Notas iniciais
*____*

Camila tentava alcançar Francesca a qualquer custo, mas a garota estava se divertindo na sua bicicleta de cor creme e de modelo vintage, lembrava suas raízes italianas pensava a garota.

Francesca parou e olhou para o cabelo ruivo contra o vento vindo em sua direção.

– para uma garota que acabou de aprender a andar não está nada mau ruiva.

– pare de zoar!

– mas que culpa tenho eu se você não teve infância? – a ruiva bufou aumentando suas bochechas cheias de sardas – wont! Não fique com raiva, está indo muito bem.

– Graças a você é que não foi não é..

– na verdade queria comentar mesmo sobre isso, e aí? – ela arqueou as sobrancelhas.

– e aí, o que?

– você e o Federico? Quer dizer, o Broadway voltou para o Brasil assim que terminaram as férias, e o Fê tá solteiro e ainda te ensinou a andar de bicicleta na ultima semana. Teve que ter rolado algo não?

– meu Deus Francesca Beline! Faz uma semana que ele terminou com a Ludmila, ele não pode está interessado por mim – agora foi a vez da morena bufar.

– ele terminou com a oxigenada sem mais nem menos, isso sem falar nessa amizade estranha entre vocês, e ele não liga mais pra ela, quando soube que a Ludmila estava de rolo com o Marco ele nem ligou.

– por fora ele demonstrou isso, mais ninguém sabe por dentro – Francesca revirou os olhos.

– quer que eu desenhe? Meu. Primo. Está. Interessado. Em. Você. – ela estava cansada de dizer isso, Federico não parava de perguntar como a Camila estava pós termino com Broadway, isso mesmo fazendo já vários meses que tinha ocorrido o “incidente”, mas será que a ruiva tinha razão, Federico sempre foi amoroso com as pessoas que o cercam, preocupado nem se fala – quer dizer... eu acho.

– vendo! Pare com isso! Pare de me iludir!

– calma... calma... o que diabos está acontecendo?

– esse livro! – ela tirou o livro de dentro do casaco grosso que a protegia do péssimo (de acordo com Camila, discordado por Francesca) inverno de Buenos Aires, que infelizmente era desprovido de neve – você já leu isso?

– não, Martino que era amigo da minha mãe e ainda mantem contato com o meu pai, ele mandou o livro pra mim, estava sem vontade de ler e te emprestei.

– então isso é mesmo um livro editado e publicado?

– uhum! Porque a surpresa?

– pensei que você tivesse escrito...

– como?

– é a sua história, a sua e a do Diego, distorcida mais é.

– você deve está... – ela leu a sinopse e parou a frase, pegando a bicicleta se alegrava de hoje ter sido o seu último dia de aula, mais para que comemorar passas por prêmio se você estava na merda? Ela pensou.

– onde você vai?

– falar com meu pai, falar que já cresci.

***

Foi difícil mais Diego conseguiu focar novamente sua visão

Era um hospital, sem dúvidas era.

– olha aí! A bela adormecida acordou – se inclinando um pouco ele viu Tomás em sua típica camisa pollo azul sentado em um sofá sem graça com o notebook que pertencia a Diego nas mãos.

– o que faz com o meu computador?

– antes de tudo, oi Tomás, como vai? Ou melhor, como eu vou? Parece que eu não morri né?

– ainda não me respondeu.

– estou vendo se você ia deixar uma daquelas cartas suicidas aqui – antes de falar mais Gregório entra furioso na sala.

Ele joga um papel em cima do filho.

– o que e isso?

– leia.

Era uma carta de Francesca, olhando o envelope ele viu:

Para Diego

De Francesca

P.S. Por favor abra e leia, muito importante! E feliz aniversário.

– vaca!

– sua mãe não é uma vaca, está mais para cobra, mas, se quiser mudar o atual assunto da sua possível quase morte – ele estava furioso, Diego podia ver a quilômetros.

– está com raiva.

– hora! Eu?! Imagina se estou com raiva, quando descubro que meu filho está quase morto! E antes disso descubro que ele estava destruído e que não percebi! Que ele me preocupa mesmo sendo um... um...

– idiota – Tomás se intromete – burro...

– egoísta – Diego fala – a palavra certa é egoísta.

– egoísta, que meu filho EGOISTA tenta se matar!

– eu estava bêbado, não pensei direito, só queria que acabace – Gregório passa a mão pelo rosto em sinal de cansaço – me desculpe, eu realmente não teria feito isso se estivesse sóbrio.

– eu sei que não, nos anos que passei longe, sua mãe me contava o quanto você era determinado, não consigo ver isso no garoto que vi ontem a noite, no garoto que preferiu se matar a tentar recomeçar de novo – um silencio se estalou no lugar, e a raiva que antes estava se propagando pelo pai em pé ali, agora fora substituída por tristeza, e também por alivio de ver Diego olhando pra ele.

Mesmo pálido seu olhar ainda demonstrava que se sentia perdido, Gregório, como pai, queria ajudar, mas, como pai também queria dá uma boa surra em Diego pelo medo que fez o Homem passar. Ele sabia que a segunda opção ele não faria.

– para a nossa sorte você é um bom aluno – ele falou olhando para Tomás.

– há, é claro, está aqui – Tomás pegou um papel que ele tinha esquecido que havia trago – você passou. Conseguiu atingir todos os pontos antes mesmo de fazer algumas provas.

Diego revirou os olhos, já não ligava muito para suas notas.

– e o que é que tem?

