Amnésia
3 10 anos depois: Reunião do conselho e Fairy Tail
Notas iniciais
Nesse capitulo, a nossa Lucy dos dez anos depois ainda não aparece; preferi me focar na Fairy Tail, e foi bem divertido!
Espero que gostem desse capítulo, foi muito divertido imaginar todos os personagens com dez anos a mais...
Lembrando: há um exame classe S há cada ano, não é? Então, em dez anos, dez magos se tornam Classe S, não é isso? Se eu estiver errada, alguém me corrija, porque favor.
Tirando isso...
Vamos ao capítulo!
X794- 10 ANOS DEPOIS
Na nova sede do Conselho Mágico, aquele dia estava num verdadeiro alvoroço. Todos os magos que ali trabalhavam estavam assustados e tensos, pois pressentiam, na própria atmosfera, que algo grande estava para acontecer, algo que mudaria todo o futuro do mundo mágico. Afinal, o presidente não convocaria todos os mestres das guildas legais à toa, e qualquer cidadão inteligente que acompanhasse as últimas notícias sabia o que aquilo significava.
Ou aquela reunião iniciaria uma guerra...
Ou ela iniciaria uma guerra.
Trancados na sala de reuniões, os presentes mestres de guildas não tinham como adivinhar isso, porém. Cada um se preocupava apenas com a própria guilda, e não conheciam as notícias que corriam por baixo dos panos, das quais o conselho estava inteiramente ciente.
Ciente demais.
_Não estamos aqui para discussões, Mestres. Não precisamos das suas permissões, e sim, de seus soldados. Precisamos de magos poderosos para combater o outro lado, que também tem magos poderosos._ disse o presidente, dispensando qualquer apresentação ou explicação. _Estamos aqui para dividir as demandas._
_Contra o que, especificamente?_ perguntou Bob, mestre da Blue Pegasus. _Não estou ciente do que está acontecendo, pois fui informado às pressas de uma reunião urgente no conselho, e aqui estou eu, completamente excluído de seus conhecimentos, presidente. Peço-lhe que explique-nos a situação primeiro._
Todos os mestres presentes ecoaram um murmúrio de concordância, e o impaciente presidente suspirou.
_Talvez vocês saibam de todos os artefatos mágicos roubados nos últimos dois anos, não sabem?_ eles concordaram. _Pois bem. Nossas investigações para descobrir o responsável têm se mostrado absolutamente infrutíferas, mas, até semana passada, isso era apenas mais uma investigação. Aqueles artefatos, apesar da sua importância, não serviam de nada, até o acontecimento._
_Que acontecimento?_ perguntou Luxus Dreyar, ao que todos o encararam. Nunca tinha ouvido aquele homem falar uma palavra, apesar de ele ter comparecido aos últimos seis encontros anuais de mestres. Sabiam que ele era um novato no cargo de mestre e não esperavam uma gota de exigência na pergunta direcionada logo ao tempestuoso presidente do conselho. _De que exatamente estamos tratando?_
_Um roubo._ respondeu o presidente, surpreso com o tom da pergunta. Luxus parecia quase irritado de estar ali, apesar de sua postura calmamente calculada. _Um roubo dentro do conselho, de um artefato que fez todos os outros roubos fazerem sentido. Além de ter burlado toda a segurança do conselho, o culpado, ou melhor, os culpados, mataram todos os cavaleiros que encontraram no caminho. Agora estamos numa situação delicada, com nossa moral decaída, 110 homens a menos e um artefato muito importante roubado. Tempos negros se aproximam._
_Qual é esse artefato? O que ele tem haver com os outros?_ a voz do mestre da Fairy Tail começou a subir, mas ninguém o impediu; estava verbalizando a dúvida de todos com aquelas perguntas, e queriam ouvir as respostas. _Afinal, porque fomos chamados aqui? E que tempos negros se aproximam?_
_Acalme-se, Luxus. Há tempo para explicações, apesar da situação, mas eu quero, primeiro, comunicar o ato que significa essa reunião. _ o presidente fechou os olhos por um minuto, e quando abriu-os novamente, estavam queimando com uma ira infundada. _Quando vocês saírem daqui, será guerra._
_Guerra?_ perguntou Gemma, o mestre da Sabertooth. _Como assim, guerra?_
_Guerra, Gemma. Guerra. Todas as guildas não pertencentes ao conselho serão consideradas inimigas. Até mesmo as independentes. A partir de agora, ou se está do lado do conselho, ou contra ele._
Todos os magos se entreolharam, assustados com a intensidade da frase e o que ela significava, e nem perceberam a ave empoleirada na janela, uma majestosa águia de penas vermelhas observando tudo aquilo com uma frieza típica. No exato momento em que o presidente se deu conta de sua presença e estendeu seu braço para afugentá-la, ela abriu as asas rajadas de sangue e levantou vôo, cruzando os céus com uma planada calma e suave. Observou sua planada por um momento, com desinteresse, e virou o rosto um segundo antes de a ave cair como um boneco do ar, deixando para trás apenas um espectro vermelho.
