Elisa estava na cama, os joelhos dobrados, usava uma camisola de seda branca, imaginava o quanto sua mãe devia ter ficado bonita quando usou aquela roupa. Ela pensava no problema que haviam causado, logo eles, que sempre haviam sido perfeitos e obedientes, mas isso só aconteceu porque seu pai não os escutou, ambos pediram pela reconsideração, o que Estevão não fez, ela queria sua mãe, queria um abraço dela, conversar. Greta entrou no quarto, trazia nos braços um vestido verde. A criada era jovem, não tinha vinte estações, possuía longos e grossos cabelos negros, pele alva e lindos olhos azuis; havia chegado na ilha quando ainda era uma criança, viera com sua mãe, que tinha aceitado o emprego na nova fortaleza. Seu sonho de infância era conhecer os dragões, o que aconteceu em seguida que chegou, quando a rainha pousou na ilha ao lado dos filhos.

—Bom dia, alteza – a criada sorriu – Como foi a noite? – ela tentava discretamente buscar alguma mancha de sangue na roupa branca ou nos lençóis, precisavam anotar que o casamento havia consumado.

—Bom dia, Greta – Elisa levantou, tudo estava impecavelmente limpo, a menina percebeu a expressão de surpresa no rosto da criada – Não precisa procurar por sangue – sorriu – Eilon não me toca – o sorriso vacilou.

—Por quê? – perguntou enquanto a princesa se despia.

—Porque me acha muito nova – Greta conteve o sorriso, ela havia perdido a virgindade quando tinha pouco mais que a princesa.

—Seus lábios cicatrizaram – a criada falou tocando os lábios rosados da menina e tirou o adorno da cabeça da garota.

—Estou com saudades de casa – Elisa sussurrou engolindo as lágrimas que brotavam em seus olhos. – Queria estar com minha mãe – murmurou enquanto a outra a abraçava.

—Sabe, eu vim para cá só com minha mãe – esfregou os braços da princesa – Meu pai nos abandonou e logo depois o senhor conselheiro da cidade anunciou a finalização de Dragoi, ofereceu lar e comida para quem viesse. Estranhamente o navio não veio tão cheio.

—O povo teve medo?

—Sim, todos tinham medo de como seria viver na ilha, mas não é tão ruim quanto parece – Greta alisou os longos cabelos brancos. Elisa encarou seu reflexo no espelho, ela não queria ficar na ilha para sempre.

Eilon estava num das guaritas do muro, Castor, um dos soldados da fortaleza, estava ao seu lado, eles observavam o mar, um longo lençol azul, lá no horizonte conseguiam ver a cidade, Drakoj se erguia imponente, como seu pai sempre sonhara. Ele precisava estar pronto para qualquer coisa.

Evie ria em seu quarto, a alegria estava invadindo cada centímetro do seu corpo, estava livre de Eilon, verdadeiramente livre, não haveria brecha para esse casamento acontecer.

—Muita alegria, prima – Orion riu sentado na poltrona no canto do quarto. – Por que está tão feliz?

—Eu estou livre do bezerro de ouro – Evie fez uma dancinha.

—Como? – Eveline estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu que o primo estava em seu quarto.

—Ele casou com Elisa. Casaram na fé da minha mãe em Dragoi – a princesa rodopiou, parou e olhou para Orion – Como você entrou?! – o garoto apontou para o espelho – Como?!

—Truques – ele sorriu e deu de ombros – Agora você precisa permanecer no personagem, precisa fazer que eles se sintam culpados.

—Mas eu estou feliz!

—Eles não podem saber! – avisou – Fique no quarto por um tempo, eu irei trazer comida para você.

Por dois dias o drama de Eveline foi convincente, Orion pegava comida para mais e levava para ela, a princesa estava ficando irritada em precisar fingir uma tristeza que não existia nem um pouco. Naquela manhã, Orion disse que não poderia levar o desjejum, iria sair com seu pai, então Eveline se obrigou a descer, chegando atrasada.

—Acabou o drama? – Ethan perguntou ao ver a irmã.

—Você não entenderia a dor de um coração partido – sentou pesadamente em uma das cadeiras.

—Pelo Grande Dragão, você detesta Eilon! – o garoto praticamente gritou – Esse casamento foi um alivio para você.

—Então é assim? – Evie queria rir, o irmão era mais esperto do que parecia – E se Evan quisesse casar com Elora, você aceitaria?!

—Elora não iria querer Evan – respondeu tranquilamente – Ele é mais novo que ela.

