Amnésia

4 Opostos: Castigo para Luxus, diversão para Layla


Notas iniciais
Olá! Tudo bem?
A princípio de conversa, eu acho que demorei um pouco mais com esse capítulo, mas eu tenho estado um pouco ocupada: estou em época de provas na minha escola, com uns três trabalhos nas costas e um computador à um passo de pifar, ou seja, nem sequer tive tempo de comentar nas histórias que acompanho e responder os reviews maravilhosos que recebi... Desculpem-me por isso, eu vou respondê-los quando tiver uma folguinha.
Como eu disse, Lucy aparece nesse capítulo, mas não sob o nome de Lucy, e não como a Lucy que todo mundo conhece. Vai ser fácil fácil adivinhar quem é a Lucy, entretanto.
E, nesse capítulo, também, aparece um pouco dos fatos sob os quais a história se desenrolará... Espero que gostem!

Na sede do conselho, um grupo de sete magos caminhava, irritado. Tinham todos eles o símbolo das Fairy Tail em seus corpos e pareciam absolutamente desgostosos de estar ali, o que era óbvio em cada expressão.

_Esse conselho é um filho da mãe._ xingava Natsu Dragneel, dando socos no ar. _O Gildarts virou um Mago Santo, eu não to nem aí para a guerra, eles que se danem!_

_Aye! Filhos da mãe!_

Todos os outros seis reviraram os olhos; dez anos não tinham acabado com a infantilidade de Natsu, e, muitas vezes, ele continuava o mesmo idiota de sempre. Happy, então, nem se comentava, e muitas vezes era muito correto ignorar sua presença para não desencadear uma catástrofe.

_Seja compreensivo, Natsu._ replicou Erza Scarlet. _Nenhum de nós está feliz de estar aqui, então facilite._

Gray, Juvia, Levy, Gajeel e Wendy concordaram com as palavras de Erza, enquanto Charle ralhava com Happy pela infantilidade. Em dez anos, eles tinham se tornado muito amigos, mas ninguém realmente fazia comentários a respeito, porque não fazia a menor diferença. E nenhum deles queria previsões negativas vindas de Charle, que muito aperfeiçoara seu poder naqueles anos.

_Não vou facilitar merda nenhuma!_ Natsu gritou, botando fogo numa das lindas tapeçarias do corredor. _Eu quero ir embora dessa droga!_

Irritada, Erza lhe deu uma cotovelada que pegou em cheio a lateral do rosto do Dragneel, e, amuado, ele não disse mais nada até chegarem ao ponto de encontro determinado por Luxus. O que mais irritava os magos era o fato de desconhecerem a presença deles ali, afinal, tiveram apenas cinco minutos para arrumar malas superficiais e entrarem no portal que o conselho abrira para sua chegada. Sabiam que uma guerra começara, mas qual era a presença deles disso? Se o conselho sempre se gabara do exército dos Cavaleiros das Runas e de seus magos presentes no corpo docente, porque de repente precisava da sua ajuda?

Pararam em frente à uma porta grande de ouro mágico, protegida por cinco tipos diferentes de Runas específicas. Depois de uma demorada revista por parte do feitiço, o feitiço se desfez temporariamente, permitindo a passagem dos magos.

_Porta 213, será esta?_ perguntou Juvia, pensativa. _Não há numeração._

_Talvez devêssemos bater._ sugeriu Levy. _Ou gritar._

_Nenhuma dessas opções será necessária._ disse a voz de Luxus, e, no segundo seguinte, a porta se abriu. _Entrem rápido. Tenho 5 minutos para conversar com vocês antes do resto dos magos, e acho que lhes devo uma explicação detalhada._

Os magos entraram rapidamente na sala, e a porta se fechou com estrépito. Rapidamente, eles analisaram o local: era uma sala ampla, com formato de abóbada, e paredes revestidas com lacrimas especiais, responsáveis pela retenção do som, que funcionava como uma acústica muito boa. Era naquele cômodo que aconteciam as reuniões para formações de estratégias, porque as lacrimas, somadas às runas da porta, deixavam impossível qualquer som ser ouvido do lado de fora. No centro do cômodo, havia uma mesa circular, com 20 cadeiras dispostas, e, em uma delas, estava sentado o Quarto Mestre da Fairy Tail, Luxus Dreyar, com seu longo e comprido casado de peles e uma expressão absolutamente fatigada.

