Amizade Amaldiçoada
2 Capítulo 1 – Essa escola é... diferente?
Notas iniciais
Ainda me lembro do que aconteceu semana passada... Aquele som extremamente reconhecível para mim, de um corpo caindo sem vida no chão, na minha frente. Sangue, pessoas gritando, tudo novamente. Não lembro quantas vezes isso já aconteceu, perdi as contas. Devo ser alguém realmente desprezível, afinal, por onde eu vou acontece algum tipo de morte. Não podia ter amigos, os que tentei, morreram. Assim como meus pais, e inúmeros colegas de classe. Pois é, matei todos, e sequer encostei neles.
Agora aqui estava eu, a caminho da mais nova escola. Mais uma vez transferida. Por mais que eu quisesse, não podia evitar essas coisas. Ela deve ser igual a todas as outras. Me aceitando por causa de dinheiro, que meus tutores dão para abafar as mortes, ou então algum interesse científico, estudar-me ou usar como armas. Sem contar as religiões que algumas me consideravam uma aberração –como sou- e outras como um tipo de Deus. Todos patéticos.
Mas estava surpresa, nunca imaginaria que justo essa escola me acolheria. Ainishi Gakuen, uma renomada escola. Dois tipos de pessoas estudavam ali. A elite, que tinha muito dinheiro, ou pessoas com algum tipo de “dom especial”. Não sei como meus tutores conseguiram me colocar aqui. Mas eles me garantiram que, dessa vez, haviam achado a escola certa para mim. Mas não sei dizer, eu não acreditei muito... Nenhum lugar nunca me aceita completamente.
Essa escola ficou muito tempo nas sombras, ficando reconhecida a pouco tempo. Ela até mesmo serve como um tipo de “Órgão de Defesa” do país, já que forma inúmeras pessoas com habilidades distintas. Bom, de qualquer forma, devem só estar interessados na minha maldição. Talvez a usem como um tipo de “preparo” para seus alunos.
Estava me aproximando da escola, já conseguia a ver a distância. Parei no sinal vermelho da rua, escutando o primeiro sinal da escola. Pelo que eu lembre das regras, todos os alunos já devem estar em suas salas no segundo sinal. Mas também não me preocupei em chegar atrasada. O que adiantaria ser boa aluna e tudo mais, se mais cedo ou mais tarde acabaria transferida novamente?
Olhei em volta e notei vários alunos que também estudavam na Ainishi parados ao meu lado. Suspirei cansada. Seria difícil me acostumar.
Estava meio perdida com meus pensamentos, quando sinto alguém esbarrar em mim. Foi tão repentino que nem tive reação de tentar me equilibrar, apenas esperei a queda, colocando meus braços na frente do meu rosto. Mas a queda não veio.
-Opa! Me desculpe! –Escutei uma voz logo ao meu lado, enquanto sentia um braço me segurando pela cintura, evitando que eu caísse.
Olhei para o lado, e vi um garoto que parecia oriental, cabelos curtos e lisos, e tinha um pouco mais que a minha altura. Ele também usava o uniforme da Ainishi.
-Não foi nada. –Falei enquanto me equilibrava novamente.
-Não, sério, desculpe. Eu sou meio desastrado, e na maioria das vezes levo pessoas junto com meu descuido. –Falou rindo um pouco. –Fico feliz que pelo menos dessa vez ninguém se machucou.
-Sem problemas. –“Com certeza eu sou muito pior que você” pensei.
-Mas você parece ser nova por aqui. Ou posso estar enganado também. Sou meio desligado, além de desastrado, então não seria incomum se você já fosse daqui e eu só não reconhecesse! –Ele riu mais um pouco
-Eu sou novata mesmo. –Falei meio curta. Não queria conversar muito, para que ele não fosse mais uma das “minhas vítimas”.
-Bom! Então seja bem vinda a Ainishi! Ah! Melhor se apressar, não seria legal levar bronca do professor logo no primeiro dia por atrasos. –Falou o garoto que começava a atravessar a rua, no qual o sinal acabara de abrir.
E, nesse momento, senti novamente aquela presença. Aquela mesma de quando vai acontecer alguma coisa muito, mas muito ruim. Me arrepiei. Não poderia ser, certo? Era apenas o primeiro dia de aula.
Foi quando escutei um estrondo, e pessoas começaram a gritar. Estava vendo o garoto que acabara de falar comigo sendo acertado por um caminhão desgovernado, caindo no chão, ensanguentado. Parecia ter quebrado o pescoço, também.
Olho por entre a multidão o vejo. A mesma “pessoa” que está sempre presente quando acontece isso. Ele soltava um pequeno sorriso. Desaparecendo da minha vista em seguida.
Tentei segurar o choro. Eu já devia estar acostumada, certo? Afinal, é só isso que acontece na minha volta. Mas ainda tinha uma pequena esperança que isso parasse.
Ignorei o bolo de pessoas que se formavam perto do acidente, e atravessei a rua, indo diretamente para o imenso portão da escola. Assim que entrei no prédio, peguei um pequeno papel do meu bolso e vi minha sala: “2-A”, e fui a procura.