Estevão olhou para a esposa, ele precisava fazer algo para colocar o castelo em ordem novamente ou toda sua dinastia estaria perdida. Mal terminaram a refeição e o rei puxou seu conselheiro para a sala do pequeno conselho, Mandrik não queria nem pensar no que viria.

—Quero uma frota zarpando entre hoje e amanhã para trazer meus filhos de volta – comunicou – Mande soldados e faça aquelas crianças voltarem!

—Vai atacar seu próprio filho?! – Mandrik não acreditava naquilo, achava impossível Estevão machucar Eilon.

—Não seja idiota – o rei respondeu servindo vinho para eles – Eu não sou louco – Mandrik queria discordar – Eles estão com dois dragões adultos, atacar seria morte na certa, mas vamos assustá-los.

—O que acha se eu for? – Estevão concordou em um aceno.

Orion sacudia em cima do cavalo, seu pai mantinha um ritmo constante, dizia ele que precisavam ver como estavam as coisas na rua dos ferreiros depois de uma briga feia que tiveram.

—Pai – ele olhou para o garoto – Por que você não volta para Ruphira?

—Aconteceu algo chato – William coçou a nuca – Eu fui convidado a me retirar – sorriu sem graça.

—Como você conseguiu isso?! – Orion estava com uma expressão indignada.

—Bom...eu me desesperei quando levaram você para o refúgio, achei que estavam te roubando – sorriu.

—Ah – as peças pareceram se encaixar na cabeça de Orion – Faz sentido. Por isso você só fica na semana que o portal está aberto.

—Sim, farei isso até o fim dos meus dias – eles trocaram um sorriso sincero, um sorriso de pai e filho.

A rua dos ferreiros estava uma bagunça, mesas espalhadas por todo lugar, pedaços de madeira ocupavam a estrada, o princípio da discussão havia sido tão irrelevante que nem lembravam. William questionou alguns ferreiros, nenhum sobre dizer quem havia começado, talvez todos, talvez nenhum. Um pequeno grupo de jovens estavam descendo em direção ao porto, vestiam armaduras e empunhavam lanças, o conselheiro arqueou a sobrancelha ao ver aquilo.

—Garoto! – gritou para o que vinha por último, ele parou e virou para William e Orion – Onde vão?

—O rei convocou soldados para buscar príncipe Eilon e princesa Elisa – informou o soldado.

—Merda – foi tudo que William falou antes dos cavalos começaram a correr em direção ao castelo, Orion não estava entendendo o que aquilo significava, mas seu pai parecia saber.

William pulou do cavalo assim que chegaram na porta do castelo, conseguia ver um dos navios da frota real no porto.

—O que você vai fazer?! – William gritou ao entrar na sala onde Estevão estava. Estela olhou de um para outro – Por que está mandando soldados atacar seu filho?

—Estevão? – Estela levantou – É verdade?!

—Não vão atacar – ele falou suavemente – Vão assustar.

—Por que você quer assustar Eilon e Elisa? O que acha que vai ganhar com isso? – a cada passo a voz de Estela ficava mais alta, estava nervosa, pois se os filhos atacassem os soldados, o povo ficaria contra eles e isso seria péssimo – Não há como voltar atrás! Você só vai causar mais briga! – Estevão ficou de pé num rompante, segurando os braços da esposa com força, há anos não aplicava tanta brutalidade, Orion estava atrás do pai com os olhos arregalados.

—Eu sei o que faço – rosnou, queria dizer que havia explicado a função da esposa anos antes, mas isso levaria a mais brigas. – Confie em mim – a beijou com força antes de largar – Eles não atacarão nossos filhos, Mandrik foi junto para evitar qualquer atrito.

Estela caiu sentada no sofá completamente desolada, o pai de seus filhos estava tramando contra eles. Ela parou, piscou lentamente e olhou para cima, Estevão mantinha um sorriso calmo no rosto.

No jantar daquela noite Estela não apareceu, ficou em seu quarto, não tinha ânimo para ficar na mesa com todos os outros, sabia que seus outros filhos não tinham culpa, mas não queria encarar as cadeiras vazias de Eilon e Elisa. Sentia culpa, lembrava que Eilon pediu sua ajuda para convencer Estevão o casar com quem ele realmente amava e ela havia se recusado, que tipo de mãe era? Deveria ter feito o que seu filho pediu, como interviu por todas as vezes que Evie fora desobediente e causou confusões. Respirou fundo, ela protegia Artemisa e não Eveline, a protegia tanto porque era filha do homem que despertou sentimentos fortes demais para conter, era filha de um rei, um rei que não era seu marido.

