Notas iniciais
Minha escrita narrativa na verdade não é assim, é bem mais caprichada, mas não tem como fazer uma parada do AS sem ser zoada. Cada capítulo vai ser o POV de uma pessoa, provavelmente em ordem alfabética. Enjoy.

Tinha sido difícil convencer o pessoal todo do sul a ir até o Espírito Santo de ônibus ao invés de avião. Ajudou o fato de a Paula, única do grupo que já tinha ido àquele hotel fazenda, ter dito que do aeroporto pra lá a gente faria um caminho totalmente sem sentido. Não precisei nem verificar a informação, meu medo de aviões agradeceu silenciosamente a ela naquele momento. Depois de conferir minha mala pela milésima vez (roupas, repelente, protetor solar, livros e, principalmente, meu claquete — pra fazer recalque em todo mundo, obviamente. Porque eu sou dessas que amam fazer recalque nos outros), finalmente desci as escadas pulando como a pessoa normal que sou, e dei de cara com a Alice, a Bianca, Bond, o Claudio, a Isa Rapp, a Isa Beatriz, a Isa Noal, a Jú Dassi, a Sofia e a Thaisa (basicamente, a galera toda do amigo oculto que morava no sul.

Fazer o que se eu sou a estrela deles e o ponto de encontro escolhido foi a minha casa? Se disserem que tem a ver com o fato de eu me atrasar caso fosse em outro lugar, eu nego). A Alice, como pessoa mais velha e, teoricamente, mais responsável no recinto, tentava botar ordem no caos que se estabelecia. Eu digo caos porque o Bond e a Isa Beatriz estavam se atracando em um canto, mas não dava pra enxergar muito bem em que sentido (não que eu quisesse enxergar, rlly), a Jú Dassi ficava gritando "a panda está tão feliz, tão feliz, tão feliz", a Isa Rapp e a Bianca não paravam de parabaitar, e saíam dali uns barulhos esquisitos de coelho parindo — não perguntem. A Thaisa estava resmungando que tinha esquecido a almofada que a Maria Clara deu pra ela, e que ia ser infernizada pelo resto da viagem por isso, e o Claudio ficava mandando ela parar de ser histérica.

Naquele momento, tinha quase certeza que a Isa Noal era basicamente a representação exata de uma caloura assustada em seu primeiro dia na faculdade. E a Sofia, pessoa mais calma e tranquila do universo, ligava pro motorista da limusine dela pra avisar que finalmente estávamos prontos para ir até a rodoviária. Na verdade, eu ainda não tinha entendido o motivo de o motorista da Sofia simplesmente não levar a gente até o hotel fazenda, mas eu não estava com cabeça pra discutir. Eu só conseguia pensar em uma coisa: em menos de 24 horas, finalmente veria o Caio.