Amizades

1 Capítulo Unico


Notas iniciais
Essa historia já está um bom tempo na meu pc e minha amiga me recomendou em coloca-la aqui no nyah.



A neve fluía firme e sem parar em Ice Cap. O frio e
tempestades aqui eram intensos, com direito a trovoadas e relâmpagos. O lugar
era praticamente inóspito, sem nenhum sinal de vida, sempre com ventos
extremamente fortes reinando ali. Apesar de ainda ser noite, não importava a
hora, mas o céu se permanecia sempre em sua cor de chumbo. Enormes pedaços de
geleiras e icebergs flutuavam sobre o oceano bastante gelado, sempre seguindo
em alguma direção. Vez ou outra surgiam alguns leões marinhos em período de caça,
procurando peixes para se alimentar. Nos espaços de terra, cobertas de neve,
bandos de ursos polares vagavam pela proteção de seus filhotes, porém sempre
foram treinados pelos pais para suportar esse tipo de clima... Uma noite normal
e estrelada estava iniciando-se em Ice Cap.

Mas não estava totalmente vazio. Em meio à neve forte, uma garota corria
desesperadamente por entre as montanhas de gelo, parecia estar procurando
alguma coisa. Além de sua beleza, o que mais chamava atenção eram seus
movimentos, saltos altos, cheios de leveza e habilidade, apesar da expressão de
angústia que ela transmitia. Olhando um pouco melhor, via-se que era uma
echidna, de roupas leves e dignas de camponeses, trajando um manto de viagem um
tanto surrado propício para o clima polar. Possuía longos cabelos compridos e
castanhos, e um rosto inocentemente puro e bondoso, capaz de atrair os olhos,
ou até mesmo apaixonar qualquer pessoa.

Tikal não parecia calma, ela corria, ora saltava alto com dificuldade, parecia
estar querendo chegar a algum lugar o mais depressa possível. “Estou com um mal
pressentimento... Algo aconteceu em algum lugar por aqui e eu preciso saber o
que foi!!”, pensou a echidna, com lágrimas no olhar. Apesar de não saber
exatamente o que estava procurando, a cada montanha que escalasse, a cada
geleira que saltasse, sentia que estava chegando perto.

De repente ela se percebeu em um espaço aberto. Olhando ao seu redor, só o que
conseguia ver era o solo inóspito coberto de neve, e o horizonte que era
ocultado pela tempestade que mais parecia um nevoeiro. Por alguns segundos se
permaneceu com um olhar espantado e ao mesmo tempo vazio... Tinha certeza que
seu poder se manifestaria ali. Ela caiu de joelhos, chorando um pouco... Pôs a
mão na terra coberta de gelo e pensou: “Algo terrível aconteceu nesse local há
alguns dias... Preciso saber o que foi!!”. Levando consigo uma Esmeralda Chaos
em sua bolsa de viagem, ela a apertou fortemente, implorando por um pouco de
seu poder mágico.

Doce, gentil, extremamente bondosa e forte, Tikal era a antiga guardiã da
Esmeralda Mestra. Apesar de saber que seu verdadeiro lugar era no passado,
aonde ainda era guardiã, muitas vezes Tikal já havia visitado o presente,
principalmente para avisar aos seus amigos sobre perigos ocultos. Sempre foi
criada na Ilha dos Anjos, e durante toda a sua vida foi protegida pelo poder
mágico das Esmeraldas Chaos e da própria Esmeralda Mestra. Tinha um rosto
claramente puro, sem maldade alguma, e de tão inocente e belo, simplesmente
trazia iluminação e confiança até mesmo para o ser mais obscuro, mais
insensível. Seus traços angelicais e gentis sempre atraíam olhares; seus longos
cílios realçavam os olhos doces e amendoados cor de mel. Seus cabelos castanhos
que batiam na cintura realizavam movimentos cheios de leveza a cada movimento
que ela realizasse.

A esmeralda passou a brilhar. Levitou-se sozinha até o rosto de Tikal. A
echidna então se tranqüilizou ao sentir que a Esmeralda Chaos havia resolvido
ajudá-la. Embora ninguém conseguisse ouvir a voz de uma Esmeralda Chaos, Tikal
percebeu em sua infância que todas as esmeraldas têm vida, juntamente
sentimentos.

