Amnesia.

2 Procurando por verdades.


Notas iniciais
Sim, já estou postando o segundo capítulo seguido do primeiro. Minha desculpa é por que estou muito entediada mesmo e por que eu já tenho 7 capítulos prontos. Boa leitura, de novo~

Ao entrar no toalete, notei que era muito mais limpo do que eu imaginara — provavelmente por que não haviam muitas mulheres frequentando tal lugar. Eu só queria evitar um pouco aqueles caras, ficar perto deles ouvindo suas conversas estava me deixando sufocada. Lavei meu rosto com a água gelada da pia e encarei meu reflexo no espelho. Quem eu era? Talvez, se eu não lembrasse, poderia "recomeçar" minha vida naquela cidade ( de preferência bem longe do meu "novo amigo").

Após alguns minutos, ouvi gritos e estrondos vindo do lado de fora do banheiro, na área do bar.

"Uma briga.", pensei.

No fundo, eu já sabia bem quem estava brigando, e quando saí correndo do banheiro, vi que minha teoria estava correta. Ali estavam dois homens segurando Albert enquanto um terceiro esmurrava-o. Ninguém do bar fazia nada além de observar e ficar gritando "briga!briga!". Assim que Albert se libertou dos dois homens que o seguravam, a coisa ficou mais feia: ele pegou seu bastão e passou a agredir violentamente seus "agressores", até que eles não conseguiam mais se levantar do chão.

Algumas pessoas da "platéia" finalmente resolveram tomar atitude e puxaram os três homens feridos para fora da multidão, bem longe de Albert, enquanto outros seguravam o cara enfurecido que ainda segurava seu bastão. Alguma coisa em mim me fez correr até ele e segurar seus braços (ele estava prestes a agredir quem o segurava também) e este, imediatamente largou sua "arma" e tentou recuperar o fôlego, sem olhar diretamente para mim.

— Vamos embora... Albert. — falei baixo enquanto evitara olhá-lo.

Ele, sem resposta alguma, saiu pela porta do bar com passos pesados e cabeça baixa. Peguei seu bastão no chão, vendo que ele tinha sido esquecido e fui atrás dele tentando acompanhar seu ritmo.

— Ei garota! — ouvi a voz de John atrás de mim.

— Sim..? — me virei para ele com certa impaciência.

— Quer ajuda de verdade? — ele perguntou — Bem, procure esse homem.

Ele me entregou um cartão de visitas simples onde estava escrito o nome "Jackson Lewis" ao lado do título "Detetive particular", um endereço e um número de telefone em negrito.

— Obrigada.

— Boa sorte e... cuidado com o Al. — ele disse de forma calma.

— Certo... — concordei.

Depois disso, acenei para ele e fui correndo atrás de Albert, que já estava muito mais à minha frente. Ele parecia realmente estressado, tanto que não parou para ouvir nem quando eu chamei seu nome diversas vezes e pedi para que me esperasse. Quando finalmente alcancei ele, puxei ele pelo ombro e encarei-o com raiva.

— Albert, você é surdo ou o que? Caram... — minha voz falou quando vi que seu nariz e boca sangravam, seu olho direito com um enorme roxo e alguns cortes na testa (provavelmente feitos por uma garrafa de cerveja quebrada).

— Meu Deus...seu rosto...

— Não foi nada. — ele estampou um sorriso idiota no rosto, que não parecia nada "feliz".

— "Nada"? Cara, você tá horrível.

— Pffft, isso acontece direto, nem doeu tanto quanto parece.

— Por que será que eu não acredito em você? — perguntei com sarcasmo.

— Para de se preocupar com coisas estúpidas...

— Eu não estou preocupada! — bufei — Mas por que aqueles caras estavam brigando com você? O que caralhos você fez pra eles ficarem tão putos?

— Coisas de trabalho.

— Que "coisas"?

— Você não precisa saber...

— Mas...

— Olha, esquece isso.

Respirei fundo e revirei os olhos. Eu sabia que mal tinha conhecido ele, mas aquele cara omitia coisas demais. Ele era estúpido e parecia querer se pagar de durão, mas eu francamente não acreditava que ele estivesse realmente se sentindo como demonstrava estar. Tolo.

— Tá. — respondi de forma desinteressada. — Mas o que eu realmente queria saber é se pode me ajudar a chegar até uma pessoa.

— Lembrou de alguém, hum?

— Não exatamente. Seu "amigo" indicou uma pessoa para me ajudar. Um tal de "Jackson Lewis", conhece?

— Ah. — a expressão relaxada de Albert foi substituída por uma séria e fria. — Sei bem de quem se trata.

