Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo. Fiz o máximo que pude pra fazer tudo muito Laured, mas bem, sou só uma amadora. Comentem, por favor *_*

Fazia muito calor.

O sol escaldava no terno preto de Edgar, que dirigia com ansiedade, a mensagem de Laura lhe fritando os neurônios. Que é que queria essa mulher com ele? Batia os dedos no volante, seguindo o ritmo da música que tocava.

Ainda indeciso e com medo de ferir os próprios sentimentos, viu que estava perto da rua que morava a garota que não lhe saía dos pensamentos.

Chegou na esquina, decido a seguir em frente, mas o coração ainda brigava com a mente. Quase no desespero, já em cima da rua e sem chance de dar o pisca, virou o volante.

- Você é burro, Edgar — dizia a si mesmo, quando parou em frente a casa de dois andares que conhecia bem — Essa garota vai machucar você até que se canse.

Deu de ombros e puxou o freio de mão, girando a chave e esperando alguns segundos até que o carro destravasse. Respirou fundo, abriu a porta, ajeitou o terno amassado e apertou a campainha.

O portão da garagem se abriu e ele entrou sem saber se estava fazendo o certo. Talvez não.

***

Laura sorriu quando viu o melhor amigo entrar com terno e tudo dentro da casa. Suas mãos suavam, mas ignorou o fato.

Entregou a taça de champanhaque tinha em uma das mãos a ele, e bebeu a outra num meio sorriso, depois, beijou-lhe o rosto.

- O que queria? — ele perguntou, a voz claramente nervosa.

Laura riu, apontando a mão ao sofá da sala, onde a TV estava ligada no menu de um filme de comédia romântica.

- Laura, eu... — ele tentou falar, mas ela fez sinal pra que ele se calasse. Dando de ombros, Edgar se sentou em frente a TV, o balde de pipoca esperando os dois na mesa de centro.

Assistiram o filme em silêncio, ambos nervosos demais para emitir qualquer som. O filme terminou, dando lugar aos créditos, e enfim, Laura virou-se para ele.

- Edgar, eu sei que vocês homens tem necessidades que a gente não entende — ela falou meio de cabeça baixa — E bem, eu quero que continue com nossa amizade, entende? Quero que me escute quando precisar, e que seja meu melhor amigo. E se pra isso, preciso te dar o que quer de vez em quando, eu não me importo.

Ela respirou. Edgar a olhava, surpreso, percebendo finalmente onde queria chegar.

- Eu também desejo você — o rosto dela se avermelhou — As vezes tenho sonhos estranhos e... — ela suspirou — Quero você, Edgar.

O garoto ficou olhando a mulher a sua frente, como se estivesse sonhando, meio surpreso demais para qualquer reação. Laura acabara de confessar que tinha sonhos eróticos com ele, o que em si, já era esquisito. E agora essa, de estar agindo como se tudo o que ele quisesse com ela fosse... Bem, vocês sabem. Esquisito, muito esquisito. Olhou a mulher a sua frente, uma beldade, talvez areia demais pro caminhão dele. Mas era ela quem ele queria.

Laura, percebendo o nervosismo do amigo, fez o que tinha planejado. Pôs seu corpo em cima do dele, e suave e sensualmente, tocou seus lábios no dele.

Edgar abraçou a cintura dela, envolvendo-a num abraço que fez com que o corpo de ambos ardesse de desejo. Os dois corpos se completaram, unidos, quase como almas gêmeas. Laura sorriu, pronta a encostar os lábios nos dele.

Por sorte, Edgar foi mais forte que o próprio desejo.

- Laura — repreendeu, com educação, tirando o corpo da garota de cima do seu — Você entendeu errado, não a quero dessa forma.

A garota se sentiu como se acabasse de levar um tapa na cara.

- Não me quer? — Laura engoliu o choro, pronta para não demonstrar qualquer sentimento bobo — Mas, Edgar, você...

- Tentei te beijar — ele enrugou a testa, as coisas meio incompreensíveis pra ele — Laura, você pensa mesmo que eu só queria... — ele gaguejou — Isso com você?

