Amizade Colorida

8 Amor e Perdão Capítulo Extra


Notas iniciais
Pra quem não sabe, capítulo extra não faz parte da fanfic. Normalmente nos leva ao passado, para entender certas coisas no presente. Achei que vocês mereciam um, já que demorei tanto pra postar da última vez, e nossa novela favorita ganhou o Emmy *** Lado a Lado, melhor telenovela do mundo! ***

– Vamos, Laura, estamos atrasadas! – gritava Isa pra mim, o entusiasmo evidente em seus olhos – Não quer perder sua primeira aula de teatro, quer?

Eu, Isabel, Alice e Sandra éramos colegas de escola, quando tínhamos catorze anos. Sandra e eu sempre fomos o “juízo” do grupo. Alice era a livre de nós, não havia quem não tivesse beijado, e isso incluía as meninas. E Isabel vivia de amassos com Zé Maria, um mestre de capoeira bem conhecido no Rio de Janeiro.

É claro que nós quatro, como amigos que éramos, compartilhávamos segredos. Eu sabia que Beto, meu irmão mais velho, já conseguira beijar Isa, apesar de seu romance. Mas meu irmão não era alguém que se pudesse namorar, ele andava com quase todas.

– Onde afinal fica esse teatro, já estou cansada – reclamou Alice, que viera de vestido rosa e salto alto, enquanto o restante de nós preferira a calça jeans e o all star.

Isa revirou os olhos.

– Claro que tá, Lice, avisei pra vir com algo confortável.

Isa era bolsista na escola onde a gente estudava, em Copacabana. Claro que isso não fazia dela diferente. Todas tínhamos nossas particularidades.

Eu era a leitora da turma, sempre sabia dos lançamentos, e tinha um blog. Alice era a expert em garotos, inclusive quando se tratava de sexo, mas também era fã de moda. Sandra era viciada em psicologia, e tinha a mania de analisar a pessoas. E Isa era a líder natural, sempre destemida e pronta pra aventuras.

Estávamos na rua do Ouvidor, quando vi eles saírem do Café Imperial. Meu coração parou, Isa riu, Sandra soltou um resmungo e Lice soltou um sorriso.

O grupo de garotos estava com o uniforme da nossa escola. Umberto saiu primeiro, rindo de uma piada qualquer. Atrás saiu Edgar – meu Edgar — , Beto, Jonas, Fernando e Teodoro.

Eu sempre fui um pouco apaixonada por Edgar, mas ele era o companheiro do meu irmão nisso de “pegador” da escola, e me via como a garota nerd. Jonas, outro bolsista, era tímido demais pra falar com Alice, a garota popular, mas minha prima o amava. E Sandra era louca por Teodoro, o garoto comportado que andava com os populares.

– O Ed te olhou, Laura – piscou Isa, me zoando – Dá uma olhada em vocês, parecem cadelinhas em frente a uma máquina de galetos.

– Cadela é sua mãe – riu Alice, sem tirar os olhos de Jonas.

Isa deu de ombros e andou em direção deles, decidida.

– Psiu – fez e todos olharam para ela – Oi, Beto. Pensei se não ia querer dar uma escapadinha mais tarde. Estou livre as dez.

Eu e Sandra nos olhamos, revirando os olhos.

– Onde esse mundo vai parar – resmungou Alice – Pobre Zé.

Dei um tapa de leve, brincando, na cabeça da minha prima.

– Olha quem fala!

– Nunca enganaria alguém assim – ela me olhou, quase brava – Eu faço mesmo o que tenho vontade, mas sem fazer ninguém de idiota.

Engoli em seco. Alice tinha razão. Nunca julguei nenhuma das duas, mas o que Isabel fez com Zé é maldade.

– E então, ao teatro? – convidou Isa, liderando como sempre.

Viramos as costas, na direção contrária deles.

– Ei, Laura – era a voz de Umberto – Ouvi falar que gosta de ler.

Fiz que sim com a cabeça, já virada pra ele.

– Toma – ele me entregou um livro preto, fino, de nome Descanse em Paz, meu amor... – Não sei se curte Pedro Bandeira, mas achei que fosse gostar desse. É um presente.

***

Em menos de um mês, eu e Umberto nos tornamos melhores amigos. Ele sempre me dava os livros que gostava, e eu os devorava em segundos.

– Tem compromisso hoje? – ele perguntou, pela quarta vez naquela semana.

Fiz que sim com a cabeça.

– Tenho que dar aula.

Eu tinha cinco atividades semanais nessa época. Teatro, samba, clube do livro, inglês e dava aula de reforço para crianças. Tirando o inglês, que era coisa da minha mãe, o resto eram coisas que eu gostava.

– Falto o inglês na semana que vem, pra ir onde você quiser – sugeri, inocente.

Ele riu, seus dedos tocando minha pele, no rosto, me arrepiando.

– Não se da a opção de escolha de lugar a um homem, sabia?

Eu ri, levando na brincadeira.

– Pode escolher o lugar.

Não foi minha culpa. Tento me dizer isso todos os dias. Não funciona.

Se arrependimento matasse...

***

Depois do que aconteceu, fiquei por dois dias trancada no quarto, sem querer comer ou sair. Isa veio me ver, preocupada também, mas era por outro motivo.

– Laura, Zé e eu terminamos – ela choramingava, sentada na minha cama.

Dei um jeito de me recompor, esquecer minhas dores e lembrar que precisava consolar uma amiga.

– O que foi que aconteceu? – indaguei.

Ela suspirou.

– Estou grávida – explicou – Do seu irmão. Eu e Zé nunca fizemos nada, então ele não me quis. Disse que o que fiz não tem perdão.

Mordi o lábio, obrigando-me a não concordar com o mestre de capoeira.

– Isa, você sabe que o que fez não foi legal, não sabe? – ela assentiu – Então, vai ter que se humilhar e pedir perdão agora, tem que tentar reconquistar seu amor.

Ela me abraçou forte, a dor que eu tinha não foi embora, mas ficou escondida em algum lugar pequeno dentro do peito.

***

Zé Maria a perdoou, e eles foram morar juntos no morro. Meu sobrinho, Elias, hoje com três anos, é criado pela minha mãe, que apesar da relutância no início, acabou por aceitar o neto.

Zé e Isa podem ter morrido há um ano, mas houve uma coisa que me ensinaram e nunca vou esquecer. O amor supera qualquer erro. O perdão existe, sim.

Notas finais
Como amo o Elias, resolvi deixa-lo vivo, como merece. Então, o que acharam? Fui muito má com a Isabel? E fiz mal em deixar a Alice "periguete"? Comentem, deem opiniões, sugestões, insultos, críticas, o que quiserem, vai lá ;)