Among Other Kingdoms
6 Lua que Muda Destinos
Notas iniciais
Navi era um De Cléota, era o mais velho de dezessete irmãos, o mais adepto a se tornara Conselheiro, seus irmãos e irmãs variavam de curandeiros, espiões, mensageiros, ou apenas mercadores. Mas, Navi foi escolhido a dedo para ser o Conselheiro do Rei. Para isso ele precisou aprender a lutar com todo tipo de arma, corporal, de arco e flecha á espadas. E bem, Mandrik também era excelente em batalhas, ele tinha uma longa experiência em duelos, fazia isso a muito tempo com Estevão e era bom, mais quando Navi colocou a perna pra frente para um avanço mais profissional. Mandrik deu um passo para trás e em seguida foi obrigado a dar uma volta. Um rodopio, sempre mantendo a posição de defesa; não era como se realmente Navi estivesse atacando, era mais como uma dança, algo como um treinamento coreografado. Foi quando de repente as lâminas se chocaram, não tendo como cada Conselheiro desviar sem ser atingido nem que fosse superficialmente.
Navi sorriu.
—Qual é a graça?
—Você é uma graça! – Ele respondeu deixando Mandrik desconcentrado. Foi nesse momento que Navi se aproximou rapidamente do outro, que mantinha a posição de defesa, porém, estava corado. – Me conta o que seu Rei pretende fazer, o tipo de aliança com meu Rei. – Antes que Mandrik pudesse responder alguma coisa, Navi respirou fundo em seu pescoço o que fez ele se arrepiar. Digamos que foi uma maneira sensual de se aproximar dele.
—O que? – A sua voz falhou.
—Vocês têm de tudo aqui. Seria uma exploração? – Navi abaixou a espada nisso Mandrik caiu para frente e Navi colocou a espada no centro de suas costas. – Invasão? Pretende fazer uma guerra para dominar nosso Reino?
Assim que ele se virou para dar uma resposta descente foi surpreendido com um beijo nos lábios. Que o desestabilizou por completo fazendo ele largar a espada. Navi riu. E olhou em seus olhos.
—Não achei ruim... Espero que você também não. – Mandrik não conseguiu pronunciar nenhuma palavra, ele era mais forte que aquele conselheiro, mas, por algum motivo foi completamente jogado no chão e beijado de uma forma, totalmente de como seu escuteiro fazia, não era suave, não era bruto, não era feroz ou voraz; era conhecimento.
E ele sabia que era conhecimento, pois, Navi começou a passear suas mãos pela lateral de seu corpo, enquanto Mandrik começou a ofegar enquanto puxava os cabelos do outro conselheiro para mais perto dele, para aproveitar mais, ter mais. Eles acreditavam estarem sozinhos, que ninguém estaria os observando.
Mas, Leodak estava.
De coração partido, abandonado e deixado de lado mais uma vez.
*
Em outro ponto do castelo, na sala de dança ao som de uma música invisível duas pessoas de cabelos brancos estavam unidos e dançavam. Por um momento ambos apenas faziam alguns passos, de um lado para o outro. Perseu então resolveu puxar conversa.
—Como você se sente dançando sem música? – Era um sussurro, ele falou tão baixo, mas foi como se ela tivesse ouvindo ele em alto e bom som.
—É magnifico. – Ela falou. Então ergueu uma sobrancelha. – Como fez isso?
—Você não falou alto, mas, eu te ouvi claramente. – Ele sorriu rodopiando ela pelo salão antes de voltar ao passo mais calmo. Perseu engoliu em seco, seu coração batia sem um ritmo definido, nem em batalhas ele ficava assim.
—É um feitiço. Eu te ensino depois. – Ele a rodou mais uma vez segurando em sua mão e vendo seus cabelos brancos dançarem como nuvens no céu. – Acho melhor Auterpe te ensinar, ela quem me ensinou. – Perseu sorriu para Estela, que fixou seu olhar nos dele por alguns segundos.
—Parece que com vocês tudo se resolve em um toque de mágica. Ele negou rindo, encantado com os olhos verdes da Rainha. Eram olhos verdes tão puros como a água; os de Auterpe eram claros, mas, não tão claros quanto os de Estela.
