Among Other Kingdoms - Segunda Temporada
9 Um Pedaço de Doce Vazio
Notas iniciais
Perseu caminhou até seu quarto e fechou a porta sem fazer barulho, respirou fundo. Claro, era filho de Estela, mas, a garota era dele, óbvio, não tinha o que discutir, ela tinha a assinatura de Pardóx, e apenas quem é de lá tem isso, o outro bebê aparentemente era sem graça. Mortais eram sem graça, assim como Estevão. Ele se sentou na cama devagar, a dor em seu peito era fumegante de duas maneiras, ele tinha uma filha, e não poderia cuidar dela; e Estela simplesmente deu as costas para ele. Como se o que ele fez não foi o certo. Não sabia que ela podia sentir que tinha um filho dele, ele era homem. Essa não era uma coisa que ele sentiria.
Evie era um nome tão feio. Ele tremeu só de pensar nisso. Claro, Estela tinha razão de não querer ele perto do que ele falou, claro, ele foi duro com ela, mas, o que ele poderia fazer? Estava sendo como Zeus e ficando com uma mulher casada, que ele se apaixonou, que seguindo disso acabou engravidando, ao que ele pensou que era apenas de um bebê, mas, na verdade, eram dois. No fundo ele não estava tão errado, uma era dele, mas, como ele iria adivinhar que ela estava realmente com dois e podia sentir? Ele limpou cada lágrima que caia de seus olhos e tentava se recompor. Do que ele precisava para obter o perdão de Estela? De mostrar que mesmo ele sendo duro com ela no final de tudo estava o protegendo? Ele não podia deixar levar sua filha para um homem que visivelmente não estava nem aí para ela?
Houve um barulho na sua sacada.
—Hera me contou uma fofoca... – Perseu se virou pela janela, havia uma pessoa sentada ali. – Todos ouvimos o timbre quando rompeu, toda Saphiral ouviu. Eles sabem... – Perseu ficou de pé e olhou bem, a pessoa segurava um caduceu. Não era uma pessoa, era um deus! Ele fez uma reverência. – Todo o Olimpo, o Tártaro e o Campos Elíseos já sabem. Mas, eu não contei. Todos ouviram...
—Sabe o que Hera me contou? Contou foi complicado, não acreditou que você não chamou ela para ajudar no parto. Ela não está muito feliz com você, aliás, ela nunca está feliz...
—Hermes... – Ele disse em tom cansado reconhecendo-o.
—Rei Perseu! – Ele pulou para dentro do quarto, sua aparência jovem, atlética e o largo sorriso estampado em seu rosto enquanto se aproximava. Ele entregou um novelo de lã rosa para ele. – Parabéns. – Perseu ficou em silêncio. – O que foi Rei das Safiras? A Herd.
—Não! – Hermes olhou sem entender — Não diga alto, nem diga nada. Não é exatamente em circunstâncias comuns. – O deus deu um sorriso. – O que foi?
—Eu cheguei primeiro? – Perseu não respondeu. – Então é minha vez? Eu tenho a honra? – Antes que Perseu pudesse responder, e negar o deus deu um passo e quando deu outro já estava abrindo a porta do quarto onde estava Estela, que se assustou.
—Hermes! – Perseu correu atrás dele, na verdade correu bastante, pois o deus era rápido. Estela olhava para o homem em seu quarto sem se afastar dos seus filhos, lembrou imediatamente das mulheres que levaram o bebê de William embora, e ela estava sozinha no quarto, não ia conseguir segurar os dois, ela não estava forte o suficiente, foi quando o homem se curvou para os bebês.
—Você não vai tirar eles de. – Ele se aproximou rapidamente e silencioso, como uma brisa.
