Amizade... Ou Não? - É só o começo.
18 Trauma
Notas iniciais
Nova York acorda para mais um belo dia. Poderia ser monótono? Claro, mas se fosse, não seria Nova York. E se tem algo que pode caracterizar Nova York, é um homicídio bem cedo.
— Por que os assassinos não podem esperar até as 8h da manhã para começar os homicídios? Não, precisa ser as 03:34h. – Resmungou Anne.
Ela, Kate, Johnny e Espo estavam indo encontrar Pearlmutter na cena do crime. Os rapazes não perceberam, mas Anne vira que Kate tinha um olhar curioso no rosto.
— Tudo bem, Kate? – Indagou a adolescente.
— Tudo sim, só que... Esta rua me parece familiar. – Comentou ela, suspirando.
— Você deve ter passado por aqui certo número de vezes. – Pontuou Johnny.
— Pois é. Provavelmente até em algumas perseguições. – Disse Espo.
— Talvez. Vejam, Pearlmutter está ali. – Indicou Kate, em direção a uma viatura.
— E está com cara de poucos amigos. – Reclamou Espo.
— Diga uma novidade. – Brincou Anne, fazendo os três rir.
— Ah, finalmente chegaram. Ainda não gosto da ideia de crianças em uma cena de crime. Elas atrapalham. – Sussurrou Pearlmutter, no entanto, eles ouviram.
— É extremamente desagradável ver você também, Mutter. Agora que acabamos as hostilidades, pode mostrar a cena do crime, por favor? – Declarou Johnny.
Pearlmutter olhou para os adultos, que fingiam conversar algo sobre uns arquivos. Claramente ele estava merecendo a atitude do garoto.
— Ah, está bem. Sigam-me. – Chamou o legista.
Os quatro seguiram Pearlmutter até uma entrada de um beco, onde estava o corpo da vítima, escorado em uma lixeira, em volta havia uma poça de sangue.
— O nome do rapaz é Carl Lewis, 28 anos. Ele foi esfaqueado e largado aqui. Pela aparência, isso ocorreu há mais ou menos sete horas. Preciso leva-lo ao necrotério para saber mais detalhes. Aqui estão os pertences encontrados com ele, e caso apareça algo mais, eu chamo vocês. – Pontuou Pearlmutter, ligeiramente.
— Parece que não sou só eu que detesto casos de madrugada. – Murmurou Anne.
— Certo. Espo, você e Johnny vão para a delegacia e comecem a montar o mural de investigação e avisem a família, se tiver. Eu e Anne vamos ver se tem algo de útil nos pertences, como local de trabalho ou estudo. – Concluiu Kate.
— Ok, vamos Rei Nerd. – Chamou Espo.
— Já vou. – Respondeu ele, que estava falando com Anne. Ele sussurrou algo no ouvido dela, e saiu correndo.
— O que foi isso? – Kate interrogou e Anne deu um salto.
— Nada não. Você disse que vamos ver os pertences? – Kate assentiu, sobrancelha arqueada. – Então, estou à sua frente. – Anne respondeu, indo até as evidências.
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Anne foi até a academia da delegacia, onde encontrou Johnny na esteira com fones de ouvido. Ao se aproximar, ela o escutou cantando algo que ela adorava.
— I hear Jerusalem Bells are ringing, Roman cavalry choirs are singing... Hey. – Ele reclamou ao ter o fone tirado de seu ouvido.
— Diga, o que você percebeu na cena do crime que ninguém notou? – Ela questionou, se lembrando do que ele dissera. – E, mais importante, por que não podia dizer na frente de ninguém?
— Olha, eu já vi aquela cena antes. – Ele viu a expressão confusa da parceira e seguiu a explicação. – E não sei como falar, mas talvez seja só uma coincidência.
— Jonathan! – Anne o interrompeu. – Você vai começar a enrolar. Só fala de uma vez.
— Ok, ok. – Ele assentiu. – Eu olhei para a cena e, por um segundo, uma imagem que eu vi há um tempo voltou à minha memória. – Ele respirou antes de continuar. – Anne, aquele beco é o mesmo beco onde a mãe de Kate foi assassinada.
— O que... Johnny, você tem certeza disso? – Ela queria confirmar, ao mesmo tempo não querendo saber.
— Bom... Talvez fosse a falta de sono... Mas foi instantâneo. – Ele confessou. – Simplesmente parecia que eu estava olhando a fotografia de novo.
— Está bem. Mais tarde, quando sairmos para buscar um lanche, nós passamos lá e você tenta confirmar se é o mesmo beco ou se foi a sua mente doida que criou isso. – Anne afirmou, rindo.
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— Bom dia. – Castle cumprimentava os policiais ao sair do elevador com Jamie. – Veja Jamie, ali está a mamãe.
No entanto, antes que pudesse chegar até Kate, Anne o puxa para a sala de descanso.
— Oi Rick, que bom que está aqui. – Ela declarou, fechando a porta atrás de si. – Precisamos conversar.