_Sentem-se._ disse ele. _Façam suas perguntas. Mas sejam breves._

_O que estamos fazendo aqui?_ perguntaram os sete magos, em uníssono. Erza emendou. _Porque o conselho precisa de nós nessa guerra? Eles nunca gostaram da Fairy Tail._

_E continuam não gostando._ disse Luxus, a voz também cansada. _É por isso que estamos aqui._

_Acho que não entendi._

_É simples, Gray, e eu vou explicar._ ele se debruçou sobre a mesa. _Nos últimos dois anos, artefatos mágicos importantes foram roubados de seus santuários. Não havia periodicidade nos crimes, mas a forma com que eles foram feitos fizeram o conselho pensar que se tratava de uma única guilda das trevas. Embora os artefatos fossem importantes, não eram dotados de grande poder, e pensando que estavam sendo roubados para depois serem revendidos no mercado negro, o conselho tratou o caso como furto, e não deu muita atenção para ele. Isso até semana passada, quando o próprio conselho foi invadido, uma jóia de poder mágico imenso foi roubada e mais de 100 homens foram mortos._ uma pausa dramática. _Por uma única pessoa._

Houve uma pausa chocada, em cada um dos presentes digeria a informação.

_100 magos do conselho... Por um único mago?_ começou Juvia, a primeira a se recuperar do choque. _A Juvia não consegue conceber isso._

_Nem o conselho._ suspirou Luxus. _É por isso que estão declarando guerra. Até hoje, eles estavam investigando, tentando poupar os inocentes, mas isso perdeu a importância. Para achar os culpados, toda e qualquer guilda que não seja registrada no conselho será aniquilada._

_Até mesmo as independentes?_

_Até mesmo as independentes._

_Mas não havia um tratado que permitia a existência de guildas independentes, contando que elas fossem de conhecimento do conselho?_ Erza deu um soco na mesa. _O conselho está caindo em contradição!_

_Eu acho que eles não se importam com isso, Erza._ o mestre deu um sorriso apologético. _E eu tentei dissuadi-los da idéia de fazer isso, junto com os mestres da Blue Pegasus e da Lamia Scale. Nós três nos preocupamos com a repercussão que isso teria para as guildas legais. Apesar de a maioria ser insignificante, algumas independentes são realmente notáveis. Mas o presidente não quis saber, e vocês são a minha punição pela minha audácia, da mesma forma que os magos da Blue Pegasus e da Lamia Scale serão para seus respectivos mestres._

_Ainda não entendi onde você quer chegar._ disse Gajeel, se pronunciando pela primeira vez. _Quer dizer, você fala como se nos estivesse mandando para uma missão suicida._

_E estou, de certa forma, mas deixe-me explicar melhor. Houve alguns confrontos de guildas das trevas com as independentes, por julgarem-nas indignas, não houve? Agora, vocês podem me dizer algumas guildas marcantes nesse confronto?_

Todos se entreolharam, tentando lembrar. Foram confrontos isolados, e embora guildas inteiras tivessem sido derrotadas, ninguém deu muita atenção à isso na época, principalmente porque a maioria dos magos da Fairy Tail estava fora em missão, e só tomaram conhecimento do confronto posteriormente, por boatos.

