Notas iniciais
Exagerei. Mas, esse é o último que exagero e passo das 3 mil palavras. ~Enjoy~♥

Quando o voo terminou, Auterpe segurou a mão de William.

—Eu sei que você não está tão feliz com cargo de Rei. – Ele a olhou surpreso. – Dá para ver.

—Não é isso. Eu... – Auterpe respirou fundo e o beijou suavemente.

—Quero que saiba que eu nunca colocaria você em nenhuma decisão grave ou muito grande sobre Ruphira. Apenas qual será nossa próxima refeição e tudo estará nas mãos de Lennus. – Ele parecia menos nervoso. – Eu também fico com medo. – Ela dizia enquanto caminhavam até o quarto. – Eu vim pra cá com 15 anos, sem meu irmão, para ver deuses completamente diferentes dos que eu conhecia e ajudar um reino completamente diferente.

—Mas, você parece tão apegada a eles, e eles. – Antes que ele terminasse de falar Auterpe começou a tirar a roupa dele. – E o bebê? Calma... – William disse rindo entre os beijos energéticos da Rainha.

—Com o tempo e as festividades você percebe que ter uma aliança é bem vantajoso... – Ele respirou fundo. – Prometo que você não terá decisões mega importantes.

—E quanto ao nosso bebê? – Ela fazia carinhos em seus cabelos. – Porque será uma decisão importante assim que ele nascer. – Ela acenou positivamente.

—Qualquer decisão que você não julgue ser muito estressante.

—Nada sobre nosso filho será estressante... – Ele fez uma pausa. – Apenas se ele começar a sair da linha. Ou não obedecer, isso seria estressante.

—E você era um bom garoto quando mais novo? – William olhou em volta. – Com certeza era o mais fofo entre todos. – Ela voltou a beija-lo antes que pudesse responder.

Antes de Tonatiuh nascer, Auterpe começou a sentir uma dor lancinante, que começava em suas costas, iam em direção a sua barriga ficando dura por uns instantes, em seguida a dor se espalhavam por todo seu corpo fazendo com que ela desse um grito, que acabou emitindo um choque que acabou fazendo William pular da cama.

—O que foi? O que aconteceu? – Auterpe ficou muda por uns segundos, antes de gritar novamente. – (...) William ficou mudo, ele ficou pensativo por alguns segundos.

—Vai nascer... – O olhar dele se iluminou imediatamente, não podia ficar nervoso, tinha que ser forte para Auterpe agora, se ele se desesperasse com certeza não seria bom. – Eu... – Antes dela continuar a dizer, ela fez um movimento que ele entendeu como buscar ajuda. Ele acenou rapidamente e saiu do quarto. Gritando pelos corredores que o seu filho iria nascer.

Auterpe sorriu, porém, havia toda pressão que ela precisava fazer, ela só queria que William saísse, senão ficaria dando choques nada intencionais nele, que poderiam incrivelmente machucar. Foi quando as nuvens escuras cobriram o castelo, e os raios e trovões invadiram cada canto do Castelo fazendo todos acordarem. Estela acordou cama quando o som de um trovão que seria capaz de quebrar uma parede e estraçalhar vidros, Estevão estava anestesiado por ter voado em um dragão, sonhava que poderia levar um daqueles dragões, e ele poderia voar pelos céus junto com Estela e seria magnifico. Ele só acordou quando ouviu William bater desesperadamente na porta.

—Que diabos? – Estevão nem precisou levantar para a abrir a porta, pois, ele invadiu o quarto. – O que você está fazendo aqui?

—Eu preciso do Linor! – Tanto Estela quanto Estevão ergueram a sobrancelha. – Na verdade, Auterpe precisa do Linor! Ela está tendo o bebê e.

—Agora? – Estela perguntou surpresa. – Mas, não é muito cedo?

—A barriga dela estava dura, ela estava praticamente chorando de dor. – Ele parecia desesperado, mais assustado do que quando foi coroado, mais assustado do que Estevão jamais viu. – Ela me deu um choque, e eu não acho nenhum curandeiro.

—Como ela te deu um choque? – Estevão perguntou curioso.

—Cadê o Linor? Ela precisa de ajuda! – Antes que Estela pudesse se levantar para ajudar, Estevão respirou fundo e foi ao quarto ao lado, que era onde Linor estava.