Em Dragoi, Elisa e Eilon estavam sentados à mesa do solário, a lua brilhava lá fora, fazendo o mar se iluminar, ao longe eles conseguiam ver a silhueta de Drakoj, a menina suspirava vez ou outra enquanto comia.

—Está bem? – Eilon perguntou.

—Quero voltar para casa – olhou para ele com os olhos marejados.

—Não podemos – sorriu fraco – Ainda não.

—Eilon... – Choramingou – Estou com saudades de mamãe.

—Eu também, mas se voltarmos agora, tudo que fizemos será em vão – pegou a mão – Papai vai anular nosso casamento e me obrigar casar com Eveline. Você não quer isso, quer?

—Não – disse olhando para o prato.

—Ótimo, então vamos ficar aqui – beijou o rosto dela suavemente.

Naquela noite Elisa deitou abraçada em Eilon, que acariciava seus cabelos levemente, sentia o cheiro doce dela, a pele macia, Elisa sempre foi delicada e decidida na mesma proporção, sempre esteve ao seu lado, até quando Eveline o derrubou da escadaria do covil num ataque de fúria, foi Elisa que o ajudou levantar e se limpar. Seu pai havia errado na escolha da noiva, mas ele jamais erraria, Elisa havia nascido para ele.

—Eilon – ela murmurou descendo a mão para o meio das pernas do garoto.

—Oi – respondeu beijando o topo da cabeça dela.

—Eu quero... – Elisa apertou o membro dele, o fazendo gemer.

—Não – ele tirou a mão dela, ouvindo um gemido de frustração – Eu disse que vamos esperar você ter uma idade mais adequada.

—Condessas e ladies que casam com a minha idade normalmente tem filhos no ano anterior – resmungou – Eu não preciso de filhos, não agora, só preciso que você me toque como mulher. Como a sua mulher – Elisa segurou o queixo dele e o beijou com força.

—Estou te tocando como minha mulher – ele virou ficando de frente para ela – Ou acha que eu deitaria assim com minha irmã? – eles riram.

—Por favor, Eilon – roçou os lábios.

—Podemos fazer outras coisas – ele a girou, deixando a menina por baixo, a montou e buscou em sua mente as noites nos bordéis que o pai mandava Mandrik o levar, óbvio que seu pai não iria, não queria causar brigas com a mãe, eram divertidas, as prostitutas eram bem solicitas, aceitavam qualquer tipo de coisa e ensinavam muitas formas de prazer, tanto nele quanto nelas.

Eilon começou com mordidas no lóbulo, descendo para o pescoço e para o colo, espalhando beijos pelo caminho, Elisa estava arrepiada, em êxtase pelo toque diferenciado; ele abriu as fitas da camisola, desceu beijos para a barriga, a garota estava cheirando a rosas e canela, agradecia ao deus por eles tomarem banho na mesma frequência que a mãe, o que era bastante.

Ele a olhou, o rosto delicado completamente vermelho, o lábio inferior estava sendo fortemente mordido num misto de desejo e prazer. Os dedos começaram a estimular a garota devagar, Elisa curvou as costas num gemido, nunca havia se tocado, nem sabia que era possível obter prazer dessa forma. Eilon se divertia com gemidos enquanto se tocava simultaneamente, observava o quanto o corpo dela era perfeito, os seios firmes e pequenos, a cintura definida, percebia também o quanto o gemido dela era maravilhoso, naquele momento se arrependeu de não ter oferecido isso antes.

Elisa sentiu as pernas fraquejarem antes da visão ficar turva e logo em seguida escura, foi quando ela gritou de prazer, agarrando-se aos lençóis e fechando os olhos com força, nem ouviu quando seu marido gemeu e a lambuzou de gozo.

Eles adormeceram completamente absortos de prazer.

Mandrik desceu do barco logo depois do nascer do sol, haviam navegado toda a madrugada, já que tiveram um atraso e só saíram tarde da noite, então demoraram o dobro do que demorariam em velocidade normal; espreguiçou-se, ele havia vindo à Dragoi apenas uma vez, quando estavam terminando a construção, depois do término nunca mais fora até a ilha. Viu os dragões dos garotos perto do castelo, não podia negar que eles foram destemidos em contrariar o pai, mas também sabia que Estevão não ficaria furioso com eles para sempre, eram seus filhos favoritos.

O conselheiro se aproximou e foi prontamente impedido pelos guardas.

