Eveline estava furiosa, aquele garoto a comparou tanto com Elisa, ela não era Elisa! Nunca queria ser minimamente parecida. Ela subiu a escadaria e foi direto para seu quarto, queria lavar seu rosto, sua boca especialmente, aquele nojento havia a tocado de forma totalmente inapropriada!

—Você está bem? – Orion questionou ao encontra-la perto de seu quarto.

—Aquele nojento me beijou – ela gritou ao abrir a porta do quarto – Isso é culpa de Elisa, se ela não tivesse se jogado para Eilon durante toda a vida, eu não precisaria estar passando por isso e...

—Você está jogando a culpa na pessoa errada – Orion fechou a porta do quarto e caminhou. – Elisa não decide nem a roupa que vai vestir, acha que ela decidiria sobre seu futuro?

—Mas ela...

—O que Jonan fez é culpa dele e exclusivamente dele – Evie riu – O que houve?

—Você falou igual minha mãe – Eveline deu de ombros antes de lembrar sua fúria — Ele começou com uma história esquisita de brincar, eu não sou criança! – tentou abrir a sacada, queria ar puro, a porcaria ainda estava trancada – Daí falei para caminharmos e ele me beijou, me agarrou e me beijou! – Orion a encarou, respirou fundo. Precisavam pensar em algo.

De diferentes pontos do castelo todos estavam indo em direção a sala de jantar, a lua brilhava lá fora, assim como as inúmeras velas dentro do castelo, Elisa estava estranhamente sozinha, Eilon havia ido numa reunião com o pai, então ela estava sem sua companhia, os mais novos também tinham saído antes, o corredor estava vazio, solitário, era estranho não ter ninguém ao seu lado; deu uns passos olhando para seu anel, Eilon havia a presenteado na noite anterior, era bem parecido com o de sua mãe, havia uma esmeralda oval com diamantes cravejado ao redor, ela sorriu antes de se chocar em algo, cambaleou para trás dois passos até levantar a cabeça, o garoto que sorria para ela era ruivo e tinha um olhar assustador.

—Jonan – Elisa sorriu – Posso ajudar?

—Eu estava descendo para a sala de jantar, acho que me perdi – ele deu de ombros.

—Pode me acompanhar, se quiser – o sorriso dela permanecia inabalável, era belíssima, delicada, gentil.

—Adoraria – ele se pôs a caminhar ao lado dela, analisava a menina dos pés à cabeça, aquela garota teria sido sua noiva perfeita, exalava obediência, tinha certeza que ela jamais o esbofetearia para fugir de um beijo – Você é muito bonita – se aproximou.

—Obrigada, Jonan – ela deu um passo para o lado – Peço desculpas pela troca de noivas, Eilon e eu... – ele se aproximou.

—São dois mimados – Jonan sorriu para ela, que o olhou com descrença – Tudo bem, todos sabem.

—Não...Eilon e eu nos amamos desde sempre – deu mais um passo para o lado, estava ficando agoniada com a proximidade dele – Minha irmã será uma boa esposa para você, melhor que eu – ele pisou na barra do vestido dela, a fazendo travar, nesse momento a agarrou pelo braço e a prensou contra a parede.

—Você deveria ser minha esposa, Elisa, não Eveline – rosnou próximo ao rosto dela – Você e seu jeitinho domesticado eram tudo que eu queria.

—Domesticado? – juntou as sobrancelhas – Eu não...

—Você sim – riu apertando o braço dela com mais força, ela tentou se desvencilhar, mas era muito mais fraca que a irmã – Você seria minha putinha, mas não, acha que a coroa lhe cai bem, não é?

—Jonan, por favor – ela empurrou o ombro dele, era tão fraca que não o moveu meio centímetro.

