Amnésia

5 Azar: Encontros inoportunos, acasos desagradáveis


Notas iniciais
Olá! Tudo bem? Venho aqui hoje derramar uma torrente de elogios sob meus leitores adorados, que tem me deixado comentários maravilhosos: vocês não sabem como eu fico feliz! Essa história tem sido uma diversão para mim, e fico muito feliz em saber que ela é divertida para vocês também.
Nesse capítulo, um pouco mais sobre Layla (quem adivinhou quem ela é levanta a mão o/), sua equipe, e o primeiro encontro dela com a Fairy Tail.
Nada de romance, sorry XD
De qualquer forma, espero que gostem desse capítulo!

Naquela mesma noite, naquele mesmo casarão, uma silenciosa figura se esgueirava pelos corredores, a capa esvoaçando por seus ombros. Para aquela missão, Layla usava um macacão preto colado e simples. Levava consigo uma pequena mochila aonde guardara seus magros pertences; não era muito ligada à luxos, já que tudo o que lhe era mais valioso ela levava sempre consigo, naquele cinto precariamente pendurado em sua cintura. Lá era onde ela levava suas chaves, que a tinham ajudado a chegar ao atual patamar mágico de maga Classe SS.

A verdade sobre Layla é que, no começo, ela era só uma menina insignificante, que nem sabia o que era magia. Tinha acordado pela segunda vez para o mundo sem uma só memória e ninguém da guilda sabia exatamente o porquê de Fleur tê-la acolhido. Era verdade que tinha um poder mágico latente, mas não sabia nada sobre o mundo; era novamente uma criança, redescobrindo a vida e as suas habilidades. Fleur, ainda sim, dizia que tinha visto nela o que eles só veriam muito à frente, e se empenhou com afinco na tarefa de ajudar Layla, como ficou sendo chamada, a aprender a magia mais simples das que ela conhecia, a Magia de Manipulação Mágica.

Embora a magia fosse muito simples e relativamente fácil de aprender em relação às outras, os dois primeiros anos de lições foram um fiasco, e Layla ouvia os comentários dos outros pelos cantos, duvidando dela, menosprezando suas habilidades. Mesmo depois de conseguir usar a magia corretamente, ainda era um poder fraco, que jamais a faria passar do nível Classe A. Fora apenas sete anos antes que toda aquela realidade mudara, quando o primeiro e último fragmento de memória borbulhou em sua mente.

Aquelas chaves estranhas, o único elo com o passado que viera antes do segundo despertar, finalmente revelaram a sua serventia, e Layla invocou seu primeiro espírito estelar pela primeira vez em três anos. Virgo, como se chamou, por algum motivo, não conseguia se lembrar de nada a respeito do passado de Layla, apesar de saber que deveria chamá-la de “princesa” por algum motivo, e de também saber que o verdadeiro nome dela era Lucy. Aquilo reforçava a idéia de Fleur de que a memória de Layla tinha sido alterada com magia, mas de nada lhe ajudariam aqueles espíritos se eles não podiam colaborar com suas precárias memórias.

Isso até Layla ter a magnífica idéia de treinar junto à eles para se tornar forte. Por algum motivo que ela não sabia explicar, Layla amava aqueles espíritos como seus verdadeiros amigos, e todos os dias, durante as primeiras horas da madrugada, ela treinava junto à eles, aprendendo técnicas de luta e ataque. Logo, se tornou muito ágil em combates corpo a corpo, e começou a combinar seus ataques de manipulação com os ataques de seus espíritos.

Sua ascensão na guilda foi meteórica, e, em cinco meses, Layla (nome pelo qual continuou atendendo, apesar de conhecer o verdadeiro), ela passou do nível Classe A diretamente para o Classe SS. Tinha conseguido estender seu poder para missões de espionagem, defesa e ofensiva, mas escolheu a ofensiva por gostar da arte. Aqueles anos todos tinham despertado nela uma personalidade fria e impiedosa, mas o amor pelas chaves a levou numa busca particular para encontrar as restantes.

Ao final de um ano, surpreendentemente, Layla tinha doze chaves de espíritos estelares, doze preciosos aliados e amigos em batalha. Por ser a primeira maga estelar a realizar tal feito, foi chamada em audiência particular com o rei dos espíritos, o qual lhe deu um presente especial, tirado diretamente de seu arsenal: a Chave Suprema das 88 Passagens de Abertura Estelar, ou como Layla passaria a chamá-la dali em diante, Chave de Abertura.

