Amigos, ou inimigos ??
30 23 de Novembro de 2014
Notas iniciais
23 de novembro de 2014 (domingo – aniversário de Diego)
Diego olhava pela janela do seu novo quarto, em sua nova casa/mansão no estilo colonial espanhol, a chegada da sua mãe e de sua irmã. Ambas saindo do carro sorridente, principalmente Lola que corria e pulava em direção ao seu pai dando um abraço que o mesmo retribuiu a rodopiando pelo jardim. Gregório esbanjava um sorrio invejável que oscilava ao ver Larissa, o fato de ela os ter enganado no passado nem tão distante ainda marcava a memória de ambos os homens da família, porem os mesmos sabiam que não demoraria muito até perdoa-la totalmente.
– de jeito nenhum essa camisa cabe em mim _ Tomás falou indo em direção ao primo, saindo do closet _ você usa quantos números amais? Parece até que vou voar.
– um número Tomás, eu não mandei você ser esse nanico _ Diego falou lembrando ao espanhol de olhos azuis que ele é um pouco mais auto, motivo da camisa ser maior.
– com certeza, girafona _ falou se posicionando na frente do espelho.
– não deveria nem ter me oferecido para empresta-la _ apontou para a camisa _ como pode ser idiota o bastante para chamar sua irmã de loira oxigenada do banheiro? _ perguntou o lembrando do episódio de 15 minutos atrás em que Érika enfiou a mão no bolo de aniversário, pegando um generoso pedaço de bolo de chocolate amargo, e esfregando na cara de Tomás e na sua blusa, logo depois do seu singelo comentário sobre a cor original do cabelo da garota _ agora nem tenho mais bolo para apagar as velinhas.
– como se você ligasse para isso _ mesmo com o atual estado raivoso dos garotos e o clima de briga, eles eram amigos, por incrível que pareça. Isso era apenas um efeito colateral da noite anterior.
– tem razão, colocaria tudo para fora se comesse um pedacinho só.
– também depois do porre de ontem _ mencionou lembrando as inúmeras doses de uísque que os dois tomaram, principalmente Diego _ em falar nisso, como a gente chegou aqui?
– sei lá, só sei que acordei só de cueca no meu quarto.
– e eu nu na beirada da piscina _ falou dando uma rizada.
– garotos?! _ Carmen, a avó deles abriu a porta com cuidado _ estamos esperando vocês lá em baixo _ entrando no quarto observou os dois, principalmente Tomas _ passe o pano Tomás, e você _ apontou para Diego _ se comporte, estava indo bem até o pequeno deslize de ontem à noite, por sorte só eu e as empregadas, que ficarão de bico fechado, sabem da fugidinha de vocês para aquela boate _ disse fazendo uma cara de preocupação, sim era exatamente isso, a avó deles tinham acobertado o “deslize” e deixado ambos irem, só por que era o aniversário de um deles.
– obrigada Deus por ter me dado a vó mais maneira do mundo, amém _ Tomas falou imitando uma oração, recebendo em seguida um cascudo de Carmen.
– com Deus não se brinca garoto!! _ ela o reprimiu _a! e aquela sua namoradinha que mentiu sobre estar gravida ligou essa manhã dizendo que foderia com a sua vida se não retornar as ligações dela _ falou saindo do quarto, logo depois, Diego aproveitando a saída da mais velha disparou a rir.
– é melhor parar de rir, se não espalho pra todo mundo que você trepou com um travesti ontem à noite.
– isso não aconteceu!!
– nem se lembra como veio parar em casa, como me garante que não foi comido? _ ele correu percebendo que Diego seria capaz de dar uma voadora no primo _ aposto que teu cú tá doendo _ gritou do corredor.
– olha quem fala, o queima rosca da família!!
Depois dos olhares raivosos entre os adolescentes da casa, e Carmen ser a avó ninja que é, e ter conseguido um bolo de última hora, o aniversário em família estava indo até bem para um quase bando de desconhecidos, que se deram bem logo de cara. Diego aparentemente planejou com Érika uma pequena vingança para Tomás, que já estava em andamento já que todos na sala estavam estranhando o espanhol está a mais de meia hora no banheiro. Fazendo o casal de primos terem a certeza que o laxante no lugar das aspirinas tinha dado certo.
