Pov Lia


FLASH BACK ON


Aquela manhã Lia tinha acordado cedo, e bem mais cedo que o normal em que ela realmente acordava.

Ela havia acordado cedo com o barulho de animação de sua irmã mais nova Tatá e seu pai (Lorenzo), preparando o café da manhã e animados com alguma notícia boa, que só podia ser sobre uma das pessoas que ela apenas demonstrava não querer saber e não querer falar: Sua mãe (Raquel). Mas todo esse sentimento ruim ela apenas demonstrava, porquê na verdade, por dentro ela sentia um enorme vazio causados pela perda e abandono de uma das pessoas que haviam sido mais importantes para ela nessa vida e da qual ela mais amava nesse mundo. — Pensou essas coisas rapidamente e logo sacudiu a cabeça, balançando negativamente, tentando fazer com que tais lembranças tristes e ruins não tornassem mais a aparecer.

Ela ia ser forte... Não, na verdade ela tinha que ser forte! Superar e nunca deixar nada transparecer isso... Nunca.

Levantou de sua cama rapidamente ainda podendo ouvir o som das risadas de seu pai e sua irmã, e assim ela caminhou em direção ao banheiro, onde fez sua higiene matinal, depois ligou a torneira, lavou o rosto devagar, e ainda de pijama, foi logo para a cozinha.

– Bom dia. — Falou com voz de sono, cumprimentando seu pai e sua irmã, que até o momento, não tinham percebido ela alí.

– Bom dia 'mexas azuis'! — Disse seu pai animadamente.

– Bom dia Lia! — Respondeu sua irmã Tatá. — Acordou cedo hoje.

– Ahh pirralha, também né?! Com o barulho alto das risadas e da conversa de vocês, não tem como dormir mesmo. — Reclamou.

– Ah pai, olha a Lia me chamando de pirralha! — Disse Tatá, zangada.

– Lia, pare de incomodar sua irmã. — Disse Lorenzo.

– Mas pai, eu sempre chamo ela assim, e ela nunca liga. — Lia se explicou.

– Mas agora eu ligo! — Respondeu Tatá cruzando os braços.

– Ahh Tatá, você sabe que eu falo assim, porque eu gosto de você, né pirralha?! — Disse Lia, se aproximando de Tatá, e logo fez cafuné na cabeça de sua irmã, bagunçando todo o cabelo dela.

– Lia, para! Para! — Disse Tatá rindo.

Lorenzo apenas observava as duas filhas, em seus momentos 'família'.

– Tá bom Tatá, eu paro tá?! — Disse Lia, parando de incomodar sua irmã e sentando em uma cadeira, na mesa. — Mas vocês tem que me contar, qual era a boa notícia que deixaram vocês tão animados assim. — Ela disse ironicamente.

Houve-se um minuto de silêncio naquela cozinha. Lorenzo olhou para Tatá, que olhou para Lorenzo, que olharam ao mesmo tempo para Lia. Lia somente os observava, e para quebrar aquele silêncio, Lorenzo começou a dizer:

– Ah filha, é que a gente tá feliz, a sua mãe mandou notícias, e um cartão postal lá da África pra você. — Falou seu pai, lhe entregando um envelope.

– E olha o que a mamãe me mandou?! Uma moedinha africana pra mim completar minha coleção de moedas! — Disse Tatá empolgada, mostrando para Lia o que havia ganhado. — Ela falou que dá pra comprar um monte de coisas só com essa moeda lá na África.

Lia apenas ouvia tudo, meia indignada, fingindo não se importar.

– Ahh!... Tá bom! — Disse ela, e logo pegou o envelope com o cartão postal que seu pai estava segurando.

E sem se importar muito ou se interessar em abrir e ler, deixou o mesmo em cima da bancada da cozinha.

– Não vai ler Lia? — Perguntou seu pai, apreensivo.

E sua irmã também a olhava esperando algum sinal de atitude.

– Ah... Agora não. — Lia fez bico, e um olhar de 'to nem aí'. — Vamos tomar café?! — Mudou completamente de assunto...

É claro que ela nunca iria ler aquele cartão postal... Apenas iria guardá-lo na gaveta de sua cômoda, dentro de uma pequena caixa onde ela colocava todas as correspondencias que sua mãe lhe enviava, das quais nunca ela havia aberto uma sequer e também não desejava muito fazer isso.

Seria mentira? Talvés...