O que foi aquilo afinal?” — Questionou-se, sentada em sua cama, sem ter entendido bulhufas. Somente se levantou e banhou-se, indo uniformizada ao colégio após. Andou serenamente pelo caminho que sempre tomava, e diferente dos outros dias, não encontrou com nenhuma das três garotas: nem Shizue, nem Emiko e nem Akane. Para si, era breve alívio, pois sabia o que estas tinham a dizer caso as encontrassem. Todavia, sua sorte não durou muito tempo, porque enquanto trocava seus sapatos nos armários do corredor, alguém chegou por detrás deste e impondo uma de suas mãos sobre um de seus ombros, disse-lhe:

— Me encontre depois do segundo período, próximo da quadra.

Aquela voz foi seu gatilho para ter uma crise de ansiedade. Seu coração estava acelerado, seu peito começava a doer, e rapidamente, olhou para a fonte da voz. Acabou por ver as garotas a conversarem enquanto iam para sua classe.

Dois períodos depois, Megumi aparentava nervosismo. Tinha de ir ao refeitório para lanchar, porém, sabia que se fosse, seria vista por ela e teria de ir encará-la. Ainda assim, havia de lanchar, pois não poderia ficar com fome. Lembrou que próximo da entrada, havia um lance de escadas que dava ao segundo andar, e levantando-se, esgueirou pelos corredores para evitar contato a todo custo. Chegando de encontro as escadas, sentiu um imenso alívio, pois esta seria sua graça salvadora. “Não vou ter de encarar ela. Menos mal” pensou e casualmente desceu os dois andares pela escadaria.

Ela somente não contou com um importante detalhe que poderia arruinar todo seu planejamento: Somente ter contado com os vidros da parede de entrada, que dividiam o lado de fora do lado de dentro, e o vidro do outro lado do salão. E pouco a pouco, descendo cada degrau daquela escada sem medo algum, ela foi notando que, ainda que pequena, havia uma janela ali a frente, fazendo seu temor retornar. Com cuidado, tentou se camuflar no meio dos alunos e olhando em volta, pediu seu lanche e se assentou em uma das cadeiras, aonde Saitou, Endou e Riku se encontravam. Em sua mente, ficava dizendo a si mesma “Ela não me viu”. Seu nervosismo era visível aos olhos dos outros três.

— O que houve, Tsukishima? — Riku, o de cabelos castanhos lhe perguntou.

— Não houve nada. Fique tranquilo, eu estou bem.

— Até parece. Olha pra você, parece que viu um fantasma--

— Eu disse que eu estou bem. — Ressaltou, fazendo com que se calasse. Respirou fundo, e foi lentamente se acalmando.

Para a alaranjada, foi a chance perfeita. A passos calmos, adentrou o local, e ficou atrás dela.

— Bom dia, garotos… — Bastou ela dizer isso para que a loira brevemente se assustasse. — ...vocês se incomodam se eu pegar ele emprestado por um momento? — Nakajima os perguntou, com um semblante amigável, e estes negaram, a entregando em suas mãos. — Vem comigo?

...

— Você sabe o porquê de eu estar aqui, não é? — Shizue perguntou, com Megumi cruzando seus braços. Como se estivesse revoltada, deu alguns passos, com a intenção de sair. Seu pulso logo fora segurado pela outra. — Pensando mesmo em fugir? — A loira puxou sua mão com força, sem dizer uma palavra. — Tudo bem… a escolha é su--

— Escuta… eu não quero ouvir o que você tem a falar. Seja você ou quem quer que seja. Se alguém tem que me dizer alguma coisa, esse alguém é o senpai, entendeu? Não tenta falar por ele, ou pela Akane, porque é dele que eu tenho que escutar isso, não de vocês. Imagino que estejam fazendo isso por uma boa causa, mas por favor… parem. Você e a Emi-chan. — Explicou ela, com seus cabelos a esvoaçar ao vento levemente frio do outono. Seu olhar era frio, como uma mulher de neve, que amou tanto a quem queria, porém, que teve de se desfazer de seu amor pois ele não seria recíproco. Deu-lhes as costas e foi-se, antes parando para olhar para Emiko por um instante e então prosseguiu seu caminho.