E assim, Layla se consagrou com uma das três magas mais poderosas da Light Dragon. Construiu ali seu círculo de amizades, e até começou a se divertir em suas missões, de um jeito meio sádico, mas ainda sim sincero. Embora a crueldade do mundo tivesse a contaminado um pouco, havia ainda três coisas que Layla amava: a mestra Fleur, que ela tinha como uma mãe, os colegas de guilda, que eram a sua família, e seus espíritos estelares.

Layla levou as mãos à cintura, tocando as chaves com as pontas dos dedos, com suavidade, e se remoeu por todos aqueles pensamentos nostálgicos e melancólicos. Não tinha o costume de divagar tanto, mas a data não ajudava muito; no badalar daquela meia noite, seriam exatamente dez anos desde o seu segundo despertar.

Não é exatamente uma data a se comemorar, pensou Layla, com desprezo, e abriu os enferrujados portões que separavam o casarão do grande bosque que margeavam a cidade. Com conhecimento prévio da área, embrenhou-se nas árvores cerradas com confiança medida, e apesar de se desviar sempre para direita ou para a esquerda, não olhou em nenhum momento para trás. Cinco minutos depois, uma grande clareira iluminada pelos cálidos raios leitosos da lua cheia se abriu à seus olhos, com duas figuras paradas rígidas lá dentro. Assim que a viram, as duas figuras imediatamente se viraram para ela, de maneira respeitosa. Layla riu internamente.

Aquela era sua equipe, os gêmeos fraternos Akane e Aoki Takahashi. O casal tinha, de certa forma, medo dela, porque eram os únicos a desprezarem-na publicamente em relação à sua aparente inépcia em magia, no inicio. Layla estava planejando coisas horríveis para os dois subordinados quando descobriu que seria sua superiora, mas tudo mudou com um ato que revelou que Layla ainda tinha um coração bondoso, embora preferisse cobri-lo com raiva e ódio.

Akane era uma mulher pálida e magra, com um corpo frágil e diminuto. Usava Magia de Explosão, que permitia que ela transformasse qualquer coisa numa bomba. Não era uma ofensiva muito discreta, mas especialmente destrutiva; quanto maior o receptáculo da bomba, maior o seu estrago. Era uma maga muito talentosa, e a única coisa que a impedira de se tornar Classe SS era a sua fraqueza física. Ela e o irmão eram inseparáveis, e Aoki ficou furioso quando descobriu que não ia ficar no mesmo time que a irmã. Usava Magia de Membrana, capaz de criar redes mágicas elásticas, capazes de devolver qualquer ataque feito por coisas sólidas. Era um poder defensivo, e obviamente, ele ficaria no Time Escudo Espelho.

O problema era que Aoki era terminantemente contra ficar longe da irmã. Layla assistiu, encoberta pelas sombras, todos os treinamentos árduos pelos quais ele se submeteu para conseguir entrar para a Equipe Chave de Abertura, e até começou a solidarizar-se com ele. Tinha conseguido adaptar a membrana como um canal, absorvendo os poderes recebidos e devolvendo-os. Era uma habilidade parecida com a de Watanabe, embora bem mais fraca. Layla assistiu ele argumentar ferozmente com Fleur até conseguir sua transferência de time, e decidiu que iria deixar sua vingança de lado. Nunca esqueceria o dia em que ele a humilhara em público, nem do dia em que ele jogara-lhe baldes de lama na cabeça, nem do dia em que ele picotara suas roupas, e não havia nada no mundo que ela desejasse mais do que se vingar; mas por consideração ao amor que ele tinha pela irmã, acabou relevando.

E assim se passaram seis anos. Embora eles ainda tivessem medo de uma possível vingança de Layla, e ainda que Layla lembrasse com amargura dos tempos em que fora humilhada por eles, os três faziam uma ótima equipe juntos, combinando perfeitamente seus ataques com fluidez prévia, e com o tempo, Layla até começou a gostar deles.