—Nem pretendo. Nem quero. Para que? – Ele a interrompeu. – Eu quero vê-la. – Ele colocou o caduceu no ombro e se aproximou da menina, fazendo um carinho nas bochechas dela. – Pois é, eu cheguei primeiro. – Estela o olhou sem entender. – Qual o nome dela? – Estela não conseguia falar, estava em choque, ele era alto e atlético, se fosse para lutar por seus filhos sozinha ela não conseguiria e não tinha ninguém a vista para ajudá-la. – Não importa agora se você não quiser falar. O importante é que ela é linda, única, vai ser excepcional. – Ele então fez uma fita dourada saírem dos próprios dedos e amarrou no pé direito dela. Hermes então olhou para ela. – Me contaram que você sofreu bastante no parto. – Então lhe entregou um frasco, de tamanho médio que ele tirou de sua bolsa. – Tome isso com chá, vai deixar você totalmente revitalizada. – O deus tocou no rosto dela. – Os cabelos de vocês dois combinam com os dela. Afrodite vai ficar tão decepcionada de não ter chegado primeiro...
—Hermes! – O deus olhou para a porta, dando um sorriso e no mesmo passo que chegou, saiu pela janela. Ele já estava fora da vista de Estela a um tempo quando Perseu chegou na porta ofegante. – (...) ele já foi?
Estela se afastou do berço com calma, nem percebeu que o homem havia saído e se sentou na cama assustada, boquiaberta e sem reação. O que acabou de acontecer?
—Quem era? – Ela perguntou nervosa, Perseu fechou os olhos e abaixou a cabeça. – O que ele iria fazer? O que ele queria? Quem você mandou atrás da filha de Estevão? – Perseu sentiu uma pontada no peito. Ele não iria chorar na frente dela.
—Era um deus fofoqueiro. Desculpe, mas, eu não mandei ele aqui. Ele apenas. (...) Desculpe.
—O que ele queria? – Ela ainda estava magoada com Perseu, mais precisava entender o que estava acontecendo.
—Ser o primeiro. – Estela se levantou assustada, como ser o primeiro? Sua filha mal nasceu e já tinha outro homem querendo ela? Antes que ela pudesse expressar a repulsa, Perseu levantou a mão. – O primeiro que vai proteger ela. Eu tenho uma. – Perseu puxou a gola da roupa para baixo, Estela teve que se segurar para não suspirar em ver aquele peitoral novamente. Perto do seu ombro tinha uma fita enrolada, ela não tocou quando o viu naquela noite na praia. Ela engoliu em saco quando viu. Pois percebeu que seu ombro estava com uma longa perfuração, estava cicatrizando, mais dava para ver que era profundo. Ele arrumou a roupa. – Claro, não te protege de tudo.
—Proteger do que? – Estela o interrompeu, pois, se lembrou como levaram Orion; Auterpe sabia que chegaria esse dia, então ela precisaria sair dali o mais rápido possível. Era isso que protegeria? Pois, Orion não tinha um. Eilon também não, e aquela cena foi traumática, William não se recuperou totalmente, Auterpe estava inconsolável. Perseu notou a preocupação na fala dela.
—Eu não decidi que seria filho de Estevão, eu decidi que eu queria te proteger. E mesmo assim, você irá casá-la com o irmão? – Estela engoliu em seco. – Você não quer isso de isso realmente aconteça. É sua filha também! Ela vai viver com medo também?
—Eu repito. – Ela disse firmemente. – Filha de Estevão, Princesa de Calasir e futura esposa de Eilon! – Perseu respirou fundo, estava ofegante.
—Será que a filha de Estevão, princesa de Calasir e futura esposa do próprio irmão, não pode ficar em Saphiral? Junto com a mãe dela? – As palavras foram firmes, ele estava sério e emocional. – Você disse que estevão nem se importou com ela.
—Eu como esposa de Estevão.
—Não. – Perseu engoliu as palavras. – Como queira. Me desculpe. – Perseu fechou a porta com cuidado e caminhou até o quarto de um dos Mestres, foi Dionio quem o atendeu.
—Rei Perseu. No que posso te ajudar? – Ele só era respeitoso porque mal conversava com Perseu; por ele o Rei estaria morto antes de sua coroação. Perseu entregou o novelo de lã rosa para ele com um semblante sério.