— Então…

— Você o ouviu, não? Ele prefere do jeito mais difícil. — O semblante da mais nova que era de preocupação, se tornou tristeza. — Não adianta se preocupar por ele. É perda de tempo. Vamos.

Assim, elas partiram de volta para sua classe, se sentando em suas carteiras. Akane a perguntou a respeito, e Nakajima a explicou. A moça não se surpreendeu com a resposta, pois imaginou que Megumi seria teimosa o suficiente para não querer escuta-las.

No último dos quatro periodos, Tsukishima acabou por deixar lágrimas em seu rosto rolarem. Seus olhos estavam levemente arregalados, como incrédulos. Seus pensamentos o fizeram ficar naquele estado, ao qual chamava atenção.

— Tsukishima-kun? Aconteceu algo? — Sua professora perguntou, com um semblante preocupado. Todos então viraram seus rostos em sua direção, e uma garota então se levantou.

— Eu levo ele na enfermaria, Sensei. Ele não deve estar se sentindo bem. — Exclamou a jovem de curtos cabelos lisos e negros. Esta era Ohara Himeko. A mulher concordou e assim, a moça escoltou-a até a enfermaria, lhe sentando na maca. — Tsukishima-kun… o que houve? — A moça a questionou, porém esta somente lhe fitou e nada lhe respondeu. — Tudo bem. Imagino que não queira dizer nada. Vou deixá-lo a sós.

A loira então acenou serenamente de forma positiva e observou enquanto Himeko se ia. Chovia lá fora, e o som da torrencial água a cair fora tudo que sobrou naquele silêncio. Olhou para a fina coberta da maca daquele lugar e ficou ali a observá-la por um tempo. Levantou-se e pôs-se a observar a chuva.

O sinal então tocou, porém, Tsukishima estava tão inconsciente diante daquela janela que não percebeu seu som. Nem mesmo a porta da enfermaria a abrir ele conseguiu escutar.

— Tsukishima…

Saito a chamou, quebrando sua constante atenção ao lado de fora para encará-lo.

— O que está fazendo aqui? — Perguntou a de olhos cor âmbar.

— Eu que pergunto, o que houve? — Retrucou, cruzando os braços e a encarando seriamente.

— Por que quer saber?

— Isso não interessa.

— Então não vou responder.

— Tsk… tanto faz.

Saíram da enfermaria e então trocaram seus sapatos nos armários, e ficaram observando a chuva a cair, mesmo eles estando debaixo do teto do prédio, do lado de fora.

— Acho que vamos ter que esperar essa chuva passar. — Megumi queixou-se, quando o outro, segurando uma sombrinha, o abriu e parado próximo a chuva, encarou-lhe antes de seguir indo. — Ah, espera, Saito! — Corria em sua direção. Ao descer as escadas, todavia, acabou escorregando em um dos degraus, e já lhe ia caindo escadaria abaixo, quando em rápido reflexo, o garoto a segurou. Estavam próximos ao ponto de quase conseguirem sentir as batidas um do outro. Tsukishima corou e Saito, por um momento, também, antes de se desvencilharem e se recomporem.

— Você tinha que vir correndo…

— Desculpa… Espera aí! Você me deixa sozinha e eu que tenho que pedir desculpas só porque eu corri para não sair na chuva?!

Por um momento, enquanto caminhavam, discutiram. Após a discussão, um silêncio constrangedor os permeou debaixo daquela sombrinha. Durante esse momento de quietude, Megumi ficou pensativa a respeito de certas coisas, e cogitou compartilhar com o garoto, mas decidiu por não o dizer. Kamigasawa não compreendia seus mistérios, e para ele, pouco importava saber sobre o que a loira tinha para compartilhar, pois não era de seu interesse.

Como da última vez, ele a deixou em sua casa. Porém, sua mãe quis lhe agradecer o convidando para entrar. Gentilmente, este recusou, e ela fez questão de insistir. Todavia, ele passou a chance, e assim, retornou para sua casa.