“Por que choras, pequena?”, perguntava a Esmeralda na mente de Tikal.

“Por favor, dê-me um pouco de seu poder mágico! O motivo de eu estar chorando
só vai se concretizar quando eu tiver certeza do que aconteceu aqui!”,
respondeu Tikal em sua mente.

“Se for para que você chore mais... Eu acho que prefiro não usar o meu
poder...”, dizia novamente a Esmeralda. “Não quero que você chore...”, continuou.

A voz que seguia na mente de Tikal não era uma voz comum. Pareciam mais várias
vozes juntas, formando um coro. Eram vozes (ou apenas uma voz...) femininas,
calmas e tranqüilizantes...

“Eu imploro... Por favor, me conceda um pouco de seu poder!”, suplicava Tikal.

“Está bem... Se é assim que você quer, te concederei um pouco de meu poder. Se
prometer que não mais chorará...”, respondeu novamente a Esmeralda, em seguida
transformando-se em algum tipo de energia dourada, e seguindo em direção ao
coração de Tikal.

A echidna parecia estar em algum tipo de transe... Permaneceu de joelhos,
fechou os olhos e começou a meditar, cruzando as mãos, tentando avistar no
interior de seus olhos o que havia acontecido ali.

A visão no interior dos olhos de Tikal começava a se concretizar... Uma
paisagem nevasca, não muito diferente desta de agora em que se encontrava a
echidna.

Mas não estava totalmente vazia. Além se Ursos polares, leões marinhos e
criaturas aptas à viver em clima polar, desta vez estavam lá cinco indivíduos.
Um deles era um velho senhor de idade, estava caído no chão, parecia muito
esgotado. Vestia-se com um manto de viagem, próprio para o clima frio de Ice
Cap, apesar de um tanto surrado e rasgado. As outras quatro pessoas não eram
exatamente “pessoas” aos olhos de Tikal, eram robôs. Não pareciam nada com os
Eggbots, eram mais humanos, mais esbeltos, mais poderosos. Tinham placas de
armaduras bastante resistentes em todo o corpo, contendo alguns sinais que
Tikal não conseguia identificar. Os quatro estavam cercando o velho senhor nas
quatro direções.

Este gritava enquanto estava caído ao chão, com dores em todo o seu corpo. O
grito do senhor fez com que Tikal se assustasse um pouco e cessasse a visão por
alguns segundos... Mas ela se acalmou, limpou as lágrimas e novamente
continuara a assistir a cena.

- Lixo... Mais lixo... Esses humanos realmente não servem pra nada. NÃO É,
VELHOTE?

– Dizia o Robô da esquerda, enquanto chutava o estômago do velho senhor,
fazendo-o jorrar sangue e gritar várias e várias vezes, enquanto os outros três
robôs permaneciam às gargalhadas. – POR QUE VOCÊ NÃO BATE AS BOTAS, HEIM? DESPREZÍVEL!!
MORRA DE UMA VEZ!!

- UUUUURGH! N-Não vou deixar... DESTRUIDORES! – Retrucou o senhor, tentando
arranjar forças para levantar-se. Porém ao tentar levantar o corpo, apoiando-se
nas mãos, recebera mais um chute no abdômen, dessa vez pelo robô da direita.

- VOCÊ AINDA PENSA EM RESISTIR? – Gritava novamente o robô da esquerda enquanto
apontava um canhão embutido em seu braço para o rosto do senhor. – VOU MANDAR
VOCÊ PRO OUTRO MUNDO ASSIM COMO EU MANDEI AQUELA SUA NETA!!

- Calma! – Pediu o robô que estava ao norte do velho. – Como você mesmo disse é
apenas um humano comum... Nós já fizemos o que queríamos, não vamos mais perder
tempo! Largue ele aí e vamos dar o fora daqui...

- Isso mesmo, seu imbecil! É só “mais um” humano comum! O mestre nos disse que
haveriam pessoas fortes nessa porcaria de mundo!! EU QUERO LUTAR COM ALGUÉM QUE
VALHA À PENA!!

“Mestre...?”, perguntava-se Tikal em sua mente. Esse termo havia lhe chamado
atenção por alguns segundos. Quem seria esse mestre? Eggman? Ela não fazia
idéia.

