porém, ele se afastou.

-Ah não?! Porque aparentemente eu não sou tão bom assim..

—Você foi surreal. Incrível, me mostrou uma vida que eu sempre ansiei, me deu escolhas. – Ela tentava tocar no rosto dele, mas, ele estava frio. – Você é além de bom para mim, eu...

—Uma vida que você aprendeu a mergulhar e nadar. – Ele cruzou os braços. – Você nunca deixou de ama-lo.

—Ele foi meu primeiro marido e.

—E daí?! Não sou um doce para você apenas descartar enquanto se afasta porque está satisfeita! – Ela prendeu a respiração. – Eu estou cansado de tentar dar a atenção que você tanta anseia. Eu não travaria guerras, não destruiria e reconstruiria um Reino, para te ter, pois, eu não iria contra uma escolha sua! Não porque eu sou covarde. É porque eu respeito você, quero fazer com que você se sinta bem. Mas, como eu não dou um de louco ciumento, perturbado e estourado, eu não sou o melhor para você! – Aquilo a pegou de surpresa. – Sim, eu disse para ele fazer com você o que quiser, porque eu sei que você gosta disso. Gosta tanto que aposto que já transou com ele. – Seu rosto ficou vermelho, na qual ele deu um sorriso de escárnio. – Eu sabia. Você me privou disso no começo, e eu respeitei seu espaço. Engraçado não é?

—Perseu; Estevão é... – Ela foi interrompida.

—Eu quero chorar; mas, as minhas lágrimas se esgotaram depois de eu lutar por um amor tão unilateral... Se Estevão te machucar, eu não poderei fazer nada, você quebrou minhas mãos tantas vezes, e sim; estou sendo rude! Você sabe.. – Ele se aproximou da orelha de Estela e usou um tom ameaçador. – Eu poderia pedir ás deuses para transformar Estevão em uma morsa, seu primogênito em um cervo de caça depois do que ele fez com a minha filha. Mas, eu não fiz. – Ele se afastou.

—Perseu... Respeitosamente, quero dizer que isso não é o que eu quero Perseu, eu.

—Rei Perseu! – Ele exclamou. – Rei! Filho da Criatura Maligna, Protegido de Atena, com fogo correndo nas veias. Eu nasci Rei! Um Rei Subimortal, e você... – Ele a olhou de cima a baixo. – Todos estavam certos. Você é apenas uma mortal... Só uma mera mortal. – Ela tampou a boca e quase engasgou enquanto chorava, ela tentava segurar a mão dele, mas, ele se afastou pegou a corda vermelha extensa e tacou fogo.

—Não! Não faça isso! – Estela tentou apagar o fogo, como ela iria para Saphiral ver Artemisa? Mostrar Deragona para seus filhos? Foi quando Perseu a segurou pelo cotovelo, Estevão vendo aquilo começou a se aproximar. Havia chamas nos olhos de Perseu.

—Você não merece nada que eu fiz por você. Você o escolheu. Então fique com as coisas que ele lhe deu; eu sei que você sentirá falta dos encantos que eu te dei. Amor, carinho, elogios, simplicidades, fidelidade não parece algo muito relevante para você. – Quando Estevão estava próximo Perseu tocou na barriga dela, sentindo Sísifo, ele fechou os olhos por um momento. – Se algo acontecer com ele; mandarei os deuses certos para fazer justiça dessa vez.

—Algum problema Perseu? – Estevão perguntou rindo, o outro não respondeu, soltou Estela e se afastou dos dois, como gesto de bondade e humildade, ele fez uma reverência para ambos.

—Tenha um ótimo novo, velho casamento. – Ele disse com rancor antes de subir em Gameon.

—Não fique com receio, você apenas casou com a mulher errada. – Ele sorriu. – Nos veremos em breve? – Estevão perguntou em tom de deboche.

—Espero que não. Nunca mais...