—Queria que tudo se resolvesse com um toque de mágica. (...) Há coisas que não posso resolver com mágica. Se eu pudesse, seria bem feliz. – Felicidade parecia uma coisa importante para ele.
Ele fez um movimento suave enquanto dançavam e colocou a sua mão em sua costela, no mesmo lado que Estevão havia machucado. Estela se mexeu. Percebendo isso, ele colocou a mão no meio de suas costas, mas, foi em um movimento tão suave e despercebido que pelo susto, pela situação, pelo estresse, ela não sabia, colocou sua cabeça sobre seu peito; e pode ouvir o coração dele.
Ela suspirou.
—Me desculpe por montar no dragão do seu marido. – Ele fez uma pausa enquanto ambos davam uma volta, em se afastarem completamente, sem perderem o contato. – Entretanto eu sei que eles não são dele. – Estela apertou a mão de Perseu.
—Claro que são dele! Jaspe e Sinler ficaram aqui aos cuidados do Estevão e. – Perseu encostou seu queixo no topo da cabeça dela, fazendo ela sentir seu coração mais aquecido, de uma forma, se sentiu segura, como se houvesse uma bolha de segurança sobre ela.
— Existe uma coisa quando se trata de animais. Qualquer tipo. – O coração dele batia no mesmo ritmo que dançavam, como se houvessem músicos tocando uma doce e suave melodia. – É uma regra; quando você dá o nome, ele se afeiçoa a você. E pelo visto, seu Rei não tem a afeição de nenhum deles.
—(...) Dragões são.
—Eu sei; intuitivos. – Ele não queria soltar ela para fazer com que ela rodasse Aquela proximidade estava boa. – (...) Eu não quero parecer grosseiro, e vou entender se não se sentir à vontade para falar. Mas... – Eles se encararam. – Porque você precisaria fazer tratamentos para engravidar? – Estela ficou vermelha, mordeu os lábios, era uma pergunta desrespeitosa. – Pois, eu não sei como funciona aqui. Você tem dificuldade para (...) – Ele se conteve, nisso pode girar ela como se fosse uma musa dançarina.
—Eu, nós; o Rei. Meu marido. – Estava confuso. – Perdemos nosso primogênito. – Ela disse com um nó na garganta. – Eu preciso. – A dança sem música parou, porque antes dela dizer qualquer coisa Perseu a abraçou, não um abraço que ela recebera alguma vez na vida; mais muito especifico, aquele abraçou deu a ela todas as emoções que ela teve que esconder dos outros. Não se demonstrar mais fraca e indefesa, foi um choro de uma mãe que perdeu seu filho e que um simples abraço podia curar aquela dor toda. Porque, ela não o conhecia, não era filho dele, eles não tinham laços, não tinha porque ele aninhar ela em seu colo e passar as mãos em seus cabelos e os penteava com os dedos, enquanto ela podia enfim sofrer seu luto em paz. De uma maneira completamente diferente de como foi tratada, eles a queriam bem, mas, só era diferente.
—Eu acho e sei que meu Herdeiro será uma menina. – Ele disse com um sorriso.
—Como poderia saber? – Estela riu abobada.
—Ela vai se chamar Afryodite. Será uma Rainha formidável e adorável.
—Você pode ver o futuro? – Ela perguntou esperançosa.
—Não. – Ele disse tocando em suas bochechas devagar. Fazendo carinho exatamente onde Estevão havia batido, não dava para perceber, mas, como ele saberia? – E imagino, e penso e sei que vai ser uma menina porque geralmente mulheres governam a coroa. Eu fui uma exceção.
—Não existem Reis no seu país?
—Existem. Mas, em sete Gerações, eu fui o primeiro menino. – Quando ele parou de mexer em seus cabelos, Estela passou a mão, havia um penteado. Não era uma trança comum, mais era longa. – Seu bebê tinha nome?
—Não. Mas, não importa, Estevão iria escolher um nome honroso e.
—E se ele não gostar?
—Desculpe?
—Acredito que ele tenha uma preferência, se for uma menina, sofreria como você?
—(...) Lógico que não! Será sangue de Estevão e.
—Ele tem uma preferência! – Perseu disse firme. – Eu me preocuparia com o que aconteceria se não fossem atendidas. Eu já me preocupo agora.