— Ótimo, pode me levar até ele, então?

— Infelizmente não posso te ajudar com isso.

— Uhm? Por..?

— Digamos que eu e o Jackson não somos muito... uhm... "chegados".

— Como assim?

— Longa história. Mas para deixar claro, ele me odeia e eu odeio ele. Não posso te levar até ele, desculpa.

— Por favor! Eu preciso da ajuda dele!

Albert ficou me encarando com um olhar analítico enquanto coçava o queixo. Ele suspirou frustrado e seguiu do mesmo modo por algum atempo até que assentiu lentamente com a cabeça e disse:

— Talvez... talvez amanhã eu possa te levar. Mas não vou falar com ele.

— Obrigada.

— Eu disse "talvez", não "sim".

— Do mesmo jeito. — cantarolei.

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Já estávamos de volta no apartamento do Albert. Ele estava fumando na janela e eu fui vasculhar a cômoda dele. Pouco antes, ele me permitira escolher qualquer coisa dele para passar a noite, já que não tinha nada além do que eu usava no corpo. Peguei um moletom verde-musgo muito maior do que o tamanho que eu usava.

Ao aproximar o moletom do meu rosto, senti um aroma bom. Era um cheiro leve e agradável que, por algum motivo, me deixara mais relaxada. Então ouvi a voz do Albert atrás de mim.

— É normal para você ficar cheirando as roupas das outras pessoas?

— O...Oque? Não! — gritei com o susto e senti meu rosto aquecer.

— Sei... — ele disse ao abrir um sorriso malicioso.

— Vai pro inferno, seu idiota. Eu só estava tendo certeza de que essa coisa estava limpa. — resmunguei.

— Tá, tá, calma. — ele riu — Eu só tava brincando.

— Idiota.

O.K, aquele cara era realmente um babaca. Eu ainda não sabia por que ainda não tinha ido na polícia ou procurado algum outro lugar para ficar. E eu não estava nada afim de passar mais nem uma hora naquele cafofo.

— Bem, eu tô cansado. Vou indo para cama e...

— Onde EU vou dormir? — interrompi ele.

— Comigo, ué.

— Você não está falando sério, né?

— Só tem um colchão...

— De solteiro! E tem um maldito sofá aqui também!

— Mas o sofá é duro... — ele choramingou.

Eu não tinha muita opção naquele ponto. Ele era um babaca insistente que passou nada menos que meia hora tentando provar que o sofá era péssimo para dormir, e como eu não queria deitar naquela porcaria dura, desisti de discutir e, com relutância, concordei em dormir na droga do colchão com ele.

Após trocar de roupa, me encolhi na ponta do colchão (tentando permanecer o mais afastada possível daquele bastardo) e virei minhas costas para ele. No escuro, eu não via nada, apenas escutava o som da respiração de Albert perto da minha nuca. E como estávamos em um colchão de solteiro, era muito complicado não ficarmos com os corpos próximos, e aquilo estava me deixando desconfortável.

Já não bastando isso, ainda tínhamos que dividir o cobertor. Como diabos eu fiquei em tal situação? Mas se tudo desse certo, no dia seguinte eu poderia me livrar dele.

Era uma noite um tanto fria, e mesmo assim, o calor humano me deixava atordoada. Então senti os braços dele se prendendo em minha cintura. Imediatamente, dei uma cotovelada forte na barriga do mesmo.

— Seu bastardo pervertido.

— Eu só queria te aquecer... — ele resmungou.

— Se encostar em mim, você vai ver. — ameacei.

— "Ui", raivosa. Vai fazer o que?

Ele me imobilizou, colocou seu corpo quente sobre o meu e beijou meu pescoço. Eu não conseguia me mover, e toda vez que tentava gritar, conseguia apenas emitir grunhidos. Ele continuou aquilo, até o momento que resolvi me virar. Então ouvi vozes dizendo "Ei, você ta bem?" ou "Acorda!". Ao abrir meus olhos, me deparei com Albert me cutucando. Já era manhã, e notei que eu estava extremamente suada.

— Você tá bem? Quando acordei você estava suando e ofegando, achei que estivesse passando mal ou sei lá.

— Só um sonho... — murmurei para mim mesma.

— O que?

— Nada. — respondi escondendo meu nervosismo — Que horas são?

— Quase meio-dia, por?

— Quero ir logo ver o tal de "Jackson".

— Ah, claro. — ele murmurou desanimado.