—Eu sou o conselheiro supremo, quero falar com o príncipe e com a princesa! – informou rispidamente, está a sem paciência para esses soldados de meia tigela.

—Temos ordens de não deixar ninguém entrar – o mais alto avisou. Mandrik revirou os olhos.

—Deixe ele entrar – a voz de Eilon soou de uma das guaritas, ele sorria para o conselheiro de seu pai – Tio Mandrik é bem-vindo. – as lanças liberaram passagem, a porta da fortaleza foi aberta. Elisa estava no jardim, lia um livro tranquilamente, ficou surpresa quando o conselheiro de seu pai entrou – No que posso ajudar, tio Mandrik? – Eilon perguntou ainda lá de cima.

—Vamos para Drakoj – anunciou.

—Não, ainda não – Eilon desceu a escada que contornava a porta da fortaleza – Papai não vai reconhecer nosso casamento.

—Vocês consumaram? – o rosto do conselheiro ficou pálido.

—Não, ainda não – Elisa sussurrou, o rosto corado pensando na noite anterior.

—Ótimo. Vamos embora – Mandrik apontou para a porta.

—Não enquanto nosso pai não validar nosso casamento – Eilon se aproximou da esposa – Ou ele reconhece como legítimo ou ficaremos aqui.

—Ah, Eilon, deixe de pirraça! – o conselheiro falou – Seu pai também está de birra. Acha mesmo que ele não vai validar o casamento dos filhos favoritos?!

—Papai disse que não vai reconhecer – Elisa disse.

—Mas vai, mesmo que ele esteja dizendo que não – o conselheiro se aproximou – O pai de vocês só está irritado porque vai precisar refazer os planos e casar Evie com Jonan. Todos sabemos que Evie não é uma pessoa muito calma e será uma noiva bem complicada – Elisa abraçou Eilon – Casar ela com Elion era fácil porque ficaria perto de Estevão e o controle seria maior – o conselheiro sorriu para a princesa.

—E se ele não concordar com a validação? – Eilon analisou o homem.

—Eu ajudarei vocês – colocou a mão no ombro dele – Tanto eu quanto sua mãe tentamos fazer seu pai repensar, agora não pode mais voltar atrás, nem tem outra saída — abraçou o menino – Eu prometo que vamos convencer ele, mas vocês precisam voltar, a mãe de vocês não está saindo do quarto, mal está comendo – Elisa mordeu o lábio e olhou para Eilon.

—Nossa mãe pode vir para cá? – Elisa perguntou.

—Ela pode, mas o certo é vocês irem. A casa de vocês não é aqui – Mandrik contornou o rosto da menina – A casa do herdeiro do trono é a fortaleza Balaur, em Drakoj. A casa de Ethan e Elora será Interlok. Dragoi será a casa de Evan e Elia, eles estão destinados a ficarem aqui, não vocês. – Elisa baixou os olhos, encarou a grama e suspirou.

—Vamos voltar, Eilon – olhou para o garoto.

—Não hoje – ele sorriu – Hoje tio Mandrik é nosso convidado.

—Ótimo, aproveitamos a oportunidade para assustar o pai de vocês – Mandrik riu antes de seguir o casal para dentro.

Estevão estava em surto dentro da sala do pequeno conselho, estava bebendo mais que o comum, pensava no seu filho de ouro, estava com saudades dele, sentia falta dos questionamentos durante as reuniões, falta dele à mesa nas refeições e sentia falta de ver o dragão vermelho no céu. Estela entrou enquanto ele secava as lágrimas e olhava pela janela.

—O que você tem? – Estela estava pálida, estava nervosa com a atitude dos filhos, queria eles perto, queria a paz e a harmonia entre todos. – Por que não pode escutar a mim e ao Mandrik?! Por que recusou a proposta de Eilon casar com Elisa?! – ela caminhou até ele o acertando diversos tapas no ombro, Estevão não reagiu – Traga meus filhos de volta! – gritou, então ele segurou os pulsos dela antes que recebesse mais golpes, Estevão a encarou antes de a apertar contra o peito, onde sentiu os soluços – Eu quero eles comigo, por favor, os Traga de volta – choramingou, ele beijou sua testa suavemente.

—Vocês tinham razão – o rei admitiu – Fui teimoso em não ouvir vocês – beijou a bochecha dela, onde uma lágrima escorria – Vamos validar o casamento deles, casamos Eveline com Jonan e as coisas se acertam.

—Promete? – segurou o rosto dele com as duas mãos.

—Sim – beijou a esposa – Prometo. – sorriu.