—E porquê? – Era uma pergunta genuína. Ela não entendia. – Porque preocupação?
—Porque não parece justo, e eu não gosto de injustiças. – Houve um silêncio constrangedor, porém, Perseu pegou nas mãos de Estela para amenizar a situação. – Como é seu cunhado? Ele é tranquilo, calmo, alegre, tem muita energia? O que você acha dele? Em um todo? Saber que minha irmã se envolve com ele me deixa nervoso.
—Bem... William é. Como posso dizer? – Ela mordeu os lábios pensativa. – Sinceramente Rei Perseu... Sabe, William costuma fazer umas coisas um pouco ruins. – Perseu iria dizer algo sobre Estevão, porém, ela foi mais rápida. – Ele mata e tortura pessoas. – Ele abriu a boca. – Posso dizer que ele é um menino audacioso que busca uma posição confortável na sociedade. Porém, ele está mais tranquilo desde sua estadia. Sabe, sua irmã. – Estela hesitou. – Eu não quero que pense mal de William e.
—Eu irei contra tudo o que as pessoas argumentaram... Existe uma possibilidade de alguém desse lado viver no meu lado. – O coração de Estela disparou, seu peito estava em chamas. – Dizem que é impossível, mas, tenho Guardiões que vieram desse lado. E, seria um ambiente agradável para os seus dragões. – Ele segurou o queixo de Estela delicadamente, e ergueu um pouco; não haviam hematomas. – E claro, para você também.
—Eu... – Ela parecia nervosa, ansiosa. Porém, esperançosa, mas, agora ela era casada, Estevão enlouqueceria, a perseguiria, mataria seus dragões. Ele, faria o que quisesse. –Não posso aceitar. – Estela se afastou do toque de Perseu. – Aliás, sua Rainha com certeza não gostaria de ver você levando alguém do outro lado com dragões assustadores. – Perseu riu.
—Eu não tenho uma Rainha. Não conheci ninguém tão especial á ponto de chegar a ser minha companheira para o resto da minha vida. – Houve uma pausa. – Mas eu encontrei você, que é muito especial. É como uma dama da noite.
—Uma dama da noite?
—A flor mais cheirosa que eu tenho no meu jardim. – Ambos sorriram um para o outro e se levantaram. – Acho que você precisa descansar. Não quero que se encrenca por minha culpa.
—Digo o mesmo. – Estela sorriu. Então, Perseu se curvou e depositou um beijo no canto da sua boca. Estela ficou imóvel.
—Boa noite dama da noite, Rainha dos dragões.
O que aquele Rei estava fazendo com ela? Seria mais um truque? Novamente? (...) Estevão nunca dançou com ela, nunca mexeu em seus cabelos, apenas apreciava os fios brancos. Nada além. Parecia inacreditável. Um sonho. Um sonho que ela não queria acordar.
Na manhã seguinte, Estela parecia mais calma, Estevão chegou tarde no quarto, ele examinou a comitiva que chegou com o Rei e a Princesa de cabelos brancos; descobriu por meio de Hamal uma coisa que Perseu não mencionava, ele tinha estoques imensos de esmeraldas, joias grandes, e o suficiente para construir um castelo. Na verdade o Rei tinha estoque de muitas joias, ele tinha guerreiros que embarcaram em Calasir antes mesmo dele chegar ao Reino e ninguém percebeu. Descobriu por meio de Tmalo, o que costumava acompanhar a Princesa que eles tinham um dragão que qualquer um poderia montar, e que pelo portal que Franny ultrapassou eles foram em um dos milhares de Reinos que existia daquele lado. Aquilo encheu seus olhos e coração de ganancia, imagine, um dragão que ele mesmo pudesse montar? Quando chegou ao quarto Estela já estava dormindo, e ele não a incomodou.
Estevão queria por completo uma grande aliança, contando as esmeraldas e outras joias, poderia revestir sua armadura de diamantes e colocar nas estatuas dos dragões as esmeraldas.
