Amnésia

2 Três Flashes: O galpão, a mulher e o garoto


Notas iniciais
Olá! Sabem, eu fiquei super-hiper-mega-ultra-power feliz com a receptividade do primeiro capítulo, e muito inspirada, escrevi o primeiro e o segundo como um foguete! Se eu continuar seguindo esse nível, acho que vou conseguir postar duas vezes por semana fácil fácil, então, obrigada por comentarem!
Em relação essa história, esse será o último capítulo situado no ano de x784. Eu preferi referir aos personagens com termos genéricos para deixar um climinha de mistério, mas vocês vão adivinhar rapidinho um deles. A outra só mais para frente, depois do time-skip.
Espero que gostem do capítulo!

Em algum galpão distante, os dois homens olhavam para o corpo inconsciente da garota, em dúvida.

_Porque você trouxe essa pirralha para cá?_ perguntou o primeiro, irritado, cutucando a menina com o pé.

_Eu achei que você iria querer vender as chaves. Além do mais, eu tinha de ter certeza de que as memórias tinham sido apagadas... Mas há um problema. Acho que os efeitos da minha lança foram aumentados no caso dela._

_Como assim?_

_Eu dei um feitiço médio, porque meu objetivo era apagar apenas a informação da chave. Mas devido a fraqueza dela, os efeitos foram bem aumentados. Isso quer dizer que a chance de ela acordar sem nenhuma memória é de noventa por cento. Talvez possamos usá-la para alguma coisa..._

_Eu não quero uma pirralha sem memórias na minha guilda! Assim que ela acordar, jogue-a numa cidade bem distante daqui! Que ela morra de fome! Só nos trouxe problemas, esse lixo de Fairy Tail._

E, resmungando, o homem saiu do galpão.

Seu comparsa observou a garota: curara seus ferimentos, mas ainda sim ela parecia fraca e frágil. Apesar de não ser muito confiante fora das batalhas, e ter uma personalidade muito patética, ele tinha um faro incrível para talentos em potencial, e sabia que, bem manejada, aquela garota ia longe. Um verdadeiro desperdício abandoná-la.

De qualquer forma, não iria discutir com seu superior. O abismo de força entre suas mágicas de invocação e a conjuração de criaturas do outro era abissal, e ele não queria provocar a fúria do colega. Entre guildas ilegais, os laços de amizade não valem nada, e morte entre comparsas era um fenômeno comum. Ele não queria ser mais uma vítima.

A marca na mão dela desapareceu no exato momento em que a garota abriu os olhos, vazios e sem nenhuma história. Não havia lembranças ali. Nada.

_Quem eu sou? Que lugar é esse? Quem é você?_

O homem suspirou, quase com pena dela, e segurou seus ombros.

O destino da mulher estava selado.”

_***_

“A mulher tinha cabelos pretos como piche, e a pele muito branca, uma típica oriental. Com apenas 20 anos, colecionava conhecimentos de magias cada vez mais raras, que a fariam se tornar uma Classe S em qualquer guilda que ela desejasse, mas para ela, não parecia bom o bastante. Ela não queria estar abaixo de um mestre e receber ordens. Ela queria ser a mestra de uma guilda e dar ordens. Era uma ambição gananciosa, mas não má e também não impossível.

Em sua casa, num vilarejo escondido do reino de Fiore, estavam seis magos relativamente fracos, mas com potenciais ocultos consideráveis que, bem trabalhados pela mulher, os tornariam dignos de um posto alto em uma guilda. Em poucos dias, outros dois chegariam da sede do conselho, esses dois mais poderosos, um nível ou dois abaixo da mulher, com o outra recusa daquele bando de estúpidos que se consideravam superiores. Embora as constantes rejeições colocassem os 8 magos para baixo, sua lealdade ainda era incrível; eles ainda sonhavam que, com a mulher dos cabelos de piche, finalmente fariam parte de um lugar que os reconhecesse como magos, e não apenas como número.

Aquelas pessoas provavam que, em seus anos de jornada, ela tinha sim encontrado pessoas dispostas a segui-la, e eles estavam ali, uma guilda iniciante lutando pela sua legalização. A mulher achava aquilo simplesmente ridículo; não queria o Conselho metendo o bedelho em suas decisões. Mas era o certo a se fazer, e ela ainda fazia o que era certo.

Não que estivesse adiantando. Apesar de sua postura calma e impassível, as rejeições também estavam começando a irritá-la. Já faziam 2 meses, e a gasta paciência da mulher tinha se transformado em pó. Queria ação, e agiria; do lado do conselho ou contra ele, não interessava mais.

O único problema era algo que faltava. Algo que daria para mulher o início de uma guilda perfeita, e, um dia, temida. A mulher dos cabelos de piche queria desesperadamente achar o elemento faltante, e iria atrás dele incansavelmente, porque crescera mimada e iria atrás do que queria independente das conseqüências.