O jovem acordou assustado, porém, ficou animado com a possibilidade de realizar um parto, de uma Rainha, do outro lado, William por outro lado estava nervoso, ansioso, se mexia e queria que eles fossem mais rápidos. Quando o garoto entrou no quarto primeiro paralisou, Auterpe não estava sozinha, deuses emplumados estavam com Auterpe irradiando raios que quase feriram William. Estevão ficou observando por um tempo quando uma mulher alta, diferente da que eles viram quando chegaram se aproximou de William e o encarou.

—Apenas o pai, e o Rei de Ruphira pode ver o nascimento. – Linor ia dizer algo sobre como ele poderia ajudar com tudo o que ele aprendeu, porém, a enorme mulher fechou a porta e arrastou William ao lado da Rainha. Auterpe olhou assustada para ele, não esperava que ele estivesse ali.

—William? – Ele se ajoelhou perto dela que estava em cima da cama e deu um sorriso. – O que está fazendo aqui?

—Parece que está sofrendo. – Ele passou a mão sobre a testa dela antes dela resmungar mais um pouco e dar outro choque em William que estava muito perto.

—Desculpa. – Ela disse em lágrimas.

—Está tudo bem. Eu não vou sair do seu. – Ele levou outro choque. – Lado. Auh. – Auterpe segurou na mão dele e quando ele suavemente encostou a testa na dela, ela apertou a mão dele com tudo, ele conseguiu ouvir a deusa dizendo “só mais uma vez”, foi quando Auterpe deu um suspiro aliviado, e William ouviu um choro.

Seu coração parou por uns segundos, ele soltou a mão de Auterpe por uns segundos e se aproximou um pouco, não muito, ele pode ver melhor, eram quatro deuses, que fizeram tudo muito rápido, e entregaram para Auterpe que estava ofegante. Mas, sorriu, olhou para os deuses e em seguida olhou para William.

—O que. Eu falo agora? – Ele deu um sorriso bobo de ver o bebê, parecia normal, muito saudável, e nem havia nascido na lua certa, nasceu antes, foi quando ele se sentou se aproximado de Auterpe e do bebê.

—Você está linda! – William disse. E... O que.

—É um menino. – O deus mais emplumado disse antes que o Rei de Ruphira perguntar. – Ruphira terá um Herdeiro!

O coração de dele batia rapidamente, olhar para o bebê o deixava alegre, de uma maneira que ele só conseguia sentir quando estava torturando uma pessoa; o que o fez se sentir estranho. Ele olhou para agora seu filho, ele nunca o machucaria. Céus, ele tinha que contar isso para Auterpe, como seria se seu filho crescesse com as mesmas manias dele? Ele torturaria aquele povo literalmente maravilhoso? Ele tinha que contar a Rainha. Não que essas loucuras e desejos passassem de pai para filho, mas e se passasse? Como ele iria explicar seu comportamento? Ele poderia ser visto como um Rei ruim e assim, poderia morrer, ou seja lá que o fariam com ele.

—Podemos esperar a cerimônia de celebração ao nascimento do Herdeiro de Ruphira? – Auterpe se virou para William.

—Sim. Faremos o mais rápido que pudermos! – Ele exclamou animadamente. – Os deuses sorriram.

—Aguardarmos Reis de Ruphira, com sua admirável celebração. – E eles sumiram, levando consigo a nuvem de raios e trovões.

Auterpe finalmente pode relaxar nos braços de William que a acolheu em seus braços. Ela estava linda como sempre, forte como sempre, e o bebê que ela segurava não era tão pequeno, era estranho, estava olhando para uma mistura sua e de Auterpe. Uma parte de seus ralos cabelos eram pretos, já a outra parte era branca, e era um menino, ele queria contar para todo mundo, mas, não queria perturbar o sono de Auterpe e do bebê. Sobre isso, ele não lembrava deles comentarem sobre nenhum nome. Naquele momento não importava muita coisa, apenas como era uma sensação nova e estranha para ele. Mas, particularmente boa.

Estevão ficou esperando William dar notícias, mas, desde que fecharam a porta na sua cara, então ele e Linor voltaram para o quarto, Estela estava sentada na cama e os olhou confusa.

—Alarme falso?

—Aqueles... – Estevão ficou em silêncio, não iria insultar ninguém. – Não deixaram ninguém entrar além de William.

—Então, estava nascendo? – Estevão não sabia responder. – O que nós faremos?

—Bom, aguardamos. Uma hora alguém diz alguma coisa.

