Amigo Secreto no Hotel Fazenda
4 Capítulo 4 - Beatriz Custódio POV
A pior ideia da minha vida foi ter chamado a Maria Clara pra ir comigo até a rodoviária. Sério, eu não deveria ter feito isso. Estava só vendo a hora em que minha mãe atiraria ela da janela se ela não parasse de berrar o quanto ela tava animada e etc. Entendo que grande parte disso era devido à proximidade que ela estava de conhecer o Bond. Mas qual foi, eu não mereço esse castigo! Agradeci a todos os deuses possíveis quando chegamos à rodoviária e o Italo já estava lá (grudado no celular, mas lá).
Ele já tinha feito o favor de pegar nossas passagens na bilheteria, então subir no ônibus foi uma experiência quase totalmente tranquila. Quase.
– MAS POR QUE VOCÊ NÃO VAI SENTAR DO MEU LADO??? — A criatura fofa de meio metro de altura começou a berrar quando viu que eu puxei o Italo pra sentar do meu lado no ônibus, deixando-a pra sentar ao lado de algum desconhecido.
– Porque eu sou lindo e minha companhia é incomparável. — O Italo respondeu, desviando o olhar da tela do telefone por apenas um segundo. Eu ri do comentário dele, e já estava prestes a responder quando a nem-um-pouco-histérica-Maria-Clara voltou a gritar, chamando a atenção das pessoas no ônibus.
– HA HA HA, até parece. A gente não é a Paula pra cair no seu papo não. Beatrizzzzzzz, expulsa ele daí pra gente viajar juntas e você me ouvir cantando muito.
– Esse é exatamente o motivo pelo qual eu não quero viajar do seu lado.
– UGH, POR QUE VOCÊS ME ODEIAAAAAAAM?
A esse ponto, todo mundo no ônibus já estava olhando esquisito, então o Italo resolveu ceder e, para meu infortúnio, trocou de lugar com a Maria. Na mesma hora fechei os olhos e resolvi que ia tentar dormir.
Imagino que tenha sido uma boa ideia, porque acordei com um cutucão no ombro ouvindo "chegamos chegamos chegamos chegamos". Saí preguiçosamente do ônibus e fiquei escutando as reclamações da Maria.
– Você dormiu a viagem inteira e o Italo, quando não estava dormindo, estava no celular. Pra. Quem. Eu. Ia. Contar. Spoilerssss???
– Pro seu marido Bond. É bem capaz de ele já estar lá, vambora, você não quer se atrasar.
Foi quando ela ficou paralisada.
– Não quero mais ir. — Ela cobriu o rosto com as mãos e começou a choramingar de um jeito não muito humano. — Quero voltar pra Volta Redonda.
– O que que te deu, Maria Clara? — O Italo olhou esquisito pra ela.
– Vão ficar fazendo piada de mim e do Bond, não to preparada pra isso.
– Para de frescura, shipps do as não são nada demais.
– Fácil pra você dizer, seu shipp é com a Paula e ela é linda e um amor.
– Verdade. — Ele concordou e virou de costas pra ela, dando o assunto por encerrado. Sobrou pra mim ser a amiga fofa que encoraja.
– Maria, é só brincadeira! — Só que não era. Eu super shippo bondria. Mas isso não ia ajudar na hora. — Além do mais, a Isa vai estar lá!
Acho que esse argumento teve o efeito que eu quis, já que o rosto dela assumiu a cor roxa dos ciúmes, e seu olhar era de pura determinação em reconquistar seu homem.
Pegamos o táxi da rodoviária até o hotel, e a Maria ficou roendo as unhas durante todo o trajeto, enquanto eu e o Italo conversávamos como as pessoas normais que somos (I mean, eu sou normal. Ele eu não sei). Quando chegamos à recepção, fomos informados de que nossos quartos já tinham sido distribuídos, e começou o segundo barraco do dia.
– COMO ASSIM OS QUARTOS SÃO DIVIDIDOS POR SEXO? QUAL É O PROBLEMA DO MUNDO COM FESTAS DO PIJAMA MISTAS?????
Deixei que o Italo resolvesse as coisas burocráticas enquanto eu puxava a Maria Clara pro canto e tentava acalmá-la.
– É questão de senso, Maria. — Eu expliquei calmamente, do jeito que se fala com crianças desesperadas ou bichinhos fazendo manha. — As mães das meninas preferiram assim.
– MAS EU QUERO FESTAS DO PIJAMA MISTAS, EU QUERO! EU QUERO VER GOLIVO JUNTO, CES NÃO TÃO ENTENDENDO! E QUEM EU VOU AGARRAR NO MEIO DA NOITE PRA DAR SPOILERS SE NÃO O BRU... — A Maria parou e respirou fundo no mesmo momento que eu comecei a rir- DIGO, QUEM EU VOU AGARRAR SE TIVER SURTOS A NOITE??? EU QUERO BOYSSSSSSS!
O Italo se aproximou da gente com as nossas chaves e o funcionário do hotel apontou o caminho dos quartos. Arrastei uma Maria Clara reclamona pela escada abaixo. Era hora de encontrar o pessoal.
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