Notas iniciais
Ei meninas tava meio sem criatividade pra postar... Esse calor tá fritando meus poucos neuronios kk Vamos ao que interessa...

(NARRADOR)

O calor em Porto Alegre era insuportável. Todos procuravam se refrescar conforme podiam, piscina, praia, bermuda no trabalho. Mas médicos não podem aderir a proposta nova.

Rodrigo ia de bicicleta em direção ao hospital. Nunca gostou de carros, e o calor que fazia agora, dava um suador do cão. Ainda por cima tinha que usar calças jeans e camiseta. Por sorte, o hospital era equipado com ar condicionado em todos os lugares. Mas havia os quinze minutos até lá, que o estava fazendo pensar seriamente na compra de um carro com o tal ar.

Rodrigo era um homem livre. Acostumara-se a vida com muitas mulheres, e o casamento o estava deixando maluco.

Foi assim que passou a ter um caso com uma das enfermeiras, uma morena linda, de olhos grandes e pretos como jabuticaba. Nunca queria que Laura ficasse sabendo disso, não os queria magoados. Amava Laura como amava a si mesmo, ela partr sua. A tal enfermeira, Suzi, era só um corpo pra ele. Satisfazia suas necessidades. E em troca, recebia presentes.

Mas era pela nova enfermeira que sentia mais desejo. Era uma loira bem branca, de nome Hazel, que gostava de música e tocava violão. Ela já se apaixonara por ele, ele sabia. Ainda não o queria, porque sabia que se tratava de um homem com dona.

A jornada no hospital o fez esquecer da sua mulata e sua alemã. Era agora um homem sério e responsável, pai de família e um médico respeitado, que salvava vidas.

***

P.o.v Laura

Meus filhos cresciam a cada dia, sempre saudáveis e felizes. Flora se tornara minha melhor amiga, e por muitas vezes aparecia para jogar conversa fora, na ONG, enquanto as crianças brincavam na água. Eu usava um vestido branco com bolinhas pretas, mas o calor era insuportável.

– Laurinha — gritou Flora, do outro lado do gramado — Como anda?

Conversamos por um algum tempo até completar meu horário. Resolvi levá-la ao hospital para trabalhar, e podia aproveitar para levar uns bombons para Rodrigo, antes de ir buscar as crianças na creche.

Fomos rindo e conversando entre os corredores, e deixei Flora na ala dela, de crianças com câncer. Olhá-las me deixava pareensiva, sempre pedia a Deus por elas. Me lembravam de Anita. Talvez Ele tivesse a levado de mim por amor, para que eu não a visse sofrendo quando tivesse idade pra entender. Dizer a uma criança que ela está morrendo deve ser pior que levar um tiro na cabeça.

Caminhei mais um pouco até a neurologia. Perguntei a Alice, a linda menina com cara de boneca que era a secretária de Rodrigo se ele estava com pacientes e ela fez que não, um sorriso maldoso nos lábios, que eu ignorei.

– Vou entrar, pra fazer surpresa.

Abri a porta sorrindo. A cena que vi, foi horrível. Rodrigo estava chupando os peitos de uma mulher muito branca, enquanto uma mulata lhe fazia um oral.

Cuspi no chão com nojo e saí chorando, mas devagar como forte que eu era. Alice deu uma risadinha quando eu passei.

Não contei nada a Rodrigo.

***

P.o.v Edgar

Quando tudo passou, e eu acostumara com a ideia de ter meu irmão e sua amante na cadeia, resolvi fazer uma visita minha melhor amiga no sul.

Ela me ligou quando eu saía do aeroporto, em direção a casa dela. Estava chorando. Sem conseguir falar o que acontecera, disse que estava indo pra lá.

– Pode me fazer un favor? — ela pediu — Busque as crianças pra mim? Vou ligar pra lá para autorizar.

– Claro, Laura.

Busquei as crianças e aluguei um carro com cadeirinhas para levá-las até em casa. Leonor já tinha dois anos, e seu irmão estava com quatro. Eram crianças lindas e muito parecidas com o pai. Depois de deixá-las na casa da vó, onde já estavam os primos, Júlia, de cinco anos e Elias, agora com oito.

Parti para casa de Laura. Ela correu na minha direção e me abraçou, chorando muito. Ajudei para que ela entrasse e deitei ela na cama.

– Eu vi Rodrigo com duas ao mesmo tempo, Ed — a raiva que já existia em mim me dominou e eu apertei os pulsos, para não dar um soco na parede. — Foi horrível.

– E você não vai terminar com ele, acertei? — ironizei.

– É claro que não, tenho quatro crianças pequenas pra cuidar — ela bufou — E eu o amo, amo muito.

Baixei a cabeça e fiz que sim. Laura estava sofrendo, mas traição pra ela era natural em homens e um direito das mulheres. Ela se dizia feminista, mas tinha ideias malucas.

– Eu o odeio — resmunguei.

Ela riu.

– É claro que não, você só está vom raiva dele.

Fiz que não, mas não disse nada.

– Ele é um pai e um bom marido — ela me lembrou.

– Ele magoou você — eu cuspi as palavras, com raiva.

– Tenho certeza que ele não quis isso — ela ergueu meu queixo pra que eu a olhasse — Ele não queria que eu soubesse, vou fingir que não sei.

Nossos olhos se encontraram e eu fui obrigado a fazer que sim.

– Tem razão, ele não quis machucar você.

– Como está se sentindo, Ed? — a expressão dela mudou imediatamente de alguém que precisa ser consolada para algum que consola — Está melhor?

Eu sorri.

– Muito melhor — respondi — Vou ficar bem quando voltar.

Ela sorriu.

– É bom te ver sorrir de novo — ela disse.

– É bom saber que está feliz com ele — sorri.

Senti algo diferente entre nós. Algo que não tinha a ver com nossa amizade. Sem pensar, estava aproximando meu rosto do dela, nossos olhos muito perto. Estavamos prestes a nos beijar quando ela virou o rosto.

– Desculpe — ela disse — Sou casada, Ed.

Revirei os olhos.

– Como se ele tive se importado com isso quando estava lá com o café com leite.

Ela ruborizou, depois franziu a testa.

– Café com leite?

– É como os homens chamam ir para a camam com uma negra e uma loira.

– Oh — ela fez.

Ela podia até ter se afastado, mas ela sentiu vontade de me beijar.

Isso bastava pra mim.

Notas finais
Obrigada a Bia, que seu a sugestão que fez o capítulo surgir. Mais sugestões, meninas?