Por um tempo tudo ficou silencioso, então Estela pensou na pior das hipóteses, de Auterpe ter morrido no parto, porque não estava na lua certa, mas, para ela as mesmas regras se baseavam nas regras do outro lado?
Um garoto que se apresentou com Guardião dos Rubis, que tinha cabelos roxos vibrantes e olhos azuis serviu o desjejum na cama, pois, a Rainha não estaria disponível por uns momentos, o que fez com que Estela sinceramente considerasse a possibilidade do bebe ter morrido. Mandrik, Linor, Leodak se juntaram a Estela e Estevão para o desjejum em seu quarto, mesmo que pequeno havia um espaço para uma mesa e sete lugares bem perto da janela, tudo estava quieto.

-Eu imaginei que isso poderia acontecer. – Linor disse se virando para Estevão que o olhou sem entender. – Eles não conheciam todas as técnicas para manter um bebê vivo.

—Linor! – Estevão exclamou. – Não diga uma coisa dessas. Não perto de Estela.

—Mas, o que aconteceu afinal de contas? – Mandrik perguntou, não havia visto a correra porque seu quarto era bem mais longe que o de Estevão. – William pediu ajuda e depois?

—Não tinha ninguém a postos para socorrer a Rainha. – Estevão disse claramente. – E quando chegamos lá, eram tão altos quanto a mulher que recebeu Auterpe quando chegamos aqui. Não nos deixaram entrar. – Estela parou de comer, não se sentia bem. Estava preocupada.

—Talvez William não tive um sangue tão forte quanto da Rainha... – Mandrik comentou e em seguida recebeu um cutucão de Leodak, era totalmente indelicado dizer aquilo. Eles nem sabiam o que tinha ocorrido.

Eles continuaram conversando durante toda a manhã quando de repente a porta se abriu, era o Guardião que veio lhes trazer o desjejum. Ele deu um sorriso para Estela e fez uma reverencia geral para todos; nada formal.

—O Rei de Ruphira está no Salão, ele está convocando a todos para um comunicado. – Antes dele sair Estela o chamou.

—Qual é o seu nome mesmo? – Ela perguntou, e o Guardião pareceu surpreso. Ninguém falava com os Guardiões com a mesma frequência que falava com o resto da corte do Castelo.

—Emil.- Ele disse sutilmente. – Mas, o foco é que o Rei gostaria do comparecimento de todos. – O Guardião os guiou através dos corredores chegando a um Salão repleto de ouro, com pedras preciosas decorando o local, e toparam com William sorridente. Por um momento houve uma expressão de confusão.

—Eu, William, como Rei honorário de Ruphira. – ele olhou para o lado, Lennus acenou pra ele. – Quero anunciar duas coisas. – Estela segurou na mão de Estevão. – Eu sou pai de um Herdeiro lindo e uma cerimônia em homenagem a ele será realizada hoje!

—Como? – Estevão se aproximou do irmão. – Mas.

—Ele é lindo! – Ele disse dando um pulo e abraçando Estevão, seguido de Estela, na verdade, eles foram pegos de surpresa.

—Mas, não estava na lua e.

—Verdade! — William interrompeu Linor. – Estava no sol certo! E ele é lindo! Ele é um pedaço de mim, um pedaço meu e de Auterpe e. Caramba, Orion é lindo.

—Orion? – Leodak repetiu.

—É m menino! Meu Herdeiro! Herdeiro de Ruphira! Como eu posso ter feito um filho tão lindo?

—Majestade. – Lennus chamou a atenção dele. – Podemos arrumar as coisas?

—Claro! – Ele sorriu para Estela. – Vejo vocês daqui a pouco. – E dando um beijo na testa de sua cunhada ele se retirou. Estela sorriu para seu marido.

—Ele está animado.

—(...)

—O que foi querido? – Estevão não acreditava, seu irmão teve um filho primeiro que ele, virou Rei sem quase nenhum esforço e seu primeiro filho era um menino que se atreveu a nascer antes de seu filho. Então ele voltou a atenção para sua esposa.

—Bem... Eu nunca vi William tão feliz. Tão feliz sem uma faca na mão. – Mandrik concordou e eles foram se arrumar, pois, havia um ponto positivo ali, todo mundo era animado, e pelo que Estela percebeu, o castelo havia se tronado movimento e “vivo” depois que o “Rei” anunciou que o bebê havia nascido, era como se eles esperassem a boa notícia antes de fazerem qualquer coisa.