_Eu me lembro de duas._ disse Levy, a única que estava presente na guilda na época. _ Crime Sorciére... Light Dragon?_

_Foram os únicos nomes divulgados._ disse Luxus, concordando. _Para o publico. Nós, mestres, sabemos que essas guildas têm um poder destrutivo medonho, e estão por aí, fora das garras do conselho. Nunca incomodaram ninguém, e a Crime Sorciére tem uma louvável reputação de ter derrotado muitas guildas das trevas durante dez anos. Já a Light Dragon... Ninguém sabe nada sobre ela, nem se esse é o seu verdadeiro nome. Mas nunca deu problemas._

_Então porque eles estão tão preocupados?_

_Medo de serem dominados. Guildas poderosas, com vontades distintas das do conselho, podem querer subjugá-lo. Essa não é uma guerra pelo bem dos cidadãos, Levy. É uma guerra pelo bem da soberania do conselho. Eles não conseguem pensar na idéia de serem derrotados, e os artefatos roubados formam uma arma poderosa que seria capaz de botar o conselho abaixo em um dia, se bem manuseada._ ele se recostou na cadeira. _Você irá reconhecê-la, Levy, por causa dos livros. São 5 artefatos: A Joia da Alma, a Espada da Esperança, Os Olhos da Escuridão, A Maça da Força e, o último, mais poderoso de todos, conhecido como o Coração do Livre Árbítrio. Você consegue me dizer o que o ladrão pretende com esses artefatos?_

A maga empalideceu de horror, e tentou articular algumas palavras, sem sucesso.

_O que é, Levy!_ exigiu Gray, mas a maga permanecia estática. _É algo horroroso assim?_

_Sim, com certeza é.Não me surpreende que ela esteja sem palavras._ todas as atenções voltaram novamente para Luxus. _O presidente ordenou que todos os melhores magos das guildas integrassem as frentes dos exércitos, para derrotarem as guildas mais significantes. Sabertooth, Twilight Ogre, Mermaid Heel, Quatro Cerberus, Raven Tail._ ele entoou o nome com desprezo venenoso. _e as outras guildas foram encarregadas das guildas das trevas menores, sobreviventes da Aliança Baram. E vocês, como castigo, irão sozinhos derrotar as duas guildas mais poderosas, e que, possivelmente, contêm os artefatos. A chance de não voltarem vivos é de noventa e cinco porcento. O conselho está preocupado com a possibilidade de Gerard Fernandes estar por trás de tudo, afinal, ele fugiu da cadeira e desconfia-se que tenha integrado uma dessas guildas. Ele conhece os artefatos e a sua serventia, e também recuperou seus poderes._ ele suspirou. _Resumidamente, Blue Pegasus, Lamia Scale e Fairy Tail estão mandando seus melhores magos em uma missão suicida por terem discordado do conselho._

_Exatamente._ disse a voz de Bob, o mestre da Blue Pegasus, enquanto a porta se abria novamente. _Receio nunca mais vê-los novamente, meus jovens._

Eles entraram, e, atrás deles, estavam os Trimens e Ichiya. Todos eles tinham mudado pouco durante aqueles dez anos, e cumprimentaram Erza, Gray, Natsu e Wendy com entusiasmo. Depois, foram devidamente apresentados à Juvia e Levy, a quem cantaram descaradamente (também acabaram virando picolé pelas mãos de Gray e depois raspadinha pelo martelo de Gajeel, mas isso são meros detalhes), como sempre. Pareciam descontraídos como sempre, mas tinham uma aura de preocupação por trás dos sorrisos alegres que era visível para qualquer um.

_Você subestima nossas habilidades, Mestre Bob._ disse Natsu. _Não acho que tudo seja tão trágico._

_Pois eu receio que seja._ disse o introspectivo mestre da Lamia Scale, também entrando na sala. _O conselho é um lugar de tolos mercenários. Nenhum deles está realmente interessado na vida de nossos magos._

Atrás dele, estava os conhecidos magos da Lamia Scale: Jura, Lyon, Sherry e Yuka Suzuki, o anti-mago que a Fairy Tail encontrara na Ilha Galuna. Enquanto rolava um tenso e sanguinário clima entre Lyon, Gray e Juvia, os velhos conhecidos se cumprimentaram e os outros foram devidamente apresentados, até que todos os magos ocupassem a mesa circular.

