Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
26 Capítulo 25 - Entre Nós Dois
— Yuuki-kun! — Exclamava a garota a plenos pulmões, a correr atrás dele. O jovem dava seus passos apertados como se não houvesse o amanhã, e por um momento, conseguiu se afastar um pouco dela, antes de se cansar, dando margem a ela pouco a pouco. Não aguentando, procurou um local para se sentar, e ao alcançá-lo, fez o mesmo, pois já estava com as pernas bambas, e cria que não aguentaria ficar muito tempo de pé se continuasse com aquilo. — Você… seu…
Mal conseguia falar, pois assim como o rapaz, estava ofegante. Acabou por deitar seu rosto no peitoral do mesmo, o segurando aos ombros com certa força. Ainda que cansado, o rosto dele se ruborizou, e seu coração aumentou o ritmo de batimentos, e ela estava próxima o suficiente para escutar os mesmos. Fitou os olhos do rapaz, que imediatamente se desviaram dos seus.
— Yuuki-kun… — Ela o chamou, dando um sorriso jocoso. — ...não me diga que gosta disso? — A questão havia sido deixada ambígua para Hisashi.
— Eh?! O que quer dizer com isso? — Perguntou ele, um pouco assustado.
— Você sabe o que quero dizer. — Ela o tentou.
— A-Ah… Me d-d-desculpe, eu não tive interesse nenhum em ver a sua-- — Ele havia caído na lábia da moça, porém, não do jeito que ela esperava.
— Dá pra esquecer isso? Não é o que eu estou querendo dizer… — E tendo-se frustrado, levantou. — Quer saber… esquece… — Retrucou ela, caminhando.
— Hã? Por que?
Ela somente virou a cabeça para o lado e olhou ligeiramente para trás.
— Uma hora você vai entender.
E seguiu seu caminho até o trabalho, deixando o menino para trás, até que ele enfim entendeu, e correu a chamar sua atenção para tal fato.
— Agora não tem mais graça, Yuuki-kun. Até mais tarde. — Ela o respondeu, acenando e partindo para seu serviço. Tudo que restou era ele ver ela ir embora, antes de retornar ao dormitório. Enquanto voltava, uma sensação estranha preenchia seu peito. Interrompeu seus passos ao meio do caminho, e olhando em volta, pegou seu celular, acessou a internet e no GPS, colocou como destino, o serviço da moça, e então o seguiu.
— Cliente especial! — Exclamou uma das moças ao ver o rapaz entrar pela porta, e também ao soar da sineta. Ao se virar, ela se deparou com Yuuki mais uma vez.
— Yuuki-kun?
— Desculpa, Akane…
— Não me diga que veio até aqui me pedir desculpas por aquilo? Estava me seguindo? — Ela o questionou, com um olhar duvidoso, suspeito.
— Não… é que eu me senti mal e--
— Olha, podemos fazer o seguinte: Você faz o seu pedido, consome, volta para o dormitório, e quando eu estiver saindo, eu te ligo. O que me diz? — Sugeriu ela, tirando o semblante triste do garoto, dando lugar a uma ligeira alegria, o fazendo concordar. — Muito bem, fique a vontade, sente-se.
Do lado de fora, Tsukishima retornava com seus colegas de classe, chateado.
— Aah~… Que chato, o Yuuki-senpai ter saído antes… nem para se despedir de mim… — O loiro bufou, queixando-se.
— Bom pra ele, evitou uma dor de cabeça… — Disse o de cabelos negros, antes de sua bochecha ser cutucada por Megumi.
— Você realmente gosta de falar umas coisas, hein, Saito…
— Tsukishima, já notou que de nós três, o único que parece te tratar assim é ele? — Comentou Endo, e aquilo foi o necessário para um sorriso travesso surgir no rosto do loiro.
— Eh… Saito… não me diga que gosta de mim? — Provocou ele, irritando-o.
— Não sei o que está pensando e nem tenho interesse em saber. Só sei que você só fala baboseira. — Queixou-se, colocando a mão ao rosto em desapontamento. Um vento então soprou e fez questão de levantar a saia do loiro, que se protegeu da forma que pode. Aquilo chamou a atenção dos três ligeiramente, já que este estava se vestindo com o traje feminino de seu colégio.
— Espera só um instante, por que é que a gente tá prestando atenção nisso? Não é óbvio que o Tsukishima é um garoto? — Objetivou o ruivo, se desapontando imediatamente.
— Com essas curvas? Eu acho difícil de acreditar… — Comentou Riku, o de cabelos negros, ajustando seus óculos. A reação de Endou fora clara como o dia: ele se repudiou daquilo, a pensar se o próprio amigo gostava daquelas coisas, além de se perguntar sobre as tais curvas.
— Isso é tudo culpa dele que se veste assim. Eu não sei qual o objetivo ele tem com isso, mas se ele pretende se divertir com o coração das pessoas, eu certamente não acho graça nisso. — Comentou Kamigasawa, e tendo parado em seus passos, Megumi olhou para trás após ter tapado com a saia e sorriu de deboche.
— Você diz isso, mas até você olhou, não foi? — Pegou ele de surpresa. — Não podia deixar de ver, não é? Só que você não vai admitir isso, porque se o fizer, não só o Endou como um monte de rapazes pode querer não falar com você por você ser um estranho… ou estou errado?
Perguntou ele, e enquanto caminhava em direção ao rapaz, este começava a articular sua resposta, que fora brevemente interrompida por Megumi a colocar um de seus braços sobre o pescoço do rapaz, deixando eles próximos.
— Saito… Não tem problema em gostar de mim… Aliás, nenhum de vocês tem problema se gostarem de mim dessa forma. Tudo que eu posso fazer é dizer não, e esclarecer o motivo que possivelmente será que eu não gosto de vocês da mesma forma que vocês gostam de mim.