_Olá, otários amigos._ cumprimentou ela, balançando a cabeça para expulsar aqueles pensamentos tolos e nostálgicos. _Estão prontos?_

_Sim, Layla._ responderam em uníssono; suas vozes eram tão suaves que soavam como uma só. _Mas estamos um pouco defasados de informação... Não fazemos a menor ideia do porque de estarmos aqui._

_Isso não será problema. Explicarei tudo no caminho._

_Tudo bem._ eles se aproximaram e Akane assumiu o lado direito de Layla, enquanto Aoki assumia o direito. _Você vai abrir o portal?_

_Já._

Layla levou a mão ao cinto e tirou a maior de todas as chaves que possuía. Tinha dois palmos de comprimento, e era feita de ouro com rajadas de prata e rubi.

_Eu, aquela que abre os portais, aquela que cavalga as estrelas, peço sua permissão, espírito rei._ recitou ela, e estendeu a chave para frente. A relíquia, ao invés de cortar o ar, se estendeu para dentro dele, penetrando uma espécie de fechadura inexistente, e começou a brilhar. _Com a Chave Suprema das 88 Passagens de Abertura Estelar, portal para a Capital, eu te abro!_

A chave começou a emitir uma luz vermelha, e Layla girou-a violentamente no ar. Partindo da chave, duas linhas começaram a desenhar o ar, se dividindo para a direita e para a esquerda. Uma linha se dividia em duas, que se dividiam em quatro, que se dividiam em oito, e um extenso desenho tomou a forma de dois portões de metal brilhoso, com rajados de vermelho e prata, que começaram a se abrir silenciosamente.

_Faz seis anos que vejo esses portais, mas nunca vou deixar de achá-los assustadores._ disse Akane, tremendo.

_São viagens tão rápidas como um piscar e tão relaxantes quanto mergulhar numa banheira de águas quentes e calmas. Não sei porque você ainda reclama. Adoro esses portais e só não abro mais deles porque gastam muito poder mágico._ disse Layla, secamente. _Vamos. Temos dois lugares para visitar, e, sinceramente, eu quero terminar tudo isso até o amanhecer._

Layla entrou no vácuo negro do portal, e, sem opção, Aoki e a Akane a seguiram. Assim que todos os três entraram, os portões automaticamente se fecharam, desfazendo-se em pó no exato momento em que se tocaram, e de repente não havia mais nada ali, a não ser a solitária clareira banhada pelo leitoso luar daquela meia noite.

_***_

As Death Hills, como o próprio nome diz, eram montanhas íngremes e mortais, onde, há muitos séculos atrás, Zeref travava suas batalhas. Em toda a extensão da cordilheira, haviam valas disfarçadas entre o chão, com profundidades superiores a cem metros, monstros escondidos em grutas e cavernas, e varias armadilhas mágicas. Vários humanos tinham tentado escalar as grandes formações, mas como nenhum deles voltara vivo, o mórbido nome da cordilheira tinha virado tabu entre os humanos, e ninguém se atrevia a se aproximar de lá.

Nenhum deles sabia que, entre as montanhas, havia lindas e verdejantes planícies, com pastagens vivas e brilhantes. Eram lugares perfeitos para se montar um acampamento, e foi exatamente por isso que os quinze magos da Aliança Fairy-Lamia-Pegasus (nome considerado ridículo pelos quinze magos em questão, mas isso são detalhes) escolheram montar uma pequena base de descanso em uma dessas planícies.

O objetivo inicial dos magos era, na verdade, a cidade de Jibrille, na fronteira de Fiore, onde testemunhas tinham vistos os magos da Crime Sorciére e Light Dragon pela última vez. O problema era que o conselho tinha se recusado a ceder para eles qualquer meio de transporte, o que significava que teriam que fazer toda a viagem de cinco dias a pé, e como eles não dispunham de tanto tempo, acabaram cortando caminho pelas temidas Death Hills, que, na verdade, para eles, não eram tão temidas assim. Todos os “apavorantes” monstros tinham ido embora com simples ataques de Erza, ou ridiculamente controlados por Sherry, todas as valas tinham sido tapadas pela magia de Jura e todas as armadilhas mágicas tinham sido encontradas e desfeitas pela magia de Hibiki, que lhes indicava as estatísticas dos caminhos mais seguros.

Nenhum problema. A viagem estava ocorrendo em perfeita ordem, e eles estavam até se divertindo, montando o acampamento.