- Você é mesmo um amante de lutas... Isso ainda vai te trazer a destruição,
irmão...

- NÃO DIGA ASNEIRAS! EU QUERO MATAR ALGUÉM FORTE!! E NÃO ESTES TRASTES AÍ!!
ELES NÃO SERVEM PRA NADA!!! – Gritava o robô enquanto chutava ainda mais o
velho senhor, arrancando-lhe cada vez mais urros de dor.

A ação do robô novamente fez Tikal se sentir bastante mal, como se sentisse a
própria dor do velho... Porém ela sabia que para ter conhecimento do que
aconteceu ali, precisaria assistir a cena até o final.

De repente, Tikal parou no tempo. Embora quisesse cessar o poder, estranhamente
ela não conseguia. Assustada e indefesa, a echidna mordia os lábios. Ela
sentira em sua visão a presença de um ser familiar, do qual havia criado laços
de amizade. Como num passe de mágica, ela se acalmou.

- Ré... Realmente, seu mestre não estava errado... – Disse calmamente uma voz
desconhecida, surgida simplesmente do nada, gerando eco e causando um susto nos
robôs.

- Quem está aí? – Perguntava o robô da direita, olhando para todas as direções.

- “Desprezível”? “Não serve pra nada”? “Mandar pro outro mundo”? Isso chega a
ser patético.

Os robôs então passaram a ficar mais apreensivos do que nunca.

- QUEM ESTÁ AÍ? APAREÇA LOGO!!

- Acho que vocês não enxergam... Que os verdadeiros desprezíveis aqui... – A
imagem do ser desconhecido passara se materializar em meio à tempestade de neve
que mais parecia um nevoeiro, em forma de um ouriço negro, cada vez que este se
aproximava.

– SÃO VOCÊS.

Era um ouriço... Tikal conhecia bem aquele ser negro, de longos espinhos
chamativos seguidos de rajadas vermelhas. Sua voz era tocante, grossa e em tom
misterioso.

- E você, quem é? – Perguntou um dos robôs.

- Muito prazer, meu nome é Shadow, o ouriço... E eu sou o cara... QUE VAI
ACABAR COM A RAÇA DE VOCÊS. – Dizia Shadow, ao mesmo tempo em que abria um
enorme sorriso, pondo-se em posição de luta.

A presença de Shadow na visão de Tikal ao mesmo tempo em que lhe causava certo
alívio, também causava muita preocupação na garota, pois vira o que aconteceu
com ele da última vez em que se enfureceu. Um ano antes havia conhecido o
ouriço, quando este caíra na Ilha dos Anjos depois de ser massacrado pela
equipe Metal. Mas o que mais assustava a echidna era saber que há tempos não
tinha notícias dele...

- Hum...Aparentemente, o desprezível aqui é você, roedor de meio metro. Não tem
medo de morrer?

- Morrer? Você por acaso acha... – O ouriço desfez o sorriso. – QUE EU VOU
DEIXAR VOCÊ SAIR VIVO DAQUI DEPOIS QUE O VI ACERTAR AQUELE VELHOTE COM MEUS
PRÓPRIOS OLHOS, SEU IMPRESTÁVEL?? Prepare-se, eu não vou te perdoar... Nem
pretendo pegar leve com tipos como você...

- Idiota... Você nem ao menos me conhece, como pode achar que tem o direito de
ficar me julgando? Aliás, você se importa mesmo com esse humano? JÁ QUE
INSISTE, VOCÊ E ELE VÃO MORRER, ENTÃO!!! DE UMA VEZ SÓ!!!

O robô apontou o canhão para o senhor caído no chão. O velho senhor, vestindo
um manto de viagem surrado, semelhante ao de Tikal, se encontrava bastante
assustado, colocando os braços sobre seu rosto. O canhão abriu-se e
multiplicou-se, emanando um brilho azul, semelhante ao Chaos Control aos olhos
de Shadow, preparando-se para atirar.

- MORRA!! – disse o robô.

No exato instante em que o robô puxava o “gatilho”, Shadow usara seu teleporte
e se colocou ao lado do robô, causando-lhe um grande susto. O teleporte, rápido
e preciso, transportava Shadow para qualquer lugar, contando que fosse uma zona
do qual ele já tivesse freqüentado, nem que fosse por alguns segundos. Ao
desaparecer, deixando como rastro certa energia azulada, que voltava a aparecer
no exato instante em que ele surgia novamente em outro lugar, causara uma
grande sensação de medo ao construto. Sem pena, Shadow arrancou o seu braço no
momento em que o este, num ato de desespero, resolveu lhe dar um murro no
estômago, soltando várias peças robóticas pelo chão.