Tmalo e Hamal falaram tudo com calma e paciência, mais Nottpos e Nakumma eram duas rochas, sem contar que descobriu que eles praticamente desarmaram seus guardas em uma luta de espadas que parecia uma dança, no fim, mesmo com os ciúmes no limite, pareciam que no fim eles eram preciosos. Antes de ir para o desjejum e anunciar que fariam um baile, provavelmente naquela noite, seria fácil fazer os preparativos necessários, e chamar as pessoas mais próximas; esse era o objetivo, porém, Linor o parou no meio dos corredores, Estela não estava com ele, ficou colocando a roupa que ele escolhera.
—Majestade. Creio que vais gostar de saber disso. – Estevão continuava caminhando e Linor seguia atrás dele.
—Prossiga, não tenho tempo.
—Vai gostar de saber que é hoje que acontece a lua de sangue. – Estevão parou de caminhar.
—Como? Hoje?
—Sim vossa Majestade. Fiz alguns cálculos, observei as estrelas e as ondas do mar e bem. – Ela falava sem respirar. – É hoje, achei que duraria mais alguns meses, mais, junto com o tratamento e o fato de hoje ser a lua certa, acredito que hoje poderá enfim gerar sua dinastia! – Estevão quase pulou de felicidade.
—Como isso é possível? Você disse que poderia demorar luas e.
—Infelizmente eu não sei os detalhes vossa majestade, apenas sei que será hoje! E.
—O que será hoje? – Estela chegou perto de Estevão que deu um passo para o lado e se assustou. – Linor?
—Íamos fazer um baile hoje para nossos convidados. – Estevão disse passando a mão em seus cabelos. Não era como Perseu, mais havia um estranho cuidado.
—Oh! Será ótimo isso. Um baile seria a concretização da aliança, certo?
—Mas, seria melhor chamar a todo os Lordes dos condados, não é? – ele olhou para Linor. – Dispensado. – E começou a se dirigir com Estela para comerem.
—Sim. – Ela concordou.
—Creio que eles achariam interessante conhecer o Rei e a Princesa de uma outra dimensão. Acho que seria bom fazer uma aliança de passeios e viagens para conhecerem o outro lado. O que você acha? – Estevão perguntava acariciando as bochechas de Estela.
—Eu não acho que poderíamos ir para lá. Deveria conversar com o Rei e a Princesa. Seria bom ouvir deles. – Estevão queria que aquele dia fosse perfeito, não queria que no dia da gestação do seu primeiro herdeiro, fosse contato como um ato de horror, queria que ela se lembrasse disso com alegria, como o dia mais especial de sua vida.
—Que tal se hoje você perguntar isso á eles? – Estela o olhou incrédula. Seria possível? Porque eles simplesmente deixariam? Percebendo a situação ele tentou controlar a situação. – Eu acredito que a Princesa e o Rei respondam suas perguntas, até porque, você é linda e – Ele a beijou. – sua opinião é importante para eles também.
Agora ela estava mais animada, se sentia bem, e não se sentiu culpada de se sentir tão bem assim. No desjejum após mencionarem formalidades, de Perseu dizer que gostaria de conhecer mais o povo, Estela perguntou se eles poderiam fazer uma aliança de passeios, entre Calasir e Saphiral. Naquele momento tanto Auterpe quanto Perseu congelaram, aquilo era o completo oposto do que eles queriam, eles queriam fechar o portal, sem intrusos, aquilo os pegou de surpresa, e entre voltas, porque Perseu nunca permitiria que Estevão ou outros “Reis ou Lordes” entrassem no outro lado, ele comentou que deveria pensar e discutir isso com seus súditos, pois, mesmo que eles aceitassem, haveria riscos deles serem atacados e eles não queriam aquilo. Também foi comentado que haveria um baile para os convidados na noite seguinte e que os convites foram enviados para todos que tinham alianças com Calasir e que Perseu poderia conhecer uma moça de seu interesse, o Rei riu sem graça mas, Auterpe pareceu animada com a ideia. Foi quando Estevão comentou como os Guardiões de Perseu eram habilidosos, nessa hora Mandrik bebeu um gole grande de vinho e pediu licença para se retirar da mesa, nisso Navi deu risada da atitude do Conselheiro, e continuou como se não houvesse nada demais.
Porque, praticamente dominar o outro foi difícil, mas, quando foi dominado, bem naquele momento, aparentemente perceberam que não estavam sozinhos e a diversão acabou para Mandrik, por isso, Navi achou engraçado o desespero do outro. Mas, não fazia ideia da existência do garoto. A culpa foi de Mandrik que não hesitou, não comentou e apenas aceitou.