— Ok... Bom dia para você também Anne. – Rick saudou, estranhando a atitude da garota. – Sobre o quê exatamente?
— Pode parecer aleatório, mas você sabe o endereço de onde foi encontrado o corpo de Johanna Beckett? – Ela lançou a pergunta e viu como Castle ficou alarmado.
— Você está mexendo nesse caso? – Ele questionou.
— Não, só quero saber o endereço. – Ela respondeu como se fosse óbvio.
— Ah, bom. – Ele assentiu, desconcertado.
Kate olhou em direção à sala de descanso, para ver Castle e Anne conversando, e viu a expressão de Jamie, que parecia se divertir com tudo aquilo.
— Hey, Ryan. – Ela chamou o detetive. – Você sabe sobre o quê aqueles dois estão conversando?
Ryan olhou de Kate para a sala, observando atentamente a cena.
— Não, Kate. – Ele negou. – Não faço ideia, mas o pequeno James está adorando. – Ele observou, sorrindo, o que fez Kate sorrir junto.
Anne andava de um lado a outro, aflição passando por seu rosto.
— Eu só espero que isso seja uma maldita coincidência. – Ela murmurava.
— Hey, do quê você está falando? – Castle inquiriu, a segurando pelos ombros.
Jamie, tentando imitar o pai, segurou o rosto da garota, que não conteve o sorriso. Balançando a cabeça, ela voltou ao seu raciocínio.
— Se o endereço não for uma coincidência... – Ela hesitou antes de finalizar. – Então o nosso caso atual pode estar ligado com o caso Johanna Beckett.
— E baseado em quê você sugere isso? – Ele indagou, arqueando a sobrancelha.
— Baseado no fato de que Johnny teve um flashback assim que entramos na cena do crime. Ele me contou que viu a foto de Johanna, no mesmo local e do mesmo jeito que Carl Lewis. – Ela relatou, parando para pensar um pouco. – Como ele teve acesso a essa foto?
Castle a fitou por um instante, confuso, quando um ocorrido de não muito tempo veio à sua mente.
Flashback On
— Certo. O que é isso? – Johnny questionou, vendo as caixas nas mesas dos detetives.
— Johnny, você se lembra de que o caso Jack/Derek tem relação com outro caso? – Espo viu o garoto assentir. – Estes são os arquivos do outro caso.
— Ah sim. – Ele concordou, pegando uma foto da caixa. – Quem é essa? – Ele mostrou aos adultos uma foto extremamente familiar.
— Esta é Johanna Beckett. – Ryan respondeu. – A vítima principal deste primeiro caso e, possivelmente, a peça chave para muitos casos.
— Johanna Beckett? – O menino indagou. – Por acaso ela...
— Sim, Johnny. – Kate o interrompeu. – Senta aqui. – Ela indicou a cadeira ao lado da mesa dela. – Eu preciso de um favor. Não deixe Anne saber dessa ligação. Quando eu entrei para a NYPD, esse caso quase me destruiu. Até hoje ele pode me afetar. Anne é mais jovem e mais temperamental, então não sabemos como ela vai lidar.
Johnny a fitou, refletindo sobre as informações que acabara de receber. Ou de saber novamente, pois ele se lembrava de terem visto o caso anteriormente.
— Kate. – Ele chamou. – Ela sabe sobre o caso. Nós falamos disso na semana em que ela foi para L.A.
— Sim. – Castle assentiu. – Ultimamente ela tem sido mais aberta com a gente. Às vezes ela comenta sobre as situações com Sarah.
— Incluindo o fato de ela ter sido agredida tantas vezes que algumas lembranças foram apagadas. – Kate apoiou. – A ligação deste caso é uma delas. Então prometa que não vai falar desta conexão para ela.
— Certo. – Johnny assentiu. — Vocês podem contar comigo.
Flashback Off
— Não faço ideia. – Rick alegou, dando de ombros.
— Ok. – Ela assentiu. – Vejo vocês depois. – Ela abraçou Castle e beijou a testa de Jamie. – Ah, se Kate perguntar, eu estava pedindo algumas dicas de escrita.
— Está bem... – Ele concordou. – Se você quiser, eu passo algumas mais tarde.
— Por mim pode ser. – Anne confirmou, indo até o elevador.
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Anne e Johnny andavam pela rua da cena do crime, quando Johnny a parou no meio do caminho.
— Aqui. – Ele alcançou uma fotografia, que Anne reconheceu como vinda dos arquivos de evidências. – Veja essa imagem e depois a gente entra no beco.
— Jonathan! Você roubou evidência? – Ela indagou, o encarando. – Eu estou irritada e orgulhosa ao mesmo tempo. – Ela comentou, analisando a imagem. – Pronto.
— Certo, depois a gente conversa sobre a foto. – Ele afirmou. – Agora, vamos confirmar essa teoria.
A dupla entrou no beco, olhando atentamente para o local, ambos recebendo flashes da imagem recém-vista.
— Johnny? – Anne chamou. – Temos um caso interligado nas mãos.
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