- AAAAAAARGH! MEU... MEU... MEU BRAÇO!!!!

- Morra. – disse Shadow.

O ouriço, usando um dos braços, atirou o robô para cima, com o outro braço lhe
deu um soco em pleno ar. Shadow parecia estar bastante nervoso e inquieto,
conclusão essa tirada depois que este segurou forte a cabeça do robô e a chocou
contra seu joelho, partindo-a em mil pedaços, arrancando do robô um último urro
de dor.

Silêncio tomado pelo eco em
Ice Cap. O corpo do robô caíra inativo no chão, em pedaços,
emitindo algumas correntes elétricas. Os outros construtos olharam com
intimidação nos olhos de Shadow.

-MALDIÇÃO! VAMOS SAIR DAQUI!! – Retrucou rapidamente o robô que estava à
direita do velho, acompanhando os outros dois construtos enquanto corriam.

Shadow sorriu, deu algumas gargalhadas, mas em seguida percebera que seu joelho
estava doendo um pouco. “Acho que eu tava meio enferrujado”, pensou... Shadow
era outro amante de lutas, que havia se juntado à Sonic, Tails e Knuckles na
última batalha que tiveram. Era um rapaz calmo, que não se irritava com
facilidade, porém desta vez não pôde evitar o sentimento de revolta (Apesar de
estar importando-se muito mais com o fulgor impactante da luta do que com a
vida do senhor.). Após desintegrar o robô, Shadow não hesitou e correu para
onde estava caído o velho.

- HEY, VOVÔ!! O Senhor está bem!? – Perguntou Shadow.

- N-Não... – Respondera o velho com a voz falha, se contorcendo e tentando
suportar a

forte dor em seu tórax coberto pelo manto de viagem surrado.

- Não morre! Agüenta aí, vou buscar ajuda!

- Não, não precisa... Vai embora daqui...

- Cuméquié?

-VÁ EMBORA, FUJA!! – Gritava o velho desesperadamente.

Shadow simplesmente ignorou aquelas palavras e cobriu o seu corpo fraco do
senhor no manto de viagem que trazia.

- V-Você não me ouviu!?!?

- Ouvi sim... Mas nem morto que eu vou deixar o senhor sozinho aqui, vovô!! –
Disse Shadow, levantando-o e o acomodando em seus ombros, pronto para partir
daquela área fria o mais rápido possível.

- Ele chegou... O senhor de todo o mal e de toda a escuridão... Uma grande
batalha está pra começar... A batalha que decidirá o destino da terra
novamente...

- O... O quê? Fale mais alto, não consigo entender...

- CALE-SE!! EU NÃO VOU MORRER!! – Berrou o velho, enquanto chocava sua bengala
na cabeça de Shadow.

- Aiii... Mas que coisa, pensei que o Sonic e os outros já tivessem dado conta
dos domínios do Eggman por essa área... Na certa aquele cérebro de ouriço não
fez o trabalho direito! – Shadow tirara de sua bolsa de viagem propícia para
zonas polares uma Esmeralda Chaos negra. — Blaze me disse que alguma força
esquisita havia transportado as Esmeraldas Solares pra esse mundo, e minha
Chaos começou a reagir, pensei que estivesse por aqui... – Sussurrava Shadow,
tentando suportar a dor proporcionada pelo velho senhor em seus ombros.

- V-Você nem está me escutando!! Esqueça-me, deve sair daqui logo!! — Gritou o
velho, enquanto dava outra “bengalada” na cabeça do ouriço.

- AI! EU JÁ DISSE!!

- Hã...?

- JÁ DISSE QUE NÃO VOU SAIR DAQUI SEM O SENHOR!! SERÁ QUE O SENHOR ESTÁ ME
ENTENDENDO!? AGORA FIQUE QUIETO QUE EU VOU TIRÁ-LO DESSE LUGAR FRIO!!

- Ó, meu Deus... Há tempos que não via jovens corajosos como você...