_Então vamos nos tornar uma guilda ilegal, então? _ perguntou uma das magas, de cabelos brancos e rosto de bebê. Aquiela era a dúvida que pairava no ar. Se os dois companheiros voltassem com mais uma rejeição, o que eles fariam? _Não era contra isso que estávamos lutando?_

_Não?_ a mulher de cabelos piche respondeu, medindo as palavras. Eram jovens de espírito, e abandonariam aquela barca na mesma velocidade com que tinham subido à bordo com as palavras erradas. _Seremos apenas donos do nosso próprio caminho. Uma guilda independente, nem do bem nem do mal, onde todos terão sua voz nas decisões._

Assim que terminou seu discurso, a mulher soube que tinha dito as palavras certas. Uma luz passou pelo rosto de todos os presentes, inclusiva da garota que perguntara; uma luz de rebeldia, um espectro de rebelião.

_Estamos com você!_ disse a maga, ao que outros assentiram, concordando. _Vamos seguir com a nossa vida, já que o conselho vem nos rejeitando continuamente! Vamos seguir apenas as nossas vontades!_

A mulher sorriu. Sabia que podia contar com eles, afinal, o conceito de amizade ainda não tinha morrido na vida da mulher dos cabelos de piche. Não ainda.

Batidas fracas na porta chamaram sua atenção, e a mulher se levantou impaciente para abri-la. Quando o fez, porém, viu a figura ajoelhada na porta de entrada, e soube que aquilo era tudo o que estava procurando para a guilda perfeita. Aquela mulher também tinha um olhar aguçado para talentos em potencial; não tinha recrutado os oito magos daquela guilda iniciante à toa. E ao ver a garota no vão de entrada, soube que tinha um talento perfeito em mãos.

Era o último ingrediente que faltava para a guilda perfeita.

Toda a sua irritação foi embora, um lindo sorriso tomando lugar nas suas feições quadradas.

_Tudo bem, tudo bem, tudo bem, pare de soluçar._ ela estendeu a mão para a figura na porta. _Venha comigo, querida. Nós vamos ajudar você a reconstruir tudo. Entre na nossa guilda. Nós vamos ser a sua família._

Aceitando a mão, assustada, a garota entrou. E a mulher dos cabelos cor de piche viu toda a sua coleção de pedras brutas ali, esperando para se tornarem lindas jóias. Agora era arregaçar as mangas e começar a lapidar."

_***_

"O garoto estava histérico e irado de ódio. As chamas lambiam seu corpo num fogaréu, e embora transformassem em cinzas tudo o que estava próximo, ninguém quis ou tinha disposição para pará-lo. No fundo, todos sentiam aquela mesma vontade; extravasar toda a raiva, a frustração e a preocupação da mesma maneira.

Todos eles estavam preocupados com Lucy.

_NÓS TEMOS QUE ENCONTRAR A LUCY, VOVÔ! SERÁ QUE ELA AINDA ESTÁ VIVA? EU PROMETI QUE IA ENCONTRÁ-LA!_

Erza Scarlet limpou uma lágrima.

_Procuramos em tudo, Natsu. Todas as cidades num raio de quarenta quilômetros. Nada. É como se ela tivesse virado pó._

_Eles são uns desgraçados!_ xingou Gray. Nem o fato de ele estar nu incomodava os amigos naquele momento. _Temos que trazer a Lucy de volta, eu sei, mas sem pistas... Só podemos esperar que ela esteja viva._

_Notifiquei o conselho._ disse Makarov, o semblante trincado de tensão. _Eles prosseguem as buscas em nosso lugar, a partir de agora._ ele fechou os olhos, e de repente pareceu muito mais velho do que ele já era. _Também alertei-os sobre a guilda das trevas que vocês encontraram. Agora, temos que esperar uma pista... Qualquer pista... Que nos leve à ela. Mas nós vamos achá-la, Natsu. Eu prometo._

_Afinal, como você mesmo disse, Salamandra, a Bunny Girl é forte._ disse Gajeel. Nem mesmo ele escapava da preocupação; o ângulo de suas sobrancelhas estava tenso, num semblante fragilmente controlado. Ao contrário de Levy, que chorava cachoeiras ao seu lado. _Tenha confiança nela._

_Nós sabemos que ela é forte, hic, Gajeel, hic, mas ela estava, hic, muito ferida, hic!_ soluçava Happy, que assistira toda a cena de longe, sem nada poder fazer. _Num combate individual daquele jeito, nenhum de nós sobreviveria!_

Todos suspiram, a preocupação borrando as vistas de cada um como uma névoa densa. Mas foi Mira, com as bochechas afogueadas pelo choro, que apartou os ânimos.

_Vamos ter fé._ disse ela. _E esperar que tudo dê certo._

_Mesmo se tudo der errado, Mira, não interessa!_ Natsu franziu o cenho, e socou o ar, a expressão novamente decidida. _Eu vou encontrá-la, custe o que custar! Foi a minha promessa, e, vivo ou morto, e eu vou cumpri-la!_"

Notas finais
E aí? Palpites? Elogios? Pedradas? Chutes? Tô aceitando qualquer coisa XD
No próximo capítulo: A Fairy Tail dos dez anos depois, uma reunião do conselho e uma mulher misteriosa.
Até o próximo!