_Está arrependido, Luxus Dreyar?_ perguntou mestre Bob, ao ver a expressão do outro. _Sua expressão é culpada._

_Não me sinto culpado por ter minha opinião, mas acho que a expusemos de forma errada. O presidente é tempestuoso, odeia ser contrariado. Nós deveríamos ter previsto uma punição dessas._

_Realmente, Luxus._ concordou o mestre a Lamia Scale. _Mas nós seguimos o seu argumento porque concordávamos com ele. Você é mestre da Fairy Tail há seis anos, mas nenhum de nós nunca tinha ouvido você proferir uma palavra nas seis reuniões de mestres que tivemos. Ouvi você falar assim me lembrou Makarov, com toda a sua expressividade de quando jovem. Todos os mestres ficaram impressionados. Não se culpe, Luxus Dreyar. Confie em seus magos. Eu irei confiar na vitória dos meus._

_É._ concordou Bob. _É isso mesmo._

Luxus deu um pequeno sorriso.

A porta se abriu pela quarta vez, e quem entrou dessa vez foi um dos Conselheiros. Era um homem alto, esguio, de feições duras e envelhecidas.

_Creio que seus mestres já lhes explicaram a situações, Magos Classe S._disse ele, e sua voz era dura e objetiva. _Crime Sorciére e Light Dragon são nossos principais alvos, porque desconfiamos que eles sejam os mais prováveis a terem roubado os artefatos. Também desconfiamos que o sanguinário Gerard Fernandez esteja envolvido, então, se o encontrarem, não hesitem: matem-no. Como as duas são guildas fantasmas, sem um lugar fixo, nós vamos dar a vocês informações do último lugar onde foram vistas, e comecem a partir daí._ ele jogou um pergaminho em cima da mesa. _Já abrimos um portal para vocês. De lá, é por conta da sua sorte, magos. Espero que estejam aptos à tarefa._

E saiu, da mesma forma fria com que entrou.

Luxus abriu o pergaminho. Era o mapa de Fiore, e havia um ponto marcado, com uma observação: Ironicamente, Crime Sorciére e Light Dragon foram vistas pela última vez no mesmo lugar. Isto é o suficiente para você, Luxus Dreyar?

_Não._ disse Luxus. _Não é suficiente._ ele fez uma careta. _ Mas vocês vão ter que partir agora. Espero, sinceramente, que vocês retornem com vida. É tudo o que eu espero._

_Nós estaremos aqui, protegendo a sede do conselho, mas contamos com vocês, magos._ disseram os dois outros mestres. _Retornem para junto de nossas fileiras._

_Estaremos lá._ prometeram eles à seus mestres. _Fiquem tranqüilos._

Os três mestres viram os quinze magos saírem com expressões preocupadas, com a única certeza de que tudo o que eles não ficariam, eram tranqüilos.

_***_

Em alguma cidade longe dali, muito longe dali, também havia magos se reunindo numa sala, mas essa era decrépita e caída. Não havia lacrimas nas paredes, nem runas nas portas, nem centenas de guardas em volta. Aquela era uma casa velha e mofada, em meio à um vilarejo de magos das trevas, onde ninguém se arriscaria entrar, porque era óbvio que o casarão estava à um passo de desabar.

Nenhum mago sabia que havia uma magia imperceptível mantendo o casarão em pé, e que, naquele momento, ele era o lugar mais seguro da vila. Ninguém sabia que a mulher dos cabelos de piche, que tinha causado um burburinho masculino na cidade, na verdade se chamava Fleur Magnifiqué, ou Otohime. Ninguém sabia que aquela mulher era a famosa Flor das Tempestades, nome que faziam tremer muitos magos das trevas, por causa de sua coleção de magias raras e abrasadoras; ela tinha habilidade suficiente para derrotar cinco guildas legais, com seus respectivos mestres, sem realmente se cansar.

E ninguém sabia que, naquele momento, funcionava naquele casarão a sede temporária da guilda independente neutra Light Dragon.

A Light Dragon, apesar de ter feito história entre as guildas das trevas durante a Guerra das Independentes, não era uma guilda vaidosa, e por isso passava a maior parte do tempo despercebida, fazendo suas missões nas sombras onde os magos das guildas legais não enxergavam. Eram muito eficientes em seu serviço, e tarefas consideradas não adequadas eram todas mandadas para lá, embora nem a metade fosse resolvida. Os nove magos da Light Dragon só resolviam as missões que lhes interessavam, preferindo muito mais seguir as instruções dadas pela mestra Fleur.