—Você ouviu o timbre? – Dionio acenou positivamente. – É de Hermes, para o quarto da Princesa. – O Mestre quis rir.
—Me desculpa Rei Perseu, mas, não tem como. Herdeiros de Saphiral são os primeiros filhos e filhos de um Rei, ou Rainha de Saphiral não de. – Perseu franziu a testa e Dionio ficou em silêncio.
—Acha que se não fosse a primogênita, Hermes teria aparecido? Está tudo bem esconder a verdade, mas, existe Hera, ela sabe, ela quem contou. – Dionio concordou.
—Então, é protegida de Hermes?
—Ele chegou primeiro. E eu não quero que ninguém mais saiba disso.
—(...)
—Contei pra você, porque sei que você é muito bom no que faz. E não fala com ninguém; nem comigo.
—Perfeitamente, Rei Perseu. – Dionio fez uma reverencia e Perseu voltou para a sala do trono.
Seu peito doía, seus sentimentos não importavam mais, a filha dele seria criada fora de seu alcance. A não ser que ele os colocasse em Saphiral por muito tempo. Tempo o suficiente para poder mostrar a Estela que ele estava arrependido do modo que disse e apenas disse aquilo para a vida dela ser poupada, porque, se aquele monstro tivesse noção da traição a mataria. Foi quando viu Deneb entrar no salão, e assustou quando viu o Rei.
—Rei Perseu! O que... Digo. Aan. Tudo bem?
—Deneb, me responda uma coisa. – A garota o olhou com atenção. – Qual seria o maior ato de amor em forma de perdão que um homem poderia fazer para uma donzela? – Deneb deu um longo sorriso.
—Eu sabia!
—Sabia do que? – Ele perguntou confuso.
—Você está apaixonado pela Mérope! – Perseu ergueu uma sobrancelha. – Não negue Majestade, você olha para ela de um jeito mágico e apaixonado. – Perseu passou a mão no rosto, porém, estava aliviado, ao menos ninguém suspeitaria que se tratava de outra mulher. – Mesmo que eu ache um pouco difícil vocês ficarem juntos, ela não gosta muito de batalhas, mas, todas as mulheres gostam de flores. – Perseu concordou com ela. – Você poderia fazer um refúgio pra ela, um jardim. Atrás do castelo, ninguém vai muito lá, ela ficaria em completo silêncio e calma. Sem contar que ninguém a perturbaria, a não ser que ela quisesse ser procurada.
—Eu gostei da ideia. Acha que em quanto tempo os De Cléota e os filhos de Hefesto construiriam esse tipo de jardim?
—Posso ver isso com eles. Claro, se o senhor aceitar de quiser e.
—Claro, pode avisar a eles, sei que eles construiriam em tempo recorde. – Deneb sorriu e se reverenciando saiu do castelo atrás dos De Cléota e dos filhos de Hefesto, também procurou filhas de Perséfone, aliás, um jardim precisaria de muitas flores.
Não era uma garantia que Estela fosse gostar, muito menos aceitar, mas, todo aquele lugar precisava de uma reforma, não havia mais nenhuma batalha ou duelo para ele se preocupar, ele não pensou que poderia reformar três lugares fantásticos do seu castelo e claro, ele teria que informar que seus visitantes ficassem em um lugar maior e mais luxuoso, claro, os Guardiões seriam realocados para quartos mais confortáveis, mais, sinceramente, ele esqueceu de que Estevão iria julgar a aparência de seu castelo, já que ele era todo pomposo e egocêntrico.
Navi havia terminado de organizar o festival para o nascimento dos gêmeos, então ele começou a demostrava os arredores do castelo para Mandrik e Leodak, porém, Estevão e William se juntaram a eles; Estevão precisava descansar e relaxar e focar no melhor acordo que uma aliança com eles o ajudaria. Até pensou em levar a feiticeira com ele, ela fez o parto mais rápido que ele já viu, e futuramente Estela teria muitos filhos e para evitar aquela gritaria, seria mais fácil alguém que visse e já soubesse que era hora, independente da lua.
