Amnésia

2 Capítulo 02. Guarde suas lágrimas para outro.


Hoje era um daqueles dias onde o tempo demorava a passar. Depois de um inverno rigoroso veio um tímido verão. O clima ameno misturado com a véspera do dia dos namorados fizeram o resort lotar. Os funcionários estavam animados já que alguns hóspedes eram famosos e davam generosas gorjetas. O resort foi herança dos meus falecidos pais que morreram em um acidente, quer dizer, era isso que os policiais que estavam no local disseram, mas na realidade um motorista bêbado causou o acidente, além de fugir sem prestar socorro. Uma pessoa que estava no local acusou Aro Volture e sua esposa, mas logo abafaram o caso. Eu tentei várias vezes abrir o caso, mas sempre me disseram que não tinha provas para incriminar o prefeito que fez tanto por Forks.
—Edward, quero que conheça uma pessoa — Disse meu primo Jasper me tirando dos meus pensamentos.
Abri a boca para negar, mas me lembrei que meu primo deixou o último ano de medicina em uma renomada universidade na Inglaterra para me ajudar a cuidar do resort. Jasper era carismático, um bom administrador e tinha muitos contatos. Ele era praticamente meu sócio. Dessa forma, não tive outra opção a não ser acompanhá-lo.
—Esta é madame Victoria — Falou Jasper.
Madame Victoria era uma senhora de meia idade, cabelos vermelhos, baixa estatura e de uma elegância ímpar.
—Bem vinda ao resort Cullen — Disse em meu modo profissional sem entender por que Jasper fez tanta questão de nos apresentar.
—Obrigada — Disse Victoria tentando ser amável.
—Então madame Victoria o que pode nos dizer sobre o futuro de Edward? Sorriu Jasper.
—Futuro? Perguntei confuso.
—Sim, madame Victoria é a vidente mais famosa do país tem até programa de televisão -Afirmou Jasper como se eu tivesse obrigação de saber.
—Eu posso ver seu futuro se puder tocá-lo — Disse Victoria impaciente.
No primeiro momento fiquei tentado em negar já que nunca acreditei em vidência, bruxaria e afins, mas não queria parecer desagradável, afinal Victoria era uma hóspede. Sem pensar ofereci minhas mãos caso ela quisesse fazer algum tipo de leitura.
Victoria prontamente agarrou minhas mãos.
—Então? Perguntou Jasper curioso.
Victoria não respondeu apenas fechou os olhos e entrou em uma espécie de transe. Aquilo só podia ser piada.

—Acredita em destino, senhor Cullen? Perguntou Victoria ainda de olhos fechados.

—Acredito em destino da mesma forma que acredito no papai Noel -Falei rispidamente.

—Pois a meia noite, você vai encontrar seu destino -Afirmou a mulher ainda segurando minhas mãos.

—A meia noite? Por que meu destino não pode me encontrar mais cedo? Perguntei entrando na brincadeira.

—Tudo que deve fazer é salvá-la.

—Espera um momento, a meia noite eu devo salvar quem? Não dá para ser mais específica? Sou péssimo em charadas.

—Edward- Repreendeu Jasper.

—Você precisa salvar o inimigo -Falou Victoria finalmente abrindo os olhos.
—Inimigo? Eu não tenho inimigos, quer saber, acabei de lembrar que estão me chamando com urgência na cozinha, então obrigado pelo conselho misterioso e aproveite sua estadia, o jantar será por minha conta -Falei tentando me livrar daquela conversa de louco.
—Não se esqueça a meia noite você deve pegar um pequeno barco e ir para o norte, não vai demorar muito para encontrá-la, apenas siga a música.

—Sim, senhora — Ri alto.

A cozinha realmente precisava de ajuda eram tantos pedidos, que a equipe mal conseguiu atender. Sinal que o resort estava fazendo sucesso. Já passava da onze quando decidi descansar.

—Edward, não viu minhas mensagens? Perguntou Jasper irritado.

—Meu celular descarregou e não tive tempo para carregá-lo.

—Tudo bem, vamos — Falou Jasper me pedindo para segui-lo.