Shadow novamente pareceu não ouvir uma palavra que saía da boca do Senhor.

Enquanto discutiam, mal sabiam que não estavam sozinhos em meio aquele clima nevasco,
tomado pelo barulho agudo do vento que soprava fortemente e da neve que caía
sem parar. Não tão longe dali, um ser alto os observava atentamente, se
aproximando cada vez mais. O velho senhor, de repente parou a fala, e se
permaneceu com o olhar paralisado, olhando atentamente para a paisagem por trás
do ouriço negro.

- Vovô? Tudo bem aí com o senhor?

-...

- Vovô, responde!! – Perguntou novamente, depois que o velho permaneceu calado.

Como num passe de mágica, Shadow também parou no tempo. Não sabia o que era, só
o que conseguia fazer era mover seus olhos. Ficara assustado e nem sequer sabia
o motivo... De repente, ao fechar os olhos, se deu conta de que uma força chaos
realmente muito poderosa vinda de algum lugar não muito longe dali (Na verdade,
bastante perto...) estava se aproximando. Após isso, voltou a ter movimento
livre sobre o corpo.

- Meu Deus... O que diabos é isso? – Perguntava para si mesmo, bastante
assustado.

Ao olhar para trás, tentando visualizar a mesma coisa que deixara o velho
paralisado, a visão de Shadow revelava a mesma tempestade de neve que caía cada
vez mais forte dos céus, e em meio à neve fluente que mais parecia um nevoeiro,
tudo o que conseguira avistar era a sombra de um ser alto, forte,
aproximando-se cada vez mais do local onde estavam. Shadow não conseguia ver o
rosto do ser, pois estava bastante embaçado devido ao nevoeiro de neve. A única
coisa que parecia identificá-lo era o fato de ele possuir uma enorme capa e
longos cabelos. – Quem é você? – Perguntou Shadow, assustado.

- Vida... – Começou a falar o estranho ser. — Algo extremamente misterioso.
Porém, no fio que tece a vida e o universo não há pontas soltas.

- É o quê?

- Sua vida. Ela é urdida por Clotho, a “fiandeira” que segura o fuso e puxa o
fio da vida... É medida e enrolada por Lachesis, a “fixadora” que usa o seu
cajado para determinar a qualidade do fio... E é cortada por Átropos, a
“inevitável” que determina o fim de sua vida. Elas são uma tríade, conhecidas
como as “Parcas” ou as “Moirae”, filhas da noite ou ainda filhas de Zeus e
Têmis, ambas dividem o mesmo olho. – Completou o ser do qual era impossível se
ver o rosto devido à tempestade de neve.

- Heim?

- Você é meio burro, não é? Shadow...

- Quem é você? Como sabe meu nome?

O ser então passou a se aproximar mais, tornando um pouco visível suas vestes,
porém seu rosto ainda permanecia oculto. No começo, Shadow pensou que fosse
Eggman, mas logo tirou essa idéia da cabeça. “Eggman não tem força Chaos, só
quem a possui são pessoas de coração puro... Mesmo assim, aquele homem-ovo
sempre bola um jeito mais tosco do que o outro pra dar uma saudação...”,
pensou.

- Diga-me uma coisa, você realmente se importa com esse humano em seus braços?

-...

- Responda, por favor...

- Sim. Não por vontade minha, mas eu prometi a alguém que aprenderia a me
importar. Agora diga quem diabos é você.

- “Importar-se”? Nossa... Quer saber de uma coisa bem interessante? Você não
precisa se importar com ninguém...

-...

- É isso o que o impede de evoluir. Você não precisa lutar por outras
pessoas... “Amigos”... Só servem para enfraquecer e te deixar preso. Se quiser
ser realmente forte deve aprender a lutar só por si.

- Tsc... Você me faz rir... Você nunca entenderá. – Disse Shadow, ignorando o
homem e dando-lhe as costas, caminhando em direção à saída daquela área.

- Que vergonha Shadow, lutando e arriscando sua infeliz vida pra proteger
aqueles que destruíram tudo aquilo que um dia o seu criador sonhou...

- Eu vou perguntar só mais uma vez... QUEM DIABOS É VOCÊ??? – Berrou Shadow,
agora um tanto enfurecido, virando-se novamente para o homem.