_Essas montanhas deveriam ser assustadoras._ resmungou Gray, de mãos dadas com Juvia. _Eu só vejo um monte de pedras ridículas empilhadas._

_Isso é porque você não tem Inteligência suficiente para enxergar._ alfinetou Lyon, acidamente. _Eu vejo montanhas assustadoras._

_É claro, para um bebê chorão como você, elas devem parecer bem aterrorizantes._

_Está querendo brigar, Fullbuster?_

_Pode vir, Bastia._

_Ninguém vai brigar por merda nenhuma._ disse Erza, duas espadas na mão, uma tocando cada pescoço. _Se continuarem, cabeças vão rolar. E não adianta ficar resmungando, Juvia. Se você quer que seu marido não se fira, então trate de pará-lo._

Lyon e Gray se fuzilaram mais uma vez, mas impedidos por Erza de continuar a briga, cada um foi para um lado do acampamento, ajudar na montagem das barracas.

Juvia encarou Erza, confusa.

_E se eles tivessem continuado a briga?_ perguntou, horrorizada. _Juvia não iria suportar ver você matar Gray!_

Erza olhou para Juvia, como se não estivesse acreditando no que estava ouvindo, e como que impelida por incrível força, começou a rir. Gargalhadas altas, muito altas, que ecoaram por todo o vale.

_Juvia... Aquilo... Era... Um... Blefe!_ disse a Scarlet, entre os risos. _Eu nunca mataria Gray. Às vezes eu tenho a impressão de que, mesmo depois de dez anos, você continua com a mesma ingenuidade dos dezessete._

_Oh..._ a Fullbuster se sentiu esquentar. _Juvia é tão boba!_

_Pois é..._

Natsu, que montava uma barraca perto dali, riu alto, e Juvia se sentiu encolher. Ainda não tinha perdido toda a timidez, e desconfiava que nunca perderia, assim como Gray nunca perderia o costume de tirar inconscientemente suas roupas (apesar de que esse costume aí, Juvia adorava).

_Para de rir e me ajuda a acabar de montar essa merda, Salamandra!_ rosnou Gajeel, mal-humorado, para Natsu, que voltou a sua atenção para a montagem da barraca. _Eu quero dormir logo._

_Deus proteja quem dividir essa barraca com você, Monstrinho de Ferro._ retrucou o Dragneel. _Principalmente se for a Levy... Aí sim, pobrezinha..._

_Seu filho da..._ o soco de Gajeel foi extremamente rápido, e Natsu não conseguiu pará-lo a tempo. _Vá se engalfinhar com a sua Lisanninha para lá e não enche o saco._

_Ela não é a minha Lisanna._ resmungou Natsu, acariciando a parte machucada do rosto. _A gente só dá uns amassos ocasionais... Cara, ela é..._

_Eu não preciso de detalhes da sua vida sexual, Salamandra de merda!_ gritou Gajeel. Todos os presentes se viraram para observá-lo, mas ele não lhes deu atenção. _Eu tenho a minha, muito obrigado, então pare de falar em coisas pervertidas e me ajuda a montar essa merda de barraca antes que eu te dê outro..._

Gajeel não terminou seu xingamento. De repente, um barulho alto de explosão ecoou por todo o vale, ressoando nas montanhas, e uma coluna enorme de fumaça encheu o céu, só alguns quilômetros a leste.

_O que é aquilo?_ alguém perguntou, mas ninguém prestou atenção. Deixando todo o acampamento para trás, os magos começaram a correr em direção à fumaça, sem se importarem com o que estava ficando.

Que explosão tinha sido aquela?

A resposta logo foi vista, e não era nada bonita. Subindo no alto de uma montanha bem próxima da coluna de fumaça, os quinze magos viram o que não esperavam em meio às tão temidas Death Hills.

Ali, havia uma vila, e ela estava em chamas.

_O que significa isso?_ perguntou Eve, respirando e enxergando com dificuldade, por causa da fumaça. _Porque haveria uma vila aqui?_

_Provavelmente, uma vila de guilda das trevas!_ tossiu Hibiki. _Ren, dá para você dar um jeito nisso? Estou sentindo que vou ficar inconsciente a qualquer momento._

Ren, que também tossia, não respondeu, mas conseguiu envolver a todos numa grande bolha de ar puro, o que foi um grande alívio. Sem a fumaça para embaralhar sua mente, seria mais fácil pensar numa estratégia.