O dia seguiu com passeios pelo vilarejo, Estela estava se divertindo com Auterpe, ambas podiam conversar com os comerciantes, e a Princesa acabou ensinando as meninas pequenas a fazerem o mesmo tipo de trança que Perseu havia feito no cabelo de Estela, (que ela precisou desmanchar antes de Estevão chegar ao quarto.) Estevão estava proporcionando o dia perfeito e tanto Perseu quanto William e Mandrik acharam estranho. Mas, Perseu atribuiu aquilo e uma reconciliação dos dois, o que de verdade era um alivio para ele, talvez eles até tenham conversado na noite anterior e ele entendeu que estava fazendo algo errado. Mas, ainda estaria bem armado caso esse não fosse isso. Um duelo de espadas, seria adequado. Aquele Rei parecia traiçoeiro.
Foi quando William se aproximou de Perseu.
—Então Rei Perseu; eu fiquei curioso... – Estevão olhou curioso. – Eu havia perguntado à Princesa se seus pais também tinham cabelos brancos, ela não soube responder, você saberia?
—Ah. – Perseu e os outros caminhavam bem atrás e Estela e Auterpe cumprimentando os comerciantes. – Nossa mãe tinha os cabelos negros como um carvão, como uma sombra, já nosso pai, eu nunca soube, mas é capaz dele ter tido cabelos cinzas. Mas, apenas nós temos os cabelos brancos.
—Seus filhos teriam os cabelos brancos? – Estevão perguntou e Perseu pensou rápido.
—Eu acho que não. Não sei. – Ele contornou a pergunta. – Se as Altezas tiverem filhos seriam de que cor?
—Brancos. Claro! – Estevão exclamou orgulhoso.
—Aan... Rei Estevão, desculpe, mas, acho que dado a cor de seus cabelos seriam loiros. – Ele não gostou da resposta. – Pois, seriam uma mistura dos dois. – Estevão não podia se descontrolar, Mandrik queria concordar com aquela afirmação, mas, não pode.
—Se você tiver um filho, não iria querer que eles tivessem os cabelos brancos como os seus?
—Não. – Perseu respondeu tranquilamente. – Eu sei que minha filha nasceria com cabelos claros, mais não brancos.
—Não é importante para você? – William perguntou intrigado.
—O importante seria se minha filha nascesse com muita saúde. E inteligência, aliás, ela iria herdar meu Reino.
—Filha? – Mandrik olhou intrigado. – Não quer um herdeiro? – Perseu percebeu que naquele lugar apenas homens governavam.
—Seria melhor para o meu Reino se eu tiver uma filha. Claro, filho seria bem-vindo, mas, eu sei que será uma menina.
Para Estevão aquele Rei era estranho, tinha gostos peculiares e pensamentos questionáveis. Então seria muito fácil fazer ele assinar alianças muito lucrativas para ele. Depois da visita ao vilarejo Estela quis muito ver seus dragões, Perseu ficou afastado, não queria irritar Estevão, porém, outra coisa que provavelmente o irritaria aconteceu, Jaspe deixou Auterpe se aproximar dele. E dessa vez, Estela não ficou receosa, aliás, era a Princesa andando em Jaspe, não Perseu, seu marido não iria ficar furioso dessa vez. Na verdade naquele dia, estava sendo magico, simplesmente foi como se a dança com o Rei na noite anterior tivesse lhe dado uma proteção, e além disso mudando o comportamento de seu marido, por isso ela estava sorrindo. E quando Jaspe e Sinler alcançaram voo, Estela se sentiu segura. Como quando foi acolhida pela primeira vez pelo Rei de Calasir.
—Eles já saíram de Calasir? – Auterpe perguntou segurando firme na sela de Jaspe.
—Quem?
—Os dragões! Já foram para outro Reino?
—Uma vez viajamos com eles entre os condados, mas, nunca saímos de Calasir.
—Porque não?
—Para onde nós iriamos? – Era uma dúvida constante em sua mente. Para onde?
-Explorarem outros Reinos?
—Seria complicado, Estevão não monta nos dragões eu não poderia ir sozinha e.