Naquela ocasião, os Reis de Calasir estavam autorizados a usarem suas habituais cores verde para a celebração do nascimento do Príncipe. Desde, que na roupa houve um detalhe roxo ou dourado. E ele optou por detalhes dourados, Estela queria um detalhe roxo sobre sua roupa, porém, ele não queria que ela parecesse diferente dele.
Eles foram para o pátio da frente, diferente de onde ocorreu a coroação, haviam os tronos e quando Auterpe entrou na frente parecia cansada, mas mantinha uma postura firme, e para surpresa de todos, William estava segurando o bebê. Entre aspas, ele segurava o bebê com o auxílio e suporte de uma tipoia, um pano roxo que detalhes em dourado. Ele só precisava manter os braços sobre o Príncipe.

—Quem diria? – Mandrik quis rir quando viu aquilo, por outro lado, Estela estava encantada, o bebê tinha cabelos metade pretos e metade brancos, ele não exagerou que disse que era um pedaço dele e de Auterpe. E os três juntos eram basicamente lindos, eram perfeitos juntos, era assim que ela queria que seu casamento fosse. Antes que se aprofundasse mais nisso e pensasse no outro Rei de cabelos brancos

A Rainha tomou a posição na frente de todos os súditos do reino, deu um sorriso para eles e acenou para os convidados, Estela lhe devolveu o sorriso. Ela ajeitou o corpo e Lennus a ajudou a sentar-se, ela sabia que William estava nervoso demais para abrir as celebrações. Deu um sorriso pra ele e deu lhe um beijo.

—Caros habitantes de Ruphira, deuses, e convidados de Calasir, gostaria de lhes apresentar o Príncipe de Ruphira; Orion! – Ela o pegou do colo de William e o levantou, por um momento o coração do Rei quase parou, ele ficou com medo da Rainha derrubar o bebê, mas, assim que todos aplaudiram e gritaram jogando flores e ramos Auterpe devolveu o bebê para William. – Está tudo bem?

—Achei que você fosse jogar ele. – Ela sorriu. – Desculpe.

—Essa celebração é em homenagem ao Príncipe, então, eu lhes pergunto, o que queremos para o Príncipe?

—O melhor! – Todos berraram.

—E que ele receba o melhor que os deuses puderem receber! – Houveram palmas, gritos e Auterpe estava feliz. – Que o Torneio comece!

Haviam vários homens armados até os dentes que entraram na arena, eles não se apresentaram, mas, Estevão estava de olho neles, não tinha porte de grandes campeões, mais cada um tinha um aspecto importante, todos eram fortes, e com certeza habilidosos, não como os seus, mais, assim como o torneio que ofereceu para Auterpe em Calasir esperou por um show completo. Mas, o que aconteceu de longe foi como em Calasir. Auterpe precisou pegar Orion para que William visse de “mais perto”, pois, eles estavam lutando violentamente e o povo estava vibrando com isso. Auterpe pediu a Lennus que em momentos muito fortes cobrisse os olhos da Rainha de Calasir.

—Mas, o que está acontecendo? – William perguntou animado e confuso. – Vai sobrar um vencedor? – Porque os homens lutavam com muita bravura.

—Então... – Auterpe se virou pra ele receosa. – Eu sinceramente espero que você não se sinta repulsivo. – Ele olhou confuso para ela. – Vai sim sobrar um campeão, todos eles são voluntários.

—Voluntários de que?

—Eu quero que você observe e não me odeie. – Ele achou estranho o receio da Rainha, mas, voltou para observar.

Parecia que a intuição deles não era definitivamente perder, era para saber quem era o melhor, e depois de longos duelos muito curiosos e emocionantes, em que pareciam lutar pelas suas vidas sobrou um, um que não tinha tantos machucados e seu rosto não havia sido ferido, os demais estavam bastante machucados.

—Temos por fim um campeão! – Auterpe anunciou feliz. Então olhou para William, e respirou fundo. – Qual seu nome campeão?

—Altin. – Ele respondeu orgulhoso. – E Rainha Auterpe, Rei William, Príncipe Orion, é uma honra estar aqui e ser o sacrifício para o futuro Rei de Ruphira.

Sacrifício? – William perguntou, assim como os visitantes, eles não sabiam se tinha ouvido direito.

—Você quer escolher um prêmio? – William se inclinou pra frente quando a Rainha perguntou. O outro negou. – O que você gostaria?

—Alimentar os deuses com meu coração para que todas as graças caiam sobre o Príncipe. – Estevão ficou mudo.

—Você tem certeza disso Altin? – Auterpe perguntou.