_É uma cidade de guilda das trevas._ disse Yuka, da Lamia Scale, a voz analítica. _Vamos ou não ajudá-los?_

_Isso não é um incêndio qualquer._ retrucou Natsu. _É fogo mágico. Podemos presumir que eles foram atacados. Se eles foram atacados, são vítimas. E se são vítimas, merecem nossa ajuda._

_É uma guilda das trevas, Natsu! Quem garante que não seremos atacados?_ disse Sherry. _Vamos pensar com calma._

_Não temos que pensar com calma! Temos que ajudá-los!_ gritou Levy, já preparando a sua magia. _Pode ter pessoas inocentes aí, como vamos adivinhar?_

_Então vamos ajudá-los._ disse Jura, e todos se calaram. Por ele ser o mais velho, parecia muito natural que a última palavra fosse sua. _Espalhem-se em duplas! Como o senhor Natsu disse, isso parece ser obra de alguma outra guilda, então sejam cuidadosos._

A bolha de ar de Ren se desfez, e, obedecendo aos comandos de Jura, cada dupla foi para uma direção diferente, com agilidade pensada. Natsu, que acabara ficando de dupla com Wendy, porém, ficou para trás, ajudando a amiga a se recuperar, uma vez que ar poluído era a pior fraqueza de Wendy. Enquanto ele a amparava, pode ver um vislumbre de sombra, apenas um fantasma, se movendo pela fumaça, e soube na hora que eles estavam sendo observados.

Mas... Por quem?

_***_

Naquela mesma vila, homônima da cordilheira a qual fazia parte, três figuras encapuzadas caminhavam pela multidão em pânico, conversando alegremente entre si. Sua calma contrastava violentamente com o terror dos magos que passavam, desesperados, com algumas partes de seus corpos carbonizadas ou chorando parentes mortos.

_Você não tem pena deles, Gerard?_perguntou a menor das três figuras, uma voz suave e feminina. _Parecem desesperados._

_Esse é o preço por terem tentado reviver Zeref, Meredy._ respondeu a figura do meio, Gerard, gravemente. _Além do mais, eles vão se recuperar. Nós temos coisas mais importantes com as quais nos preocuparmos, não é mesmo, Ultear?_

_Sim, Gerard._ respondeu a figura faltante. _Uma velha amiga dos nossos tempos de conselho, Fleur Magnifiqué, mestra da Light Dragon, me contatou hoje à tarde. Para todos os efeitos, estamos sendo caçados pelos melhores magos das três melhores guildas legais de atualmente: Fairy Tail, Blue Pegasus e Lamia Scale. E, preocupada com isso, ela solicitou uma aliança entre a Crime Sorciére e a Light Dragon._

_A guilda da Layla, que a gente encontrou faz... Uns seis ou sete anos?_ perguntou Meredy, interessada.

_Exatamente. E eu aceitei. Não temos nada a perder com uma aliança temporária; Light Dragon é uma guilda de magos poderosos, e vai nos ser vantajoso tê-los como aliados enquanto somos caçados._

_Eu me lembro de Layla._ disse Gerard, nostalgicamente. _A menina do capuz. Eles vão vir nos buscar?_

_Sim. Fleur disse que mandaria três magos para nos buscarem há meia noite. Eles estão dez minutos atrasados, mas..._Ultear olhou em volta. _Com essa bagunça... Ah, meu Deus, Gerard!_ a voz dela adquiriu uma urgência anormal. _Aquele ali não é Natsu Dragneel?_

Imediatamente alerta, Gerard virou o rosto para direção que Ultear apontava, e constatou que ela falava a verdade. Natsu Dragneel e uma garota de cabelos azuis, que ele supôs ser Wendy Marvel, estavam a exatamente uma quadra que eles, ajudando alguns feridos.

_Mas que merda! O que eles estão fazendo aqui?_ praguejou Gerard. _Será que nos rastrearam?_

_Duvido._ disse Meredy, baixinho. _Está mais para uma coincidência azarada. Você acha que ele pode reconhecer seu cheiro? Ao que eu sei, ele é um Dragon Slayer._

_Com essa multidão de gente, não. Mas..._

_TOME CUIDADO!_ uma voz gritou, e, no segundo seguinte, Gerard foi atirado ao chão pelo impacto desajeitado de um corpo contra o seu. Olhando para cima, ele viu uma espada passar zunindo pelo lugar onde ele estivera um momento antes, indo se cravar com um barulho seco na parede.