—Porque não? Explore e depois diga a ele onde ir, seria mais divertido. Assim eles saberiam encontrar você em qualquer lugar caso acontecesse alguma coisa. – Auterpe então estendeu os braços enquanto Jaspe fazia um voo em queda livre, que assustou William, com medo da Princesa se machucar, mas Perseu riu.
—Como você pode rir? Não tem medo dela se machucar? – William parecia realmente preocupado.
—Minha irmã faz essas coisas, ela não faria se não estivesse se sentindo segura. – Perseu cruzou os braços observando. – Ela é corajosa.
—Hãn, claro que é, está saindo com meu irmão. – Estevão disse rindo. William ficou vermelho e virou o rosto pro lado. – Requer muita coragem...
—Tem que ser corajoso para se aproximar de Auterpe. – Perseu comentou sorrindo. – Ela não é pros fracos. – Nisso tanto Mandrik quanto Estevão riram, eles sabiam que William era bastante fraco e covarde, se a Princesa soubesse disso, ainda estaria saindo com ele? –Mas, claro. – Perseu continuou. – Isso não nos lhe deve interesse. – Foi aí que Estevão então começou a detestar aquele Rei.
O jantar seguiu tranquilo, Estevão sendo carinhoso com Estela, gracejos eram trocados, ele a deixou falar, aquilo foi tão estranho pela primeira vez ela não parecia ensaiada, o que poderia ter mudado? Depois da refeição, eles se retiraram para o quarto, Auterpe e William foram fazer sua caminhada noturna, já Mandrik foi para o quarto, ainda se sentia mal, Leodak não queria falar com ele e se recusava a olhar em seus olhos, o pobre garoto havia chorado; estava magoado, revoltado. Foi uma escolha infeliz, ele viu quase tudo, Mandrik não o afastou, nem disse nada. Foi então que o jovem viu o Rei Perseu caminhando pelos corredores e indo novamente em direção ao salão de dança. Nisso o jovem entrou logo atrás o fazendo tomar um leve susto.
—O que houve? – Perseu se aproximou dele. – O que lhe aflige? Quem te machucou? – Leodak começou a chorar, o Rei se sentiu na obrigação de o acolher, lhe acalmar e tranquiliza-lo, e conversar com ele.
Obvio, a conversa no princípio foi difícil, mas, Perseu o tranquilizou dizendo que havia um deus em seu Reino que tinha relações com outros homens, o que fez o garoto se soltar. Perseu precisaria dar uma bronca em Navi, conversando seriamente, pois magoou o jovem, tendo ou não intenção.
Enquanto conversavam Leodak foi além, ele conversou como Aya quando estava animada ou estava engolindo algo de tamanha importância. O fato de Estevão ter sido muito carinho com Estela durante o dia, era porque, naquela noite haveria a famosa lua de sangue; e esse era o período que as pessoas da espécie de Estela geralmente engravidavam, ou seja, tinham mais chances de terem filhos e com os tratamentos com certeza um herdeiro logo nasceria. Perseu ouviu aquela informação, ficou para si, e analisou que, se a Rainha tivesse um filho do Rei, seria praticamente impossível dela sair daquela situação. E se nascesse uma menina? Se não tivesse cabelos brancos? Não teriam.
Depois de mais uma conversa Perseu pediu licença para Leodak, e saiu, a lua estava começando a ficar vermelha, com certeza o Rei ainda estava sendo dócil e gentil e era naquele momento que ele devia agir; eles três subiram até um morro alto, afastado do castelo. Foi quando ele começou a chamar pela deusa da lua, sua adorável amiga Ártemis, e pediu ajuda de Héstia pela magia que ele usaria. Foi quando ele apontou para a lua, usou um poder imensurável em suas mãos, o feitiço exigia energia foi quando a lua perdeu seu tom avermelhado; a lua de sangue virou lua azul depois de muitos instantes. O brilho era lindo, a cor não significava mais castigo; ele não devia ter mexido com a lua daquele mundo, mas, não tinha o que fazer, não queria ela presa á um homem tão amargurado e covarde. Muito tempo depois que ele ficou olhando para lua pode ouvir o berro irritado de Estevão, pelo visto seus planos foram por água abaixo, ele estava preparado para chamar Jaspe mais uma vez caso as coisas ficassem ruins, mas, para sua surpresa viu ele saindo do castelo jogando pedras e coisas para o ar, aliviando sua raiva.
