Amnesia
4 Capítulo 2 - Do You Remember Anything? - Parte 2
Notas iniciais
Ouvi vozes ao meu redor, eram muitas então não pude distinguir nenhuma e muito menos ouvir direito a conversa alheia. Abri os olhos e vi Law sentado a minha frente com um sorrisinho. Suspirei quando percebi que esse era mais um sonho, dois sonhos em um dia? Minha mente estava querendo me matar.
Olhei ao redor e vi que estávamos em uma cantina, provavelmente a do prédio de Biológicas, já que as paredes eram brancas, enquanto as do prédio de Exatas era em cor pastel. Estávamos sentados perto da parede, em uma mesa que só tinha espaço para quatro pessoas.
– O que estamos fazendo aqui? – Perguntei abaixando um pouco a cabeça.
– Estamos presenciando um momento histórico. – Law riu um pouco atraindo o meu olhar.
Law apontou para um ponto atrás de mim e me virei para ver para onde ele apontava. Vi um garoto de cabelos vermelhos e cara mal humorada e logo percebi que era eu. Ele se sentou ao meu lado, porém não pareceu perceber Law e Eu, então ele começou a comer em silencio.
– Agora isso vai ficar mais interessante. – Law sorriu e apontou para trás.
Vi Trafalgar chegar sorrindo decididamente e sentar na frente do ruivo que estava ao meu lado. Vi o ruivo lançar um olhar assassino para o moreno a sua frente e o sorriso do moreno aumentou mais ainda.
– Olá! – Trafalgar Quebrou o silêncio.
– O que você está fazendo aqui? – O ruivo perguntou secamente – Não tem medo da morte?
– Se a morte for bonita como você, eu não terei nem um pouco de medo. – O sorriso do moreno aumentou e o ruivo corou.
– O que você quer? – O ruivo perguntou, olhando para o lado.
– Saber o seu nome, saber o seu numero e saber se está livre sexta à noite.
– Não quer saber se eu tenho namorada? – O ruivo voltou a olhar para o moreno.
– Nah, isso não é importante. – O moreno deu uma piscadinha, que fez o ruivo corar e abaixar a cabeça. – De toda a forma, você pode me responder?
– Eustass Kid – O ruivo respondeu.
– Eustass-ya, então. – O moreno disse fazendo o ruivo bufar.
– Numero de celular não é importante. – O ruivo ignorou os protestos do moreno – E não, não estou livre na sexta à noite.
– Posso perguntar o que vai fazer?
O ruivo pareceu um pouco pensativo, mas logo respondeu.
– Vou sair com a minha namorada. – O ruivo riu, vitorioso
– Serio? Porque eu podia jurar que a sua namorada trabalha as sextas no Baratie. – Dessa vez o moreno riu, definitivamente ele tinha ganhado – E sobre o seu numero, não se importe com isso, eu já o consegui.
Agora o ruivo estava chocado, e até eu mesmo estava chocado. Como diabos Trafalgar tinha conseguido o meu numero? Acho que essa pergunta não foi respondida até hoje. Quem sabe eu pergunte do Law depois.
– Paanda~! – Ouvi uma voz conhecida dizer e logo vi Ace em outra mesa, chamando Trafalgar pra sentar com ele.
– Mandarei mensagem pra você com o lugar e o horário que iremos nos encontrar – O moreno se levantou – Foi ótimo te conhecer, Eustass-ya.
O sorriso do moreno foi a ultima coisa que vi antes que tudo desaparecesse e só restasse o Law, lê-se: minha mente, e eu.
– Bom, parece que a diversão acabou um pouco cedo agora. – Law disse sorrindo. – Se quiser saber como foi o seu encontro com o Trafalgar é só perguntar.
– Eu... Eu me encontrei com ele? – Perguntei
– Claro. – Law sorriu – E foi muito divertido para os dois.
Olhei incrédulo para Law. Como eu tinha aceitado sair com aquele... Panda?!
– Agora, — Law se levantou e foi andando na direção oposta a minha. – Boa sorte com o Loiro.
xXx
Senti mãos em meus ombros, e elas me sacudiam rudemente. Abri os olhos e dei de cara com um par de olhos azuis que me fitavam intensamente. Marco não parecia estar com uma expressão amigável como estava quando eu acordei mais cedo.
– Bom dia pra você também, Marco. – Quebrei o silencio.
– Estamos no final da tarde. – Ele disse friamente.
– Oh, então boa tarde – Ri tensamente, pelo visto Marco não estava para brincadeiras.
– O que você fez? – Marco perguntou sem rodeios.
– Não sei. – Respondi confuso – Eu fiz algo?
– Claro que fez! – Marco andou até a poltrona que tinha perto de minha cama e sentou-se lá. – Law foi até Ace e Eu, ele estava prestes a chorar, pediu desculpas a mim e arrastou o Ace para um canto qualquer alegando que precisava falar com ele urgentemente.
– Ah, entendo. Desculpe por acabar com a sua “diversão” – Sorri um maliciosamente para Marco e o vi corar um pouco
– Tanto faz. Só me responda!
– Acho que eu disse algo errado para Trafalgar.