_Quem são vocês?_ disse a voz que Gerard conheceria até em seus piores pesadelos: Erza Scarlet. _Foram vocês os responsáveis por essa bagunça? APRESENTEM-SE!_

_Fique quieto._ disse a voz de mulher, vinda do vulto que estava em cima dele. Rapidamente, ela abriu a parte de cima da capa, mostrando, no peito, uma marca que ele reconhecia de muito tempo atrás: um L e um D espelhados, circundados por uma curvilínea figura de um dragão. A marca da Light Dragon. _Somos aliados, e vamos ajudar vocês._

_Layla?_ perguntou ele, baixinho. _É você? E o que a Fairy Tail está fazendo aqui? Nós fomos seguidos?_

_É, eu sou a Layla sim, mas essa não é hora para reencontros felizes._ resmungou o vulto, ironicamente. _A Fairy Tail estava há poucos quilômetros daqui, e a sua discreta explosão chamou a atenção deles. Agora, eu tenho que tirar vocês três daqui._

_VOCÊS NÃO OUVIRAM A ERZA? DIGAM QUEM SÃO!_ gritou Natsu, irritado, a voz próxima. _APRESENTEM-SE!_

Gerard ouviu Layla bufar.

_Gerard, a coisa aqui é simples. Assim que eu disser já, eu vou sair correndo loucamente, e você faça o favor de me seguir, tudo bem?_ ela se virou para trás, sem dar a ele tempo de concordar. _Akane, preciso de uma distração já, ou seja, se vira!_

_Tudo bem._ outra voz disse, próxima. _Magia de Explosão: Três Pingos de Estrela!_

Três barulhentas explosões foram ouvidas, e Gerard ouviu o “já” de Layla como um mero ruído, apenas. Mas assim que ela começou a correr rapidamente pelas ruas da cidade, tudo o que Gerard fez foi acompanhá-la, suas pernas se movendo freneticamente pelo chão. Segundos depois, Meredy e Ultear corriam ao seu lado, e os três trocaram um olhar cúmplice. Mais ou menos cem metros para trás, Erza Scarlet e outra menina corriam, gritando para eles pararem.

Ninguém obedeceu.

Depois de mais ou menos quinze minutos de corrida, Layla virou inesperadamente num beco que eles não tinham notado antes, parando de corre e, surpreendentemente, não parecia nenhum pouco ofegante ao caminhar para as sombras que o paredão proporcionava. De dentro da capa, ela tirou uma grande chave, e estendeu-a no ar.

_Eu, aquela que abre os portais, aquela que cavalga as estrelas, peço sua permissão, espírito rei. Com a Chave Suprema das 88 Passagens de Abertura Estelar, portal para a Kiarr, eu te abro!_

As linhas montaram novamente os portões, e Gerard contemplou de olhos arregalados o espetáculo. Layla, debaixo do capuz, revirou os olhos, entediada; todos eles tinham a mesma reação pela primeira vez.

Ultear, Meredy e outras duas figuras, que ele pensou serem os companheiros de Layla, entraram no beco.

_Erza Scarlet e a outra figura que eu deduzo ser Wendy Marvel estão poucos segundos atrás de nós. Não vamos conseguir embarcar no portal sem sermos seguidos._ disse uma voz de homem. _O que faremos, Layla?_

Um suspiro.

_Aoki e Akane, entrem com eles no portal. Eu vou atrasá-las._

_Mas você abriu três portais! Seu poder mágico deve estar pela metade. Eu tenho certeza de que qualquer um de nós pode cuidar disso._ argumentou o casal, que Gerard deduziu ser Aoki e Akane, suas vozes tão suaves que pareciam uma só. _Você precisa de descanso, Layla._

_Eu não me lembro de ter te pedido um favor, Aoki._ resmungou Layla. _Entrem logo nessa merda de portal._

Erza e Wendy chegaram ao beco.