Havia outros boatos a respeito da Light Dragon, a maior parte deles pejorativo e movido pelo medo, mas todos eram mentira. A única coisa que diferenciava aquela guilda de qualquer outra oficial era apenas a sua ilegalidade. Afinal, também existiam ali laços de amor e amizade. Eles também eram capazes de dar sua vida uns pelos outros. Como em toda guilda, também existiam classes de magos: Classe SS, Classe S e Classe A. Eles também formavam equipes, raramente trabalhando sozinhos, e embora suas equipes fossem formadas mais por familiaridade de poderes do que por escolha de seus membros, nenhum deles reclamava; não havia briguinhas entre membros da Light Dragon e os membros de cada equipe se amavam como irmãos.

As três equipes de Light Dragon eram formadas por três magos, um de cada Classe. Eram unidos por familiaridade de poderes e por respeito à seus líderes, todos Classe SS, magos capazes de derrotarem guildas legais inteiras sozinhas se assim quisessem. Eram magos mais velhos, embora houvesse uma exceção, e muito sábios, sendo capazes de armas estratégias incríveis em batalhas. Esses líderes eram aqueles que tinham se destacado mais nos treinamentos com Fleur, dado mais duro que os outros, aprendido, dominado e aperfeiçoado suas magias mais rápido. Mas nenhum dos outros os invejavam por isso: os admiravam, e queriam muito ser como eles. O objetivo de cada um dos seis restantes era se tornar um mago Classe SS, e eles lutavam duro para isso, para serem como seus três superiores.

E eram justamente esses três magos que estavam reunidos na sala principal daquele mesmo casarão decrépito, em uma pequena mesa redonda de quatro cadeiras, olhando preocupados para a preocupada Fleur, que se encontrava, naquele momento, sentada e parecendo muito preocupada e exausta.

_Vejo que você foi rápida, Arashi._ disse a mestra, a voz rouca. _Como está se sentindo?_

Kuroshita Arashi foi a primeira maga a se tornar Classe SS, dominando perfeitamente a Magia de Manipulação da Alma, que lhe dava capacidade de manipular a alma dos outros e a própria. Não era uma magia boa para batalhas, por ser cansativa e trabalhosa, e por isso Arashi levava consigo uma espada, que quase nunca desembainhava, apesar de ser boa na arte. Era líder da Equipe Gato, especializada em missões de espionagem e infiltração em território inimigo. Tinha trinta e dois anos, longos cabelos brancos e doces olhos verdes, tão doces quanto a sua personalidade.

_Muito melhor agora, mestra._ respondeu. _Mas não entendo porque só me mandou chamar os líderes._

_Ah, isso._ Fleur passou a mão nervosamente pelos cabelos. _Eu confio muito em meus magos, mas conheço cada um deles e sei as reações que teriam a cada tipo de notícia. Vocês são mais frios, então eu lhes preferi explicar minha idéia primeiro, para que depois vocês escolham a melhor forma de repassá-la a seus times. Algum problema com isso?_

_Por mim tudo bem._ respondeu o único homem presente, com voz suave e baixa. _Explique-nos o plano e a sua gravidade._

Este era Watanabe Kenji, o segundo mago a se tornar Classe SS e o mais velho mago da guilda, sendo até mesmo mais velho que a mestra. Usava Magia de Espelho, que o permitia conjurar grandes escudos espelhados que absorviam qualquer ataque, regurgitando-o com o dobro de dano. Essa também não era uma magia muito boa para combates de curta distância, então ele sempre tinha uma adaga na bainha, que era um organismo vivo capaz de envenenar e paralisar qualquer pessoa. Era líder da Equipe Escudo Espelho, especializada em missões de defesa, muito contratada para defender guildas das trevas em ataques das legais. Tinha 35 anos era um homem alto, forte, com cabelos castanhos e a pele queimada de sol, embora parecesse ser muito mais selvagem do que realmente era.

