Amigo Secreto no Hotel Fazenda
20 Capítulo 20 - Lara Rebouças POV
Tá, eu acreditei na Alice quando ela disse que eu não precisava me esforçar muito pra vir pra fazendinha. "Não tem problema ser sedentária" ela disse "Você quase não vai andar!"
O que era verdade.
E tecnicamente não teria nenhum problema.
SE NÃO TIVESSE UM PORCO GIGANTE LÁ.
– Sério, esse treco é maior que a Agnes. — Eu apontei, um pouco exaltada. — Como vocês querem que eu fique tranquila perto disso????
– Não é muito difícil ser maior que a Agnes. — A Maria observou.
– Falou a alta, né? — A Laura riu. — Mas gente, relaxa, é só um porquinho.
– INHO?????? — Me exaltei ainda mais. Hey, vocês não podem me culpar. O treco era gigante mesmo. — Você tá dizendo que TEM MAIORES QUE ESSE?
– Claro que tem — A Alice revirou os olhos — Esse ainda não tá totalmente crescido. Não é fofo como eles cuidam bem dos bichinhos aqui?!
– Fofíssimo. — Eu berrei — SE ELES NÃO FOSSEM SURREALMENTE GRANDES.
– Nossa, Lara. — A Maria riu — Você tá gritando que nem eu! Gostei.
– Teje proibido imitar o grito da Maria Clara. — Laura decretou. — Alice, anota aí. Lei 143 de hoje.
– Anotado, presidenta. — Alice puxou um bloquinho. — Gente, vem, o guia tá chamando a gente pra ver as vaquinhas!!!!!
– Tenho medo dos diminutivos que vocês usam. — Eu disse. Porque eu tinha mesmo.
Alice revirou os olhos e começou a puxar todo mundo para o que parecia um celeiro.
– Onde guarda vaca é celeiro também? — Maria Clara perguntou e eu fiquei feliz por não ser a única a achar isso.
– Não se guarda vaca. — Alice revirou os olhos — Vaca não é objeto.
– Você entendeu o que eu quis dizer.
– Sei lá o nome gente, sei que eu quero ver a Maria ordenhando uma vaca. — Laura riu enquanto a ideia saía de sua boca. Ri junto. Alice também. Maria não pareceu achar muita graça. Não sei porquê.
– Não mesmo.
– E se a gente fizer uma aposta? — Eu desafiei.
– Nada faz valer a pena ordenhar uma vaca.
– Te arranjo um boy se você ordenhar. — Laura deu de ombros.
– AI MEU DEUS, SÉRIO? — Maria começou a pular. — TÁ, FAÇO, OK. TUDO PELOS BOYS.
Comecei a rir histericamente e não consegui me controlar, então o guia do grupo olhou um pouco esquisito para onde a gente estava.
– Tudo bem aí, meninas?
– Tudo sim — Alice interviu — Nossa amiga só quer ordenhar uma vaca. Pode?
– Claro que pode! — Ele se aproximou, sorridente. E aí eu percebi que ele era gato. E a Maria percebeu também. Sei disso porque ela ficou vermelha. — Eu já ia pedir um voluntário mesmo! Vem aqui, queridinha, qual é o seu nome?
– Maria Clara.
– Acho muito legal quando crianças tem coragem assim, sabia, Maria Clara?
O queixo dela caiu. Ela ia começar a chorar. Ou gritar. Pro bem dele (e dos tímpanos de todo mundo ali), esperava que fosse chorar. Ao invés disso, seus lábios pararam de tremer e ela sentou calmamente no banquinho ao lado das tetas da vaca.
– Ah, obrigada! — Um sorriso maléfico tomou conta do seu rosto. — Agora, como eu faço?
Ele botou as mãos por volta das dela e eles começaram a ordenhar juntos, ele ensinando a técnica do processo. Quando finalmente largou a mão dela, ele incentivou.
– Agora vai sozinha pra mostrar pro grupo!
Ela foi. Só que ao invés de mirar no balde, onde o leite deveria cair, ela apontou a teta da vaca direto pro rosto do guia. E apertou. Várias vezes.
Fiquei tão chocada que não sabia se começava a rir ou se ia oferecer alguma coisa pro guia se secar (ele era gato, afinal de contas).
Então ela levantou, começou a rir e eu não me segurei, entrando na onda. De repente, todos no grupo estavam em um momento de histeria.
– EU. NÃO. SOU. CRIANÇA. — Maria Clara deu de ombros e saiu andando de volta para o ônibus. — Cansei de fazendinha.
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