—Você seria minha – as costas foram mais pressionadas contra a parede – E eu detalharia ao seu amado irmão cada minuto da nossa primeira noite – sussurrou no ouvido dela – Contaria cada grito seu – riu, os olhos da menina ardiam pelas lágrimas que queriam sair, estavam perto demais, o coração saltava no peito; ele a soltou de súbito – Eu tinha razão, você é muito mais fácil que sua irmã – ela escorregou até o chão, tremia levemente, ninguém nunca havia se aproximado tanto, apenas seu irmão, que agora era seu marido, estava assustada, Eilon não a assustava, apenas quando ficava estressado. Ele se abaixou na altura dela, sorriu – Se você contar isso para alguém, eu matarei seus irmãos e logo depois será sua vez. – ela se encolheu mais, não conseguia imaginar o quanto sua mãe ficaria desolada nesse cenário. – Entendidos? — Elisa assentiu nervosamente – Ótimo – acariciou o rosto dela com força, segurou o queixo e sacudiu a cabeça dela – Boa menina.

Jonan se afastou pelo corredor assobiando, Elisa engatinhou até conseguir ficar de pé e correr para o quarto, trancando a porta nervosamente, suas mãos não acertavam a fechadura e suas pernas pareciam prontas para desabarem, ela respirou fundo, esfregando a mão no rosto, as lágrimas se espalharam pela pele durante o movimento, deixou um soluço escapar, respirou fundo e lavou o rosto, não poderia contar para ninguém, Eilon ficaria furioso e caso descontasse a raiva em Jonan, seria o fim de uma amizade de anos entre seu pai e Carlo.

A primeira coisa que Evie notou quando chegou para o jantar foi o lugar vazio ao lado de Eilon, aquilo era estranho, Elisa era sempre pontual, jamais perderia a oportunidade de esfregar na cara dela que estava casada.

—E a filha perfeita? – apontou para a cadeira vazia.

—Onde está Elisa? – Estevão perguntou.

—Ela estava no quarto – Elora falou – Disse que ia se vestir para o jantar – eles viraram quando passos se aproximaram, mas quem entrou foi Jonan.

—Desculpe o atraso – ele sorriu sentando em seu lugar.

—Não viu Elisa? – Ethan olhou para ele, o sorriso se mantinha, ele negou com um aceno.

—Eu vou ir ver – Eilon levantou, mas seu pai pousou a mão no punho dele.

—Deixe ela – Estevão falou, Evie revirou os olhos, seu pai jamais falaria algo assim se fosse ela.

Eilon mal terminou a refeição e subiu para o quarto, Elisa jamais ficava ausente das refeições, raras vezes em toda sua vida não sentou à mesa para comer com a família. Ele bateu na porta repetidas vezes até que houve movimento no lado de dentro, o farfalhar da saia do vestido se aproximou, a chave girou na fechadura, o príncipe abriu a porta e encontrou a esposa com o rosto inchado de chorar.

—Você está bem? – segurou seu rosto, ela assentiu nervosamente. – Por que está chorando?

—Me faça sua esposa, Eilon, por favor – segurou os pulsos dele.

—Você é minha esposa, meu amor, casamos – passou o dedo na cicatriz dos lábios dela, Elisa o empurrou, se afastando, respirou fundo piscando os olhos repetidas vezes, talvez se consumassem o casamento daria mais credibilidade – Por favor, pare... – colocou a mão no ombro dela, que se desvencilhou. – Faremos na hora certa.

—Hora certa?! Você fica nessas de hora certa, a hora certa é a noite do casamento! – ela gritou, Eilon bufou – Ninguém reconhece nosso casamento porque você é frouxo! – o príncipe herdeiro a encarou furioso, sério que estava falando assim dele? Logo ele, futuro rei de Calasir, quem fugiu com ela para casar? – Você é inútil – começou esbofetear o peito dele, Eilon subiu a mão aos cabelos dela, enrolando o com força, a fazendo parar – Está machucando – choramingou.

—Agora estou machucando? – puxou os fios com mais força – Você está ficando surtada com isso – aproximou o rosto dela e desferiu um tapa, isso a pegou de surpresa, Eilon jamais havia feito nada assim nela – Sou frouxo? – ela negou chorando – Foi o que pensei – puxou os cabelos ainda mais forte – Nós faremos isso quando eu quiser fazer, nenhum instante a mais ou a menos – a jogou contra o chão, ela cambaleou e caiu – Por que não foi ao jantar?

—Eu não...eu... – engoliu em seco e lembrou do que Jonan falou, ela não poderia contar o que havia acontecido realmente – Desculpe – olhou para o chão.

