Amnésia
1 Just a Dream
Notas iniciais
Vejo você indo embora, você tem a aparência cansada, como se já tivesse lutado demais, eu peço pra você ficar, mas tudo que vejo vindo de você são lágrimas ,que descem descontroladamente pelo seu rosto.
Você vai embora, fecha a porta, então eu desabo, não posso crer que eu te perdi, não posso acreditar que eu te deixei parti, sem forças pra me mover, permaneço no chão e por ali eu durmo.
Acordo no outro dia, sinto dores no corpo e na cabeça, junto alguma coragem, me levanto e vou para o banheiro, tomo um banho demorado, como se a água fosse levar as suas lembranças embora, mas isso não acontece, claro, estou de férias da faculdade, então vou para a cama, não tenho fome e nem sono, só um vazio.
...
Acho que faz um mês que você se foi, não sei ao certo, só sei que semana que vem a faculdade recomeça, resolvo sair para comprar materiais para as aulas, aliás, nesse mês que passou eu não sai de casa, mal sai da cama, só sai para pegar as comidas que eu pedia e tomar banho, as vezes.
Durante o caminho até uma livraria eu lembro de você, como sempre. Seus amigos me disseram que você estava bem com outro alguém, mas os seus olhos não brilham nas fotos como antes, acho que você tenta se enganar com esse outro alguém. Enquanto isso eu me afasto mais e mais dos meu amigos, da minha vida, o pessoal me pergunta o porque, mas eu permaneço em silêncio lembrando de você e o porque de eu não estar bem e me afastar de tudo e todos.
Resolvo ir na livraria perto de casa, assim não corro o risco de te ver ou ver alguém conhecido, bom, como eu sempre disse eu não tenho sorte, porque eu te vi, e você me viu, acho que você sentiu pena ou desprezo, porque você me olhou de um jeito tão estranho, será que estou tão mal assim?!!!
Acabei nem comprando nada, sai correndo e fui pra casa, cheguei e desabei, não achei que ia doer tanto te ver de novo, todos os nossos momentos passaram como um filme em câmera lenta na minha cabeça, todos os nossos momentos desde do primeiro encontro até o último, aquele vazio do dia em que você foi embora acaba de ficar maior, eu sei que não devia depender tanto de você, mas você é como uma droga, e a abstinência de você acho que nunca vai passar. Pego o meu celular, todas as fotos que você me enviou ainda estão nele, abro a pasta com o seu nome e começo a olhar suas fotos, e a solidão me assombra sem você.
Sabe, meu amor, durante esse mês me peguei algumas vezes querendo te esquecer, ter uma amnésia de você, esquecer todos aqueles estúpidos momentos que nós vivemos, como o dia no parque, ou o passeio no trem que a gente se sentiu duas crianças, ou o nosso primeiro beijo, o seu primeiro sorriso bobo apaixonado pra mim, eu queria esquecer tudo isso, porque machuca e dói muito saber que eu nunca mais vou ter isso, que eu te perdi e que outra pessoa vai poder fazer isso com você e esse alguém não sou eu.
Acho que acabei dormindo no chão, não me lembro de muita coisa, só sei que acordei com a campainha tocando, abro a porta e quase desabo de novo, você esta na minha frente, com aquela roupa que eu te dei, que você disse ter queimado pra poder queimar o que você sentia por mim, mas agora você está aqui com essa roupa, parece um sonho.
Peço que você entre, você adentra minha casa e olha tudo, com um olhar nostálgico. Mas a casa está um lixo e vejo o olhar de pena no seu rosto novamente, você se senta em uma cadeira e vai direto ao ponto, como sempre,. Você diz que ainda sente minha falta, que ainda chora por mim, e que quer tentar novamente, acho que morri e fui pro céu, você está me dando outra chance, eu corro e te abraço, seu perfume me inebria, senhor como senti sua falta. Prometo pra você que dessa vez eu vou fazer diferente, prometo te amar como nunca, prometo te fazer feliz.
De repente um barulho, parece a campainha, não quero te solta para atender, mas te solto e vou até a porta, quando abro não tem ninguém, deve ter sido as crianças da Rua, mas quando fecho a porta e olho pra você, você não esta lá, a campainha toca novamente, dessa vez mais alta, mas eu não quero saber, eu tento te achar pela casa, mas não consigo me mover, a campainha está cada vez mais alta, de repente eu desperto.
Droga! Esbravejo, tudo não passou de um sonho, de novo, de novo eu achei que você estava lá, de novo meu cérebro me enganou, de novo a saudade falou mais alto que a razão, e de novo eu queria ter amnésia, esquecer as pequenas estúpidas coisas sobre nós. E claro que você não estava lá, não sei como, mas você está feliz com outro alguém, acho que o que nos tivemos não foi real pra você, porque você está bem, enquanto eu, eu não estou bem mesmo...
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