_***_
A Fairy Tail de x794 não era muito diferente da Fairy Tail de dez anos antes, a despeito da passagem de tempo. Todos os magos evoluíram muito, é verdade, mas a baderna de praxe ainda era a mesma, principalmente naquele dia tão especial, onde a guilda toda se unira para uma comemoração à La Fairy Tail, como nos velhos tempos, com direito à brigas, muita bebida e risos. O motivo era para lá de especial: Gildarts Clive, quarentão e muito mais forte, tinha acabado de se integrar à lista dos Dez Magos Santos. Toda a guilda, até mesmo os magos Classe S que estavam em missão, deram um jeito de voltar para celebrarem o acontecimento.
Naquele atual momento, ver a guilda toda reunida era uma coisa bem rara, principalmente os magos Classe S. O Time Mais Forte Da Fairy Tail se desfez ao longo dos anos, e embora a amizade ainda continuasse intacta, eles praticamente não se viam. Cada um tinha seguido seu próprio caminho e transformando seus nomes em lendas para a época.
Titânia, a Rainha das Fadas, continuava sendo Erza Scarlet, embora muito mais forte e perigosa. Aqueles dez anos não tinham sugado em nada a sua beleza e sua energia, e ela continuava sendo tão ou mais bela do que quando jovem. Algumas mudanças, é claro, eram necessárias, e se viam apenas na aparência: usava uma armadura muito mais feminina, que cobria inteiramente as cicatrizes de batalha, e os cabelos, um dia longos, estavam cortados na altura dos ombros. A aparência era uma versão suavizada de sua contrapartida em Edolas, e também a única coisa suave em todo o conjunto; Erza acabara de retornar de sua terceira missão de dez anos, vitoriosa mais uma vez. Naquele momento, estava descontraída, usando um belo quimono de festa que fazia um belo conjunto com as ataduras em seus pulsos, e quase parecia uma menina outra vez.
Ao seu lado, com um sorriso contido, estava um dos nomes visto com terror pelas guildas ilegais, Gray Fullbuster. Ainda tinha um senso de humor inexistente e prevalecia a mania de tirar as roupas sem perceber, mas, afora isto, estava muito mudado, mudanças que iam muito além do novo corte de cabelo. Classe S há nove anos, Gray tinha tomado muitos tombos e colocado a vida constantemente em risco até largar a arrogância de lado e aprender o significado da palavra humildade. Agora, muito mais maduro, poderoso e letal, ele tinha o que chamariam de bem-sucedida carreira de mago, juntamente à sua esposa, Juvia Lockser.
Juvia também era uma Classe S, e muitas vezes, ela e Gray faziam missões juntos. Ficar junto do mago de gelo tinha sido um processo demorado, principalmente depois de ela ter caído na besteira de entrar num relacionamento com Lyon Bastia, há oito anos, que se revelara perdidamente apaixonado por ela. Buscando em Lyon o que Gray não tinha, Juvia até tentou agüentar a paixão ardente do namorado, mas quando ela começou a se tornar obsessão, deu tudo por terminado. Isso foi a corda para a salvação do orgulho ferido de Gray, que não perdeu tempo; uma semana depois eles já eram namorados, e, depois de dois anos, consumaram oficialmente a união. Eles formavam um casal bonito, silencioso e visualmente bonito. Pensavam em ter filhos, mas era só plano. Ao contrário da Juvia de dezessete anos, a de vinte e sete não queria ter trinta filhos; um só estaria ótimo, caso aparecesse um momento oportuno.
