Amo Você Sem Mentiras
2 Meu novo lar é uma casa assombrada.
Notas iniciais
(CAP.01) Meu novo lar é uma casa assombrada.
Olhei para a janela e fitei a leve chuva que caía. Suspirei fundo, pensando em como seria a minha vida a partir de agora. Não que eu a odiasse, até porque fui eu que escolhi trilhar esse caminho. Os outros adolescentes que estavam ali pareciam eufóricos com o novo rumo que estavam seguindo. Tenho a sensação que poucos deles perceberão que isso não é uma brincadeira, que isso não é como o colegial. A partir de agora, estamos seguindo por um caminho de responsabilidades; afinal, é nosso futuro que está em jogo!
O ônibus começou a seguir rumo ao campus. Uma paixão familiar apossou-se sobre mim. Resolvi cursar a mesma faculdade de minha mãe: arquitetura. Ver algo ser construído diante de meus olhos seria uma sensação maravilhosa...
Tentei ver como eram os novatos que estavam ali. A maioria tinha cara de ser nerd. Uma garota chamou-me, porém, a atenção. Era ruiva, alta e magrela e vestia-se como uma viúva negra. Mas, mesmo seu estilo sendo assustador, ela tinha cara de ser legal. De fato, sua aparência era um tanto inusitada quando se tratava de uma universidade. Entretanto, se ela estava ali, era por ter sido aceita. Ela olhou na minha direção e viu que havia uma poltrona vazia ao meu lado. Sorriu e veio até mim.
– Posso me sentar aqui? – Perguntou assim que se aproximou.
– Claro! – respondi com um sorriso.
– Então, já escolheu para qual irmandade você vai?
– Ainda não...
– Está perdendo tempo...
– Eu sei, já deveria ter escolhido. Mas, sabe, não é fácil escolher onde vai morar e com quem vai ter de conviver por um bom período.
– É mesmo! Por isso, vou para Haunted House.
– Casa Assombrada?
– É. Lá fica a galera que curte meu estilo, saca?
– Ah, sim... Lá tem vaga?
– Sempre tem. Não se vê muitos roqueiros na universidade.
– Então lá é quase vazio?
Ela assentiu sorridente.
– Então, eu também vou pra lá!
– Você quer mesmo ir para lá? – Ela perguntou-me algum tempo depois.
– Sim, lá parece ser legal!
– Mas você não parece ser roqueira!
Pensei um pouco. De certa forma, ela estava certa. Eu vestia uma regata branca, uma calça jeans clara e um all star preto. Não usava maquiagem, colares, anéis, nem nada do tipo. Meus cabelos pretos e lisos estavam amarrados em um rabo de cavalo, nada fora do normal do meu dia a dia. Olhei-a de relance e respondi sorridente.
– Rock é o estilo musical que mais curto e, se quiser saber, vai muito além de roupas e maquiagem. O que adianta se vestir assim se não sente o rock palpitar em suas veias, ou se não sente a batida eloqüente, ou se não se deixa levar pelas letras marcantes? A roupa não tem nada a ver com o verdadeiro Rock N’ Roll. Entende?
– Sim, tem toda a razão. – Acho que foi a única coisa que conseguiu dizer.
Um silêncio mútuo apareceu ali e permaneceu por muito tempo até que, enfim, ela perguntou:
– Não nos apresentamos, não é?
– Ah, é verdade...
– Bem, eu sou a Isadora, mas pode me chamar de Isa!
Hora da verdade: falava ou não o meu nome para ela? Não era como se eu tivesse vergonha ou como se a odiasse, mas a minha identidade trazia-me más lembranças. E, quando me chamam por ele, sintia-me muito incomodada...
– Qual é seu nome? – Ela perguntou, fitando-me seriamente.
– Destiny Holly...
Isa disparou a rir. Droga! Todos faziam o mesmo quando eu falava o meu nome.
– Qual é a graça? — Perguntei seca.
– Seu nome, oras!
– Olha aqui, Isadora! Não vem com gracinhas ou conhecerá o meu lado assassino! Até porque você não foi e nem será a primeira!
– Está bem, senhora destino!
Não demorou muito para que o motorista anunciasse que havíamos chegado à Stanford University, uma das melhores universidades do mundo.
Ele parou bem perto da entrada para as residências, que eram, ao todo, sessenta e sete.
Isa não falou nada, apenas indicou qual era o caminho a seguir. Andamos uns cinco minutos até pararmos em frente a uma mansão de dois andares, feita de madeira negra e com um jardim composto de tulipas vermelhas, que davam um contraste incrível. A calçada era feita de pedras escuras; e a escadaria principal, de granito preto. Subimos-a, ainda admirando a dimensão da casa. A porta da frente deveria ter em torno de três metros; e, ao seu lado, uma grande placa de prata dizia: “Welcome To The Haunted House”, ou seja, “Bem Vindos À Casa Assombrada”.
– Nunca vi nada tão bonito assim... – Murmurou Isa.
– Também não... É! O meu novo lar é uma casa assombrada!
– Não, você não sabe ainda, pois eles sempre fazem iniciações para ver se você merece ficar.
– Que tal confirmarmos isso lá dentro?
Ela assentiu um tanto nervosa. Não tirava sua razão. A casa era magnífica, mas seríamos aceitas?
Entramos. O nosso medo era visível, mas não íamos desistir. A casa estava vazia; ou, pelo menos, a sala principal estava. Paramos, então, para admirá-la mais uma vez. As paredes eram pretas com detalhes roxos e vermelhos. Havia quadros com cenas meio depressivas. Os móveis eram de uma madeira que eu não conhecia, mas eram de um estilo antigo, sendo também pretos. O estofado variava de preto para roxo, e tulipas vermelhas enfeitavam o lugar. Existia uma imensa escadaria que ia ao segundo andar e ela também era feita de granito preto. Havia quatro portas: uma do lado direto, outra em seu oposto e duas abaixo da escada, sendo cada uma de um lado.
– Olha só! Temos visitas... – Disse uma garota loira, usando um vestido preto e vindo da porta à direita.
– Oi, somos novatas por aqui... – Pronunciou-se Isa, adiantando-se.
– Eu percebi... – Virou-se e chamou por alguém. – Esperem que vou chamar o Damon.
– Claro...
Levaram alguns minutos, mas logo apareceu um homem (e que homem!) sorridente (e que dentes! Parei já!), vindo na nossa direção.
– Bem vindas, garotas! É muito bom ver que temos mais moradoras aqui em HH! – Não me odeiem, mas que voz!
– O prazer é nosso! – Dizemos ao mesmo tempo.
– Então, antes de qualquer coisa, precisam ir àquela sala e fazer o registro. – Disse, apontando para a porta à esquerda. – E, depois, terão de passar por uma entrevista para ver se serão aceitas ou não.
– Ok – Respondi.
“Saiba que muita coisa ainda nos aguarda. Nunca se esqueça da esperança e nunca a deixe morrer. Ela o levantará quando você cair, ela lhe dará a solução para seus problemas, ela o confortará nas horas difíceis. Faça de seu destino um templo sagrado e, nele, deposite sua fé...” (Autora)
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