O resort tinha uma praia exclusiva para os hóspedes. Era bem silenciosa a noite, mas hoje um barulho distante de música chamou minha atenção.

—Sua carruagem, meu príncipe — Brincou Jasper apontando um pequeno barco fretado de algum pescador.

—Ah não! Não está pensando que eu vou seguir o conselho daquela vidente maluca?
—E por que não? Desafiou Jasper.
—Você acreditou mesmo naquela charlatã? Não vê que isso é para arrancar dinheiro de pessoas como você?
—Ela disse siga a música, então por que não fazemos isso? Assim você pode provar que Victoria é uma mentirosa.
—Você não vai me deixar em paz até eu concordar, certo?
—Correto.
—Tudo bem, mas se eu tiver certo quero uma garrafa do meu vinho favorito.
—Fechado -Falou Jasper entrando no barco.
Não demorou muito para avistarmos o iate dos Volture. Eles certamente estavam dando uma super festa regada a bebidas e drogas.
—Malditos Volture!
—Edward, eu não sabia...
—Victoria, tinha razão quando disse que eu tenho um inimigo, mas não vou salvá-lo -Falei olhando para a arma que sempre carregava comigo.
—Edward, seja o que for que esteja pensando por favor pare -Pediu Jasper assustado com minha atitude.
Meu ódio por aquela família era maior que tudo. Eles me tiraram a minha família. Eu nunca mais vou ver meus pais por causa deles.
—Acha que sou capaz de matar alguém? Perguntei sendo que eu mesmo não sabia resposta.
—Não -Falou Jasper sem muita confiança.
Abri a boca para falar o quanto aquela família era nociva, mas um barulho de gritos me calou.
—O que é aquilo? Apontou Jasper.
Olhei na mesma direção e vi barco seguido de um iate que praticamente colou no iate Volture.
—Deve ser um assalto- Deduziu Jasper ouvindo o barulho de tiros.
—Ou um acerto de contas -Cuspi.
—Eu vou ligar para a polícia -Falou Jasper.
—Não.
—Não? Tem pessoas inocentes naquele iate -Insistiu Japer.
—Isso não é problema meu.
Jasper percebeu que a causa estava perdida quando liguei o pequeno motor do barco para ir embora.
—Espere tem alguém se afogando -Falou Jasper.
Jasper estava certo. Uma garota caiu do iate Volture e estava se afogando. Sem pensar pulei do barco e comecei a nadar até alcançá-la.
—Está salva agora -Falei quando peguei seu corpo inerte.
—Aguente firme. Incentivei.
—Lute.
Segurei a garota firme e comecei a nadar. As ondas estavam agitadas.
—Olha tem alguém fugindo -Disse o bandido que estava no barco.
—Temos que impedir -Falou o comparsa.
Foi o prazo de segundos para os bandidos começarem a atirar. Sem ter muito o que fazer mergulhei com a garota por entre as ondas que castigavam. Um tiro acertou o meu braço de raspão. A dor foi tamanha que acabei soltando a garota.
Não, eu preciso salvá-la. Pensei quando vi o corpo da garota afundar lentamente. Sua cabeça bateu forte em uma rocha antes de se acomodar no fundo do oceano. Em um último impulso consegui agarrar forte seu braço e levá-la a superfície.

Nadei com a garota agarrada ao meu corpo. Os bandidos não estavam mais nos procurando, o foco agora era conter a multidão de ricos que gritavam assustados. Alguns pularam do iate. Só que agora não era mais problema meu.

—Edward -Disse Jasper nadando em meu encontro.

—Vamos embora -Falei sério.

Jasper me ajudou a acomodar a garota no barco. E lhe deu os primeiros socorros.

—E agora o que faremos? Perguntei tentando estancar o sangramento que a bala fez.

—Tudo que a vidente falou no fim era verdade -Falou Jasper admirado.

—Do quê está falando? Não vê que não é hora para isso.

—Não a reconhece?

—E por que eu a reconheceria? Ela é alguma artista? Já disse que não assisto televisão.

—Olhe o colar dela.

Olhei com raiva para a letra que estava ornada no pescoço da garota.

—V de Volture.

Notas finais
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