Conversando com eles, também com sorrisos descontraídos, estavam Alzack e Bisca, que num caso unicamente raro de exceção (e talvez uma mãozinha do destino; nunca se sabe), tinham se tornado magos Classe S no mesmo ano. Também eram casados e tinham uma filha, a pequena e encantadora Asuka, de cinco anos.
Gajeel e Levy, mesmo depois de dez anos, não tinham se ajeitado. Ela era namorada de Jet até dois anos antes, quando decidiram que era a hora de parar de brincar de casinha, e contrariando todas as expectativas, naquele mesmo ano, Levy também se tornou mais uma a integrar a talentosa safra de magos Classe S da Fairy Tail, e reconhecendo que faziam uma boa equipe juntos, ela e o Dragon Slayer do Ferro começaram a fazer algumas missões juntos. Diziam as más línguas que ela estava grávida dele, mas sem nada de barriga e nada de namoro, os dois eram tapas e provocações o tempo inteiro. Naquele momento, eles já estavam meio bêbados, e Levy estava trazendo a tona lembranças desagradáveis de como ela o derrotara no exame Classe S. Não pergunte como; nem ela mesma sabia.
E para completar o grupo de magos Classe S que transformaram a Fairy Tail na lenda que ela era, durante aqueles dez anos, tínhamos Wendy, com vinte e dois anos e um poder invejável e Elfman, que depois de vários fracassos tinha visto a sua vez chegar. Estavam os dois em questão conversando e rindo com alguns membros mais jovens, que viam aqueles magos como heróis e exemplos a serem seguidos. Cana também tinha se tornado uma Classe S, mas não estava ali naquele momento; fora buscar o mago faltante para completar o grupo dos onze novos magos mais poderosos da Fairy Tail, que tinham se desenvolvido monstruosamente naqueles dez anos.
_Meus amigos da Fairy Tail, pirralhos de merda que finalmente cresceram!_ saudou-os Makarov, entupido até a alma de remédios, embora continuasse com o mesmo espírito. _Como o novo mestre da Fairy Tail não está aqui, então eu vou conduzir essa bagaça, ta beleza?_
Todos riram. Talvez essa fosse, de longe, a maior mudança da Fairy Tail de x794: Luxus, fazia seis anos, voltara, muito mais maduro e duas vezes menos arrogante, e depois de muita ladainha, foi aceito novamente, provando que realmente mudara. Reconquistou a confiança de todos tão rápido que em poucos meses já tinha se tornado o quarto mestre e pedido Mirajane em casamento. Os dois também tinham um filho: Tohru, de 5 anos.
Naquele momento, porém, uma reunião do conselho de mestres tinha tirado Luxus e Mirajane da guilda, não antes de o mestre recomendar que fizessem a festa sem ele. Já dera os parabéns para Gildarts, e lamentava o fato de não estar ali, mas obrigações eram obrigações.
_Ah, vovô, não que ela faça falta, não é mesmo?_ provocou Gray, e todos riram novamente. _Pobre Mirajane... Não sei como ela agüenta!_
Makarov piscou. Ele também se perguntava isso, todos os dias.
_Não falem mal de seu mestre sem ele perto para ouvir! Eu pensei que tinha ensinado direito, cambada de pirralhos!_ ralhou Makarov, o que não surtiu o menor efeito. _Estamos aqui para parabenizar Gildarts Clive, que acaba de voltar vivo de uma missão de 100 anos, e, de quebra, virou um Mago Santo, assim como eu! Salma de palmas!_
Todos aplaudiram, e Gildarts deu um sorriso que era ao mesmo tempo modesto e convencido. Estava feliz por ver as pessoas que ele considerava seus filhos adultas, todas reunidas como a família que eles eram. Nunca se sabia quando aquilo ia acontecer novamente. Os magos mais jovens, como Romeo Conbolt, Arisawa Miako e o rejeitado Tobias (equipe que tinha sido chamada pelos cantos de “a nova Shadow Gear”) observavam admirados aquela cena. Todos os magos que eles adoravam e nos quais se inspiravam estavam ali, ao alcance de um toque.
Ainda faltavam dois, era verdade, e Arisawa fez questão de destacar esse detalhe.
