Amizade Colorida
1 Uma rosa com amor
Notas iniciais
- Oi, Laura — cumprimentou Alice, a prima superprotegida pela mãe, mas que no fim das contas, todos sabiam que era a maior periguete do Rio de Janeiro. Menos a mãe, claro. — Parabéns pela formatura, você merece muito, menina!
Alice vestia uma calça jeans com detalhes em preto, um salto alto cor de rosa e uma blusinha frente única de renda branca.
- Obrigada, Alice — sorriu Laura, sabendo que a prima estava ainda de olho no estagiário de jornalismo, Jonas, que estava atrás delas, esperando pela sua vez. Laura balançou a cabeça de um lado a outro, rindo. — Jonas, essa é Alice, minha prima, ela queria muito conhecer você.
O tímido Jonas deixou quase deixou que o tablet que tinha nas mãos fosse ao chão, se não fosse o reflexo rápido de Sandra, que o segurou, sorrindo.
- Minha filha! — Constância teve a decência de ir abraçar a filha, vestida com um longo cor de ouro, que até mesmo para ela, era extremamente exagerado — Parabéns, você merece esse diploma!
- Como se você quisesse que eu o tivesse, mãe — Laura revirou os olhos, sem deixar que a mãe discutisse — Oi, tia Célia, que bom que veio — sorriu.
- Até parece que não ia vim, né, Laura — brincou Celinha, feliz, ao lado do jornalista Guerra, que acabara de começar o namoro com ela. — Meus parabéns, viu?
Aquela coisa toda de formatura era lindo e tudo, mas não era o que Laura chamaria de diversão. Queria mesmo era que tivesse um pouco mais de música ali, talvez uma eletrônica ou algo assim, pelo menos ela poderia balançar a cabeça enquanto cumprimentava essa gente toda.
Chegou em casa e deitou-se na cama, olhando o teto, pensativa, sem saber exatamente onde começar a procurar emprego, agora que tinha o diploma em mãos. E se fosse direto a escola particular do centro, será que a aceitariam? Bom, havia muito o que pensar agora. Seu futuro só estava começando.
- Laura, a formatura estava linda, sabia? — o pai dela sorriu, de longe, da porta do quarto, fazendo a filha sorrir também — O que me lembra que com sua idade você já pode ter um namorado, né?
Ela riu. Bem, tinha dezoito anos, afinal, mas nunca pensara muito nessa coisa toda de namoro. Sempre pensou na sua carreira em primeiro lugar, nos seus livros, seus diários... Livros! Tantos... Seu quarto arrebatado de livros em todos os cantos. Romance, ficção, suspense, drama... Ah, como amava ler!
- Edgar mandou outro presente para você hoje — riu o pai.
Edgar era o garoto que gostava dela no colegial. Ele tinha talvez dois ou três anos a mais que ela, era bonito, não negava isso, e rico — o que fascinava sua mãe, claro — mas, sempre foi metido demais na escola, o típico garoto popular que gostava de ser o "bom" da escola. Ela nunca se interessou nem se interessaria por ele, mas claro, ele gostava e muito dela. A prova disso eram os presentes que chegavam o tempo todo.
- O que foi que ele mandou dessa vez? — eu perguntei.
- Por que você mesma não vê? — ele piscou, passando o pacote por cima da cabeça. Era um embrulho azul-escuro, com um laço prateado. Era bonito.
Abriu o embrulho, e de dentro dele saiu o novo livro de Nicholas Sparks, um dos seus desejados no Skoob. Esse cara estava stalkeando sua vida o tempo todo, isso dava medo.
- Parece legal — ela sorriu — Vou colocar na minha lista de leitura.
- Ei — o pai riu — Abre o livro.
Ela abriu. Dentro havia dois ingressos de cinema para ver a adaptação de Percy Jackson, um de seus livros preferidos. E uma dedicatória, com a letra de Edgar, onde dizia que estava convidando ela para um passeio, por conta dele, é claro.
É claro.
- Estou cansada, pai, vou dormir, tá bem? — ela sorriu, fracamente — Apaga a luz quando sair, sim.
Ele fez que sim com a cabeça, saindo e deixando a luz apagada e a porta fechada.
Esse garoto, por que ele tinha que insistir tanto? E claro que a mãe não ia desistir tão fácil assim de convencê-la a ir ao cinema com ele, o que ia acabar fazendo com ela fosse. Mas que droga.
***
- Você vai, né, Laura? — perguntou Constância, pela terceira vez naquela manhã — É só um passeio, não é um casamento.
- Claro, mãe — Laura tomava seu suco de abacaxi e o sanduíche, meio divagando em outra dimensão, quando pensava em outro assunto bem distante de Edgar. — Quer ajuda com a louça, Luzia?
A empregada sorriu e fez que não, sabendo que Constância não a perdoaria se pedisse ajuda da filha. Laura revirou os olhos, largou o copo na pia, e pegou a bolsa.
- Tchau, mãe, vou procurar um emprego.
Saiu de calça jeans, all star, a camiseta da banda AC/DC e o óculos escuros habitual. Como queria que a mãe tivesse um pingo de consideração e parasse de a tratar como se ela tivesse catorze anos e ainda fosse a menina mimada e rebelde que havia sido nessa época.
Saiu meio às pressas, olhando pro chão. Nem percebeu quando deu de frente com alguém. Olhou direito para a frente, e viu que o homem estava usando o celular, talvez na internet, e também não estava olhando onde ia.
- Desculpe — pediu — Eu não...
Olhou o rosto sorridente de Edgar e sentiu o rosto enrubescer. Droga, esse tipo de coisa não acontecia só em novela das seis? Affs.
- Vou te pegar às duas da tarde, no sábado — ele falou — Você vai, não vai?
Ela fez que sim com a cabeça, meio constrangida.
- Obrigada pelo convite — ela disse.
Ele enrugou a testa, parecendo meio confuso.
- Convite? — indagou — Mas minha mãe, ela disse que você queria sair comigo e...
Laura riu.
- Eu entendi, coisa das nossas mães, claro. Mas tudo bem, por que não fazer a vontade delas, não é?
Ele riu e fez que sim com a cabeça.
- Mesmo horário, então — ele disse — Até que pode ser divertido.
E ia ser, lembrar os velhos tempos sempre é bom. Tirar uma onda da cara da mãe também seria.
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