A tarde foi muito divertida. Sério mesmo. Muita animação, muitos berros (Maria Clara ainda vai me deixar surda), muita pegação (sem mim, infelizmente. mas não vamos falar disso), muitos surtos e muita fofura.

Porém, contudo, entretanto, todavia, todos nós já tínhamos nos retirado para nossos respectivos quartos afim de nos arrumarmos para a confraternização que haveria aquela noite. Acontece que o hotel era realmente super legal, e tinha uma equipe de recreação que não era só pra crianças (!!!) então eles aproveitaram que era o primeiro dia de um pacote e resolveram fazer uma festa enorme para integrar os hóspedes. Cada área de lazer abrigaria uma faixa etária. Os adultos ganharam o bar (chateada, eu queria tanto ir pra lá), as crianças ficaram com o parquinho, os velhinhos com o salão de festas e os adolescentes ficaram com um luau em frente à piscina. Ok, eu não reclamaria disso. Até porque era uma chance ótima pra eu conhecer boys (os do amigo oculto estavam todos comprometidos, ugh). Como os quartos das meninas eram chalezinhos que, na verdade, pareciam casinhas, cada grupo tinha dois banheiros. Meu quarto tinha só sete pessoas, o que era ótimo, porque um dos banheiros só precisava ser dividido entre três de nós. No caso, eu, Isa Noal e Laura. Os quartos do chalé eram interligados por uma salinha de estar. Porém, por causa do tamanho bem grande do espaço, a gente tinha bastante privacidade. Então enquanto a Laura tomava banho, eu e a Isa Noal já estávamos nos maquiando e conversando sobre a noite que estava por vir.

– Você acha que vão ter muitos boys lá? — A Isa perguntou, o que me fez gostar ainda mais dela. Não é fácil achar alguém que me entenda nesse AS! Todo mundo naquela bodega é shippado com alguém.

– Eu realmente espero que sim — Eu ri e quase borrei o delineador — Mas se não tiver, pelo menos eu dou um jeito de arranjar alguma coisa pra beber.

Foi quando a Laura, adulta responsável que é, saiu do banho secando o cabelo e disse
– Vou fingir que não ouvi essa segunda parte, porque você é uma criança fofa e inocente.

Acho que ela falou um pouco alto, porque quando ela disse a palavra "criança", um serzinho que parecia muito com uma entrou pela porta que dava para a sala de estar.

– Alguém falou em mim?! — A Thaís apareceu — Tenho certeza que ouvi falarem de crianças fofas.

– Ela disse fofa e inocente — A Ju Drapella veio atrás — Então acho que provavelmente era sobre a Isa Faedda.

Não sei como, mas a partir daí o quarto foi invadido por todas as meninas do nosso chalé, que ficaram discutindo sobre quem era uma criança fofa e inocente e quem não era, até que a Bia Castro começou um discurso sobre como a única maior de idade ali era a Laura e, por isso, nós devíamos todas sossegar.

Mal sabiam elas que, na verdade, ninguém nesse AS inteiro presta.

Tadinhas.