– O que você disse?
Suspirei e contei o que eu havia falado para Law quando Marco e Ace haviam saído. Quando terminei de falar vi Marco se levantar, vir até mim e dar um soco em meu braço direito.
– Ai! – Disse enquanto massageava o braço machucado. – Por que você fez isso?
– Porque você merece!
– Mas por que justo no braço direito?
– Porque é o mais machucado entre os dois não é? – Marco riu sadicamente e me fez ter uma pontinha de medo dele. – De toda forma, por que você não falou o que eu te falei?
– Por que... – Fiquei pensativo por alguns minutos pensando no porque de ter dito aquilo para Law, então cheguei a uma conclusão. – Eu não sei.
Levei outro soco no braço direito e gemi de dor.
– Ah, você não sabe? – Marco disse. – Deve ser porque você é um idiota! Um idiota que fica se enganando!
– Eu não fico me enganando!
– Ah, claro que não. – Marco disse enquanto sentava-se ao meu lado. Ele abaixou um pouco, encostando nossas testas, deixando nossos lábios a poucos milímetros de distancia. Fiquei tenso com tanta proximidade.
– O que você está-- — Comecei, mas Marco me interrompeu falando um “Shh”, fazendo nossos lábios roçarem.
– Só me deixe te falar uma coisa. – O tom de Marco era ameaçador e me fez ficar mais tenso ainda. – Se você continuar assim vai acabar perdendo-o
Marco se afastou e foi embora, deixando-me espantado, confuso e de certa forma até temeroso. A sensação dos lábios macios de Marco roçando nos meus não me deixou, mesmo que o médico não estivesse à vista. Ace tinha sorte por tem alguém como Marco, porém Eu tinha mais sorte por ter Law, ou pelo menos ainda ter Law. As palavras de Marco ecoaram em minha mente, a sensação de perder Trafalgar fez o meu coração apertar.
Suspirei e sorri um pouco triste. Eu devo ter feito algo muito ruim no passado pra estar passando por uma situação como essa.
Passaram-se uns minutos desde que Marco foi embora e logo Trafalgar entrou no quarto com um sorriso tão feliz que me fez ficar pensando porque eu não conseguia o fazer sorrir desse jeito e o Ace conseguia. Sim, estou com um pouco de ciúmes, mas isso não vem ao caso.
– Está pronto pra ir pra casa? – Law disse sorrindo
xXx
Não demorou muito pra eu ser liberado daquele hospital. Claro que precisei da ajuda de Law, Marco e Ace pra me ajudar a andar já que a minha perna direita ainda não estava muito boa. E agora eu também estava com uma tipóia pra imobilizar o meu braço direito que agora doía mais que o normal por causa dos socos que levei de Marco.
Logo Marco e Ace se despediram de Law e Eu. Então fomos até o carro de Law, um Porsche 911 turbo que ele tratava como se fosse filho dele*, pelo jeito que tratava o carro. Entramos no carro e logo estávamos a caminho de casa.
Demorou um pouco até chegarmos a uma casa, que mais parecia uma mansão. Sai do carro apoiando-me no mesmo, e fiquei olhando a casa, visivelmente admirado.
– Você está admirado com isso? – Law perguntou vindo até mim e ajudando-me a andar até a casa. – Ah, é mesmo, você não se lembra da casa do Marco.
– O Marco tem uma casa melhor que essa? – Perguntei incrédulo.
– Claro. – Disse Law como se fosse obvio. – Ele é um Fenwick.
– E ser um Fenwick faz diferença em algo?
– Claro que faz – Law riu – Vou te lembrar de uma frase: Não desconfie do poder dos Fenwick.**
– Acho que eu já ouvi isso em algum lugar. – Disse franzindo as sobrancelhas – Mas o que isso significa?
– Significa que os Fenwick sempre conseguem o que querem, não importa o que seja – Law deixou-me apoiado em um pilar que tinha na entrada para conseguir abrir a porta. – A casa dele pertencia a uma família de nome, porém Ace achou a casa bonita e a quis. Marco conseguiu-a, não me pergunte como, mas tenho certeza de que não foi licitamente.
– Fenwick’s são perigosos. – Disse impressionado.
– Sim. – Law abriu a porta e logo me ajudando a entrar. – Espero que você não tenha feito algo que tenha deixado Marco irritado.
Lembrei da conversa que tive com Marco naquela tarde e fiquei um pouco tenso. Teria que tomar mais cuidado com o Loiro se quisesse viver.
Um “Wow” saiu de minha boca quando percebi que a casa era muito mais bonita por dentro do que por fora. A decoração clássica a deixava tudo ainda mais bonito, porém havia algumas partes da casa que havia um toque de decoração moderna, que não deixava a casa tão antiga e nem tão moderna.
– Vamos para o quarto. – Law disse e indicou a escada com a cabeça.
Andamos até a escada e começamos a subir, olhei melhor a escada e ela me parecia familiar. De repente me sentir um pouco tonto, então segurei no corrimão, sentindo a madeira firme, porém lisa, em minhas mãos. Law percebeu a mudança em meu comportamento e parou de subir as escadas, olhando para mim curiosamente.