—Parece que as Aldeias têm mais enfeites e são mais trabalhadas do que o próprio castelo. – Estevão disse praticamente se gabando. Mandrik deum uma cotovelada nele.
—Aan, ainda estamos na Aldeia de Apolo Rei Estevão. – William ergueu a sobrancelha. – O Rei prioriza a beleza e o conforto dos seus súditos do que o dele próprio. – Mandrik olhou de lado para Estevão que ignorou o semblante do próprio Conselheiro.
—Bem ao contrário né? – Eles continuaram caminhando na trilha, haviam ladrilhos feitos com pedras coloridas, eram bem colocados. – Mas, a arquitetura é muito bonita. Deixam tudo mais bonito. Bem à frente deles havia uma enorme estátua de ouro de Apolo segurando uma harpa e raios solares que emanavam de suas costas. Aquilo ficaria mais lindo dentro do castelo de Perseu, Estevão pensou.
—Porque são separados em Aldeias? – William perguntou, se recordava de como em Ruphira todos eram juntos, casas próximas, o povo era unido, e como sentia falta de Orion.
—Cada Aldeia cultiva ou cuida de uma coisa, se fossem todos juntos, não teriam espaços para os plantios, não seria organizado, e sinceramente, é bom assim, cada um tem um espaço e não ficam brigando. – Navi caminhou mais um pouco quando viu uma mulher alta de longos cabelos negros o observando, seu corpo se arrepiou todos. – Precisamos voltar.
—Porque? – Mandrik perguntou.
—Eles vão fazer a redoma noturna.
—Pra que isso?
—Para não atacarem Saphiral, e quando as bruxas fazem isso, temos que ficar dentro de casa, bem protegidos.
—Senão?
—Senão, elas não conseguem fechar a redoma completamente. – Ele disse enquanto encarava a mulher.
—Uma pretendente? – William perguntou, pois, ela estava o encarando fixamente.
—Aan? – Navi olhou de volta. – Não. É minha irmã.
—Sua irmã é uma bruxa? – Leodak perguntou entusiasmado, assumiu que ele seria bruxo também. – Você também é um?
—Há exceções, e ela é a mais velha. Nunca está feliz... – Estevão riu e cutucou o irmão.
—Hey, que tal se aventurar com alguém daqui também? Um filho em cada Reino. – William deu um empurrão nele.
—Não. Não venha com isso. – Ele fechou a cara e seguiram para dentro do castelo, dando de cara com o Rei Perseu que estava conversando com seus Guardiões. Navi parou na entrada do salão e fez uma reverência.
—Rei Perseu, está tudo bem?
—Claro, eu quem peço desculpas. – Ele se levantou do trono e caminhou até os visitantes. – Eu não estava fisicamente bem para coloca-los em quartos adequados a suas perspectivas, então estava conversando com meus Guardiões que realocaram suas coisas para quartos mais confortáveis, e claro, fazer uma visita mais aceitável pelos arredores de Saphiral. Não posso deixar meus problemas atrapalharem a minha hospitalidade.
—Não precisa... – William iria falar, porém, Perseu pediu aos Guardiões os acompanhasse. Nisso, ele foi direto para o quarto onde Estela com os bebês. E definitivamente aquele quarto era maior. Mesmo que estava a dois lances de escadas dos seus antigos, a Rainha estava em um ótimo quarto, do jeito que ele e seu herdeiro merecia, como Estevão pensou, e quase falou.
O quarto tinha o teto alto com flores preenchendo todo o espaço, flores brotavam do chão. A janela era enorme e tinha uma bela sacada, o chão era de um piso liso, como carvão brilhante, no canto do quarto tinha um lago longo, com água límpida cheia de pequenos peixes.