—Quem diria que Eveline estaria lá e você não – sorriu com desdém – Levante, está sendo ridícula.

—Desculpe – Elisa levantou limpando as lágrimas, por que Eilon agiu daquela forma? O que ela pedia que parecia tão impossível? Eles eram marido e mulher, era o normal.

—Se troque e venha para a cama – Eilon tirou as botas antes de deitar, trocando as calças por uma bermuda; Elisa deitou ao seu lado na sequência, usava uma camisola de seda branca com fitas verdes, ela virou de costas para ele, engolindo o choro, Eilon se aproximou, beijando o pescoço e a bochecha dela – Desculpe – sussurrou – Eu já pedi para você esperar. Estou ficando sem paciência com a sua insistência – alisou os cabelos dela – Não queria ter machucado você – ela se virou, sendo aninhada num abraço.

—Verdade? – perguntou o olhando.

—Sim – beijou os lábios dela – Desculpe – Elisa assentiu, desculpando o marido sem imaginar quantas vezes sua mãe havia feito o mesmo, mas apanhado muito mais.

O baile foi marcado, Carlo estava radiante, Eveline estava odiando tudo, inclusive as aulas de dança que sua mãe a obrigava participar, ela não gostava de dançar, não gostava dos sapatos desconfortáveis que precisava usar, mas, em compensação, Orion era um bom parceiro de dança.

—Você melhorou bastante – Orion sorriu.

—É – Evie revirou os olhos, Eilon e Elisa estavam próximos, mas estranhamente a irmã não sorria, como era costumeiro – Que foi, irmãzinha, nosso irmão ainda não meteu em você? – Elisa corou com a falta de delicadeza da irmã.

—Você é tão desnecessária – Eilon abraçou a esposa.

—Tudo bem, Eilon – Eveline sorriu -Pode admitir que mulher não é sua preferência – o garoto deu dois passos para frente pronto para partir para cima da garota, mas foi impedido por Elisa.

—Deixe ela, querido – sussurrou.

—É, me deixe, querido – riu – Melhor focar na sua esposinha, talvez ela sinta algum prazer em estar contigo – Eveline olhou para Elisa, tinha algo diferente na caçula, ela estava mais quieta, olhava para o chão, apenas segurava o pulso de Eilon, que encarava a gêmea furioso.

—Por favor, Eilon – a outra sussurrou o puxando para perto, Orion estranhou, Elisa normalmente falava baixo, mas audível, agora era tão baixo que mal chegava aos ouvidos. – Vamos sair daqui – pediu segurando o braço dele, o marido assentiu antes de se retirarem.

—O que Elisa tem? – Orion perguntou.

—E eu vou saber? – Eveline virou para ele.

—Não precisa ser estúpida comigo – o garoto reclamou.

Estela estava no solário, sentia a luz do sol aquecer seu corpo, estava de olhos fechados pensando se não havia ficado grávida, estava com medo, amava seus filhos, mas não queria ter mais, não com Estevão, seu corpo tremia só de pensar em todas as dores, todos os desconfortos e seu marido a vigiando todas as horas do dia; abriu os olhos encontrando com William, ele tinha os olhos levemente marejados.

—O que houve, William? – Ela perguntou, o cunhado sentou ao seu lado.

—Auterpe engravidou duas vezes – falou baixo se deitando no colo da cunhada – Eu poderia ter três filhos – fungou – Três bebês nossos – limpou as lágrimas.

—Eu sinto muito – Estela acariciou o braço dele – Deve ter sido difícil para ela não ter você lá.

—Por que ela não me contou? – ele se encolheu no chaise – Por que ela me escondeu isso? Poxa, eram meus filhos também, eu tinha o direito de saber!

—William, isso tornaria as coisas mais difíceis e dolorosas. Talvez foi a única forma que ela encontrou de lidar com isso – ela acariciou os cabelos dele.

—Você esconderia do meu irmão? – virou para a encarar, Estela mordeu o lábio inferior.

