Amnésia
3 Capítulo 03. Guarde suas lágrimas para outro dia.
Cap. Bella
Sempre fui uma sobrevivente. Eu sobrevivi quando minha mãe tentou me abortar, sobrevivi a fome e sobrevivi aos assédios de Aro. Então por que seria diferente agora? E foi com esse pensamento que decidi abrir os olhos para ver o que quer que seja, porém só vi apenas a perfeição, quer dizer o dono da voz que me fez lutar para viver. Seus cabelos castanhos combinavam bem com sua pele levemente bronzeada e seu corpo definido. Seu rosto jovial indicava que era apenas alguns anos mais velho que eu. Ainda mais que estava sem camisa. Sua voz era tão familiar, mas por mais que me esforçasse não me lembrava dele. Ele era um completo estranho. Eu sabia que havia algo errado. Meu sexto sentido me dizia isso. Seus lindos olhos azuis não me enganavam. Ele deveria ser um sequestrador. E nem precisei pensar muito para chegar a essa conclusão.
—Onde estou? Perguntei me levantando bruscamente enquanto o rapaz me observava atentamente.
O rapaz estava me analisando assim como eu a ele. Uma das coisas que aprendi com Aro foi conhecer meu inimigo antes de dar o primeiro passo. E o olhando friamente para o rapaz percebi que ele me alcançaria antes de chegar na porta, mas isso não quer dizer que eu não tentaria.
—Calminha aí coelhinha, você dormiu por quase dois dias-Afirmou o rapaz que agarrou meu braço-Vou te ajudar a voltar para cama.
Coelhinha? Eu não sabia o que sentir sobre esse apelido idiota. Meu instinto dizia que o rapaz não era um psicopata estuprador, mas uma parte de mim gritava para fugir.
—Não me toque, por favor-Disse me esquivando da sua mão.
Rapidamente corri para porta, porém fui acometida de uma forte tontura. O chão seria meu destino se não fosse suas mãos a me amparar. Não tive forças para lutar quando ele me deitou gentilmente na cama novamente.
—Como está sentindo? Perguntou sério.
Aro tinha muitos inimigos. E algo me dizia que o Senhor perfeição aqui era um deles já que não me levou para o hospital era óbvio que ele queria algo.
—A minha cabeça está doendo tanto que parece que vai explodir.
O rapaz me olhou desconfiado, porém acabou chamando o médico.
—Tudo bem, vou deixá-la aos cuidados de Peter. Disse Edward antes de sair.
Peter é um antigo conhecido da minha mãe. Eles estudaram juntos. Minha mãe confiava nele. Sua clínica é clandestina. Porém é bastante conhecido por atender a máfia e os chefes do tráfico.
—Você se lembra do acidente? Perguntou o médico sério.
—Sim.
—Eu vou ser direto. Aro vendeu você para os Black, quer dizer para Jacob Black, a entrega seria no seu aniversário, porém Caius não concordou com a venda e contratou bandidos para te sequestrar na festa, mas inacreditavelmente você foi salva por outra pessoa.
—E minha mãe? Ela está bem? Perguntei desesperada por informações.
—Sim, está todo mundo bem. Murmurou Peter.
Caius é o irmão caçula de Aro. Conhecido por sua violência e por matar suas namoradas. Mas agora parece que ele quer elevar sua fama para outro nível, já que ele me quer a qualquer custo. Se esquecendo de que sou sua sobrinha, mesmo que postiça. Já não bastava Jacob Black, que era chefe da máfia rival querer fechar uma maldita aliança me obrigando a casar com ele.
—Escute o rapaz que me pagou para vê-la não sabe que nos conhecemos. Eu vou dizer a ele que você está com amnésia, assim vai ganhar tempo para fugir.
—Eu não posso fazer isso.
—Se voltar agora haverá uma guerra. E talvez você ou sua mãe não sobrevivam. Eu até te levaria comigo, mas o homens de Aro a encontraria facilmente.
—Mas ...
—Você precisa se decidir agora.
Peter havia me dado uma escolha. Era mínima, mas era tudo que eu tinha no momento. Era a chance de ficar livre de Aro.
—Tudo bem, apenas não conte a ninguém que estou aqui.
Se minha mãe soubesse certamente me obrigaria a casar com Jacob Black. Eu mandaria uma carta a ela, sem endereço é claro, depois que sair dessa enrascada.
Peter saiu para explicar minha situação ao meu sequestrador. Não demorou muito para o senhor Perfeito voltar.
—Então você não se lembra de nada? Não se lembra do acidente? Perguntou o rapaz desconfiado.
—Acidente? Eu não me lembro de nada-Menti descaradamente.