Tirei a mão do corrimão e olhei para Law, minha mão foi de encontro a pele quente e macia de Law. Acariciei suavemente a sua bochecha, e vi Law fechar os olhos e sorrir um pouco. Sua mão foi de encontro com a minha, acariciou-a um pouco, mas logo depois tirou-a de sua face.
– Temos que chegar até o quarto. – Ele disse e voltou a subir, apoiando-me.
Chegamos a um corredor que também me parecia muito familiar. Apoiei-me na parede e olhei para baixo, vendo o chão de madeira bem cuidado. Arregalei os olhos quando percebi onde estava. Esse é o corredor que eu vi nos meus dois primeiros sonhos!
Após essa constatação minha cabeça começou a doer e minha visão ficou turva, fazendo-me cair de joelhos. Law acabou por cair junto comigo, já que ele não aguentou o meu peso.
– O que foi, Eustass-ya? – Law perguntou visivelmente preocupado.
– Ah, – Gemi de dor e encostei minha cabeça no chão de madeira, que por incrível que pareça estava frio. – Dor de cabeça.
– Dor de cabeça? – Law repetiu e eu balancei a cabeça, concordando. – Você está se lembrando de algo?
– Acho que sim. – Levantei a cabeça e me apoiei no chão e logo depois na parede, conseguindo me levantar. Law se levantou também e me segurou pela cintura, então voltamos a andar até o quarto.
Chegamos à porta do quarto, então Toquei na maçaneta e abri a porta.
Embora não existisse ninguém no quarto, eu consegui visualizar a cena perfeitamente. As duas pessoas gritando uma com a outra, uma pegando o casaco e as chaves, enquanto a outra chorava agarrada ao travesseiro.
Fui até a cama King size, que estava localizada no centro do quarto, e me sentei na beirada dela, enquanto Law me olhava curiosamente.
– Law, venha aqui – Disse indicando o local ao meu lado.
Logo Law veio, sentando-se ao meu lado, e eu o fiz deitar, na mesma posição que a pessoa do sonho estava. Coloquei o travesseiro entre seus braços e Law olhou visivelmente curioso para mim.
– Era você... – Sussurrei mais para mim mesmo do que para Law
– Eu o que? – Law perguntou confuso.
– Eu briguei com você antes de sofrer o acidente certo?
– Sim. – Law disse visivelmente feliz
– Por quê? – Perguntei olhando para a parede a minha frente
– Por ciúmes. – Law suspirou.
– Ciúmes de quem? – Perguntei confuso, voltando a olhar para Trafalgar
– Nami, minha assistente no hospital. – Law levantou o tronco e se apoiou nos cotovelos. – Você sempre teve ciúmes dela.***
– Não me lembro disso. – Respondi
– Isso é bom.
Fiquei um tempo encarando Law, a luz do luar entrava pela janela iluminando o rosto de Law e deixando-o mais bonito do que o comum. Inclinei-me um pouco pra frente e coloquei a mão no rosto dele e o fiz levantar um pouco a cabeça, deixando os seus lábios bem próximos ao meu.
Não resisti e o beijei, passando a língua pelos seus lábios pedindo passagem, que logo foi concedida. Nossas línguas se entrelaçaram e eu senti o gosto de café expresso, que Law tanto gostava. Minha mão deslizou para baixo de sua blusa tocando nos seus músculos, que acabaram por se contrair ao meu toque frio.
Quando quebramos o beijo, meus lábios foram até o seu pescoço, dando chupões e beijos. Enquanto isso minha mão alcançou os mamilos de Law fazendo o gemer. Senti um par de mãos em meu pescoço e Law puxou-me para outro beijo, um beijo apaixonado.
Separamos-nos novamente e eu olhei para Law, sua face estava corada, os lábios estavam vermelhos e os olhos brilhavam mesmo na escuridão que nos encontrávamos. E por um momento tive um lapso de sanidade, pensando no que diabos estou fazendo com Trafalgar se eu namoro a Bonney! Tirei minha mão do abdômen de Trafalgar e sai da cama em um pulo.
– O que foi? – Law perguntou
– Não era pra eu estar fazendo isso. – Respondi como se fosse obvio
– Por quê?
– Porque eu namoro a Bonney! – Disse ganhando um olhar abismado de Trafalgar.
Ignorando a dor em minha perna fui até o guarda roupa e o abri, vi algumas roupas minhas e as puxei, sem tirar as cruzetas. Vi uma bolsa em cima do guarda roupa e a puxei, colocando as minhas roupas na mesma.
Quando terminei de colocar as roupas na bolsa, olhei para Trafalgar que me encarava surpreso.
– Eu... Desculpe por tudo o que fiz pra você! – Falei para Law – Mas eu preciso ir.
Dito isso, sai do quarto o mais rápido que a minha perna direita deixava e logo estava fora da casa de Law.
Andei um pouco sem saber pra onde ir, pois não me lembrava muito bem onde era casa da Bonney, até que começou a chover e logo procurei abrigo em uma loja qualquer.
Pelo visto sair da casa de Law não foi uma boa idéia.
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