_Mestra Otohime, diga-nos o problema._ repetiu ele, o único a ainda chamá-la pelo seu nome verdadeiro. _Você parece um pouco pálida... Quer que eu lhe traga um pouco de água?_

_Não será preciso, Kenji. Estou pensando em possibilidades, não exatamente preocupada._ Fleur se debruçou sobre a mesa, e em um segundo estava impassivelmente controlada novamente. _Agora, Arashi, explique-nos detalhadamente a situação._

_O presidente providenciou que todos os magos de níveis mais altos das guildas legais ingressassem a frente dos exércitos. Os olhos de uma águia são muito minimamente realistas, então eu sei que teremos Sabertooth, Mermaid Heel, Raven Tail, Quatro Cerberus e Twilight Ogre contra as guildas das trevas... E para nós eles designaram as mais poderosas guildas sob controle do conselho atualmente: Fairy Tail, Lamia Scale e Blue Pegasus..._ Arashi suspirou. _Eles desconfiam de que Gerard Fernandez está conosco, embora não tenham certeza. E a Crime Sorciére também está visada._

_Lixo._ cuspiu a outra mulher, com desprezo. _Não foi a Raven Tail que me ofereceu 10 milhões de jóias para aniquilar a Fairy Tail? Achei que eles eram uma guilda das trevas._

Layla, a última maga a se tornar Classe SS, encarou os outros, esperando uma resposta. Usava Magia de Manipulação Mágica, que permitia que ela manipulasse as partículas de poder mágico do ambiente, fazendo delas seu pleno desejo. Era uma magia inicialmente muito fraca em relação aos outros que Fleur ensinara, sendo primeiramente considerada como magia de suporte e defesa. Mas, depois de muito treino, Layla conseguiu aperfeiçoá-la a ponto de se tornar uma maga Classe S e líder da Equipe Chave de Abertura (nome dado em homenagem à um artefato que Layla usava sempre consigo), especializada em ofensivas especialmente violentas. Era uma mulher mediana, de corpo voluptuoso, com olhos castanhos amendoados (sempre ressaltados com muita maquiagem), lábios carnudos (sempre pintados de vermelho) e compridos cabelos loiros que ela mantinha sempre apertados numa trança comprida, sem nunca soltá-los. Era dona de uma personalidade fria, justa e impiedosa, e destilava desprezo quando alguma coisa a irritava. Odiava qualquer guilda legal, assim como odiava o conselho; na verdade, havia poucas coisas no mundo das quais ela realmente gostava.

_E eles eram._ respondeu Arashi, calmamente. _Conseguiram sua legalização há três anos._

_Até eles conseguem._ rosnou Layla, novamente. _E depois o conselho quer guerra contra nós. É claro que eles têm que ter medo pelo menos uma vez na vida._

_Fique calma pelo menos uma vez, Layla._ disse Kenji, em tom pacificador, e Layla relaxou; Kenji era um dos poucos que conseguia acalmá-la em seus momentos de fúria. _Agora, vamos ouvir o que a mestra Otohime sugere._

_Já que eles têm uma aliança, eu sugiro que uma aliança também ocorra em nosso lado._ Fleur suspirou. _Andei expandindo meu raio de telepatia, procurando alguma presença interessada em se aliar a nós._

_Explica-se então a densa concentração de poder mágico na sala._ comentou Layla, em tom descontraído. _E a sua expressão exausta. Quer que eu retorne o poder mágico perdido para você, Mestra Fleur?_

_Não será obrigada, mas obrigada pela oferta._ ela suspirou, e retornou á linha de raciocínio anterior. _Ultear Milkovitch é uma velha colega de conselho, e concordou em consumar uma aliança temporária entre a Crime Sorciére e a Light Dragon. Todos de acordo?_

Arashi concordou, com um aceno de cabeça. Kenji também concordou, embora não parecesse tão satisfeito. Layla, entretanto, sorriu antes de concordar; alguns anos atrás, ela e a Crime Sorciére tinham tido um breve contato, quando suas missões coincidiram, e eles exterminaram uma guilda das trevas juntos. Embora achasse Ultear enjoada e Meredy infantil, Layla tinha simpatizado especialmente com Gerard, e os dois começaram, durante uma semana, uma divertida amizade; embora ele não pudesse ver seu rosto, porque ela nunca o mostrava em público, acabaram se entendendo bem, uma vez que os dois tinham passados parecidos; desprovidos de qualquer memória, eles compartilharam o pouco que sabiam sobre seus passados. Depois, se despediram e tomaram caminhos opostos, que jamais voltaram a se cruzar.

