[Amnesia Time Travel] 1: Another Crazy time.

2 Capítulo 2 - Um novo lar em Black Jack Cross


Acordo em um lugar grotesco, nojento, assustador, repugnante: Uma cama de enfermaria de algo que me parecia um colégio. Não sei porque, mas eu realmente não gosto de enfermarias, elas lembram a agulhas e agulhas não são legais. Olho ao meu redor e percebo que do lado da minha cama, sentado em uma cadeira, está um senhor de meia idade. Seu cabelo era grisalho e de corte militar, sua barba mal feita o fazia parecer como um sério militar veterano de algum filme de ação, mas a sua gravata borboleta vermelha e seus suspensórios vinho por debaixo do blazer marrom quebravam totalmente essa ideia. Em pé ao lado dele estava Annie, a garota do sonho. Antes que eu pudesse começar a fazer perguntas como: " Aonde eu estou?!", "Quem diabos é você?!" Ou "Porque a parede desta sala é vermelha?!", aquele senhor se aproximou de mim e com uma grossa, rouca e surpreendentemente gentil voz, disse:

—John, certo?

—Acho que sim, senhor— respondo rapidamente.

—Muito prazer jovem John, eu me chamo Chris Dontunner e sou o diretor do internato no qual você se situa neste momento. Eu e Annie ficamos felizes por ter acordado!— Após Sr.Dontuner terminar esta frase, Annie sussurrou algo em seu ouvido, ao ouvir, ele franziu a testa e com um tom de consolo disse— Você ficou inconsciente por dois dias, você se lembra de alguma coisa?

Contei a ele tudo o que lembrava, que já não era muito, apenas alguns flashes de memorias, o fato de eu ter vivido em um orfanato durante os últimos anos de minha vida, minha paixão obsessiva por presunto, minha tara incontrolável por meninas com orelhas de gatinho, minhas alergias e algumas outras coisas do gênero.

— Como eu suspeitava... O acidente lhe causou amnesia!— sussurrou Sr.Donturner como se estivesse "pensando alto".

— Amne... O que?

Quando viu que eu não fazia a mínima ideia do que a palavra "Amnesia" poderia significar, Sr.Donturner me explicou e logo abriu um enorme sorriso em seu rosto e disse:

— Pelo o visto, você não vai querer voltar para aquele orfanato chato. Sendo assim, jovem John... Você estaria interessado em estudar em nosso internato? Se aceitar, você pode ficar com um dos quartos do dormitório 3-c e talvez... — antes que ele pudesse terminar esta frase, Annie o interrompeu irritada:

— Mas, diretor, o dormitório 3-c é só para garotas, senhor não pode fazer isso!

— Annie, nós já conversamos sobre isso! O dormitório 3-c é o único dormitório do internato com um quarto disponível nesta época do ano e além do mais, isso foi uma das exigências do... — nisso ele se "auto interrompeu" e começou a falar de novo— Enfim, o 3-c é o único dormitório com quarto disponível!

— Mas senhor, ele é um garoto, o dormitório 3-c é um dormitório para garotas e até onde eu vejo ele não é uma garota!!

— Annie...- Diz Sr.Donturner com um tom de advertência.

— Que seja!— responde ela com um tom irritado para não perder "a pose", porém conformada.

Soltei uma risada presa, pois a voz dela estava incrivelmente fofa, exatamente igual a no meu sonho.

— Algo a comentar, jovem John?

— Não, desculpe-me, senhor.

— Sendo assim, Annie, deixo John aos seus cuidados. Mostre à ele a escola e todas essas baboseiras de comitê de boas-vindas... Enfim, cuide bem dele até o mesmo recuperar a memória.

Ao acabarmos essa incrível serie de diálogos, Sr. Donturner saiu da enfermaria, assim, me deixando sozinho com Annie.

— Então... Acho que não nos conhecemos direito...— comento tentando ser simpático enquanto estendo a mão— Bom, como sabe, eu me chamo John e tenho uma paixão incontrolável por presunto!— nisso, ela riu.

— Bom, sendo assim... Como já sabe, me chamo Annie e pelo o visto, nenhum de nós é bom para puxar assunto...- diz ela enquanto aperta minha mão e se senta na ponta da cama.

Passamos uns trinta minutos conversando sobre coisas inúteis como a possível existência de vida em marte, sobre as series de tv que ela assiste... Enfim, jogamos papo fora. Quando o assunto acabou, ela se levantou e alegremente disse:

— Enfim, vamos começar o nosso tour pela a escola?

— Claro, estou animado para conhecer a minha nova escola!— respondo sorrindo.

— Então decidiu aceitar o convite do Sr.Donturner e estudar no internato Blackjack Cross?

— Isso vai depender de como você me mostrar a escola...— digo em tom meio brincalhão.

— Então vamos, senhor amante de presunto, não temos tempo a perder!— retruca ela, também meio brincalhona.

Passei o resto do dia caminhando com Annie pelos corredores de Black Jack Cross. Conforme íamos andando, ela contava a história do internato e que sala ficava em que lugar, porém, eu só conseguia prestar atenção naqueles lindos olhos de coloração acinzentada.

Após aquela longa caminhada pela escola, quando já estava para anoitecer, Annie comprou dois sorvetes em uma barraquinha no pátio da escola e me deu um. Nos sentamos em um dos bancos que havia por perto para tomar o sorvete, mas acabou que passamos cerca de três horas ali, sentados, conversando. Naquele momento eu percebi que Annie é realmente uma garota incrível e por isso, eu fiquei imensamente triste quando em um tom preocupado e depressivo ela me disse:

— John, acho que está na hora de você saber uma coisa imensamente importante e perigosa sobre Black Jack Cross...