—Sou sortudo em ser o vencedor mais forte, e se a minha força poder ser entregue para o Príncipe Orion será a maior honra da minha vida. – Auterpe deu um sorriso para o jovem e se virou para William que estava entrando em êxtase, um sacrifício na frente de todo mundo? Assim?

—Se assim deseja,

—Vossa Majestade. – Outro jovem deu um passo para frente. Auterpe lhe deu atenção. – Eu gostaria de ser sacrificado também. – Estela abriu a boca, foi quando Lennus pediu permissão parar retirá-la do local.

—O que tens a oferecer?

—Eu tenho os dons do fogo. Eu tenho 47 anos de lutas e estratégias. – Mandrik olhou sem acreditar, não era possível que aquele cara tivesse 47 anos. Nunca. – Quero que o Herdeiro de Ruphira tenha os mesmo dons e habilidades, assim como mais 47 anos de vida. – Auterpe olhou para William.

—Rei, você aceita o sacrifício? – Ele estava sem palavras.

—Aceitamos! Claro que aceitamos! – Auterpe acenou positivamente.

—Você tem certeza disso? – Ele acenou. – Que a cerimônia comece! – Ela se aproximou de William que estava animado, porém, com certeza ela achava que ele acharia aquilo um exagero.

O campeão foi tingido com tinta vermelha, e o jovem com tinta amarela, enquanto isso ocorria, eles acenderam uma fogueira, e dançavam, muito diferente do que eles pensaram, do que eles conheciam. Quatro homens acompanhavam os dois que subiram uma grande escadaria onde lá tinha uma pedra, que eles iriam se deitar. Auterpe entregou para William uma lâmina vulcânica, para ele entregar para um dos homens de vestes longas.
Quando ele entregou a lâmina, o homem apontou para o campeão que estava deitado sobre a pedra.

—Você gostaria? É só abrir o peito dele e arrancar o coração. – Os olhos do garoto brilharam, de uma forma eufórica.

—Eu posso?

—É para seu filho, claro que pode. – Ele olhou para o homem.

—Mas, ele ainda está vivo.

—O coração precisa estar batendo. Consegue?

E sem dizer mais nenhuma palavra sobre ele perfurou o peito do homem e arrancou o coração dele de uma forma tão meticulosa que impressionou, o Rei, era perfeito para aquele trabalho. E visivelmente lhe dava prazer. Quando ele levantou o coração para cima houveram aplausos e gritos, e Auterpe suspirou aliviada, e foi quando um deus de rosto pintado usando um cocar com penas coloridas e uma capa esvoaçante, ele se aproximou de William, que foi instruído a jogar o coração para que o deus comesse. A multidão foi à loucura e naquele ponto Leodak vomitou.
Com a mesma energia que abriu o peito de um, fez o mesmo com o outro, um corte bonito, nada bagunçado, fazendo a mesma coisa ao arrancar o coração, porém, em vez de jogar para o deus, o coração foi esmagado por uma pedra menor e o corpo do sacrificado foi jogado escadas abaixo os súditos aplaudiram e o deus disse que todas as graças seria entregues ao Príncipe, pois o sacrifícios foram gratificantes, já que o mesmo deus comeu ambos os dois depois.

Naquele dia, William e Auterpe ganharam um colar, com um Rubi médio, simbolizando o laço que tinham com Orion.

—Vamos festejar! – Auterpe exclamou, onde todos dançaram em volta da fogueira, e o almoço foi servido, porém, os visitantes não estavam com muito apetite depois do que viram, e com o tempo tampouco os sacrifícios importavam mais.

—Finalmente! – Exclamou Mandrik para Estevão que o olhou sem entender. – William achou alguém tão louco quanto ele! Que gosta das mesmas barbaridades!

—Um pouco exagerado. – Estevão falou e Mandrik riu.

—Sério? Você vai falar de exageros? Sendo que você é o rei dos exageros? Isso é cultura deles. Bizarrice deles.

—E agora William é o Rei perfeito.

Depois das festividades Auterpe foi ao encontro de Estela. Que estava no quarto, respirava fundo, a fênix estava com ela. E Orion estava em seu colo, ela foi apresenta-lo a tia.

—Me desculpa. – Auterpe disse se aproximando. – Eu sempre esqueço dos sacrifícios humanos. Eu não queria que você visse e achasse que eu sou maluca. – Estela olhou para ela.

—Não te acho maluca. – Ela disse sinceramente. – Apenas, foi inesperado para o nascimento do bebê. Oh, ele realmente é uma gracinha...