_Apresentem-se!_ exigiu a mais baixa, os longos cabelos azuis balançando-se no rabo de cavalo enquanto ela falava. _Vocês são magos? Digam logo, ou iremos apelar!_

_Não se preocupem._ Layla deu dois passos à frente e abriu os braços, placidamente. _Eu serei a sua oponente._ o rosto dela se virou milimetricamente para as outras figuras encapuzadas. _Levem-nos daqui. Já. Eu alcanço vocês em dez minutos, no máximo._

_Mas..._

_ENTREM LOGO NESSE PORTAL!_

Aoki e Akane se encolheram; raramente Layla gritava, e, se o fazia, é porque a situação era importante. Sem opção, conduziram Meredy, Ultear e Gerard para o portal, e logo também sumiram nele, de modo que só sobraram Erza, Wendy e Layla no beco, que, por baixo do capuz, encarava as adversárias calmamente.

_Quem são vocês?_ perguntou Erza, novamente, e Layla reparou que ela começava a se encolerizar. _Estou cansada de não ser respondida._

_Você não vai querer saber quem somos, Titânia._ disse a loira, a voz plácida. _Deixe-nos em paz._

_Para onde eles foram?_ perguntou Wendy, com urgência. _Estavam aqui a um segundo atrás._

_Vejam só, a Sacerdotisa do Céu._ resmungou Layla, com ironia. _Temos nomes de peso por aqui. Mas não é porque vocês são da Fairy Tail que eu sou obrigada a lhes dar uma resposta. Entendam, eu não sou mulher de conversinhas._

_Não nos enrole!_ disse Erza, invocando uma pequena espada. _Você não vai sair daqui até nos dar as respostas das quais precisamos._

A espada voou no ar com velocidade e precisão incríveis, mirando especialmente o ombro da maga; Erza premeditava prendê-la contra a parede e, provavelmente, blefar um pouco, até conseguir as respostas de que queria. Layla sabia disso porque era um método simples que funcionava bem contra guildas das trevas menores, que continham, em maior parte, magos insignificantes e assustadiços.

Não funcionaria com ela, entretanto.

_Manipulação Mágica: Lâminas!_ disse ela, calmamente, e, compactando uma boa parte de poder mágico do ambiente, conseguia formar lâminas finas e especialmente cortantes.

Se ela estivesse em plena forma, a lâmina partiria aquela espada ao meio. Mas, como Aoki e Akane disseram, abrir três portais havia a deixado um pouco cansada, e, por isso, a lâmina só foi suficiente para parar a trajetória da espada.

Erza não se surpreendeu, mas moveu seus olhos cuidadosamente pela figura da oponente, realmente a medindo pela primeira vez.

_Deixe-nos em paz, eu repito._ avisou Layla, divertida. _Não vamos incomodar vocês se não formos incomodados._

_Não._ Wendy puxou uma grande quantidade de ar, decidida. _Essas pessoas foram feridas, e isso não se perdoa: Rugido do Dragão do Céu!_

_Manipulação Mágica: Escudo!_

Dessa vez, o poder mágico do ambiente se condensou numa espécie de barreira, que barrou precariamente o rugido da Dragon Slayer.

Enquanto se via momentaneamente segura, Layla pensava cuidadosamente no que faria. Seu escudo não resistiria a uma segunda pancada, porque ela não se preocupara em fortificá-lo o suficiente e porque, com o poder mágico reduzido a mais da metade, seus ataques ficavam bem limitados. Ironicamente, embora ela pudesse manipular o poder mágico que cada mago exalava de si, não podia manipular o próprio, o que era uma fraqueza desconcertante.

Rapidamente, Layla começou a se lembrar das características de seus espíritos que podiam lhe ajudar a segurar momentaneamente as magas. Geralmente, a Classe SS gostava de combinar seus próprios ataques com os dos espíritos, mas a abertura dos portais, e o uso repetitivo de seus poderes mágicos a tinham deixado vulnerável. Se retirasse do total a quantidade de poder mágico que ela gastaria para manter o escudo em pé e o portal aberto, só restaria poder suficiente para apenas uma invocação, então ela teria que escolher com cuidado.

Por fim, acabou se decidindo por chamar as Escalas Mais Pesadas.

_Portão das Escamas Sagradas, eu te abro: Libra!_

A espírito, que, de certa forma, se assemelhava a uma balança, apareceu, saudosamente.

