Notas iniciais
Desculpem a demora, pc tava estragado =/ Obrigada a minha linda Melissa, a fofa que deu o 'ok' pra a história tomar esse rumo... Espero que não detestem =S

P.O.V Edgar

Até agora não entendi bem o que aconteceu.

Fazem cerca de dois meses. Aconteceu tudo rápido demais, eu não tive tempo de me achar ainda, no meio da confusão toda. Só agora tive tempo o suficiente para parar e pensar em tudo que aconteceu.

Tudo começou na noite do show...

***

– Boa noite – falei, educadamente, como devia ser, abrindo a porta do carro e tudo – Espero que esteja melhor hoje.

– Boa noite – ela respondeu sem me olhar, sem sorrir, nem nada.

Entrei no carro e dirigi em silêncio, batendo os dedos no volante. Pensava em milhares de assuntos para começar a falar, mas todos pareciam idiotas, superficiais ou egoístas demais. Desisti.

Nossos acentos ficavam na primeira fila, no canto que ia para os camarins. Laura estava eufórica. Apesar de não falar comigo, conversava por horas com uma garota mais nova – provavelmente com treze ou catorze anos – sobre “ela, ela, ela”, de quem nunca falavam o nome. Finalmente entendi que tinham se conhecido na internet e eram fã de alguém qualquer. Só descobri quem era a mulher quando Marjorie Estiano entrou no palco, cantando com Daddo Villa-Lobos.

– Acho que vou desmaiar – surtou Laura. Ela parecia da idade da garotinha ao seu lado, literalmente gritando que nem maluca e tudo mais. Não que isso seja ruim, é legal que ela tenha esse gosto e tudo. Acho lindo o amor que um fã tem. Era só diferente. A menina tinha idade pra ser uma aluna dela.

Quando o show acabou, ela seguiu sem nem me perguntar nada, em direção ao camarim. Espero que seja para conhecer a tal cantora, e não para fazer barraco com a mãe do meu filho.

A fila da Marjorie me surpreendeu. Devia ter mais de cinquenta pessoas que queriam ver a ídolo de Laura. Fiquei esperando do lado de fora, a uns três passos dos seguranças. Demorou cerca de vinte minutos para que finalmente fosse a vez da minha companhia.

***

P.O.V. Laura

Nunca pensei que ia me divertir tanto em um show sentada. Sentei do lado de uma amiga que conheci na internet, uma garota de treze anos que também era fã de Marjorie Estiano. Não resisti a gritar feito maluca quando a vi, sem me importar com o fato de que o amor da minha vida estava do outro lado. Ele teria que me amar assim, se quisesse.

Entrei no camarim, já com o rosto molhado das lágrimas. Marjorie estava de pé atrás de uma mesinha com bolo e café. Ela tinha uma xícara dos Beatles nas mãos, e uma fumacinha saía do café que ela tomava.

Ela me sorriu, aquele sorriso deslumbrante. Como podia ser tão linda? Minhas pernas paralisaram na entrada do camarim, meu coração batendo muito forte e um estranho tremor nos pés que eu nunca tinha sentido antes fazia tudo parecer mágico. E minhas mãos e pernas tremiam tanto que parecia que eu ia cair no chão a qualquer momento.

Marjorie riu, e aproximou-se de mim, me abraçando com carinho, vi minhas lágrimas molharem seu ombro. Eu quase não quis a soltar.

– Eu acabo de realizar meu sonho – eu sorri.

Ela sorriu de volta, tímida como sempre. Pensei que ia acordar, como sempre acontece nessa hora, mas só o que aconteceu foi que o segurança me tirou de lá.

Vou agradecer Edgar pelo resto da minha vida por isso.

***

Ela veio de lá sorrindo e chorando, me deu a mão e saiu me contando o que acontecera lá dentro, como se nada tivesse acontecido. Dei de ombros e entrei na conversa, sorrindo, feliz por ela estar feliz com o que proporcionei a ela.

***

– Mas não quero que você fique, Laura, quero que vá comigo! – o pequeno Elias me olhava com aquele rostinho pequeno e moreno, onde eu via minha melhor amiga falecida e meu irmão que estava longe misturado entre suas feições.

– Seu pai está lá, anjinho – eu sorri, meus olhos lacrimejantes, não querendo abandonar aquele ser de meio metro.

– Meu pai é legal, mas você também é legal – ele balbuciou, fazendo beicinho, meu coração sendo chicoteado lá dentro do peito.

Virei de costas pra ele, batendo o pé feito criança.

– Ai, garoto, você não devia fazer isso, não é fofinho, é maldade.

Ele me olhou, os olhinhos arregrados.

– O que eu fiz, tia?

Eu sorri.

– Nada, meu amor, nada, você é um anjo! – segurei o rostinho dele e dei um beijo na testa – Vou pro Rio Grande do Sul com você e seja o que Deus quiser!

***

Se Deus quis, nunca fiquei sabendo, mas soube que Edgar não queria logo que liguei para ele.

– O quê? – ele gritou – Ficou maluca? Mas e quanto a mim?

Eu ri, da pergunta dele.

– Você o quê? – fui irônica – Tem um filho pra criar, Edgar, eu ainda tenho uma vida toda pela frente. Não quero responsabilidades.

Ele fungou do outro lado da linha, resmungou um ‘ok’ meio sussurrado e desligou. Eu limpei minhas lágrimas, o coração apertado por deixar tão longe, alguém que eu sabia que ia fazer parte da minha vida para sempre.

P.O.V. Edgar

Poucas semanas depois do show, veio a notícia. Laura tinha pedido demissão na escola que demorara tanto para conseguir, para se mudar com os pais para o Rio Grande do Sul. Seu pai fora transferido para o hospital Divina Providência, em Porto Alegre, e Laura até queria ficar no Rio, mas a mãe fez um drama, e Elias também. Parece que o garotinho acabou conquistando a menina, que não estava nem um pouco mal por me deixar aqui.

Tudo bem, ela tinha razão. Eu fui um idiota. O que fiz foi uma grande merda, e eu mereci a falta de consideração e amor dela. Só torço todos os dias para que ela esteja feliz, onde quer que esteja. Com quem esteja. O que quer que esteja fazendo. Quem ama torce pra que a pessoa seja feliz. Mesmo que longe de mim.

Notas finais
Então, gostaram da Marjorie em dose dupla (no abraço da Laura e da Marjorie?) Falei que ia usar muita coisa da Mah misturada por aqui, como grande fã que sou... Então nos próximos vão ver um pouco de Manu e Bibiana na nossa Laurinha... Claro que vai dar Laured no final, antes que alguém pergunte ;)