Ao menos não foi na sua esposa; aparentemente a fachada não poderia cair. Perseu só pode voltar para o quarto muito tempo depois, pois, Estevão ficou do lado de fora muito tempo, até duelou com Mandrik para aliviar a raiva e apenas quando tudo se acalmou, ele pode voltar para seu quarto como se nada tivesse acontecido. Não ouviu estela chorando baixinho, nem resmungos ou incômodos, foi uma noite tranquila. Foi necessária tanta força que assim que chegou na cama apagou, precisava se recarregar. E foi uma noite tranquila. Sinceramente, ele não se sentia culpado em ter privado um pai de ter um filho, mas, prender uma mulher sobre medo e agressões não era saudável. E nem certo. Ele se sentiu feliz por ter ajudado Estela sem mexer com os dragões dela.
Bem cedo de manhã houve batidas na porta frequentes, o Rei de cabelos brancos se levantou cambaleando ao abrir a porta já sabia que era sua irmã por isso se afastou; alguma coisa muito grave deve ter acontecido. Ele não conseguiu dizer bom dia.
—Perseu, o que você fez? – Auterpe entrou no seu quarto com a respiração rápida, Perseu a olhou sem entender. – Você invocou Ártemis? Usou seus poderes lunares? Invocou a magia de Héstia? – Ele ficou em silêncio, ela fechou a porta e se aproximou dele. – Você mudou a lua? Responda com sinceridade...
—(...) – Uma longa pausa. – Sim.
—Você transformou a Lua de Sangue em Lua Azul? – Ele confirmou devagar. – Oh Perseu, você não devia ter feito isso. Porque você fez isso?
—A Lua de Sangue era um sinal de Estela poderia ter filhos e. – Auterpe juntou as mãos e colocou mão na boca, respirando fundo. – Não seria justo com ela e.
—Mais e comigo?
—Com você?
—Metztli é a deusa da fertilidade e da noite. – Perseu mordeu os lábios, e olhou arrependido para sua irmã. – Na lua azul eu posso ficar grávida! – Ela exclamou. – O que você fez Perseu? Fez isso por alguém que... – Perseu passou a mão no rosto. – Está sofrendo. – Sua voz era de arrependimento. – Bom; ao menos vai nascer em Ruphira, herdar o trono, e. Bem... – Ela colocou a mão no ombro do irmão. – Você vai ser tio. (...) Eu estou com medo. Não estou preparada. O que eu faço? — Ela sussurrou.
-Temos que descobrir quanto tempo dura uma gestação desse lado. E com toda certeza, você vai ter seu bebê em Saphiral.
—Não...
—Em Ruphira. – Ele disse a abraçando, foi quando ele fechou os olhos. Seu peito batia receoso. Ele salvou Estela de sempre ficar tendo filhos. – Eu sinto muito. Eu estarei do seu lado. Sempre.
—Você e sua mania de querer salvar a tudo e a todos. – Ele a abraçou mais forte. – Eu espero que o Rei não desconte a frustação dele nela.
—Eu também espero. – Ele olhou nos olhos dela. – Não sabia que na Lua Azul você poderia engravidar. – Auterpe o encarou. – Você podia ter me avisado. Comentado.
—Devia ter comentado que iria mudar a lua! – Perseu a abraçou novamente pedindo desculpas, Auterpe não estava preocupada com isso, ela sabia que a tarde começaria a sentir todos os sintomas da gravidez, ela sentiu que ocorreu, agora estava gerando um futuro Herdeiro ou Herdeira para Ruphira.
—Ah, quero comentar umas coisas que eu descobri sobre William. – Auterpe se sentou na cama de Perseu colocando a mão na barriga, mesmo que não quisesse pensar nisso, era muito possível, a lua era importante, e a deusa lunar não pensaria muito se estivesse no momento certo.
—É muito ruim?
—Acho que melhor que Éfellya.
—Ai meus deuses! – Auterpe exclamou colocando a mão no rosto.
Talvez a frase foi meio exagerada, mais era sua obrigação cuidar de sua irmã; principalmente porque era em parte toda culpa sua.
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