—Quer segurar? – Não tinha como o bebê de Perseu atacasse o bebê dela, a fênix estava próxima. Estela olhou com cuidado, e depois de um tempo conseguiu segurar ele. – William queria chama-lo de Erion. – Auterpe sentou ao lado dela na cama, o Príncipe era muito parecido com William, mas, também parecido com Auterpe. – Mas, Orion é ótimo.

—Como William se sentiu vendo os sacrifícios? – Estela perguntou, a outra pareceu desconfortável.

—Ele estava em êxtase. Feliz, depois pediu desculpas.

—Pediu desculpas? Porque?

—Por se empolgar demais, que não queria que o filho dele fosse assim. – Estela estava boquiaberta, aquele era mesmo William? – Nós fazemos os sacrifícios para os deuses, não acho que o povo gosta muito disso.

—Você não pode acabar com isso?

—Acabei de virar Rainha, vou fazer o melhor que eu puder para fazer outras oferendas para agradar os deuses. – Ela fez uma pausa. – Eu não queria que você vomitasse.

—Eles fizeram por vontade própria?

—Para eles é a maior honra do mundo. – Foi quando de repente alguém bateu na porta, Auterpe se pôs de pé para defender de quem quer que fosse, entretanto era Emil. – Ah! Emil, por favor, não faça isso de novo. Foi quando ele entregou um pacote.

—Desculpa.

—É do meu irmão! – Ela disse animada se sentando do lado de Estela, seu coração começou a bater forte. Quando Auterpe abriu, era um grande ramo de oliveira junto com uma coroa de oliveira, ela sorriu.

—O que é isso?

—Ele descobriu que tem um sobrinho. Está me mandando os parabéns. – Estela sorriu, era simples. – Ele não faz sacrifícios, então não se preocupe. – Havia uma carta. – Bom, ele está convidando vocês para a festa de Ártemis, e se sente bem para finalizar a aliança com vocês.

—E quando é essa festa?

—(...) Vocês ainda poderiam aproveitar o sobrinho de vocês. – Estela sorriu fazendo carinho nos cabelos de Orion, eram lindos, ela pensou com quem o bebê se pareceria, se ela olharia para o bebê e veria Perseu nele, assim como podia ver seu cunhado e Auterpe juntos em seu colo.

*

Os dias que se seguiram não tiveram mais sacríficos para o alivio de Leodak, e mesmo contido William estava se apaixonando por aquele pedacinho dele, Estela achava aquilo lindo, entretanto Estevão, não estava tão alegre, porque tinha que ser o filho dele primeiro, agora, ele tinha que apenas sorrir para o sobrinho se quisesse fazer um acordo com Ruphira também, já que seu irmão agora era Rei daquele Reino.

Foi quando algumas donzelas entraram no pátio onde William e Auterpe estavam vendo Orion sorrir pela primeira vez.

—Rainha Auterpe... – Uma das donzelas chamou, o que fez seu corpo gelar; ela se virou e sua expressão mudou. – Chegou a hora.

—Mas, não é muito cedo? – William se levantou segurando Orion no colo.

—O que é muito cedo? – Auterpe puxou ele para o lado, ela estava tentando não chorar. – O que está acontecendo? Você está bem?

—Eu vou precisar muito de você e da sua compressão.

—Sempre. Estou aqui. – Ela mordeu os lábios e seu peito doeu.

—Precisamos entregar Orion para elas. – William olhou confuso.

—Como assim entregar? Para que? Porque? O que vão fazer com ele? – Ele já estava pensando no pior.

—(...) Elas vão manter ele em segurança.

—Mas, ele está em segurança aqui no castelo, não está?

—Desculpa Rei. – Outra donzela disse. Todas elas tinham a pele bronzeada, e os cabelos cor vinho. – Mas, não estaríamos aqui se não fosse perigoso para o Príncipe. Nós protegemos Herdeiros até ser seguro eles voltarem ao castelo.

—Não! – Ele exclamou. – Não vão tirar ele de mim! De nós. Não é. – Assim que ele olhou para Auterpe ela esticou os braços para que lhe entregasse Orion, ele recuou pouco. Auterpe começou a chorar.

—Ninguém está tirando ele, vamos deixar ele em segurança em outro lugar.

—Mas, seus Guardiões não podem fazer nada? Você tem dez Guardiões!

—Eles só cuidam dele se eu morrer, então o certo é entregar ele para elas.

—Não! – William gritou, nisso os demais apenas observaram. – Podemos proteger ele.

—Por favor, eu.

