Notas iniciais
Se vocês estão se perguntando "Por que melancias?", eu também me faço esta pergunta todos os dias...

— John, acho que está na hora de você saber uma coisa imensamente importante e perigosa sobre Black Jack Cross...

Ao ouvir aquelas palavras, eu fiquei realmente nervoso. Afinal, o que de tão importante e perigoso aquele internato poderia esconder? Eu estava eufórico e imensamente curioso, então apenas perguntei:

— Annie, diga logo, o que eu deveria saber?

— Bem John, acontece que esta escola tem um toque de recolher.

— Tá, idaí?

— Idaí que quem o desobedece, é punido da maneira mas severa e cruel conhecida pelo o conselho estudantil....— diz ela nervosa e com uma sombra de medo.

— Annie, você está me assustando. Que punição seria essa?

— Caso qualquer aluno ultrapasse o toque de recolher sem a autorização de um mentor.... Ele... Ele...—gagueja ela nervosa— Ele irá receber uma advertência!— nesse momento eu dei um tapa na minha própria cara e suspirei.

— Annie, você é mais certinha e medrosa do que eu imaginava...

— Eu?! Certinha?! Medrosa?! Pois fique sabendo, John, que uma vez eu ja ultrapassei vinte segundos do toque de recolher!

— Oh meu deus! Prendam ela! Ela é muito radical. Só tomando muito todinho para ser tão radical assim...— exclamo sarcasticamente enquanto solto algumas risadas.

Annie reagiu da seguinte maneira a minha inocente brincadeira com a radicalidade dela: Ela começou a me dar leves tapinhas e dizer coisas do tipo "foi muito radical sim!! Para com isso!". Quando ela parou com aquele ataque, nós nos olhamos por meio segundo e rimos da situação toda quase que simultaneamente e quando estávamos parando de rir, eu falei:

— Mas porque decidiu me dizer sobre o toque de recolher agora?

— Bem, lembra de quando eu disse que uma vez eu ultrapassei vinte segundos do toque de recolher?

—Aham...

— Bem, isso foi a uns dois minutos atrás...— diz Annie meio envergonhada e logo após, ela entristece o tom e continua a falar— Desculpe-me por fazer você levar uma advertência. Eu só causo problemas as pessoas... Esta não foi a minha intenção. Perdoe-me!

Annie estava triste, parecia que ela ia chorar e não sei porque, mas simplesmente partira-me o coração vê-la assim. Então eu me levantei do banco rapidamente, fiquei de frente a ela, estendi a minha mão e com um sorriso no rosto disse:

— Para de se desculpar, você não fez nada por mal e aliás, ainda não fomos pegos. Vamos, é só voltarmos irmos ao dormitório escondidos que tudo ficará bem!— quando eu terminei de falar, Annie segurou a minha mão e fomos correndo ao dormitório feminino 3-C, que era aonde ficava os nossos quartos.

Chegamos ofegantes ao dormitório. Assim que colocamos os pés no lugar, uma bela garota veio em nossa direção. Ela era quase da minha altura, talvez um pouco mais baixa, porem um pouco mais velha. A garota tinha um longo cabelo preto e usava um laço vermelho para amarra-lo em um rabo de cavalo. Ela usava um casaco branco com detalhes azul marinho, uma minissaia azul meia noite e uma fita escrita "Conselho estudantil de Black Jack Cross" amarrada no braço. Ela se aproximou de mim e em um tom confiante disse:

— O que temos aqui? Um jovem casal?— Eu e Annie coramos e só depois percebemos que ainda estávamos de mãos dadas e quando soltamos as mãos um do outro, a garota continuou a falar— Bem, os pombinhos sabem que já passou do toque de recolher, certo? Imagino que sim, porém, o senhor é um garoto e o único garoto aluno que teria permissão de entrar aqui seria o novo aluno "John Carmine". Este é você, estou certa?

— Sim, está certíssima, mas olha, Annie não fez nada de errado. Não era a intenção dela ultrapassar o toque de recolher, se quiser, pode me dar duas advertências. Eu recebo a dela!͞ falei confiante, me colocando a frente de Annie.
Surpreendentemente, a garota me abraçou. Consegui sentir os peitos dela fazendo pressão contra o meu corpo, então eu corei fiquei meio... "animado".

— Bobinho, para com isso. Eu não vou te dar nenhuma advertência... Eu sou boazinha e também, até que você é bonitinho. Me chamo Arabella, espero que nos vejamos de novo por aqui, até lá, apenas se mantenha longe de encrenca e cuida bem da minha maninha. —nisso, ela piscou o olho esquerdo para mim e saiu andando pelos corredores.

Annie estava vermelha, emburrada e então resmungou:

— Urgh... Porque ela sempre faz isso?!— era incrível, pois mesmo ela estando emburrada ou resmungando, ela ainda era meiga e fofa como sempre.

— Você conhece ela?— perguntei.

— Bem, Arabella é... Minha irmã mais velha.

— Entendo... Bem, vamos apenas esquecer o que aconteceu, que tal?

— Certo—concorda Annie.

— Então... Aonde fica o meu quarto?

— Ele fica no final do corredor, é o ultimo quarto a direita. Enquanto voce vai para o seu quarto, eu irei para o meu, ok?

— Então... Até amanhã?

— Sim John, até amanha.—responde ela sorrindo.

Eu estava preste a chegar em meu quarto quando uma garota se colocou em minha frente, tapando minha passagem. Ela meio baixinha e devia ser um pouco mais nova do que eu. A garota usava um jaleco branco por cima de uma camiseta xadrez rosa e uma mini saia preta . O cabelo dela era longo, liso e de uma coloração amarelo creme. Tentei passar despercebido, porém ela começou a me observar e disse:

— Interessante...