Gregório estava apoiado no balcão da cozinha, sozinho, pensava no que iria fazer em relação a esposa. Não conseguia parar de pensar em como queria abraça-la e beijá-la, mais sua mente o lembrava a todo instante o que ela tinha feito.
– senhor? _ a empregada entrou no cômodo _ encontrei isso quando estava arrumando a mala da sua filha _ falou estendendo um envelope azul _ aparentemente é para o seu filho mais velho _ ele pegou a carta.
– obrigada Tatiana _ falou, e se virou ao ver a esposa entrando de um modo suspeito o que o fazia pensar que ela estava escutando a conversa _ é de uma tal _ olhou para o envelope _ Francesca, conhece?
– é... é _ gaguejou _ é claro, uma amiguinha da Lola. Com certeza escreveram a carta juntas para entregar no aniversário do Diego _ falou pegando um copo d’água e o bebendo _ você pode me dá, eu ia só tomar agua aqui, e iria subir para falar com ele. Eu preciso saber se pelo menos um de vocês dois me perdoou _ abaixou a cabeça para que o marido não visse o seu olhar triste.
– desculpa mas _ estendeu a carta _ é difícil fingir que o que você fez não foi nada.
– não precisa se desculpar _ tirou o objeto das mãos dele _eu que preciso. E entendo totalmente os dois, mas eu preciso de vocês _ olhou nos olhos dele e se aproximou _ preciso de você _ estavam quase se beijando quando uma garotinha que pulava mais que pipoca entrou na cozinha.
– mãe!! Mãe!!
– oi meu amor. Porque está tão histérica? Dolores!! Quanto de Coca-Cola você bebeu?
– tudo que tinha na mesa _ falou se referindo as três garrafas de dois litros que estavam ao lado do bolo _ mãe!! Preciso muito... muito...muito fazer xixi.
– Lola eu...
– vai falar com o Diego, eu cuido dessa princesa _ falou botando a garota no colo _ nem pense em fazer xixi em mim, entendeu mocinha?
– entendi...tendi...tendi _ falou dando uma serie de soluços.
Subindo as escadas Larissa se dirigiu a um quarto onde escutava barulhos similares a tiros, entrando lá, vê o filho e o primo sentado em poltronas e aparentemente matando zumbis na grande tv de plasma embutida na parede.
– Diego, preciso falar com você.
– pera ai mãe _ falou se inclinando junto com o controle como se isso fosse mudar alguma coisa. Tomás diferente dele estava estático e concentrado na tela, talvez por já ser acostumado as poltronas bonitas, mas totalmente desconfortáveis do seu quarto, que o avô fez quando o seu pai começou a viajar mais, por conta da empresa, garantindo que ela não fosse a falência, como quase ocorreu a alguns anos atrás.
– por favor querido.
– está bem _ falou se levantado, já que tinha perdido mesmo. Saindo do quarto, levou a mãe para uma biblioteca que ficava ao lado _ o que foi?
– eu sei que está bravo comigo, mas eu te peço, imploro, por favor querido, me perdoe.
– mãe eu já te disse, eu só fiquei bravo com a senhora, e isso já passou, não tudo, mas, o mais difícil passou.
– então estou perdoada?
– sempre esteve, sabe disso _ ela o abraçou, e com um pouco de receio ele devolveu o abraço. E pela primeira vez Diego lembrou, que, de todas as pessoas, a sua mãe foi a única a não perguntou se ele estava bem, ou de como ia a Francesca. O que ele achou estranho, mas não quis insisti no assunto, uma pessoa a menos o lembrando dela era bem melhor.
André, foi o que mais pegou no pé. No começo achou que ele tinha bebido demais e que estava enlouquecendo, depois fingiu que esqueceu, seguido de um “eu estou PUTO”. Parecia até as fazes do luto, Diego não nega, achou que Francesca pelo menos iria ligar para ele. Mas depois de ser assaltado no seu segundo dia em Madrid e terem levado o celular dele, perdeu as esperanças, ele se negava a achar que o seu corpo implorando para receber uma ligação dela era, saudades, tentou colocar na cabeça que era mais para saber o PORQUE dá merda toda.