—Seu irmão soube de todas as minhas gestações – ela olhou para o horizonte – Sabe, quando perdi o bebê eu me senti culpada – passou uma fina mecha de cabelo dele pelos dedos – Culpada por não o protege, impotente por o perder – penteou os cabelos dele com os dedos – Talvez eu não contaria para Estevão por me sentir incapaz, assim ele não me culparia.

—Eu jamais culparia Auterpe – William rosnou.

—Eu sei – a voz de Estela era um acalento – Mas quando você sofre essa perda não pensa em todas as possibilidades, apenas no que parece certo no momento.

—Acha que eu devo falar com ela? – juntou as mãos sobre o peito.

—Talvez, pode ser bom para esclarecer as coisas, mas pode ser prejudicial para vocês, pode desenterrar coisas do passado que devem ficar lá – ela sorriu, ele assentiu, sua cunhada tinha razão, ele queria esclarecer, perguntar porque Auterpe nunca contou nada para ele, porém não queria a lembrar da dor.

—Seu marido disse que não sou um exemplo de pai – bufou – Disse que é fácil ficar sete dias por ano com meu filho.

—Você é um dos melhores pais que conheço – Estela sorriu – No entanto Estevão tem razão, é mais fácil quando tem só um filho.

—Como você sabe? Você e meu irmão meteram três filhos em duas estações! – Estela riu, o que fez William rir também.

—Eu sinto muito pelos bebês – acariciou o rosto dele.

—E se eu tiver mais filhos que não sei? – fechou o rosto em apavoramento.

—Com as prostitutas? – Estela arqueou a sobrancelha, William mantinha uma relação constante com Auterpe, a visitando todos os anos, mas isso não queria dizer que ele não tinha duas escapadas.

—Não, essas sabem como prevenir. Digo com as jovens damas – começou a fazer uma breve lista mental.

—Acha que elas não iriam te procurar?

—Talvez...não sei – olhou para Estela – Acha que Evie vai casar com Jonan?

—Conhecendo ela? Duvido – contornou o rosto dele, prestando atenção em todas as linhas de expressão de William. – Às vezes penso que ela seria mais feliz em Saphiral.

—É, mas você não a teria por perto – um sorriso fraco surgiu no rosto dela.

—Evie não gosta de mim, ela me acha patética, eu sei – falou num suspiro – Ela disse isso várias vezes, a última quando me comparou com uma vaca premiada.

—É como meu irmão te tratou toda a vida – o sorriso dela sumiu, as lágrimas teimavam em brotar em seus olhos.

—Eu sei – sussurrou.

—Desculpe, eu não quis dizer isso – William sentou, uma lágrima solitária desceu por seu rosto. – É que Estevão...

—Tudo bem, eu sei – ela secou a lágrima e o olhou – Você é um ótimo pai para Orion, acredito que seria ótimo para outro filho – sorriu – Seu irmão quer mais...

—Mais bebês? – ela assentiu – Para que? Vocês tem sete!

—Foi o que disse para ele – encostou a cabeça no ombro dela – Eu acho suficiente, ele aparentemente não.

—Será que se eu quiser outro filho, Orion ficará magoado??

—Acho que Orion adoraria ter irmãos – William afagou a bochecha dela. Estela o lembrava de Auterpe, alguém de quem ele por lembrar sua cunhada.

A futura rainha de Calasir entrou em seu quarto, desde o incidente com Jonan, ela vinha evitando ficar pelos corredores, não sentia vontade dos toques de Eilon, mas não o repelia quando era procurada, afinal, essa era a obrigação dela como esposa.

—Ela está me provocando – Eilon disse entredentes.

—Ela faz provocações há anos – Elisa sentou na cama – Deixe ela para lá. – a menina deitou sem fechar os olhos, quando fazia via o rosto de Jonan a encarando, ouvia ele falando que mataria seus irmãos.

—O que você tem? – o garoto sentou ao lado da cabeça da e acariciou os cabelos.

—Nada – suspirou – Está tudo bem – sorriu.

Mandrik estava no meio de Navi e Leodak, cada um estava deitado em um lado de seu peito, ele acariciava ambos simultaneamente sorrindo, gostava quando tinha momentos assim, mas algo estava comichando e ele precisava falar.

—Eu tenho algo para contar – disse num sussurro, Leodak levantou a cabeça curioso, Navi apenas olhou para cima e arqueou a sobrancelha – Eu...bom...