— Desculpe interromper, mas o que é interessante? Ou melhor, o que diabos você está fazendo?— Antes que eu pudesse fazer algo, ela agarrou a minha mão, me deixando vermelho.

— Não é fácil fazer isso— diz ela envergonhada— mas acho que ajudaria se você fechasse os olhos... — eu fechei, um erro.

— Ei, nós nem nos conhecemos, você não acha que está cedo de mais para nos beij... Ai!— neste momento eu senti uma picada de agulha em meu braço esquerdo e gritei— O que diabos você está fazendo?!

—Coletando amostras... — respondeu ela colocando o meu sangue em um frasco.

Antes que pudesse fazer qualquer comentário de como é errado abordar as pessoas no meio de corredores e tirar o sangue delas, ela tampou o frasco, colocou um curativo com desenho de um gatinho em meu braço, e saiu saltitando e cantarolando pelo o corredor.

Após este estranho ocorrido, eu entre no meu quarto, tranquei a porta e abri a estranha mala que havia em cima de minha cama. Nele tinha um bilhete e nele estava escrito:

" Bem vindo a Black Jack Cross, John! Supondo que você iria aceitar o convite do Christopher, tomei a liberdade de trazer suas coisas do orfanato para o seu novo quarto( e as coloquei dentro desta mala). Ainda não nos conhecemos, mas iremos dentro em breve, bem breve...

Ass. Smile :D "

Abri a mala e peguei o que, até onde eu lembro, era o meu pijama preferido e o vesti. Após vestir uma samba-canção com desenhos de melancia e uma velha camiseta preta com a logo do AC/DC, me joguei na cama e lá fiquei deitado por algumas horas, apenas pensando. Fiquei pensando sobre quem eu fui, que coisas eu fiz, o que eu pensava, o que eu vi, quem eu conheci... Horas e horas pensando não deram em nada. Nada. Tudo o que eu consegui, foi um sentimento melancólico de perda, uma cratera em meu peito por nao saber quem eu fui, por nao saber quem eu era.

Foi por volta das três da manhã que alguém bate em minha porta. Eu me levantei da cama e abri a porta para ver quem diabos estava batendo na minha porta as três da manhã , era Annie. Ela estava usando uma calça com estampas de gatinho e uma camiseta regata branca. Annie parecia ter algo importante a me dizer, porém, ela olhou para minha samba-canção e soltou uma risada presa.

— Melancias?— diz Annie rindo.

— Então quer dizer que a senhorita tem o hábito de bater na porta de garotos as três da manha para falar da cueca deles?— pergunto brincando, ela ri.

— Quase isso...— responde ela segurando o riso— Desculpa, é que eu não consegui me conter... Tá, agora já to calma.

— Certo, agora que já está calma, pode me dizer o que te trás ao meu quarto às três horas da manhã?

— Ah sim, o Sr.Donturner pediu para te chamar. Parece que ele tem algo importante para discutir com você.

—Só espero que não seja sobre a minha cueca...— digo sarcasticamente.

— Não crie muitas esperanças nisso, ela é muito tentadora para não se falar dela— responde ela ao meu sarcasmo, ainda rindo.

Mesmo tendo aula às 6:00 da manhã do dia seguinte, ainda tinha muitas garotas acordadas e perambulando pelo dormitório. Confesso que foi bastante constrangedor andar nos corredores de um dormitório feminino usando uma samba-canção com desenhos de melancia. As garotas me olhavam, trocavam olhares, e riam. Em base disso, provavelmente elas deveriam estar pensando algo do tipo " Nossa, que cuequinha ridícula!" ou "Nossa que garoto bonito, acho que estou apaixonada!!" e eu acho mais provável que tenha sido a segunda opção, mas pelas risada comecei a suspeitei que pudesse ter sido a primeira.

Annie me guiou pela escola até a sala do diretor, depois nos despedimos e eu decidi bater na porta. Ao ouvir as batidas, Sr.Donturner gritou de dentro da sala:

— Quem é?

— Aqui é o John, Annie me disse que o senhor a mandou me chamar.

— Ah sim, jovem John, entre!— nisso eu abri a porta e ao me ver, imediatamente ele disse o inevitável — Bela cuequinha... Enfim, não o chamei aqui para falar dela, sente-se.— assim eu me sentei— Eu o chamei aqui para falar disso.— Diz ele apontando para um estranho objeto esférico de metal— Por acaso, saberia me dizer o que diabos é isso?

— Desculpe-me, senhor, mas não faço a mínima ideia...—respondo.

— Como eu imaginava...—conclui ele— Enfim, isto foi encontrado junto a ti quando nós o encontramos inconsciente. Consegue abrir?— Nisso ele arremessa o objeto para cima de mim e eu o pego no ar.

Ao pegar naquele estranho objeto metálico, percebo que há alguma coisa escrita em uma língua estranha e alguns símbolos circulares e geométricos cravados nele em dourado. Não sei como, mas de alguma maneira eu sabia como abrir aquela estranha esfera metálica e assim eu o fiz.

Ao abrir aquele estranho objeto, eu apaguei. Acordei em um espaço estranho. Sim, um "espaço". Bem, eu estava definitivamente no espaço. Eu via estrelas, galáxias, planetas... , foi ai que dei me dei conta de que estava em cima de uma ponte invisível, mas porque? ou melhor, como eu estava respirando? foi me fazendo essas perguntas que me dei conta que atrás de mim encostado em uma parede invisível, havia uma homem nas sombras me observando. Por algum motivo, eu sabia que aquele homem-sombra não era algo de bom. Por algum motivo, eu sabia que alguma coisa muito estranha e maligna estava por vir.