Com o assalto, e um novo chip e celular, o único que tinha o número dele no continente americano era André, nem mesmo Violetta tinha ele, fazer o que? Aparentemente a loira havia mudado de vida (o que ele não acreditava muito).
Larissa saiu do cômodo cheio de livros, enquanto Diego se sentava no sofá no centro da sala e que havia dois criados mudos abarrotados de livros ao lado. Ele suspirou, e pensou, como diabos ele tinha chegado a esse ponto? Ao ponto do seu corpo necessita tanto de uma garota que estava do outro lado do oceano atlântico? E o problema respiratório dele, havia ido de mal a pior nessa pequena semana, o colocando na situação de só poder fazer uma coisa esportiva, correr, e mesmo assim não tentar extrapolar nas caminhadas. E foi ontem depois de muita bebedeira que ele decidiu esquecer a natação, e simplesmente coloca-la em uma caixinha no fundo da gaveta como havia feito com as coisas que lembravam Francesca. Aquilo estava o deixando maluco, porém, era preciso.
Foi naquele momento, olhando para o teto de gesso acartonado, que lembrou do seu pequeno pedido de aniversario para a italiana. “ – só basta tá comigo e nem importa o que você vai me dar” . Mas ela não estava, são nessas horas que ele pensa que mesmo a odiando no fundo ainda a deseja, que ao lembrar dela, sente repulsa mais no fundo adoraria passar quinze minutos a admirando como um projeto de stalker e mesmo praguejando umas mil vezes a mandando ir para o inferno, ele não pensaria duas vezes em ir com ela.
25 de novembro de 2014 (terça-feira)
Francesca se apressava para chegar sedo ao cabeleireiro, não podia se atrasar com Marcelo, ou Marcela como ele preferia, havia marcado um novo corte depois de muita choradeira (tanto por causa de Diego, quanto pela futilidade de quase não achar vaga no estabelecimento). O domingo tinha sido deprimente, mesmo tendo planos desde sexta de ser alguém mais segura de si mesma, ela ainda morria de saldardes de um certo badboy de olhos verdes. Na segunda juntou todas as suas roupas que afirmou com Camila serem imprestáveis e as doou para uma empresa que declarava precisar daquilo para os mais necessitados. E hoje estava pronta para um novo corte, e mais tarde iria correr com a melhor amiga.
– fofa está atrasada dez minutos _ Marcelo apontou para o relógio que marcava 10:20, enquanto a italiana se sentava na cadeira a sua frente.
– desculpa Cel _ o chamou pelo apelido _ mas é que tive que vir a pé, ninguém estava disposto a me trazer, nem o idiota do Federico _ falou se lembrando que o italiano estava dormindo desde sexta na casa dela, pelo simples motivo de seus pais estarem viajando para visitar uma empresa que Carlos e Luca compraram ações no México. O fazendo dormir na casa dela obrigatoriamente. Fazendo nesse caso dormirem apenas ela, Federico e Esmeralda nas três últimas noites, sim, a sua futura madrasta, não tão má assim, já havia juntado os trapinhos (só que não) dela com os do pai _ preciso que seja rápido, daqui a uma hora e meia tenho que encontrar a Cami, pode fazer isso por mim?
– claro fofa _ falou já pegando a tesoura picotando o cabelo da garota, que já havia explicado qual corte seria pelo celular.
Depois de quarenta minutos, Francesca esbanjava o seu corte novo se olhando no espelho a frente dela. A escolha dele não foi muito difícil principalmente com Esmeralda afirmando que voltar um pouco no passado não seria tão ruim, exatamente, Francesca tinha uma bela franja na sua época de criança se lembra até que ao voltar da Itália após a morte da sua mãe com o cabelo mais curto e sem cabelos negros e lisos cobrindo a testa Leon estranhou alegando a garota que a mesma estava feia, o que depois de uma longa discussão foi resolvido, e a partir daí ela só fez cortar mais e mais os cabelos até chegar a esse comprimento.