_Sim, senhora?_

_Altere o senso de gravidade delas para mim, tudo bem? Eu só preciso de alguns segundos de vantagem._

_Tudo bem, senhora._

O rugido de Wendy acabou, e o escudo de Layla se desfez segundos depois. Libra apareceu com sua presença travessa e o senso de gravidade da área de Wendy e Erza foi imediatamente alterado.

_Um espírito estelar?_ balbuciou Erza, trêmula. _Onde você conseguiu isso?_

_Em algum lugar._ retrucou Layla, sarcasticamente, indo em direção ao portal. _Num próximo encontro, quem sabe eu não te mostre os outros?_

_Volte aqui!_ disse a Titânia sem conseguir se mover.

_Mais uma vez, eu digo: deixe-nos em paz._ disse Layla, desta vez, em tom de ameaça. _Pergunte para Mirajane Dreyar e o lindo filhotinho dela. Eles vão saber lhe explicar melhor._

Erza e Wendy abriram a boca para perguntar, mas Layla entrou rapidamente no portal, e, de repente, não havia mais ninguém ali a não ser as duas magas da Fairy Tai, olhando confusas para onde a maga encapuzada estivera um minuto antes.

_***_

Na sede de quartos do conselho, onde os mestres e suas famílias estavam hospedados, Mirajane Dreyar, de olhos fechados, tateou o espaço ao seu lado na cama, e, encontrando-o vazio, abriu imediatamente os olhos, desperta. Onde estava o filho?

_Tohru?_ chamou. _Cadê você, querido?_

_Estou aqui, mamãe._

Varrendo o quarto, Mirajane por fim o encontrou: estava sentado no chão, e parecia animado. Os loiros cabelos pareciam brancos, à luz da lua, e os olhos azuis reluziam um brilho secreto.

_O que houve, meu bem?_

_Foi muito legal, mamãe! Eu estava dormindo, até que uma mulher entrou aqui dentro, com um capuzão grandão no rosto!_ Mirajane se sentiu gelar, mas o filho não lhe deu atenção. _Ela me pediu para entregar uma coisa para você, quando você acordasse, e disse que nós éramos amigos, amigos secretos! Mamãe, mamãe, mamãe, olha que legal! Eu tenho uma amiga secreta!_

_Sério, Tohru?_ perguntou Mirajane, trêmula, apalpando o filho freneticamente à procura de qualquer ferimento. Não encontrando nenhum, tentou retomar a calma sobre si mesma. _E o que ela deixou para mim?_

Animado, o filho lhe entregou um embrulho, e, quando o abriu, Mirajane se sentiu quase desfalecer. À luz da lua, reluzia uma faca afiada, com um pequeno bilhete amarrado na ponta. Sentindo os dedos trêmulos, Mirajane o abriu.

“Como você vê, Mirajane Dreyar, nós entramos aqui, e você deve estar se perguntando: porque não matamos seu filho? Simples. Não temos interesse em procurar guerra com ninguém. Se tivéssemos, seu filho seria apenas uma carcaça vazia, porque nós tivemos a chance de transformá-lo exatamente nisso. Entenda, Mirajane Dreyar, que nós não somos inimigos de ninguém. E se vocês, por acaso, resolverem pararem de nos perseguir, quem sabe nós não lhe damos as respostas das quais vocês tão desesperadamente precisam? Nós sabemos que roubou seus preciosos artefatos. E se vocês realmente quiserem saber quem foi, parem de nos perseguir já.”

E, mais embaixo, escrita em letra milimetricamente redonda, estava a assinatura:

Dos seus talvez aliados, a guilda independente Light Dragon.”

Notas finais
E aí? Gostaram? Mereço reviews?
Bem, sobre os casais, eu tenho um aviso: gente, a história é cem por cento NaLu, só que eu tinha que colocar outros casais porque o nosso Natsu, lindo do jeito que é, não ia ficar solteiro para sempre, não é mesmo?
Da mesma forma que a nossa Lucy/Layla vai ter o seu parzinho meia-boca até descobrir o quanto o Natsu é lindo/perfeito/super fofo/ e tudo mais.
No próximo capítulo: Os outros magos da Light Dragon dão as caras, Crime Sorciére conhece seus novos aliados, Luxus descobre o bilhete e uma guilda misteriosa aparece...
Até o próximo capítulo!