O lago brotava de algumas rochas que estavam encostadas a parede e se estendia até a janela. O local era enorme e a cama continha lençóis rosas, uma espécie de véu cobria a cama e aparentemente podia se ver jasmins e narcisos crescendo por cada canto do véu. O berço dos bebês estava à esquerda, longe do pequeno lago, porém próximo a cama.
—Não acredito! – Estevão exclamou indo em direção à Eilon fazendo caricias nele e ignorando Estela completamente, que estava sentada na cama com Evie no colo. Ela estava com medo de Estevão ver a fita na perna dela, que não saia de jeito nenhum. William se acomodou do lado de Estela, e fez um carinho na sobrinha. – Ele tinha esse quarto enorme e nos deixou em um quarto comum?
—Aparentemente não é dele. – William falou. – É dos Guardiões, ou seja, ele pediu pra eles realocarem. – estevão deu de ombros.
—Bom, isso é realmente digno da realeza. – Foi quando ele olhou em volta. – Onde estão as amas de leite? – Estela olhou para ele sem entender. – Cadê as mulheres que a feiticeira chamou para amamentar os bebês?
—Ela só as chamou porque eu estava cansada. – Estela disse em tom obvio. – Mas, como eu estou melhor, quero amamentar eles eu mesma. – Estevão a encarou.
—Rainhas não amamentam, isso atrasa o próximo herdeiro!
Ele já estava pensando no próximo?
—Mas... Eu gostaria e.
—Nem pense nisso, eu vou mandar agora o Linor preparar alguma coisa para secar o seu leite. – Estela ia se levantar com tudo, porém, William o impediu, ela não podia se esforçar, devia estar fraca ainda. Antes dele sair, ele pegou Eilon com todo o cuidado nos braços e foi atrás de Linor, ele estava segurando o bebê como se fossem leva-lo e provavelmente iriam.
Estela suspirou. Então ela olhou triste para William.
—O que foi? – Ele perguntou.
—Ele nem se importou com ela. – Então ele acariciou os cabelos da cunhada para acalma-la. – (...) Ela é tão...
—Linda. – William completou. – Ela seria uma ótima companhia para Orion.
—E como você se sente agora? – William queria se afogar de tanto beber. Sentia tanta falta do que ele tinha, e de como foi tirar dele tão repentinamente. Mas, ele tinha que se manter forte para sua cunhada. – Sei que foi difícil. Eu conversei com ela. – Ele começou a prestar atenção nela, ele queria se animar um pouco. – E Auterpe estava com tão triste quanto você. Ela não queria que Orion virasse um sacrifício. Ela estava protegendo ele para ninguém pega-lo. – Ela começou a embalar Evie que acordou de repente e Estela não queria descumprir a ordem de Estevão.
—Posso? – William se oferecer para pegar a sobrinha, Estela entregou para ele. – E quem iria querer pegar Orion além daquelas mulheres? – Porque pelo que ela me disse, como ela é aliada de Perseu não se preocupava com isso. – Ele olhou para a bebê. – O nome dele á tão feio! Eveline é muito antiquado pra uma princesa tão bonita.... Mesmo se chamarmos de Evie, é estranho. – Ele novamente cheirou os cabelos dela. Ele não queria trocar a atenção que deu para seu filho para sua sobrinha, mas, seu irmão não estava nem aí para ela, e ela precisava ser cuidada e amada direitinho. Foi quando ela começou a se remexer em seu colo.
—Ela está com fome. – Estela olhou, ela estava afita. – O que eu faço?
—Amamenta ela!? – William disse em tom obvio. – Porque agora não sei se vai dar pra chamar alguém. – Ele entregou Evie para ela. – Fizeram uma redoma de proteção, e se você mandou elas embora... Vai ser rapidinho. – Estela concordou com William, não amamentou seus filhos nenhuma vez e Estevão havia saído, entretanto assim que ela tentou colocar o seio para fora Estevão entrou com tudo no quarto. Assustando ambos.