Estela viu tanto Atlas quanto Gameon levantarem voo, tomarem uma boa altitude antes do Rei de olhos azuis e cabelos brancos abrir o portal e atravessaram para o outro lado sem nem olhar para trás. A Rainha de cabelos brancos não aguentou muito, chorou, sentia que nunca mais veria sua filha e nem Perseu. Tudo o que ele falou, do modo que ele falou, eram pequenas flechas certeiras em seu coração, atingindo nos lugares que ela nunca se viu daquela maneira, primeiro Orion, depois Perseu. Se Auterpe lhe disse algo ela teria um colapso completo; não que já não estivesse em uma confusão mental. Antes de abaixar a cabeça, ela foi levantada com o dedo indicador de Estevão a fez levantar a cabeça e olhar para ela como se lesse sua alma.

—Eu avisei... Não quero que fique assim por ele. – Estela olhou em seus olhos, um olhar incrivelmente estranho, mais penetrante. – Você merece o melhor, eu apenas te peguei de volta querida, porque, você é minha adorável esposa. Estela, você é minha razão de estar vivo, e se eu estou vivo, ainda estou em sua memória... – Ele depositou um longo e ardente beijo em seus lábios, o que a deixou entorpecida. — e quando ela deu por fé já estava de volta a sala de jantar.

—Mamãe, está tudo bem? – Eilon perguntou preocupado, ele olhou preocupado para ela, mas, Estevão simplesmente puxou a cadeira para que ela se sentasse e comesse o jantar adequadamente.

—Ela está bem... – Orion disse com um sorriso calmo, mas, Estela percebeu que era um sorriso falso, quase tão parecido com William, só que pior. – Não é fácil se despedir de um novo marido.

—Chega sobrinho. – Estevão sorriu triunfante. – Vamos aproveitar a refeição, aproveitar a família, e as novidades.

—Teremos um baile? – Elora perguntou animada.

—Com certeza minha princesa.

—E duelos? – Ethan perguntou em seguida.

—Podemos fazer!

—Uma nova coroação?

—Mandrik?

—Ah, com certeza!

Estela não conseguiu ouvir mais nada, estava observando a interação na mesa, não era a mesma áurea que havia quando Perseu os colocou na mesa, não era a mesma áurea de antes de Estevão morrer, era como uma névoa, deixando-a desconfortável. Ela respirou fundo, Perseu foi cruel com as palavras, Orion foi ríspido com as palavras, ela estava novamente presa naquele casamento que era mais um espetáculo que tudo, ela se sentia presa, ela não conseguiu correr atrás do conto de fadas dela, nem era mais possível.
Quando a refeição se encerrou e todos foram para a sala de chá, era sempre a rotina deles, uma rotina que por anos a Rainha de Calasir, a única deragoniana que tinha filhos fora de Deragona. Ela nunca teve a pretensão de casar com Estevão no começo; mas, ela teve a vontade de se aventurar com Perseu. Mas, agora que ele se foi, ela estava basicamente só, com sua família, feliz pelo retorno do pai, havia uma fenda enorme que parecia mais um abismado, tudo estava tão confuso.

Ela ao conseguia tirar cada palavra cruel que lhe fora dita naquele dia, as palavras que ouviu de Estevão eram tão doces quanto canela, ardida, mas, apreciada. Quando ela se deitou para dormir, sentiu-se tão estranha. Ainda se lembrava como ela era o encaixe perfeito em Perseu. Mas, com Estevão era mais familiar e reconfortante. Seria reconfortante.

Se sua cabeça e pensamentos não estivessem confusos. E se Sísifo não estivesse se mexendo agitadamente com a presença do outro Rei; era mais dolorido por causa das bolhas feitas e das queimaduras, o que significava que até o meio dia o bebê poderia nascer; e com certeza, as coisas estavam mais próximas de se tornarem muito mais complicadas do que ela imaginava. Ou do que Estela estava preparada.

Notas finais
{Você sabia que quando você comenta em um capítulo, motiva o autor? Algumas histórias são descontinuadas por falta de incentivo... O incentivo é a melhor forma de ajudar um escritor.} ~♥Beijos da Autora♥~