O ser então se aproximou mais, agora sim tornando-se completamente visível.
Shadow podia agora observar sua aparência. Era um humano, bastante alto e
velho, realmente muito velho, que usava vestes longas da cor branca. Possuía
uma capa presa no colete armadurado de ouro que trajava, e algumas armaduras
douradas em partes vitais do seu corpo. Porém, o que mais chamou atenção em
Shadow foram as costas do velho, que traziam amarradas duas espadas longas; uma
banhada à ouro e outra banhada à bronze. Na roupa, trajavam muitas medalhas de
guerra, uma delas continha um símbolo que era sem dúvida bastante familiar a
Shadow, o símbolo da antiga Ark. A sua fisionomia era de um homem que certamente
fora muito forte quando jovem, apresentando muitos músculos desenvolvidos,
apesar de aparentar estar um pouco acima do peso. Seu rosto, apesar de velho,
lembrava os traços de Gerald Robotnik, possuindo longos cabelos esbranquiçados,
juntamente costeletas bem aparadas e um longo cavanhaque.

- Meu nome é Alfred Robotnik... Vejo que deu uma bela lição nos meus
construtos...

- “Robotnik”? Então foi você que mandou aqueles lixos pra matar gente inocente?

- Gente inocente... Você não tem a menor noção do que essa gente inocente foi
capaz de fazer contra as únicas pessoas das quais você considerou uma família.
Contra as pessoas da Ark.

- Eu tenho sim. Eu estava lá.

- Eu sou Alfred Robotnik. Pai de Gerald Robotnik e atual representante da Ark
na Terra. Minha missão aqui é destruir aqueles que extingüiram a independência
e as vidas inocentes presentes na Ark. Minha outra missão, Shadow, é destruir
você, que se rebelou contra seus criadores pra ficar do lado daqueles que
assassinaram a sua família, que merecem apenas a morte... Muito prazer.

- Então você é Alfred, o pai... Do meu pai... E que está aqui para me matar por
que estou traindo as únicas pessoas em que confiei na minha vida fora os meus
amigos... Devidamente, você acha... QUE EU VOU ACREDITAR NUMA MENTIRA CABELUDA
DESSAS???

- Sim, pois é a verdade.

- Ahá... Sei... Licença, que eu tenho mais o que fazer, certo? Boa noite pro
senhor...

- Olhe isto.

- Hã?

Alfred permanecera calmo e calado. Levou seu enorme braço ao bolso, e de lá
retirou uma fita azul. Parecia um tanto surrada, como se estivesse há muito
tempo naquele bolso.

- O... Que... É isso? – Perguntou Shadow.

- É uma fita que Maria sempre usava no cabelo, há vários anos atrás.

- Maria? – Perguntou Shadow um tanto surpreso, pois desde que recuperou a
memória não mais havia ouvido outra pessoa fora ele próprio pronunciando este
nome.

- Há 60 anos eu estava partindo para uma expedição espacial na Ark. Naquele
tempo, a Ark já era independente, porém ainda não tinha conhecimento sobre o
espaço à fora. E como precisaríamos fazer descobertas avançadas para
conseguirmos definitivamente a nossa independência, era comum fazermos
expedições científicas no universo, em outros planetas. Porém seis dias depois
ocorreu um acidente, ficamos perdidos no espaço... Durante simples e longos 50
anos. – À medida que o homem falava, Shadow só ficava mais frustrado. –
Perdemos metade da tripulação, a outra metade faleceu com o tempo. Essa fita...
Maria havia me dado antes de eu partir para esta maldita missão. Ela disse que
se eu morresse, morresse lembrando que o amor dela esteve comigo durante toda a
expedição concentrado nessa fita, e que eu fosse para o céu... Meu único
consolo era essa fita.

- Cale essa boca... – Dizia Shadow com dificuldade, enquanto suas memórias pareciam
entrar em certo distúrbio.

- Lembrou-se agora? Gerald, como é covarde, certamente espalhou pra todo mundo
que eu havia morrido. Ele era como você. Não aceitava mudanças, nem mesmo a
possibilidade de estar errado em suas decisões. Nem sequer organizou uma missão
resgate; abandonou-nos. E você ainda me vem falar sobre “amigos”?

- Já mandei você calar essa sua boca.