—O que merda acha que está fazendo?
—Eu... – Estela ficou muda.
—William, tira essa menina daqui e vai buscar uma ama de leite! Agora!
—Amor, por favor... – Estevão a encarou com raiva.
—O eu foi que eu falei? Quem lhe deu a autoridade de mandar as amas saírem? Rainhas não amamentam. – William ia dizer que Auterpe amamentava e era uma Rainha, entretanto não estava em posição de dizer nada, apenas estava ali para segurar a sobrinha. – Vai logo William!
—Está tudo bem Evie. – Ele dizia enquanto saia do quarto. – Seu pai é um monstro? Certeza, mas, não se preocupe, seu tio William está aqui. – Ele então pensou que se não tivesse saído de Ruphira, o que seria da pobre menina? Ele podia ver nos olhos dela o quanto ela estava incomodada. No fim, optou para a coisa mais fácil a se fazer, chamar ajuda.
William bateu na porta de Mandrik, e não ficou muito surpreso quando quem o atendeu foi Navi, o Conselheiro por outro lado parecia constrangido, porém, o outro não ligava muito para o que os três faziam.
—Senhor William, no que posso ajudar? – O outro ofegou.
—Estevão quer amas de leite para alimentar os bebês, mas, a Rainha Estela dispensou elas, e agora eles estão com fome. Será que no castelo não teria?
—Pelos deuses. – Navi pediu licença a Mandrik e Leodak e fechou a porta atrás de si. – Porque Estela não pode dar leite para eles?
—Para não atrasar o próximo Herdeiro. – Navi parou subitamente e encarou William com descrença, sabia que aquele Rei era doido, porém, não tanto ao ponto. – Palavras dele.
—Se a Rainhas as dispensou, elas não ficariam no castelo, até porque, você sabe, ninguém entra, ninguém sai. – O choro de Evie se tornou mais alto nos braços de William que tentava acalmar ela. – Certo, volte para o quarto, caminha com ela, eu vou buscar alguém. – Ele acenou e Navi foi até Perseu que estava saindo da sala do trono.
—Navi, o que houve?
—Você precisa invocar alguém para amamentar os filhos da Rainha de Calasir. – Perseu olhou sem entender e depois ficou preocupado. – Estevão não deixa ela amamentar e bem, a Princesa está á plenos pulmões. – Perseu fechou os olhos, estava furioso, mas, não podia deixar transparecer.
—Mérope não achou amas de leite?
—Estela as dispensou. Por isso, o senhor precisa “invocar” alguém. – Ele deu aspas em invocar pois, apenas Perseu podia chamar alguém de fora sem prejudicar a redoma de proteção.
—Verei o que posso fazer. – Em seu quarto, Perseu fez um grande círculo com uma linha prateada que tinha sobre suas gavetas e colocou uma Safira no meio, se afastando. Podia ouvir o choro de sua filha e do filho de Estevão do seu quarto, mesmo que estivessem a quartos e corredores de distância, seu coração apertou, não devia em momento nenhum ter duvidado de Estela, pois, nesse momento ela estaria cuidando de seus bebês. De verdade, sem importar nessas de “atrasar o próximo bebê”, que droga era aquela?
—Vossa Majestade me invocou? – Uma mulher alta, de cabelos dourados, com uma túnica verde clara e olhos castanhos o fez voltar a realidade. – Rei das Safiras, eu sou Ilícia, o que posso ser útil? – Era uma ninfa, do Monte Olimpo, por isso não prejudicou a redoma.
—Chamei sim Ilícia. Eu gostaria que você cedesse seu leite para dois bebês, apenas por essa noite. – Ela sorriu tranquilamente.
—Tudo que o Rei de Saphiral precisa. – Perseu acenou e começou a leva-la até o quarto onde estava Estela. – Mas, posso perguntar, porque não chamou Hera? Ela com certeza daria mais força e imortalidade aos bebês de Saphiral e.