—Que tipo de monstro você é? – Auterpe deu um passo para trás. – Quão maníaca e manipuladora você é? Não consegue nem proteger seu próprio filho. – Ele abraçou o bebê com um pouco de forte, o que fez a Rainha entrar em pânico.

—Como é? O que é isso? Eu quero o bem de Orion!

—Não, você quer se livrar dele! – Houve um silêncio, ela secou as lágrimas e se aproximou de William pegando Orion com cuidado.

—Você tem que me deixar explicar.

—Eu não quero que ele vá, você disse que eu poderia opinar.

—Nessa situação não pode, mas, se me deixar explicar... – William agarrou os cabelos dela com raiva, Estela colocou a mão na boca e quando ela se virou irritada, ele soltou. – Quer dar um beijo nele? – William ia pega-lo de seus braços, por isso ela deixou que ele apenas cheirasse os cabelos de Orion, em seguida ela entregou o bebê para as donzelas que fizeram reverencia e saíram. Auterpe abaixou a cabeça para chorar, porém, William começou a gritar com ela.

Palavras que ela não estava entendendo, ela queria um abraço, ela não queria gritos, ela queria que ele ouvisse, porém, quando ele segurou no braço dela com força, Auterpe o empurrou. E o encarou.

—Vai me machucar fisicamente também?

—(...) Desculpe, mas, não é justo, você não vê?

—Se você me deixar explicar eu...

—Explicar que você provavelmente é sem alma ou coração em entregar nosso filho?

—É para o bem de Ruphira e.

—Que se foda Ruphira! Que se foda essas bestas e feras aladas que você tem que agradar para viver! Eu quero o meu filho! – O rosto dela ficou vermelho.

Havia um silêncio no local.

—Eu não quero ser Rei de um Reino que tira filhos assim de repente. Nem você deveria se sujeitar a isso e.

—O anel! – Auterpe falou.

—O que? (...) Mas, a deusa me.

—O anel é seu comprometimento com Ruphira, se você não pode entender que isso é uma coisa boa eu.

—Onde deixar um filho sem pai ou mãe é uma coisa boa? Onde? Você pode ter dado ele para sacrifícios e você mesma abriria o peito dele e.

—(...) Eu quero a coroa também! – Ela esticou a mão e William entrou primeiro o anel e depois a coroa. Assim que ela a segurou em suas mãos a jogou no chão fazendo a se quebrar, junto com o piso tamanho a força que foi jogado. Estevão e Estela se afastaram junto com Mandrik. Auterpe encarava William com fúria. – Você não entenderia, nunca entendeu. E não merece nada meu.

—E nosso filho? – Auterpe o olhou desacreditada. – É meu filho também. – Ela elevou a cabeça.

—Nasceu em Ruphira. É filho de Ruphira, herdeiro dos Rubis! – Os olhos de ambos estavam cheios de lágrimas. – Ele vai saber que o pai não quis saber da segurança dele. – Ela deu as costas, porém, se virou devagar. – Com licença. – E se retirou.

William olhava ela sair com descrença. Antes que pudesse dizer alguma coisa Estevão colocou a mão em um ombro e Mandrik colocou no outro. Com certeza ele sairia correndo atrás do filho, ou atrás da Rainha para mandar trazê-lo de volta.

—Eu sabia que você não saberia ser Rei. – Estevão disse quase sorrindo. – Estava se saindo tão bem. Encontrou um Reino tão louco quanto você e ainda sim, estragou tudo.

—Caralho, a mulher te fez Rei honorário, sem nenhuma responsabilidade e você joga tudo pra fora assim?

—Meu filho! – Ele encarou Mandrik. – Eu tenho muito mais coisa na cabeça do que você, que só pensa no conselheiro do irmão dela! Com outro do seu lado.

Mandrik se irritou nesse momento.

—Estava tudo feito pra você ficar aqui pra sempre e sair da minha vista, mas, como a carniça que você é, não fica!

—Era só ter ficado do lado dela. – Estevão disse. – Mas, aí você começou a insultar tudo, e eles são loucos como você. – Estela estava preocupada com Auterpe, se ela tivesse seus bebês naquele lugar também levariam eles?

—Eu não fiz nada de errado! – William exclamou. – Eu quero que meu filho seja criado do meu lado, do lado da mãe dele e. – Estela segurou sua mão. – Parece que meus pensamentos e sentimentos nessa situação não importam!

—Você devia ter ouvido ela. – Estevão disse.