Não demorei muito para achar. Essa escola parecia seguir o padrão das outras. Segundos anos no segundo andar. Parei na frente da porta e respirei fundo. Quando a abri, os alunos que se encontravam ali, conversando, pararam por um momento para ver quem era, mas em seguida voltando ao que estavam fazendo.
“-Fui ignorada... Pela primeira vez...” —Pensei comigo mesma. Mas era melhor assim. Quanto menos me envolvesse com essas pessoas, menos morreriam.
Caminhei pelas mesas vazias, vendo uma próximo a janela. Por algum tipo de coincidência, aquela mesma tinha meu nome. “-Pelo visto não errei de sala mesmo.” —Pensei enquanto me sentava.
Assim que me ajeitei, escuto o segundo sinal tocar. Em seguida, um homem de idade avançada passa pela porta. Parecia ser o professor, já que todos os alunos pararam as conversas e sentaram-se. O homem foi até o meio da sala e começou a falar, mas parecia que quase não aguentava fazê-lo.
-Temos uma nova aluna nessa classe. Por favor, se levante.
Relutantemente, me levantei, fazendo todos olharem para mim. Em seguida o professor continuou.
-O nome dela é Lana, espero que todos a ajudem e a tratem com respeito. Filha, gostaria de dizer alguma coisa? –Balancei a cabeça, em sinal negativo. Não pretendia fazer amizades, então achei melhor não falar nada. –Certo, pode sentar-se. Bom vamos começar com a aula de hoje. –Falou enquanto virava para o quadro.
Em seguida, ouviu-se duas leves batidas na porta, seguido por um “entre” concedido pelo professor.
A porta fica entreaberta, e alguém passa por ela.
-Ah, é você. Entre logo, apenas hoje será perdoado pelo atraso! –Dizia o professor, como se já estivesse acostumado com isso.
-Ahahaha! Desculpe, professor! Juro que amanhã chego na hora! –Eu não estava prestando atenção na pessoa até ouvir a voz.
Levantei rapidamente meu olhar para a frente da sala, notando o garoto que estava lá na frente com um sorriso culpado. Sem me controlar, me levantei batendo uma das mãos na mesa enquanto falava, assustada:
-V-Você?! –Isso chamou a atenção de todos, inclusive do professor e do garoto, que me olhou de uma forma não decifrável.
-Algum problema, filha? –Perguntou o professor com aquela voz fraca.
Rapidamente balancei a cabeça, negando, e sentando rapidamente enquanto me encolhia na mesa. Escutei um “Sente logo, filho, que a aula já começou”. Eu estava atordoada com meus pensamentos. Aquele garoto, ele havia morrido certo? Eu o vi! Vi o sangue! Vi tudo! Então como... como ele estava ali?
Ainda meio perdida, vejo uma garota, um pouco baixinha, na minha frente se levantar.
-Professor! –Chamou a atenção. –Por que o Izay está aqui? Ele não deveria estar na sala do terceiro ano?! –Então o nome dele é Izay... acabei nem me apresentando mais cedo... Mas o que isso importaria?
-Hããã, ele se atrasa rotineiramente, então essa semana ele participará dessa sala, como forma de reforço. –Falava o professor, meio cansado de ter que explicar isso.
-Mas ele é o mais idiota e desastrado desse colégio! É quase um mau agouro! Ele deveria ficar na sala 2-F, que combina mais com ele! Afinal, lá só tem fracassados igual a el...
“Legal.” Pensei “Essa é daquelas turmas que se acham superiores...”
-Senhorita Jeni! As ordens veio do diretor, não posso interferir. E se contenha, por favor! –Falou o professor, claramente irritado com o comportamento da garota.
-Sério, o que esse diretor tem na cabeça? –Resmungava enquanto se ajeitava novamente em sua mesa.
-Interessante. –Nesse momento todos olharam assustados para a frente da sala. –Acho que vou ficar aqui essa semana também.
-Atom?! –Falou o tal Izay, impressionado com o garoto. Ele era diferente de todos que eu tinha visto até agora. Era alto, com um cabelo preto curto num corte meio, como chamam, “rebelde”, acho.
-Poxa, Izay. Devia ter me falado isso. Teria me preparado melhor. –Falou o garoto dando um pequeno sorriso irônico.
-Ãhn, desculpe?
-Mas o que o Atom faz aqui agora? –Escutei alguém falando no fundo.
-Ele é um dos melhores do terceiro ano, não é? –Outra pessoa falava ao meu lado.
-E o que você ganha com isso, Atom? Vai ficar se gabando por aqui dos seus poderes?
-Há! Claro que não, Marlon. — Falava o garoto alto, enquanto se dirigia ao final da sala, sentando numa das mesas vazias, com izay ao seu lado. -Apenas acontecem coisas interessantes perto do Izay. Não quero perder nada. –Ele falou isso enquanto passava por mim e me olhava, com um sorriso que parecia que sabia de alguma coisa. –Parece que as coisas irão ficar interessantes a partir de agora.
“-O que é essa escola afinal de contas?!” –Pensei, confusa. Mal sabia que as coisas só ficariam cada vez mais, e muito mais confusas com o passar da semana.
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