_Esperem!_ disse. Todos a fixaram, e a menina se sentiu encolher. _Ainda faltam o Salamandra do Fogo e a Senhora das Cartas..._
_Não faltam mais!_ gritou a voz de Natsu, do lado de fora da guilda, e, em um segundo, ele estava novamente pisando em sua casa, Cana ao seu lado e rindo, muito sóbria. Ao ver o pai, correu-lhe para lhe dar um abraço, ao que pronto foi correspondido. Desde que descobrira do parentesco com a maga, Gildarts tinha se transformado num pai coruja, e como Cana gostava de ser corujada, eles eram muito unidos.
_Natsu!_ cumprimentaram todos os magos presentes, em uníssono.
_Olá!_ ele cumprimentou de volta, varrendo os olhos pela sala com seu sorriso típico. _Há quantos anos eu não vejo alguns de vocês, mesmo?_
Aquela frase despertou um frenesi estranho, e, de repente, todos correram para abraçá-lo. Natsu conseguira ganhar o exame Classe S no mesmo ano em que Lucy fora seqüestrada, e, durante aqueles dez anos, suas aparecidas na guilda ficaram cada vez mais escassas, a ponto de ficar dois anos seguidos sem sequer por o pé lá dentro. Natsu, juntamente com Happy, agora estava enveredando por missões que lhe davam liberdade para vasculhar cada cantinho de Fiore, à procura de Lucy. Igneel não tinha sido esquecido, mas Natsu começara a perder a esperança nele, e resolveu se concentrar apenas na amiga e na promessa que fizera para ela.
_Encontrou alguma coisa?_ perguntou Erza, quando chegou a sua vez de abraçá-lo. _Alguma pista?_
Os magos ficaram imediatamente tensos, observando o diálogo. Apesar de terem se passado dez anos, a memória de Lucy ainda era muito nítida na mente de todos, que se recusavam a sequer cogitar a idéia de amiga estar morta, apesar de essa ser a uma probabilidade de 90%. Natsu,durante aquela década, se agarrara aos 10% restantes com uma fúria e determinação invejáveis, mas o cerco estava se fechando, e a possibilidade de terem perdido a amiga para sempre os rondava como um pesadelo insistente.
_Nada._ ele abraçou Erza de volta. _Mas eu vou continuar procurando._
_E onde está Lisanna?_ perguntou Elfman. _Achei que ela vinha com você!_
Lisanna não era uma Classe S, mas só porque não tivera tempo de prestar o exame. Resolvera acompanhar Natsu em suas missões por saber da precisão de alguém decente para medir as decisões malucas dele e de Happy, e era quase tão ausente como ele. Os longos anos de convivência tinham estabelecidos entre os dois laços inexoráveis, e o boato de que estavam namorando era recorrente, apesar de não haver nenhuma confirmação.
Incrivelmente, Natsu não mudara nada. Continuava o mesmo menino sorridente,e embora um cansaço antigo lhe barrasse os olhos e a mente, nunca abrira mão de sua personalidade para a arrogância. Sabia seus limites, agora, as batalhas que podia ganhar e perder.
_Lis não veio._ respondeu ele. _Ela quis ficar, negociar a recompensa. Exagerei de novo, e ela está horrorizada com a idéia de perdermos as jóias pelo trabalho que fiz. Eu também ficaria, mas fiquei sabendo que Gildarts tinha se tornado um Mago Santo e que a Fairy Tail estava reunida, então... Eu tinha que vir!_ ele abriu um sorriso gigante, e cumprimentou Gildarts com um gesto tipicamente masculino. _Agora, vamos soltar essa festa!_
E eles soltaram. Uma maga jovem, Aya, muito talentosa no violão, acompanhou Gajeel num dueto estranho de uma música mais estranha ainda, que serviu para embalar a todos. Depois, Romeo também arriscou cantar alguma coisa, mas foi logo chutado para dar lugar à Gajeel novamente, que, em todo o seu estrelismo, resolveu fazer um show completo. Ele e Natsu tentaram uma parceria, mas o som se assemelhava mais à uma buzina estragada, e eles desistiram, com sorrisos camaradas.
Era novamente a família reunida, e eles queriam aproveitar cada momento até que cada um tomasse seu próprio caminho novamente.
_Eles cresceram tanto, não é mesmo, mestre?_ comentou Gildarts, observando o movimento com olhos nostálgicos.