Orion e Evie estavam conversando no quarto, ela olhava para o horizonte preocupada, pensava se o irmão realmente voltaria algum dia ou se rebelaria definitivamente contra o pai, faria um reino independente e esse tipo de coisa.

—Se meu irmão declarar um reino, eu farei o mesmo – avisou ela para o primo.

—Com qual exército? – Orion perguntou arrumando as roupas da prima.

—Você, oras – deu de ombros – Se você atingir os soldados com raios, a guerra está ganha – sorriu – E agora eu tenho um dragão.

—Um dragão que é, no mínimo, cinco vezes menor que os outros – a lembrou – Seu pai não invadiu onde seu irmão está porque ele tem dois dragões adultos.

—Mamãe tem Jaspe, que é maior que todos – a princesa virou para o covil, seu quarto não tinha uma boa vista.

—E sua mãe atacaria seu irmão? – ela bufou.

—Não acredito que papai atacou Eilon, não de verdade – seus dedos correram pela saia do vestido – Quando posso voltar a usar minhas roupas?

—Deixe disso, nem é desconfortável – ele se aproximou – Quando eles voltarem precisa estar perfeita e usar todo o drama que conseguir.

—Eu farei – ela o abraçou – Obrigada por se importar comigo e me ajudar em incomodar meu irmão.

—Eilon é bem desprezível, merece ser incomodado – ele sorriu pelo abraço.

Naquele almoço a rainha estava presente, tinha uma feição chorosa, olhos inchados, rosto vermelho, ao menos ela é Estevão haviam conversado sobre o melhor caminho a seguir e felizmente concordado pelo mesmo, talvez Evie fosse feliz como futura condessa de Melon, Carlo seria um bom sogro, ao qual Estevão já havia convidado a ir até Drakoj acertar alguns detalhes do casamento, ele não comentou sobre a troca de noivas. Essa troca não deixaria Jonan muito feliz, aos dezesseis anos já era temperamental e há muito tempo, quando seu pai comentou por cima o plano de o casar com a princesa Elisa, desde então sonhava em deflorar a jovem inocente e doce, havia a visto em alguns bailes, nunca se aproximou dela, já que o irmão agia como um cão de guarda.

Jonan bebia mais que o ideal para a idade, não puxara o temperamento dócil de seu pai, todos torciam para que ele não assumisse o ducado, mas sim seu irmão mais novo, Michael, no entanto, o casamento com a princesa Elisa era planejado há muito tempo, não que eles fossem o condado mais influente no reino, mas geravam muitas frutas para as vendas, eram completamente fiéis ao rei, tudo ficaria ainda mais perfeito. Jonan amou a ideia quando soube, mesmo que seu pai pedisse segredo absoluto; ele conhecia a princesa de vista, a conheceu em bailes, nunca dançava com ela porque o herdeiro do trono estava sempre perto, a rodeando, o que era divertido, ele ria pensando no quanto Eilon estava temperando alguém que não iria comer, a princesa Elisa seria dele e só dele.

O dia estava se pondo quando silhuetas foram avistadas, na frente vinha um navio da frota real, a vela ostentando o dragão verde, Mandrik ria na proa, havia conseguido um feito que daria imunidade para muitas mais respostas ríspidas, Estevão poderia colocar mil defeitos neles, mas era o homem mais fiel naquele reino, o mais disposto a conquistar as coisas para ele.

Estela gritou de alegria quando avistou o dragão vermelho e o azul sobrevoarem a península, os dragões que estavam no covil rugiram, como se soubessem que os outros estavam de volta, a rainha desceu a escadaria correndo, encontrando com William já no hall de entrada.

—Eu não acredito que aquele chato conseguiu – William olhou para as feras, Mandrik havia conseguido, pelo menos Estevão pararia de chorar na sala do conselho, mas ele queria que sua intervenção fosse necessária.

Eveline estava na sacada, viu os dragões que vinham em direção a fortaleza, os cabelos brancos dos cavaleiros brilhavam como ouro devido a luz do sol, daria uma bela pintura, talvez pintassem algo parecido com eles, revirava os olhos só em pensar nisso, seria ridículo. Porém ela tinha algo para focar, precisava fazer um drama digno de aplausos, precisava semear culpa em Elisa, não porque queria Eilon, que os deuses a livrassem, ela queria desestabilizar o casal perfeito.

Orion ouviu o som do voo, das asas batendo perto do telhado do castelo, se juntou a ela na sacada.

—Droga, eles voltaram...