- Shadow, você é uma arma. Na Ark não haviam armas, e por escolha de Gerald, a
única coisa que se aproximava de uma arma era você.. Eu sempre fui contra essa
idéia imbecil. A tal “Forma de vida suprema”, que nem ao menos soube proteger
Maria direito da chacina na Ark.

- Cala... Essa... Boca.

- PERCEBEU AGORA?? VOCÊ NUNCA FOI AMADO!! VOCÊ É UMA ARMA E NUNCA VAI PASSAR
DISSO!!

- IDIOTA!! VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI DISSO?? É claro que eu sei!! Eu sei que sou
uma arma!! Durante muito tempo eu mantive isso na minha cabeça, e por me
considerar uma arma, acabei achando que não deveria possuir sentimentos!! MAS
ISSO MUDOU!! Eu conheci finalmente pessoas que se importam comigo, que me
reconhecem!! Durante tempos eu tive inveja deles, exatamente por possuírem a
capacidade de amar!! Mas meu coração, que era de pedra, finalmente se aqueceu,
e eu vi que mesmo sendo uma arma, POSSO TER SENTIMENTOS E SER RECONHECIDO!! E
hoje eu tenho amigos, pessoas que me consideram alguém importante!! Mas mesmo
assim, não vai ser por causa deles que vou esquecer minha origem e minha
família!

- CALE-SE!! Vai ser por ela... Por Maria... QUE EU VOU ACABAR COM VOCÊ E COM
TODOS OS OUTROS, ESSES HUMANOS QUE OUSARAM DESTRUIR PARA SEMPRE A NOSSA VIDA!

- Hã!? Do que é que você está falando!? O DESEJO DE MARIA NÃO ERA ESSE!! Era...

Shadow foi repentinamente surpreendido com um soco em seu estômago, que o levou
o ao chão gelado em somente alguns segundos. No desequilíbrio, acabara soltando
o velho senhor, que caiu e não levantou mais do solo coberto de neve. Parecia
adormecido.

- Nunca mais pronuncie esse nome!! Você vai morrer agora, Shadow, o ouriço!!

- S-Seu idiota... V-Você mesmo disse que eu não deveria lutar por outras
pessoas... E agora você está lutando por alguém... Isso não é um tanto
contraditório?

- CALE-SE!! – Gritou Alfred, enquanto pisoteava a cabeça de Shadow com força e
ódio em seu sombrio olhar.

Shadow, sentindo uma dor bastante forte, surpreendeu Alfred ao agarrar seu pé,
com certa dificuldade.

- Escute... Não faça isso, pare agora... Você tem que escutar a verdade ou vai
acabar cometendo um engano terrível para com as pessoas desse planeta, como eu quase
cometi há alguns anos atrás... – Sussurrava Shadow com dificuldade, tentando
suportar as dores em seu crânio e em seu estômago, que eram realmente bastante
fortes.

- NÃO ME FAÇA RIR! – Berrou Alfred, afundando mais e mais o crânio espinhoso de
Shadow ao chão através de dolorosas pisoteadas.

O ouriço negro, sentindo a neve gelada tocando sua face, juntamente o pé de
Alfred empurrando seu crânio cada vez mais profundamente contra chão, sentira o
sangue fruto dos ataques do homem descer por sua boca e seu nariz. Sentira sua
mandíbula deslocando-se, e uma dor extremamente intensa em seu crânio. Mas
apesar disso, ele ainda procurava forças para continuar a falar.

- Eu não vou descansar... Enquanto... Não lhe disser a verdade... – Sussurrava
com dificuldade.

- Mas como é resistente... VAMOS VER O QUE VOCÊ ACHA DISSO... – Disse Alfred,
enquanto uma estranha energia cor de lilás rodeava seu corpo, formando algum
tipo de aura na estatura alta do velho senhor. Era bastante semelhante à
energia que Shadow emanava ao usar o seu Teleporte, só que parecia ser mil
vezes mais brilhosa... A mesma aparência gasosa mudava de forma a cada
segundo... – Ainda não contei... Mas 59 anos no espaço sideral mudam um homem.
– Dizia Alfred, enquanto, como por mágica, fazia Shadow levitar através das
mãos, onde se encontrava maior parte da aura lilás que rodeava seu corpo.

Antes que percebesse, o ouriço estava começando a levitar sob controle dos
dedos de Alfred.