Ganharia um Oscar de melhor atuação se talvez, e só talvez, pudesse sair viva daquele lugar.
—Isso é melhor do que imaginava -Disse Edward me deixando confusa.
—O que quer dizer?
—Você deve estar querendo algumas respostas, então deixe-me que eu me apresente meu nome é Edward Cullen e o seu nome é Isabella e este é nosso chalé, não é muita coisa, mas prometo que está segura -Disse calmamente -Não se assuste, mas você está na ilha Esme, no meio do mar.
Isso já era o começo, mas não era suficiente.
—Você mora em uma ilha ? -Perguntei assustada.
—Este chalé era da minha mãe, coelhinha -Insistiu Edward.
—Não me chame de coelhinha é só Bella -Pedi.
—Como está a sua cabeça? Insistiu.
—A dor é o menor dos meus problemas depois de acordar em um local desconhecido com alguém que não conheço, ainda estou pensando se devo fugir.
—Bella, você não é minha prisioneira.
—Não sou?
—Eu vou responder todas as suas perguntas, mas primeiro você tomar seus remédios.
Se o Senhor Perfeição quer jogar, eu não tenho outra opção a não ser entrar no jogo.
—Eu ...
— Bella, você teve traumatismo craniano precisa tomar seus remédios.
Olhei para os remédios sem a intenção de tomá-los.
—Se quisesse fazer algo já tinha feito. Insistiu Edward.
Ele tinha um ponto. Eu dormi por dois dias. Estava com uma camisola que eu não reconhecia. Se ele quisesse fazer algo, certamente já teria feito. Vencida tomei o remédio.
—Boa garota.
—Agora que tomei o maldito remédio me conte tudo.
—Seu nome é Isabella Cullen, você tem dezoito anos é uma garota linda e adorável que caiu de um iate batendo a cabeça tão forte em uma pedra que não consegue lembrar de nada e isso é o resumo de tudo.
—Isabella Cullen? Somos parentes já que temos o mesmo sobrenome.
—Somos mais que parentes-Falou Edward levantando a sobrancelha.
—Você e eu? Perguntei com medo da resposta.
—Sim, somos casados.
—Por que eu me casaria? Perguntei dando corda para toda aquela loucura.
—Por que nos amamos e queremos ficar juntos para sempre — Insistiu Edward.
—E por que moramos em uma ilha?
—Lua de mel atrasada, você sabe como é ser dono de um resort? Sim, sou rico e sem tempo.
—E eu?
—Você é minha assistente foi assim que nos conhecemos.
Por dentro estava morta de medo, mas por fora mantinha uma calma sem precedentes.
—Acho que morar em uma ilha no fim do mundo com um total desconhecido não me parece tão ruim assim.
O rapaz riu alto .
—Não tem mais medo de mim? Desafiou.
—Acontece que estou sem escolha -Falei me levantando lentamente a procura do banheiro-Vou tomar banho .
Sem pensar entrei no banheiro e como se estivesse na casa de um amigo tomei um longo banho e me enrolei na toalha que deveria ser dele.
—Pode me emprestar uma camisa ? Se você tiver uma é claro.
Edward rapidamente apareceu com uma camisa que no meu corpo virou um vestido, mas quem se importa?
—É difícil acreditar que estamos sozinhos em uma ilha.
—Eu disse que morava em uma ilha ,mas não disse que morávamos sozinhos.
A ilha era habitada, estava salva. A alegria durou pouco depois que um pensamento de seres selvagens veio em minha mente. Acompanhado de batidas na porta.
Não tive tempo para avaliar quando abracei meu suposto raptor por trás na tentativa de me esconder dos aborígenes ou de quem quer que fosse .
—Bella, esta é Maria -Falou me incentivando a retirar meu rosto das suas costas.
—Olá ,querida vim lhe trazer um caldo além de algumas roupas-Disse uma senhora que aparentava estar na casa dos quarenta, de vestido floral solto , parecia ser gentil.
—Ela perdeu a memória e talvez o juízo-Acusou Edward.
—Dê um tempo a ela, não vê que está assustada-Defendeu a mulher -Se precisar me chame.
—Há algo mais que precise saber? Perguntei tentando entender minha situação.
—Do outro lado da ilha tem um hotel exclusivo para os que querem fugir das preocupações do trabalho geralmente pessoas assim vem com seu helicóptero particular.
—Devo deduzir que estou na parte onde moram os empregados? Perguntei juntando o quebra cabeças.
—Acertou.
—Isso parece bom -Bocejei enquanto lutava bravamente para me manter acordada, meu plano de fugir ficaria para outro dia.
—Bom não, perfeito- Disse Edward dando um sorriso estranho.
Continua...
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