—Fale logo – Leodak pediu.

—Lembram quando fui para Interlok logo depois do retorno para Saphiral? – Navi lembrava porque havia se sentido imensamente desconfortável sem Mandrik ao seu lado na fortaleza em sua primeira lua, mesmo que Estela fosse totalmente compreensiva, ela não era exatamente um porto seguro para ele. Os homens assentiram – Eu reencontrei uma mulher das antigas, do tempo da conquista, o pai dela me convidou para beber, o vinho estava bom, a comida também, acabei não vendo a quantidade de bebida e quando me dei conta... – respirou fundo, era o momento de contar, não podia esperar mais, alguém além de Estevão precisava saber. – Eu acabei passando a noite com ela.

—E por que está confessando a traição agora? – Navi sentou na cama.

—Porquê... – Mandrik olhou ao redor – Porque nasceu um filho da nossa relação – respirou fundo, um peso saiu de suas costas – Ela criou como irmão, mas agora o garoto descobriu a verdade e será mandado para cá a fim de que eu termine de criá-lo – Leo estava com os olhos marejados, não conseguia acreditar que Mandrik havia sucumbido as graças de uma mulherzinha qualquer e ainda por cima feito um filho nela!

—Como você pode?! – Leodak levantou gritando – Você nos traiu!

—Não...sim, mas eu estava bêbado! – defendeu-se.

—Não justifica nada! – Navi levantou – Você nos traiu e escondeu isso por catorze anos!

—Eu não sabia como contar...eu tive medo de perder vocês – Mandrik parecia inabalável, não estava chorando, mesmo que sentisse muito. – Conseguem me perdoar?

—Eu...eu não sei, preciso pensar – Leodak levou a mão ao rosto para esconder o choro – Quero você fora daqui! – apontou para a porta.

—E para onde eu vou? – Mandrik levantou enfiando-se nas calças.

—Em qualquer quarto dessa fortaleza que seu amigo construiu – Navi levantou e abraçou Leodak – Nos deixe pensar. – o conselheiro de Estevão assentiu, colocou a camisa e saiu, seu peito pesava, não queria os magoar, por isso havia escondido por tanto tempo.

Shirley era uma garota, dona de belos cabelos loiros escuros e olhos castanhos, ele havia ficado com ela antes da conquista, não prometeu casamento como Estevão havia feito com Cassandra, mas mesmo sem promessas eles conseguiam aproveitar. Naquela viagem ele a reencontrou, ela estava com os pais porque seu marido havia embarcado em uma viagem pelos mares; Shirley o convidou para um vinho com assado, eles beberam além da conta e acabaram na cama, Mandrik foi embora assim que acordou. Na outra estação, quando ele voltou para Interlok para convidar os condes de lá para as festividades da primeira estação dos gêmeos, ele encontrou Shirley com um bebê recém-nascido, era lindo, tinha os cabelos loiros escuros e os olhos castanhos, em segredo ela confessou que era deles, mas seus pais iriam criá-lo como filho. O menino tinha o nome de Maximillian, mas todos o chamavam de Max.

A época favorita de Max era quando seu “tio” Mandrik aparecia, eles brincavam, o “tio” ensinava a empunhar espadas e a se defender com elas, inclusiva havia mandado fazer uma espada longa, belíssima, com a qual ele presenteou o menino na última vez que foi à Interlok.

Naquela manhã, Mandrik recebeu uma carta onde informava que o menino havia descoberto tudo e iria para Drakoj em busca do pai, chegando para tempo do baile, provavelmente. Ele não podia mais escapar da verdade.

—O que faz aqui? – Estevão perguntou ao ver Mandrik entrar na sala do conselho.

—Contei para eles – Mandrik se jogou no sofá.

—Contou de Max? – arqueou a sobrancelha surpreso.

—Sim – confirmou – Agora é só esperar ele chegar, preciso começar a treinar o conselheiro do futuro rei – eles trocaram um sorriso sincero, Mandrik sentia em ter magoado os dois, mas precisava se acertar com o menino.

Max com certeza não chegaria na fortaleza sobre o melhor clima.