—Querido... – Estela disse calmamente. – Ele está atordoado, tiraram o filho dele. Mas, também tiraram o dela. – Houve uma pausa. – Na verdade, não tiraram, colocaram em um lugar seguro, eu sei que ela só queria você do lado dela.

—Rainha Estela, a Rainha Auterpe quer falar com você. – Lennus apareceu e falou em um tom bem calmo. Ele olhou para o chão e viu a coroa despedaçada. Deu um suspiro. – Você teve sorte. Podia ter sido sua cabeça. Na verdade, era para ter sido sua cabeça. – Enquanto William se controlava para não atacar o Conselheiro porque estava sendo segurado por seu irmão, e chorando copiosamente, o rapaz fez um sinal para ela se aproximar.

—Eu já volto. – Ela disse afagando os cabelos de William e dando um beijo em Estevão. Eles caminhavam entre os corredores que parecia um labirinto, era um labirinto, que levava até uma ampla sala de espelhos, em todas as paredes e uma enorme claraboia que permitia a iluminação. A Rainha estava encolhida no meio da sala, abraçando as pernas e chorando. – Rainha. Auterpe? – Ela olhou para Estela. – Queria falar comigo? – Ela fez um sinal para ela se aproximar, então Estela sentou-se o seu lado. – O que houve?

—Vocês não cuidam dos seus filhos?

—Claro que sim. – Estela disse tentando entender, Auterpe estava sofrendo, podia ver, podia sentir. – Mesmo que seja diferente daqui e.

—Eu não quero que meu bebê vire um sacrifício para nenhum deus. E não quero que um Rei ou Rainha o mate. Estela, eu não o afastei de William, eu estou protegendo ele, porque, a chance dos assassinos de Herdeiros virem atrás dele é muito grande. – Ela secou as lágrimas. – Ainda mais porque, muitos outros Reis e Rainhas odeiam o que minha mãe fez com seus reinos... O que eu poderia fazer? Deixar ele aqui para que fosse morto?

—Não... – Auterpe olhou para a barriga de Estela e passou a mão com calma. Não queria que ela sentisse dor. – Eu também faria de tudo para proteger meus bebês.

—O bebê de Perseu. – Estela ficou em silêncio. – Você vai deixar com ele?

—(...) Eu...

—Não estou te julgando. – Ela segurou na mão da outra. – Eu quero que saiba que meu irmão cuidaria dele com a própria vida.

—Eu acredito que sim. – Ela disse olhando para os espelhos. – Mas, Perseu disse que ele não era o pai e.

—Com certeza ele deve pensar nessa toda hora.

—Um Guardião das Safiras está aqui. – Lennus disse da porta, ele não entrou. – Ele veio buscar a comitiva. – Auterpe ajudou Estela a se levantar e a abraçou.

—Vai ficar tudo bem. – Auterpe secava as lágrimas e em seguida olhou para Estela.

—Você acha justo que meu irmão veja o filho dele também? – Ela não entendeu, foi quando Auterpe tocou na barriga dela e fez um sinal para Melerofonte se afastar, o que a ave fez. – Que Hera ajude no seu parto. – Foi quando Estela sentiu uma dor repentina na sua barriga e olhou para a Rainha. – Você vai para Saphiral agora, e vai ter seu bebê lá. Será rápido, Hera sempre ajuda à mulher não sofrer, é só lembrar de chama-la.

Estela acenou e deu outro abraço em Auterpe. Ela iria a Saphiral para ver o bebê do seu irmão de qualquer jeito.

—Encontro vocês em alguns dias...

Assim que a Rainha de Calasir chegou na entrada do castelo onde o Guardião das Safiras estava, começou a sentir um incomodo, a ave sentou-se no ombro de Musphee enquanto ele mexia os dois braços para abrir um portal, eles não iriam até o porto, porque podiam ver a entrada do castelo perfeitamente.

—E agora? – Leodak perguntou.

—É só atravessar, rápido, fácil, sem nenhum incomodo. – Ele atravessou primeiro, todos os seguiram. William olhou para trás uma última vez antes de dar um passo para Saphiral e deixar tudo o que ele poderia ter em Ruphira para trás.

Estela olhou para Perseu, o que parecia uma eternidade. Ele estava com a expressão cansada, exausto, porém, ver ela era um alivio. Que ele podia esquecer até suas dores.

Notas finais
{Você sabia que quando você comenta em um capítulo, motiva o autor? Algumas histórias são descontinuadas por falta de incentivo... O incentivo é a melhor forma de ajudar um escritor.} ~♥Beijos da Autora♥~