Amizade Colorida

24 Relatos de felicidade


Notas iniciais
Ei gente, desculpe pela demora... Queria achar o melhor final pra vocês... Ainda terá um epilógo, mas este é o final de tudo. Nos falamos lá no final...

CADERNOS DE LAURA

Edgar é completamente apaixonado por mim desde que éramos adolescentes.

Eu estou louca por ele, não nego.

Mas desde que Rodrigo morreu, é como se houvesse um buraco em mim. Eu não despenquei, é claro. Homens tem tempo pra tudo, inclusive pra cair em depressão. Com as mulheres isso só acontece quando as forçaa finalmente se acabam. Temos trabalho, casa, crianças... Elas precisam de mim.

Mas Edgar é um amigo fiel. Meu melhor amigo, sempre ao meu lado, como um cachorro criado desde filhote, e vai por mim, esse é o melhor elogio que um ser humano pode receber.

Foi meio tenso quando poucas semanas depois da morte de Rodrigo, ele apareceu em casa com brinquedos para todas as crianças e rosas pra mim. Fiquei com raiva e quis jogar tudo na cabeça dele.

– Sério, Edgar? — gritei no meu ataque particular — Vai ficar agindo como se fossêmos namorados? Um melhor amigo chega e diz 'oi, idiota' ou pelo menos um abraço, mas isso?

Apontei as rosas como se fossem uma ofensa pessoal. Ele me olhou, meio decepcionado e jogou o buquê pelo ombro.

– Ótimo — ele deu de ombros — Oi, idiota.

Eu ri, sarcástica.

– Me deixa em paz, Edgar.

Ele fez que não.

– Nunca.

Brigamos feio naquele dia, gritei com ele e vice-versa, as crianças choraram, já sensibilizadas com a morte do pai. E claro qie a minha irritação era pelo mesmo motivo.

Foi a cena final que o tornou perfeito aos meus olhos.

– Não importa o que você diga ou faça, Laura — ele suspirou — Nunca vou desistir da gente.

Engoli em seco e o abracei.

***

Depois daquele dia, as coisas foram voltando ao seu normal. Eu já conseguira controlar o orçamento da casa com meu novo emprego em uma escola perto de casa. Estava cuidando de tudo. Era difícil, mas não impossível.

Tenho uma nova melhor amiga, desde que Flora ficou com vergonha de olhar pra mim. Marina, minha antiga auxiliar na ONG se tornou minha fiel escudeira. Aliás, a ONG agora é minha, e eu sou a administradora no lugar do meu marido. Marina ficou no meu lugar, e bem, se apaixonou por um certo paciente rico que tem uma grave esquisofrênia. Estão namorando há um tempo.

E bem, tive que confessar que é com ele que sinto a maior alegria, que deu gargalhadas de arrepiar o cabelo e me sinto protegida.

***

CADERNOS DE MARINA

Pois é, sou a melhor amiga da chefe agora, a dona de tudo o que eu gosto. Namorada de um cara lindo e fofo, que necessita de mim pra se manter em nosso mundo. E sou nora da maior produtora de cosméticos do Rio Grande do Sul.

Tenho uma banda agora com dois amigos antigos da escola. É o maior prazer da minha vida. E meu namorado, Tarso, canta comigo . É bom demais.

Tenho que dizer, estou feliz.

Mas, como nem tudo são flores, meu pai cometeu suicídio. Não estou feliz, mas foi um peso que caiu dos ombros.

Acostumei com a felicidade.

***

P.o.v Laura

2 meses depois...

Tenho o melhor namorado do mundo.

Sou uma mulher feliz, depois de tudo.

Observo os olhos dele enquanto ele escuta atentamente a queixa de Leonor. Estamos todos na praça, meus filhos, Melissa, Edgar e eu.

Minhas bençãos.

Minha pequena sai correndo para os irmãos.

– Ed — eu falo, na minha voz melosa que usava para pedir algo — Posso perguntar uma coisa?

Ele sorriu e fez que sim.

– Por que nunca desistiu de mim?

Ele abriu o sorriso, iluminando os olhos.

– Sou teimoso demais — ele brincou — Eu te amo, Laura, sempre amei. Nunca consegui não ver nós dois assim, juntos. — ele acariciou meu rosto.

Sorri também, suspirando.

–Idependente do tempo que passei, sempre vou amar você, sempre vou nos imaginar assim. Foi difícil pra mim, claro, mas fiquei com você como amante, porque ficar longe de você dói.

Baixei a cabeça, as lágrimas rolando.

– Eu amei o Rodrigo, Edgar — contei — Amei muito. Mas essa... paz, essa felicidade que sinto agora, só encontrei com você.

Nos abraçamos em um acordo.

***

(Narrador)

O tempo passa. Coisas acontecem. Boas e ruins.

Pessoas casam, outras nascem, outras morrem. O eterno ciclo da vida.

Mas se há algo nessa vida que deve ser cultivado é o amor.

Edgar e Laura se casaram, finalmente, só nos papéis, sem alardes. Os filhos são de ambos.

Uma família se forma.

E o ciclo continua.

Notas finais
Pois é meninas, acabou por aqui. Desculpe se ficou meio atropelado... As coisas tinham que ser assim ou iam ser chatas :/ Espero que tenha sido prazeroso pra vocês, porque pra mim foi muito bom... Obrigada a todas que esriveram aqui, comentando, mesmo que criticando... É assim que uma escritora cresce :) Foi muito bom estar com vocês! Até semana que vem, no epílogo!