O canto dos pássaros, esse é o melhor som para se ouvir ao acordar. Porém, quando se mora na capital do estado e em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, o som que ouve é bem diferente do habitual.

Buzinas de carros e motos, motor de ônibus. É assim que se inicia o dia de Malu, mas ela já se acostumou e mesmo que alguns barulhos a incomodem, gosta de viver assim. Sempre se considerou uma pessoa da cidade grande e adora a rotina corrida que o lugar oferece.

Logo depois de acordar e de se arrumar, Malu foi para sala, tomar o seu café, eram 7:15 da manhã.

— Bom dia. — Malu cumprimentou Mariana, que preparava uma cumbuca com açaí.

— Bom dia. — Respondeu Mariana. — Vou pegar serviço às 10, o que significa que chegarei bem tarde hoje, então, não me espere acordada.

— Por que?

— Sua amiga aqui foi sorteada para participar e ajudar a organizar o balanço semestral da loja. Levei farelo. — Mariana colocou uma colher de açaí na boca. — Como irei sair mais tarde hoje, comprei um café da manhã bem caprichado para você. Tem pão, pão de queijo, presunto, queijo, rosca, leite e também fiz o café.

— Obrigada, Mari. Adoraria comer tudo isso, mas só irei tomar um café com leite e comer uma rosquinha. Logo terei que ir pegar o ônibus e ir para a redação.

— Não vai comer o pão de queijo? Você é louca por pão de queijo.

— Deixo para comer depois. E continuo louca por pão de queijo, assim como você é louca por açaí. — Malu riu.

...

A batida do pé marcava a impaciência de Malu, o ônibus estava atrasado. Ela até avisou para uma colega que iria se atrasar um pouco.

Um carro passou e a motorista fez um aceno. Malu se assustou, mas logo em seguida, também acenou, reconheceu a motorista. Era Cecília dirigindo um carro prata, o que deixou Malu mais impressionada é que, depois de tanto tempo, Cecília se lembrava dela. Perdida em seus pensamentos, Malu quase perdeu o ônibus, ela se apressou e fez o sinal. Por sorte, conseguiu o pegar.

No ônibus, mais um reencontro. Enquanto procurava um lugar para se sentar, Malu reparou em um rapaz negro com traços indígenas, segurando uma mochila marrom em seu colo, sentado no banco direito. Ela o reconheceu, mas não queria passar a vergonha de não ser a pessoa que estava pensando e por isso, perguntou:

— Leonardo?

O rapaz olhou para ela e disse:

— Malu?

Ela se sentou em um banco, pois, teve receio de cair, enquanto o ônibus se movimentava.

— Nossa! Quanto tempo? O você anda fazendo? — Perguntou Malu.

— Muito mesmo. Eu sou um biólogo e trabalho com pesquisas lá na Federal. E você?

— Eu sou jornalista. Eu trabalho na filial mineira de um grande canal de televisão. Trabalho no setor de esportes do canal.

— Que legal! Você sempre teve jeito para ser jornalista.

Malu sorriu e agradeceu o elogio.

— E você sempre levou jeito para pesquisador.

...

Malu andava de um lado para o outro na redação, fazia ligações, confirmava informações, digitava textos, dentre outras funções.

Depois de tanto trabalho, finalmente uma pausa. Malu foi para o refeitório, para a hora do almoço. Montou seu prato com arroz, feijão, filé de frango e salada, e depois, se encaminhou para uma mesa e almoçou tranquilamente.

Uma moça se aproximou dela, pedindo uma informação. Quando Malu se virou para responder, se espantou:

— Fernanda?

—Malu? — Perguntou Fernanda. — Nossa! Quanto tempo. O que faz aqui?

Malu se levantou e as duas se abraçaram. Durante o almoço, elas conversavam, Malu contou sobre o tempo em que ficou em Porto Alegre, que se formou em jornalismo e que trabalha no setor de esportes do canal.

— Isso é muito legal. Lembro que você gostava muito de futebol. — Disse Fernanda.

— E continuo gostando. Ainda mais agora que estou trabalhando com algo que adoro.

— E mudando de assunto. Como vai o seu coração? Tem algum romance?

— Não tenho interesse romântico. Te contei que namorei, enquanto morava em Porto Alegre, depois que me mudei para Belo Horizonte, não tive mais namoros. E você? Me conte mais sobre a sua vida.

— Eu estou namorando, o nome dele é Rodrigo. Ele é um sonho, estamos juntos faz dois anos. Na carreira profissional, me formei no curso de direito e sou advogada, trabalho em uma agencia com outros advogados e resolvo diversos casos. Aliás, um deles me fez vir até aqui. Um dos casos em que estou trabalhando, chamou a atenção da impressa e vim aqui dar uma entrevista, para explicar como tudo está sendo feito. Por isso te pedi a informação de onde ficava o setor de jornalismo político, é que tem meio a ver.

— Nossa. É bem interessante. Bom o setor que procura fica no terceiro andar, não precisa pesquisar muito, é o andar inteiro só sobre jornalismo político e que traz assuntos do cotidiano. Todos os programas são feitos por lá. Boa sorte na sua entrevista.

— Obrigada, vou seguir a suas instruções e agradeço os votos de sorte. Foi bom te reencontrar, Malu.

— Também foi bom te reencontrar, Fernanda.

— Ah! Quase me esqueço de te falar. Na agência de advocacia em que trabalho, sabe quem mais trabalha lá? O...

Fernanda foi interrompida por uma voz que chamou por Malu, pedindo para ela, depois do horário de almoço, ir para a redação. Pois, surgiram novas informações sobre o assunto em que estava trabalhando. Malu fez um sinal de positivo.

— O dia está agitado. Pelo menos vou ter um tempo pra descansar, antes de voltar para a minha rotina. Conversamos mais depois, ou quando nos encontrarmos outra vez.

— Tudo bem.

Eram quase 22 horas, quando Malu voltou para o seu apartamento. Depois, tomou um banho rápido, vestiu uma roupa confortável e foi preparar um jantar simples, pois, sabia que quando Mariana chegasse, estaria com muita fome. Enquanto cozinhava, Malu relembrava dos reencontros que teve hoje. Estava impressionada em como, depois de tanto tempo, se lembram dela, soube o que cada um estava fazendo agora, em que se formaram. Quer dizer, a carreira de Cecília não sabe, pois, só a viu rapidamente, ela deveria estar indo para o trabalho ou simplesmente dando um passeio. Seja como for, Malu tem certeza de que Cecília tem uma excelente carreira.

Depois de terminar de fazer o jantar, Malu comeu um pouco, assistiu televisão, ainda deixou um bilhete para Mariana “ O jantar está no fogão”. Em seguida, escovou os dentes, colocou o pijama e foi dormir, para se preparar para a rotina que se reinicia no dia seguinte.

Notas finais
Federal é como os mineiros chamam a Universidade Federal de Minas Gerais ( UFMG).