Voltando para casa Francesca se vestiu e foi direto para a praça onde as duas tinham marcado. Correndo ela se lembrou de quando tinha começado a se importar mais com o corpo, foi logo depois de ter perdido o seu BV, com um amigo de Federico, em uma das viagens a Europa. O cara era meio inglês e meio mexicano, loiro de olhos azuis alto e magro, muito magro mesmo, quase esquelético, lembrava de que ele era trilíngue e uma pessoa fácil de se levar. Mas se no momento alguém a perguntasse qual era o nome do garoto, ela teria sérios problemas em responder, já que não lembrava mesmo o nome dele.
Chegando lá encontrou Camila falando com uma garota, também vestida para correr, ela tinha cabelos platinados quase brancos e piercings no nariz, as lentes de contato azul se destacavam não de um jeito estranho, mas realmente bonito.
– oi Fran!! Deixa eu te apresentar, essa é minha prima Karlla, ela veio de Cuba pra morar comigo esse ano.
– oi Karlla.
– olá, e só pra deixar claro, é karlla com K e dois LL _ Francesca arregalou os olhos, e as primas acabaram rindo, e logo a italiana se juntou a elas.
– adorei a franja _ Camila falou.
– realmente combina com você _ a garota nova falou, depois de muita conversa e corrida as três estavam animadas decidindo assim irem para casa da ruiva, que sem hesitar concordou. Definitivamente a cubana era divertida, fazia palhaçada e elas caiam na risada sem nem mesmo perceber.
No caminho da casa de Camila, Francesca recebe uma mensagem:
[Esmeralda]
Querida vou ter que ficar a noite gravando no set, aparentemente tenho que fazer uma sena externa a noite e eles não estão muito afim de usar efeitos especiais.
Vou está em casa umas 4 d manhã.
[Francesca]
Ñ se preocupa, vou ficar bem com o fê.
Boa gravação
E espero q termine logo
[Esmeralda]
Concordo
Tenho que ir
Tchau
Chagando na casa da ruiva, as garotas jantaram depois da mãe de Cami ter insistido muito elas ficaram mais um pouco e conversaram sobre tudo, TUDO mesmo.
Laura era uma ginecologista, então pensa onde a conversa acabou parando. Camila chegou ao ponto de ficar na mesma cor de seus cabelos de tanta vergonha, mas no fundo estava se divertindo tanto quanto as outras duas garotas. Sem perceber já era 11 da noite e Francesca precisava ir. Dando tchau as duas e recebendo uma intimação de Karlla para ver sua coleção de discos, Francesca saiu em disparada para casa, chegando lá percebeu a escuridão e logo saiu apertando em todos os interruptores que haviam ali.
Entrando pela porta dos fundos, passando pela lavanderia e entrando na cozinha se depara com um cara só de cueca perto da bancada (P.S. não era Federico) o que a fez tremer de medo e sem pensar pegou a fruteira e começou a tacar tudo que tinha nela. O garoto se assustou e estava indo em direção a ela, só que parou ao sentir um mamão atingir seus “países baixos”.
– puta que pariu _ o cara que ela percebeu ser a cópia (sem exagero algum) do Ken.
– quem é você Ken?
– Ken? Sério? _ Federico apareceu na hora.
– que porra é essa Federico? _ falou italiano, com o intuito do invasor, ou não, não entender.
– se não lembra Francesca sou capas de entender qualquer merda que você fala em italiano _ o garoto respondeu, segurando suas bolas.
– ele sabe meu nome?
– é claro que eu sei coisinha medonha _ Francesca iria responder mais foi interrompida pelo primo.
– Thiago, não enche o saco.
– Federico quem encheu meu saco aqui foi ela, já que eles estão inchados aqui _ foi ai que ela lembrou, o cara com quem perdeu o BV, Thiago era o nome do sujeito. Se dirigindo a geladeira ela pegou uma bolsa de gelo.
– toma _ entregou a Federico _ da próxima vez que receber visita, existe uma coisa chamada whats pra tu falar comigo. E você _ apontou para o loiro _ deixa de ser frouxo, nem taquei com tanta força _ ela ia saindo de lá.
– imagina se tivesse _ parou com o comentário dele.
– então não ande mais seminu na minha casa.
– você também não está muito atrás _ falou e ele a comeu com os olhos.
– tarado _ Federico pigarreou.
Ela ignorou e decidiu dormir, era o melhor que faria.
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