Tá, eu acreditei na Alice quando ela disse que eu não precisava me esforçar muito pra vir pra fazendinha. "Não tem problema ser sedentária" ela disse "Você quase não vai andar!"

O que era verdade.

E tecnicamente não teria nenhum problema.

SE NÃO TIVESSE UM PORCO GIGANTE LÁ.

– Sério, esse treco é maior que a Agnes. — Eu apontei, um pouco exaltada. — Como vocês querem que eu fique tranquila perto disso????

– Não é muito difícil ser maior que a Agnes. — A Maria observou.

– Falou a alta, né? — A Laura riu. — Mas gente, relaxa, é só um porquinho.

– INHO?????? — Me exaltei ainda mais. Hey, vocês não podem me culpar. O treco era gigante mesmo. — Você tá dizendo que TEM MAIORES QUE ESSE?

– Claro que tem — A Alice revirou os olhos — Esse ainda não tá totalmente crescido. Não é fofo como eles cuidam bem dos bichinhos aqui?!

– Fofíssimo. — Eu berrei — SE ELES NÃO FOSSEM SURREALMENTE GRANDES.

– Nossa, Lara. — A Maria riu — Você tá gritando que nem eu! Gostei.

– Teje proibido imitar o grito da Maria Clara. — Laura decretou. — Alice, anota aí. Lei 143 de hoje.

– Anotado, presidenta. — Alice puxou um bloquinho. — Gente, vem, o guia tá chamando a gente pra ver as vaquinhas!!!!!

– Tenho medo dos diminutivos que vocês usam. — Eu disse. Porque eu tinha mesmo.

Alice revirou os olhos e começou a puxar todo mundo para o que parecia um celeiro.

– Onde guarda vaca é celeiro também? — Maria Clara perguntou e eu fiquei feliz por não ser a única a achar isso.

– Não se guarda vaca. — Alice revirou os olhos — Vaca não é objeto.

– Você entendeu o que eu quis dizer.

– Sei lá o nome gente, sei que eu quero ver a Maria ordenhando uma vaca. — Laura riu enquanto a ideia saía de sua boca. Ri junto. Alice também. Maria não pareceu achar muita graça. Não sei porquê.

– Não mesmo.

– E se a gente fizer uma aposta? — Eu desafiei.

– Nada faz valer a pena ordenhar uma vaca.

– Te arranjo um boy se você ordenhar. — Laura deu de ombros.

– AI MEU DEUS, SÉRIO? — Maria começou a pular. — TÁ, FAÇO, OK. TUDO PELOS BOYS.

Comecei a rir histericamente e não consegui me controlar, então o guia do grupo olhou um pouco esquisito para onde a gente estava.

– Tudo bem aí, meninas?

– Tudo sim — Alice interviu — Nossa amiga só quer ordenhar uma vaca. Pode?

– Claro que pode! — Ele se aproximou, sorridente. E aí eu percebi que ele era gato. E a Maria percebeu também. Sei disso porque ela ficou vermelha. — Eu já ia pedir um voluntário mesmo! Vem aqui, queridinha, qual é o seu nome?

– Maria Clara.

– Acho muito legal quando crianças tem coragem assim, sabia, Maria Clara?

O queixo dela caiu. Ela ia começar a chorar. Ou gritar. Pro bem dele (e dos tímpanos de todo mundo ali), esperava que fosse chorar. Ao invés disso, seus lábios pararam de tremer e ela sentou calmamente no banquinho ao lado das tetas da vaca.

– Ah, obrigada! — Um sorriso maléfico tomou conta do seu rosto. — Agora, como eu faço?

Ele botou as mãos por volta das dela e eles começaram a ordenhar juntos, ele ensinando a técnica do processo. Quando finalmente largou a mão dela, ele incentivou.

– Agora vai sozinha pra mostrar pro grupo!

Ela foi. Só que ao invés de mirar no balde, onde o leite deveria cair, ela apontou a teta da vaca direto pro rosto do guia. E apertou. Várias vezes.

Fiquei tão chocada que não sabia se começava a rir ou se ia oferecer alguma coisa pro guia se secar (ele era gato, afinal de contas).

Então ela levantou, começou a rir e eu não me segurei, entrando na onda. De repente, todos no grupo estavam em um momento de histeria.

– EU. NÃO. SOU. CRIANÇA. — Maria Clara deu de ombros e saiu andando de volta para o ônibus. — Cansei de fazendinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.