Que sonho fora aquele? Era nojento pensar naquilo, afinal, eu mal conhecera Albert, e eu não tinha nada com ele (nem mesmo amizade!). Só um sonho, nada mais que isso. Seria natural já que era mão único conhecido, né? Por que eu ainda estava pensando naquilo?! Ignore. Ignore tudo isso.

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Caminhamos bastante até chegarmos em um prédio comercial enorme. Deveria ter uns 13 andares e toas as janelas eram espelhadas, fazendo com que a luz forte do Sol de meio dia fosse refletida.

— Oitavo andar, sala 805. — Albert disse.

— Certo.

— E... não cite meu nome.

— Tá, tanto faz.

— Mais uma coisa... Eu não sei que horas volto, vou ter um compromisso agora. Acho melhor você ficar com as chaves do apartamento e nos encontramos lá.

Assenti com a cabeça e peguei a pequena chave das mãos dele, guardando-a em seguida no bolso da calça. Depois de nos despedirmos brevemente, entrei no prédio e fui para o oitavo andar. Demorei certo tempo para achar a sala "805", mas quando a achei, um sentimento de calma me dominou.

Bati algumas vezes na porta, até que uma voz masculina pediu para que eu entrasse, e assim o fiz. A sala era meio escura, com suas janelas fechadas e móveis rústicos. Atrás de uma grande escrivaninha, estava sentado um homem que aparentava ter uma idade próxima à minha. Seu cabelo era loiro-queimado e os olhos eram de um tom de verde escuro. Ele usava um sobretudo preto por cima do terno e fumava um charuto.

— Senhor Lewis? — indaguei.

— Sou eu, mas não precisa me chamar por "Senhor", Jackson é melhor. — ele apontou com a cabeça para uma poltrona de couro diante da escrivaninha — Sente-se.

Na minha mente, o detetive seria um velho calvo e meio gordinho viciado em whiskey que quebraria totalmente a imagem do amado "Sherlock Holmes". Mas não. Fiquei surpresa ao ver alguém jovem como eu no lugar do "papai noel beberrão" dos meus pensamentos.

— Com o que posso ajudar?

— Bem... eu estou com um problema meio confuso, e um "conhecido" te indicou.

— Estou ouvindo.

— Há dois dias acordei sem me lembrar de nada, nada mesmo. Achei que talvez você conseguisse descobrir alguma coisa sobre quem eu sou.

— Eu realmente gostaria de te ajudar, mas sem um nome, isso fica complicado.

— Entendo...

— Entretanto, — ele continuou- Eu sei sim coisas sobre você, Olívia Clark.

— Hã? Mas você disse que...

— O que eu disse é verdade, porém, você faz parte de um caso no qual estou trabalhando. Há uma semana e meia você foi reportada como "desaparecida" pela sua vizinha, e como a polícia "ignorou" o caso, peguei para mim.

— O que exatamente sabe sobre mim?

— Posso dizer tudo, mas primeiro preciso que responda algo.

— Claro.

_ Você não se lembra de nada que aconteceu antes de acordar mesmo?

— Nada. Só o que o Albert me contou e...

— "Albert"?

— Sim, ele quem supostamente me "achou".

— Por acaso foi esse "Albert" quem me indicou?

— Não, ele na verdade não queria que eu viesse.

— Clássico dele... — Jackson bufou. — Escute, fique longe dele antes que ele te meta em problemas.

— Isso não vai ser um problema... — murmurei. — Mas que tipo de "problemas"?

— Uhm... Ele é um animal arruaceiro. Tem milhões de queixas por agressão e vandalismo sobre ele. Além de algumas de assassinato.

— "Assassinato"? — engoli em seco.

— Sim. Ele matou algumas pessoas em brigas de bar, enquanto estava bêbado ou drogado. Mas ele nunca foi realmente preso... Alguém sempre paga a fiança dele.

— Ele disse que vocês dois não se dão muito bem...

— Verdade, aquele bastardo me deixou com uma bela cicatriz no tórax, além de alguns ossos quebrados.

— Sinto muito por isso...

— Não sinta. Aqui, pegue isso. — ele me entregou uma pasta de arquivos com a minha foto e nome na frente — Isso é tudo que sei sobre você. Aí também está seu endereço, chave de casa e identidade. Os outros objetos usados para a investigação serão mandados por correio amanhã, certo?

— O.K...Obrigada. — sorri ao dar um aperto de mão nele.

— Ei, se precisar de algo, pode me ligar. E mais uma vez... fique longe do Albert.

— Vou tentar... Adeus, Jackson.

E assim, saí do escritório de Jackson com a pasta em mãos e um sorriso tranquilo no rosto.

Notas finais
Agora desisto, boa noite.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.