Amo Você Sem Mentiras
11 Existe Razão Nas Coisas Feitas Pelo Coração?
Notas iniciais
(capitulo anterior: — esse lance de tentar me seduzir não vai dar certo!
– não Holly é engano seu eu to falando a verdade... – diz indo em direção a seu carro)
(CAP.10) Existe Razão Nas Coisas Feitas Pelo Coração?
Eu o vi saindo indo em direção ao seu carro, sem fazer nada, sem dizer nada. Eu não o iria fazer. E muito menos iria dizer alguma coisa. Olhei pro céu e vi uma farta nuvem escura se multiplicar formando outras maiores. Vai cair um temporal daqueles. Peguei o carro e segui rumo a Haunted House. Só que no meio do caminho começou a chover leve e a partir daí só aumentou, gotas grossas faziam barulho na lataria do carro. Olhei pelo vidro do carro e vi a forte tempestade cair. Suspirei fundo e abri a porta. Mas é claro que o carro tinha que atolar... ¬¬ o problema agora e saber como eu vou sair daqui. Olhei de relance para a estrada e me surpreendi, havia outro carro parado mais a frente. Decidi ir até lá pra ver quem era o outro “sortudo” que havia sido obrigado a passar o tempinho na chuva. Me aproximei do veiculo e bati na janela. Nada. Me molhei a toa. Certamente o dono do carro havia ganhando uma carona ou algo do tipo e largado o automóvel pra lá. Olhei em minha volta e dei de cara com uma estradinha e mais longe uma fumaça que sugeria uma chaminé. Sai andando quase caindo devido aos ventos fortes. Tremendo de frio, suja e cansada bati na porta do velho chalé até que Brian surgiu com uma cara de assustado e depois de alívio.
– Holly? Entra ta muito frio ai fora!
Entrei batendo queixo, meu corpo inteiro tremia e tirava de mim alguns soluços. Olhei por volta e vi que o lugar era simples mais era aconchegante. Pelo menos até a chuva passar.
– vem senta aqui perto do fogo! – diz me puxando até sentar no chão perto da lareira. – o que faz aqui?
– o mesmo que você! Fugindo da chuva... – digo abraçando meus joelhos
– seu carro atolou?
– é né...
– que azar...
– pois é
Fitei o fogo que aquecia minha pele. Os estalos da madeira era a companheira do silencio pelo menos naquele momento. Mesmo de longe dava pra ouvir a respiração abafada e descontrolada dele.
– ta nervoso? – perguntei ainda olhando pra lareira
– não é só frio mesmo...
– hum
Passamos certo tempo assim um observando a respiração do outro ou outra hora fitando o fogo. Respirei fundo. Eu tinha que fazer essa pergunta. Eu tinha que saber a verdade. Eu precisava disso e eu sabia que ele poderia e responder mesmo que seja dura a verdade tem que ser esclarecida.
– Brian...
– sim?
– preciso te fazer uma pergunta...
– faça
– era você naquela noite certo? – ele assentiu – você fez alguma coisa comigo?
– claro que não Holly eu jamais faria uma coisa dessas...
– quando me viu no dia que cheguei você sabia que era eu?
– já virou três perguntas.
– me responde essa...
– sabia sim...
– por que não me disse nada?
– por que a principio achei que você também sabia e só estava fazendo birra... só que depois no dia seguinte quando a gente tava indo fazer compras você me disse que tinha sido estrupada eu tipo levei um susto e me dei conta que você não sabia e estava achando que tinha feito algo pra você e eu não fiz...
– mas se põem no meu lugar... eu estava num bar, bebi um porre, fiz um striper, o que acha que eu pensei quando eu acordei nos braços de um homem que eu nunca tinha visto na vida?
– eu sei é estranho... mas eu juro não te fiz nada!
Seus olhos suplicavam em silencio um perdão que não cabia a mim. Na verdade não tinha o que perdoar se ele não tinha feito nada contra mim. Movi meus lábios tentando dizer alguma coisa, mas, no entanto nada saiu. Continuei a fitar o fogo enquanto pensava em uma maneira de me desculpar com ele. Sou eu é que deveria me desculpar. Só que um flash me veio em mente... se ele não fez nada contra... ai meu Deus...eu ainda era...
– Holly? Algum problema? Você está bem? Você ta pálida...
– eu to... bem sim... – não dava pra acreditar que esse tempo todo eu aqui pensando que tinha sido estrupada. Mas na verdade eu nem deixei de ser virgem ¬¬
– não é o que parece...
– é que eu me dei conta de uma coisa...
– o que?
– eu fui uma idiota.
– você não tinha como imaginar.
– mesmo assim. Eu tinha que ter ido numa delegacia assim eles faziam uma exame de corpo de delito e descobriam que não tinha acontecido nada.
– é por esse lado...
Me levantei e sentei mais perto dele o encarando de frente. Seus olhos castanhos cintilavam sobre a luz alaranjada das chamas.
– eu preciso te pedir desculpas...
– não precisa...
– precisa sim!
– errar é humano, Holly, ninguém é perfeito! – diz me acariciando de leve sua mão quente percorria as maçãs do meu rosto e deslizando foi até alcançar minha nuca e me puxou me deixando cara a cara com ele...
“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?” (Legião Urbana)
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