Primeiramente, gostaria de dizer que eu sou incrível. Tendo isso definido como a verdade universal que é, posso começar a relatar os fatos do início daquela noite. Não que sejam coisas que devam ser comentadas por aí... Mas fofoca pela metade é tortura, e eu nunca torturaria ninguém. Então aqui vai.

Fomos o penúltimo grupo de pessoas a chegar na festa. Os meninos foram os primeiros (apesar de eu ter ouvido rumores de que o Caio ficou mais um menos um século se arrumando), seguido pelo chalé que só tinha sete meninas. O que fazia sentido. Os outros dois grupos eram compostos por oito mulheres. E oito mulheres demoram MUITO pra se arrumar. Tirando a Paula — que ficou pronta duas horas antes da festa e dedicou todo o resto do tempo a apressar todo mundo — estávamos todas atrasadas e desesperadas.

– Cadê meu brinco??? — A Ju Dassi virou a mala dela em cima da cama, desesperada.

– Eu preciso de delineador. — A Laís parecia prestes a chorar. — E eu não sei onde tá!!

Acontece que tem uma coisa que ninguém conta pra gente: manter um quarto com oito garotas organizado é muito difícil. Impraticável, eu diria. As malas começam a se misturar até que, em um momento, ninguém mais sabe onde está nada.

Não lembro a exata ordem em que todo mundo ficou pronta, só sei que em determinado momento, por um milagre divino, estávamos reunidas e arrumadas, e finalmente a Alice, como adulta responsável que era, trancou a porta do quarto atrás de nós, e a Isa Beatriz começou a guiar a gente até a piscina. Acho que o caminho ficou bem marcado na mente dela porque foi onde ela viu a Cristye e Bond. De qualquer jeito, a Lara foi andando do meu lado e dizendo o quanto aquela festa ia ser o máximo (ia mesmo, óbvio. só não ia ser tão suprema quanto eu porque eu sou muito suprema mesmo) e como estava sendo ótimo passar um tempo só com o pessoal do AS.

Quando finalmente chegamos à área onde seria a festa, conseguimos achar o canto onde estavam todas as pessoas do AS que já tinham aparecido lá. Basicamente, só o pessoal do quarto da Agnes não tinha chegado. Mas eu entendia. Além de ter oito mulheres lá, muitas delas eram bastante enroladas (e eu não digo nem sob a espada mortal que essas pessoas são a Agnes, a Thaisa e a Maria Clara. Não mesmo). Acho que aquele foi o único momento em que conseguimos conversar como um grupo mesmo, sem que nenhum shipp desaparecesse misteriosamente. Foi também uma boa chance de olhar em volta. Tinha muita gente na beira da piscina já. Eu meio que previa um desastre porque com certeza alguém ia cair/se jogar/jogar o amiguinho na água (talvez eu jogasse alguém, muahahahah), mas isso ia ser divertido e com certeza não estragaria a festa.

– GENTE — A Esther gritou — Eu consegui!! — E só então percebi que, apesar de ser do quarto feminino mais vazio, ela ainda não estava na roda — Dei um pulo na festa dos adultos e roubei isso aqui ó!! — Então ela levantou uma garrafa de alguma bebida que eu não sabia o que era mas não fazia questão de saber.

– Isso me deu uma ideia — o Italo falou, e juro que eu vi a Paula revirar os olhos e botar a mão na testa — Mais tarde, no final da festa, tem que rolar verdade ou desafio.

– Alguém disse verdade ou desafio?! — A Agnes surgiu acompanhada do pessoal do quarto dela. — Eu topo. Agora?

– Calma, abaixa o fogo — O doce do Bond respondeu — Mais tarde. Quando a Esther (e quem quiser acompanhá-la) já tiver enchido a cara.

– Eu não mereço isso — A Paula suspirou — Vou pegar um suco. Quem vem comigo?

Eu fui. Primeiro porque a Paula é ótima companhia. Segundo porque suco é bom. Acabou que metade das meninas veio com a gente.

– Giu!! — A Maria Clara se aproximou sorrateiramente de mim — Tem dois boys ali no canto. E eles tão olhando pra cá O TEMPO TODO.

– Tem muitos boys em muitos cantos — Eu falei pra manter minha fachada de awesomeness, mas comecei a procurar com o canto do olho.

– Ali, na direita. — Ela apontou, discreta como uma placa de neon — Ou esquerda. Sei lá, naquele lado pra onde eu to apontando.

Obviamente, os meninos repararam que a gente tava falando deles. O que até que foi bom. Porque isso fez com que eles viessem conversar com a gente. E apesar de eu ter dito que fofoca pela metade é tortura, existe uma coisa chamada privacidade.

E é por causa dela que eu termino esse capítulo aqui.