- O que... É isso? – Perguntou Shadow, agora além de ter sua face bastante
machucada, sentindo-se como se fosse explodir por dentro. Levitava conforme os
dedos de Alfred ordenavam. – Você... Tem poderes psíquicos? Só quem possui
energia chaos são pessoas de coração puro... ME PONHA NO CHÃO AGORA!!

Quando Shadow levitara até mais ou menos dois metros acima do chão, Alfred
soltou um perverso sorriso. De repente, seus dedos, que permaneciam em
movimento enquanto Shadow levitava, fecharam-se, arrancando-lhe agora imensos
urros de dor, provocando eco em toda Ice Cap.

- AAAAAARGH!!! ME PONHA... ME PONHA... NO CHÃO!!! AAAAAAAARGH!!!

- Pois não, como você quiser, filho de Gerald... – Disse Alfred, ao lançar
Shadow no chão com toda força, perto de onde ainda estava o velho senhor
viajante, causando um enorme impacto ao solo inóspito e gelado.

O velho senhor agora voltara a si, depois de vários momentos em “transe”.
Assustou-se ao ver de repente Shadow bastante ferido ao seu lado.

- Socorro... Ajude-me, por favor... – Suplicava Shadow com dificuldade ao
velho.

O homem, ao ver aquela cena terrível, não conseguira evitar a expressão de
horror e como por impulso, saiu correndo, gritando por alguém.

- HÁ, HÁ, HÁ!! Nossa senhora, isso é patético! Olhe Shadow, lá está o humano
correndo de medo, te abandonando, assim como Gerald me abandonou... – Shadow
apenas permaneceu-se calado, buscando forças para levantar-se. – Não era essa a
pessoa por quem você estava lutando? Por quem você estava dando sua vida? OLHA
COMO AQUELE COVARDE TE AGRADECE! FUGINDO! Depois dessa, você ainda vai vir com
essa história de “amigos”? De proteger esses seres imprestáveis chamados
humanos??

- Antes de chamá-lo de imprestável... Deveria perceber que também é um humano.
– Disse Shadow, enquanto levantava-se, agora conseguindo suportar um pouco a
dor. – E em segundo lugar, eu já disse que você nunca entenderá esse lance de
amizade. Durante muito tempo eu também não entendi. Só sei... Que não importa
por qual causa você está lutando... Mas quando você tem alguma pessoa
importante para proteger... Você se torna sim, mais forte. Não sei por que eu
luto, nem por quanto tempo vou continuar lutando... Mas seja lá qual for o
motivo, eu só precisarei saber que estou lutando pra proteger pessoas que eu
considero importante!!! – Gritou Shadow, agora parecendo completamente recuperado.
– Eu sei, eu sei que isso parece loucura... Mas confie em mim, largue esse
sentimento de vingança... Não vai lhe trazer nada de bom, a não ser alguns
poucos momentos de prazeres momentâneos... Confie em mim... Digo isso por
pura experiência...

- Como... Como você consegue se levantar? – Indagou Alfred, aparentando estar
um pouco assustado (mesmo em sua incrível falta de expressão.).

- Tsc... Será possível que você não vai entender, velhote?

- Você é quem não está entendendo. AINDA NÃO ENTENDEU QUE EU VOU TE MATAR!!

- Aham... Sei... Uma luta? É só isso que você quer? Pois bem, vou te dar uma
boa luta.

– Disse Shadow, enquanto começava a concentrar uma energia semelhante à de
Alfred, mas azulada, na palma de suas mãos.

- PARE DE BABOSEIRAS!!

Shadow concentrou uma quantidade enorme de energia chaos em suas mãos,
preparando-se para lançá-la em alguém. – CHAOS CONTROL!! – Gritou, enquanto a
energia disparava em direção à Alfred.

- DESGRAÇADO!!! – Gritou Alfred, enquanto engolia seco toda a energia que o
envolvia.

O disparo fora rápido e silencioso, a energia azulada, tomada por correntes
elétricas ao seu redor, envolvera Alfred e após isso explodira, causando um
grande impacto que assustou até mesmo as gaivotas migrantes nos céus de Ice
Cap.

- Talvez assim você se acalme... – Ofegou Shadow.

Notas finais
Comentem e mandem criticas... por favor!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!