_Demais. Eu ainda me lembro de todos eles criancinhas, e aí estão os meus filhos, casados e com filhos, cada um com a sua vida. Eu estou ficando muito, muito, muito velho, Gildarts._ Makarov deu um suspiro. _Fico aliviado que Luxus finalmente criou jeito para assumir a liderança disso aqui. Acho que a Mirajane tenha sido de grande ajuda para isso, também, mas eu tenho de dar a ele seu mérito._
_Realmente, ele não colocou em prática nenhuma idéia revolucionária nesses seis anos, não é?_
_Não. Acho que..._
Makarov não teve tempo de terminar a frase. Naquele mesmo momento, uma carta voadora entrou voando no cômodo, com um barulho estrondoso de um foguete, e parou logo à frente de Makarov, que a pegou. Cartas voadoras eram meios de comunicação exclusivos do conselho, usadas em casos de urgências ou coisas realmente importantes, como comunicações secretas. Todos os magos presentes observaram a carta cair suavemente no chão, depois de aberta, com olhos atentos.
_Air Speed?_ perguntou Erza, confusa. _Achei que esse tipo de carta só era enviada em emergências._
_E ela é._ concordou Gildarts, sombrio. _Alguma coisa grave aconteceu... Foi mandada por Luxus._
Makarov rasgou a carta, um pouco desesperadamente, e um grande lacrima de transmissão caiu no chão, projetando uma imagem em tamanho real de Luxus Dreyar. Tinha um rosto preocupado e parecia vários anos mais velho naquele momento.
“Velhote... A guerra começou agora. Mande um grupo de magos poderosos para o conselho, e deixe outro grupo de magos poderosos para a defesa da guilda. Escolha quem achar melhor. O conselho está providenciando um portal para eles há dois quilômetros para leste, então estejam lá em cinco minutos. Eu explicarei a situação melhor daqui. E se preparem, magos, porque nada mais será como antes...”
_***_
Em alguma cidade muito longe de Magnólia, e ainda mais distante do conselho, em um casarão qualquer, uma mulher, de aproximadamente trinta anos, abriu seus olhos enquanto ofegava. Seus olhos, naquele momento, tinham as retinas vermelhas como o sangue, cortadas por uma fenda amarela. Os cabelos brancos, agitados por causa da forte liberação de poder mágico, voltaram suavemente para o lugar, enquanto ela tinha um acesso violento de tosse.
_O que é isso, Arashi?_ perguntou a mulher que estava em sua frente. _Você nunca ficou tão cansada assim antes! Houve algum problema? Você está bem?_
_Estou bem, mestra._ respondeu Arashi, fechando os olhos e respirando fundo. _É que a aura do poder mágico de todos os mestres atrapalhou a conexão. Gastei o dobro de poder mágico para me manter lá por tempo suficiente, mas vou ficar bem._
_Ótimo._ mulher sorriu, mais aliviada. _E o que você tem para nós?_
A menina abriu os olhos, revelando, desta vez, adoráveis íris verde-água, tão inofensivas quanto um pássaro pousado em sua janela.
Ou talvez nem tanto.
_Exatamente o que você planejou, mestra. A partir de agora, estamos sendo caçados. A guerra começa hoje. O que faremos?_
_Vamos nos reunir e discutir a situação, porque eu não vou tomar uma decisão sozinha. Nunca tomei e não vai ser a partir de agora que tomarei. Então, Arashi, peço-lhe que chame os outros líderes agora para decidirmos nossa estratégia nisso, tudo bem?_
Arashi assentiu, e em um segundo já saíra pela porta, providenciando o cumprimento da ordem. A mulher, no entanto, recostou-se na cadeira e ficou ali, pensativa.
O conselho é previsível.
Ela se levantou e jogou os longos cabelos negros para trás, indo até a janela para observar a paisagem. Aquela era uma cidade de magos das trevas, e logo tudo seria devastado, inclusive ela, se não pensasse rápido num jeito de fugir e combater. Um leve sorriso delineou seus lábios, um sorriso de desafio.
E agora começa o jogo de gato e rato. Não há como dois lados saírem vivos. Quem será o vitorioso?
Notas finais
Espero que tenham gostado!
No próximo capítulo: Os magos no conselho, uma missão, Light Dragon e a nossa adorável Lucy!
Beijos e até o próximo!
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