Ela assentiu, meio confusa, sem entender o que Edgar queria dizer. Uma lágrima traidora escorreu.

Ele limpou a lágrima com o dedo polegar, segurando delicadamente o rosto dela com a mão.

- Laura, eu te amo — dizer aquilo pareceu tão sincero que ele mesmo se surpreendeu — Sei que sou o garoto bobo do século por não aceitar o que você preparou, que qualquer outro idiota aceitaria, mas... — Não posso aceitar o que você tá pedindo, não posso te desrespeitar dessa forma, não seria honroso da minha parte. Eu não sou desses que acha que virgindade é importante, nem nada disso, mas...

Ele ergueu-se, deu um beijo na testa dela e acabou o discurso em pé.

- Jamais me perdoaria se fizesse, eu sinto muito. Você para mim é a mulher que eu quero me casar. Não faria uma coisa dessas com você só porque acha que é só o que eu quero. Eu quero você, sim, mas quero por completo. Quero que seja toda minha.

E saiu porta afora, com medo de ceder aos desejos que ele também sentia. Destravou o carro, sentou no banco e bateu a cabeça no volante, furioso consigo mesmo.

- Você é um idiota, Edgar — bufou — É o mais burro dos homens. Mas ao menos se orgulhe do que fez, estará sendo um pouco menos idiota.

***

Estupefada pelas palavras de Edgar, Laura chorou, inconsolada. Não estava triste, sabia que ele tinha sido o mais gentil dos garotos, mas só que pra ela, isso era tudo tão confuso. Não sabia se existia alguém alguém de verdade.

Laura sempre foi uma garota ingênua. Acredita em contos de fadas, e que ia encontrar seu príncipe encantado, Seu sonho se desfez aos quinze anos, quando Humberto, seu melhor amigo na época, lhe convidara para um cinema. Toda empolgada, ela foi, e bem, acabou bem pior do que ela esperava.

***

[flashback]

3 anos antes...

O shopping passou antes que ela tivesse falado alguma coisa. No banco do carona, Laura enrugou a testa, virou na direção de Humberto, que tinha um sorrisinho presunçoso nos lábios.

- Onde está me levando? — indagou, já nervosa, pronta para se atirar do carro se fosse preciso.

- Ah, desculpe — ele sorriu — O lugar é uma surpresa, por isso não disse nada a você.

Ela se tranquilizou, olhando a janela. Seguiam por um caminho que ela não conhecia, cada vez mais para longe da área nobre do Rio, em direção a periferia.

Finalmente, ele parou onde um condomínio estava sendo construído, e como era domingo, tudo estava vazio e silencioso. A casa mais perto estava a um meio quilômetro de distância, e ela estremeceu.

Humberto se tornara seu melhor amigo há meses, e ela confiava nele com a mão no fogo. Contava tudo a ele, e vice-versa. Eram como irmãos. Laura se apaixonara por ele, e não negaria se ele a pedisse e namoro.

Um sorrisinho saiu dos lábios do garoto a sua frente, e ela tentou correr e gritar, mas foi em vão. Foi agarrada pelas costas, teve sua roupa rasgada, foi estuprada, torturada, seus sonhos foram sumindo, até se transformarem em nada.

Queimara a mão.

***

Laura nunca contou nada a ninguém. Teve medo que lhe julgassem, ou colocassem a culpa nela. Chegou a pensar que estava grávida na época, o que a fez chorar por dias. Graças a Deus não era nada.

Ninguém sabia. Nem seus pais, nem seu irmão, nem suas amigas. Mas a ferida que aquilo causara em seu peito fez com que colocasse em si mesma a culpa do que acontecera. Ela acreditara nele. Fora até lá com ele. Ela mereceu. Ele só estava sendo homem. Eles não podem controlar seus instintos.

Desde então, não quis confiar em homem algum, a não ser o pai e o irmão. Edgar foi o primeiro amigo homem que teve depois do que aconteceu, e quis evitar uma nova decepção dando a ele o que queria.

Mas Edgar não era um homem comum.

Ele era seu príncipe.