– a sua mãe tem a Lola como desculpa de ficar no país, ela ainda tem algumas aulas. Isso nos dá espaço.

– para que?

– tenho um novo sócio de exportação na argentina, achei que quisesse ir para rever... bem... rever os amigos.

– depois de eu ter tentado me matar? Não acho que ela vai deixar, ela vai querer ficar me vigiando.

– aliás – Tomás falou – ninguém fora dessa sala sabe que você tentou se matar, eu te achei na piscina, chamei o seu pai, e, nos chegamos a conclusão...

– eu cheguei a conclusão – Gregório falou novamente – de que é melhor acharmos que você estava bêbado teve uma ideia idiota de entrar na piscina e se enroscou no tubo de limpeza.

– tinha um tubo de limpeza? E tem certeza que a mamãe não vai saber que você mentiu?

– mandei o Tomás colocar o tubo depois que te tiramos, e sua mãe não é idiota, mas o que ela não sabe e que eu também mudei assim como ela.

– e você acha que ela não pode, sei lá, achar que eu vou atrás da Francesca? Por que é isso que eu vou fazer assim que pisar naquele país.

– ela ainda acha que você odeia a garota, me devolva a carta que eu vou colocar que ela estava, na gaveta de calcinhas da sua mãe, o único canto que ela tranca com uma chave.

– pai eu não li! Quero saber o que tem escrito.

– seja lá o que for ela sem dúvidas acobertou sua mãe. Ou acha que ela seria capaz de colocar vocês um contra o outro?

– não, ela não faria isso.

– pois é.

Pegando a carta de volta Gregório saiu trancando a porta.

– então 007, cobriu direitinho os meus rastros?

– agora ficou feliz né?

Diego sorriu.

– vou poder sentir ela perto de mim de novo, sabe o quanto isso alivia?

– posso ter uma ideia. Mas, que tal falarmos com ela no Skype?

– oque?

Tomás se levantou com o notebook na mão.

– já solicitei uma chamada.

– Tomás eu estou em um Hospital!

– e o que isso impede?

***

– pai?! – Francesca gritava. Estava escandalizando dentro de casa.

– o que foi bonequinha?

– o que contou para o Martino??

– o que?

– sobre o Diego!

– siiimm

– que merda pai você realmente contou.

– o que foi Francesca? Ele e meu amigo e eu não sabia o que podia dizer a você em relação a isso.

– ele escreveu um livro.

– o que?

– o livro novo dele é sobre mim e o Diego.

– que merda o Martino tem na cabeça?

– merda pai, merda – Francesca saiu chorando, as esperanças de que ela e Diego voltariam estavam diminuindo, ela poderia perde-lo de vez depois disso, conseguia vê-lo com raiva de ser exposto.

Foi ai que ela ouviu o seu Skype dar sinal de vida. Ela não queria atender, tinha uma vaga impressão de ser Camila a importunando.

Mas foi ai que ela viu um D.

Era ele, seu coração entrou em um ritmo incontrolável e ela confirmou sem pensar duas vezes. Mesmo tendo a chance de escutar insultos.

***

– como conseguiu entrar no meu Skype? Eu não estava logado.

– não sou tão burro – se sentou do outro lado da cama, não vendo a tela do computador – mas ainda quero ver foto dessa garota viu?

Diego sorriu. Ele olhou para camisola de hospital e constatou que poderia parecer uma camiseta branca se levantasse o computador.

Então ela estava lá com uma cara inchada e olhos vermelhos.

– você tá chorando? Porque? – foi a primeira coisa que Diego pensou.

– Diego vamos direto ao assunto. Eu sei porque você me chamou.

– sabe?

– o livro, ser exposto, juro que vou dar o meu melhor pra falar com o Martino, ele escreveu por causa do meu pai, são amigos, eu estava mal e meu pai desabafou.

– a é o assunto do livro. Eu já superei isso, não precisa se preocupar.

– já superou? A ta – ela fez cara de tristeza e começou a chorara de forma silenciosa. Ele percebeu que ela achou que ELE tinha superado ELA.

– não Francesca! Não to falando que te superei. Quero saber porque diabos você me pois um par de chifres!

– eu... eu... não posso Diego eu não posso. Me desculpa, por favor me perdoa mesmo – ele viu que ela iria desligar.

– não por favor não desliga tá bem.

– Diego eu...

– parem por favor! Diego sabe de tudo garota!

– quem é esse?

– meu primo, Tomás.

– ele sabe o que Diego?

– eu sei que a sua sogra e uma doida desvairada que para ter uma família perfeita preferiu ver o filho triste e te usar nos planos diabólicos e insanos.

– ela contou pra você – Francesca sorriu – desabafou? Está arrependida?

– não, eu e meu pai descobrimos – o sorriso desapareceu – não fique triste, mas Fran, você ainda tem culpa devia ter me falado.

– quando ela me contou os planos de fazer você ficar com raiva de mim, você ainda não sabia que seu pai estava do seu lado, eu não concordei, estava esperando ela te dizer.

– Francesca eu..

– esperava realmente que você me contasse, que você confiasse em mim.

– eu sei, nós dois temos culpa, eu deveria ter falado contigo antes de ir.

– eu sinto saudades.

– eu te amo, amo muito – foi ai que Larissa entrou, e ele abaixou a tela desligando a chamada rapidamente.

***

Francesca sorria como se nunca tivesse se sentido assim.

– Francesca eu vim correndo pra saber como você está, mas eu não sou tão... – Camila parou ao vê-la sorridente – o que foi?

– o Diego, ainda me ama, ele ainda me ama.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.