Aquilo fazia seis anos. Ela começou a se sentir animada, até que sua mente, muito habituada a criar estratégias, percebeu uma falha no plano.

_Mas, Mestra Fleur... Se as duas guildas são o alvo, porque vamos facilitar tudo para eles nos unindo?_ perguntou. _Ficamos vulneráveis em grande número._

Fleur refletiu as palavras por um minuto.

_Realmente... Mas temos que nos lembrar que a Crime Sorciére tem uma notável reputação em combate. São muito poderosos. E, além do mais, como eu, eles concordam que nós não vamos atacar o conselho, só nos defendermos em caso de ameaça e recuar. Afinal de contas, nós sabemos quem são os responsáveis pelos roubos dos artefatos._

_É claro que sabemos._ disse Kenji, num misto de ironia e exasperação. _Eles são espertos o suficiente para ficarem na moita... É com eles que o conselho tem que se preocupar._

_E os burros vão mandar seus magos mais poderosos numa busca infrutífera atrás de nós. Pura perda de tempo._ zombou Layla. _Nem sei se os lixos da Fairy Tail, que são os mais poderosos atualmente, têm poderes para derrotá-los, e eles estão mandando os idiotas das outras guildas num caminho certo para a morte. Eles não perdoam interrupções. Com sinceridade, nem sei se nós teríamos capacidade para derrotá-los..._

_Não teríamos, não sozinhos._ confirmou Fleur, massageando as têmporas. _Se tivéssemos em mais número, talvez conseguiríamos, mas lembrem-se que nossa missão nunca foi ficar nos envolvendo em intriguinhas de guildas das trevas, nem nos altos e baixos das guildas legais. Só brigamos com elas na Batalha Das Independentes porque fomos atacados._

_E foi muito divertido, se quer saber a minha opinião._ disse Layla, num tom que fez Arashi, Kenji e até mesmo Fleur rirem. _Eu não sou muito amiga da idéia de ficarmos no nosso canto, mas se essas são as suas ordens... Pressinto que você tem alguma missão para mim...?_

_Pressentiu certo, Layla._ Fleur deu um meio sorriso. _A Crime Sorciére não sabe onde é a nossa sede atual, e eu quero que você vá buscá-los em Death Hills, lembrando que eu já providenciei uma nova sede para nós, em Kiarr._

_Uma nova sede? Essa aqui me parece perfeita._

_E é, mas essa aldeia de magos das trevas vai ser facilmente achada pelo conselho. Estaremos nos mudando amanhã. E você, Layla, prepare-se. Death Hills vai estar, provavelmente, cheia de magos do conselho, então tome cuidado. Eu prefiro que você vá nessa missão com sua equipe, tudo bem? Além do mais, quero que vocês façam um favor pessoal para mim, e vai ser preciso mais de um para fazer o que eu estou pedindo._

_Diga-me o que é._

_Você vai levar um recadinho para a sede do conselho para mim..._ Fleur lhe entregou um pedaço de papel dobrado. _Pode ir arrumar sua bagagem._

Layla deu um de seus enigmáticos e sarcásticos sorrisos enquanto se levantava. Usava um curto e gótico vestido negro, sem muitos detalhes, algo que ela adorava. Tirou do assento uma capa preta, a qual prendeu nos ombros calmamente. Depois, puxou o capuz para cima do rosto, e, se examinando por um segundo, se deu como pronta.

Deu uma pequena risada e saiu pela porta, a capa esvoaçando por seus ombros.

Notas finais
E aí? Gostaram?
Espero reviews, tudo bem?
No próximo capítulo: Um pouco mais sobre Layla, Crime Sorciére da ás caras e Fairy Tail e Light Dragon se encontram pela primeira vez.
Até lá!