Sou prosa contraditória

Em forma de versos e inversos

Digo e desdigo

Ao mesmo tempo que me entrego e me nego

Amodeio pensar em você

Amodeio querer te ter

Amodeio contemplar o futuro

Amodeio amodiar-te

Me cansa a esperança

Que guardo sem motivos

No fundo daquela caixa

Que levo sempre comigo

Minha alma está agridoce

Como o gosto da sua boca

De onde saem os beijos mais doces

E as mentiras mais sedutoras

Amodeio ouvir sua voz

Amodeio ver sua face

Nas lembranças mais puras

Amodeio amodiar-te

Acreditar em você

Fez de mim sua Eva

Que tola ouviu a serpente

E sem saber foi envenenada

Pois a única fera que deveria ouvir

É a que vive em meu peito

Essa que foi silenciada

Pelo delicioso tom de seus gracejos

Amodeio o seu fantasma

Que me assombra na cabeça

Amodeio ter te amado

Amodeio simplesmente odiar-te

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!