—Bem... Nascidos em Saphiral, mas... – Ele não queria discutir. – Por favor, não diga nada, e eles não precisam de imortalidade. – Ela não entendeu. – Não agora, então, por favor, apenas os alimente. – Ela concordou. O choro dos bebês já estava alto quando ele bateu na porta, quem abriu foi Estevão, sempre era ele.
—Boa noite. – Ilícia entrou no quarto sem se convidada e Perseu precisou segurar no braço dela para não acharem que ela estava desrespeitando.
—Não. Ilícia, calma! Rei Estevão essa é uma ama de leite noturna. – Estevão iria questionar porque apenas uma, se ele tinha dois bebês. – Eu não tive conhecimento que a Rainha Estela havia pedido para as outras irem pra casa. O que foi muito gentil. Por isso eu trouxe ela. – Ela era muito magra, como faria? – Ela não compreende a etiqueta de comportamento, Ilícia é uma ótima ama de leite, e será apenas essa noite.
—Obrigado Rei Perseu. – Ele então entregou Eilon nos braços da ninfa com muito cuidado. Ela olhou confusa para o Rei. – Alimente ele primeiro.
—Mas, aquele está chorando mais.
—Pode esperar, esse não. – Ilícia, olhou confusa, mas, não iria retrucar, apenas se sentou na cadeira de frente e alimentou Eilon enquanto Evie chorava nos braços de William. – Obrigada Rei Perseu. – Perseu se curvou, deu uma espiada para dentro do quarto onde pode ver uma imagem lamentável de Estela, ela parecia extremamente infeliz. Foi última imagem que ele pode ver antes de Estevão fechar a porta.
Havia um enorme vazio dentro de si, era muita coisa para ele pensar, como ele pode deixar aquilo acontecer? Onde pensou mesmo que Estevão seria um ótimo pai para sua filha? Estela agora estava feliz em dizer de peito cheio que aquela era a Princesa de Calasir? (...) Lógico que ela não estava feliz, não era culpa dela, era tudo culpa do Rei; mas, ele também tinha uma parcela de culpa; uma parcela que era de Saphiral, quando ele chegou na porta de seu quarto olhou para o lado, Mérope o observava, ele estava triste.
—A festividade de Ártemis é amanhã, você se lembra não é? – Ele acenou. – Teremos o dia inteiro de festividades? – Ele concordou. – E você vai ficar com essa cara de emburrado? – Mérope se aproximou dele apertando suas bochechas. – Dê um sorriso, faz de conta que não te afeta.
—Mais está afetando, está doendo. Eu não sei explicar, está ao meu alcance a ao mesmo tempo não está. É um sentimento que não importante o quanto e jogue pra longe, não passa. – Ela entregou um pergaminho para ele. Perseu olhou sem entender.
—Acho que sua irmã entende bem esse sentimento. Acredito que o de cabelos pretos também. – Perseu apertou o pergaminho em mãos. – Não invoque Cronos para mudar o tempo! Você não pode mudar o que as Moiras destinaram...
—(...) – O Rei ficou em silêncio, porque sinceramente, para Estevão chamaria o próprio Thanatos.
—Descansa, o dia vai ser cheio amanhã...
Por outro lado Estela chorava, não aguentava não pode segurar nenhum de seus filhos, Estevão estava entorpecido com Eilon e apenas por tentar alimentar Evie, William que estava a segurando, enquanto ela assistia a uma completa estranha alimentar seus bebês. Ela havia guardado o frasco que o homem atlético deu a ela naquela noite, entretanto, não podia tomar na frente de Estevão, mas, queria tanto parecer melhor e poder segurar seus bebês; porque não aguentava mais ouvir Evie chorando.
A noite se seguiu com ela e Estevão tendo uma pequena discussão de como aquilo era errado, e ele dizia a ela que apenas uma vez, ela deveria se comportar como uma Rainha de verdade. Pois, era assim que elas faziam.
E ela voltava a chorar silenciosamente.
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