— Isso não dá no mesmo?!
— Não, não. Isso não dá no mesmo. Eu rejeitar vocês porque eu sou x ou y é diferente de eu rejeitar vocês porque no meu coração, eu não nutro os mesmos sentimentos que vocês nutrem por mim. É algo totalmente diferente. — Clarificou.
Conforme as horas passavam, o tempo lá fora estava virando pouco a pouco. Já não se via mais a lua pois o céu se encontrava nublado e pela janela do estabelecimento, era possível ver que o vento era uma força constante. Já estava próximo da hora de fechar, e então a moça pegou seu celular e começou a mandar uma mensagem para Hisashi vir buscá-la. As outras meninas do estabelecimento não deixaram aquele pequeno porém importante detalhe passar ao observarem ela de canto dos olhos. Comentários a respeito eram feitos sob sussurros entre umas e outras. Ficaram fantasiando a respeito daquilo, todas exceto Hirai e a gerente, que as colocou de volta no lugar.
No dormitório, o garoto estava se preparando para sair, já tendo se agasalhado, e prestes a tirar as pantufas para colocar os calçados de fora, quando a sensei lhe chamou a atenção.
— Você vai buscar a Akane no trabalho, não é? — Ela o questionou ao qual ele acenou positivamente como resposta. Ela o pediu para esperar um pouco enquanto subia as escadas. Breves momentos após, ela descia com um casaco em mãos, o entregando para o jovem. — Entregue a ela. Está frio hoje, então ela vai precisar. E vocês dois, tomem cuidado, viu?
O menino corou e acenou, fazendo-a rir um pouco com sua reação repentina. Era como se ele estivesse a tentar manter um segredo, e falhando miseravelmente ao mesmo.
— Acha que eu não tenho visto vocês dois? Eu já fui jovem, sei muito bem quando tem um casal de pombinhos por perto. Agora vai, ela deve estar te esperando.
O garoto então saiu de Nozomi-sou e foi ao encontro da moça, que o esperava ansiosamente dentro da loja. As outras a fitavam atenciosamente, com sorrisos ardilosos, enquanto ambos então saiam do estabelecimento.
— Aqui, seu casaco. A sensei pediu para eu te entregar. — Hisashi falou, entregando o agasalho a ela.
— Obrigado… — Ela o agradeceu e o vestiu sobre os ombros, se agarrando a Yuuki imediatamente em seguida, estando ela grudada a ele. — ...mas eu prefiro assim.
As maçãs do rosto dele ruborizavam com ela ali ao seu lado, pouco a pouco se acostumando com aquele tipo de situação. Sua pergunta feita anteriormente obteve uma resposta imediata, porém que ele não acreditou em tal momento. Ainda assim, ponderou, fitando Miyagi ao seu lado até que esta o deu atenção, e ele desviou o olhar, por conta da timidez. Ela achou graça em tal feitio do moço, comentando como este ficava adorável ao agir de tal maneira. Hisashi não reclamou, mas também não concordou com a afirmação da jovem.
— Yuuki-kun… eu… posso ir no seu quarto hoje? — A questão assustou o garoto.
— N-Não, olha, é melhor não. Uma hora você vai ser pega e vai ter de se explicar pra Sensei.
— Tch… se o dormitório fosse um quarto para duas pessoas… seria melhor. Eu poderia ter você como colega de quarto. — Reclamou ela, com o rosto inchado, bufando e desviando o olhar, chateada.
“Com certeza não deixariam a gente ficar no mesmo quarto junto” pensava o menino, levemente preocupado. A moça então se conformou em não ir para o quarto do garoto. O vento frio hora ou outra assoprava com certa força, e nesses momentos, Akane se encolhia mais para perto do menino, o fazendo parar de andar e avisar a ela que ela deveria vestir o casaco de forma apropriada.
— Eh? Eu só vou se for para vestir o seu casaco. Eu posso?
— Mas a sensei me disse pra trazer o seu--
— Se não for para usar o seu, eu prefiro ficar sem. — Ela reclamou, de rosto bufado.
— Mas você vai se resfriar se--
Não adiantava. O olhar bravo dela, junto com as bochechas inchadas a faziam adorável. Era impossível resistir. Desistiu e tirou o próprio agasalho, trocando-o com a moça. Sua teoria se confirmava: o casaco da menina era quente e dava para suportar o frio com certa facilidade. O único contra era de que o casaco, para ele, estava um pouco mais apertado, o limitando um pouco de movimentos um pouco mais tranquilos e suaves.
Miyagi, do contrário, estava apaixonada. Estava a vestir o casaco de seu amado Yuuki-kun, chegando até a cheirá-lo para que pudesse sentir o odor do garoto, o que ele estranhou um pouco. Ele acabou por fazer o mesmo, a sentir um doce aroma naquele agasalho. Tal aroma combinava com a moça que ao seu lado lhe acompanhava. Por um momento se fitaram, antes de continuarem a andar.
Caminharam abraçados um ao outro até o dormitório, ao qual a Sensei os esperava do lado de dentro.
— Mas o que… — Ela não podia acreditar no que via em sua frente. — Yuuki…
— Sensei… foi ela quem insistiu… Não voltaria para casa agasalhada se não fosse vestindo o meu casaco…
— Deu para ver com esse sorriso dela. Ainda assim, que bom que os pombinhos voltaram em segurança. Você… — Ela chamou a atenção da jovem. — ...vai pegar uma roupa e ir tomar banho. E você… — Desta vez, fora Yuuki. — … Espere na sala. Avise ele quando terminar. — A jovem então concordou e ele também
“Queria poder manter esse casaco para sempre comigo…” era o que a morena pensava enquanto se dirigia ao banheiro do lugar.
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