Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original

41 Capítulo 40 - Uma (não tão doce) Travessura


Enquanto isso, com Yuuki, Hijiri e a sensei, ambos caminhavam, até que enfim chegaram a loja de conveniência. Sensei e Hisashi adentraram o lugar, enquanto a ruiva os esperava do lado de fora. Apesar do sol, o vento do outono fazia parecer estar mais frio do que quente. Assim, que saiu, tornaram a buscar um lugar para se sentarem. Por sorte, encontraram não muito longe dali.

Takeuchi, posando de adulta responsável, cedeu o lugar aos dois e ficou de pé próximo ali a eles. Então, ao olhar para a ruiva por um breve momento, lembrou-se.

— Ah, é verdade… eu ainda não abri aquele seu presente… — Comentou ele, relembrando do dia que a ruiva lhe entregou uma sacola.

— Presente? — Questionou a sensei, sem saber.

— O que?! Você ainda não abriu?! — Indagou a pequena, indignada com ele. — Cherry-kun, o que que há com você, hein? — Reclamou, puxando as bochechas do garoto, que também se queixava da dor.

Vendo então que o picolé estava em sua boca, de um olhar arregalado surgiu um sorriso pretensioso. E Yuuki tinha motivos para ter medo deste sorriso.

— Olha… que ótima oportunidade… — Comentou ela, apavorando um pouco mais ao garoto.

— O-O que você tá querendo aprontar, Hijiri?

— Isso é medo? É isso mesmo que eu estou sentindo, Cherry-kun? Um enorme cheiro de medo vindo de você? — Tornou ela a provocar, sem tirar o sorriso de seu rosto.

— Não vai me dizer que está com medo dessa pitica, Yuuki? — A mulher questionou, sem saber a gravidade da situação.

— Sensei… você não sabe do que essa pitica é capaz… eu tenho motivos para temer ela…

A mulher não acreditou nas palavras do jovem, e para piorar a situação, Hijiri perguntou a mulher se ela poderia tomar ele emprestado por um instante. “Só não vão muito longe, e nada de indecências” foi o que ela respondeu. Para desespero de Yuuki, Taniguchi o puxou pelo pulso para um beco próximo dali, e de forma a tentar apaziguar a professora, disse para ela se tranquilizar, pois seria somente uma conversa a sós. Isso, obviamente, era uma mentira.

Assim que estavam fora da visão da professora, a ruiva o prendeu na parede, e tornou a mostrar um sorriso provocador. O moreno, claro, estava amedrontado.

— Agora, Cherry-kun, já que você ainda não abriu o presente, vou te mostrar algo que tem ali. É bom que preste bem atenção, viu?

Ele engoliu a própria saliva, de nervosismo. Ela então tomou a força o picolé de sua mão, e este fora colocado em sua boca por ela; o dela próprio já estava em sua própria boca. Devagar então, ela o empurrou adentro dos lábios do menino, que de inicio, não entendia bem.

— Está duro e gelado, não está? — Dizia ela, enquanto “brincava” com o mesmo, com certa ousadia aumentando a cadência. Nessa hora, Yuuki começava a entender o que estava se passando ali. — Está tudo bem, Cherry-kun. Na hora mesmo pra você, vai estar macio e bem quentinho — Comentou ela, e este, associando no instante mencionado, empurrou ela para trás.

— Não brinque comigo! — Exclamou, saindo dali bravo, o que chamou a atenção da sensei. A outra também veio atrás.

— Parece que aconteceu algo bem sério para você estar assim. — A professora contestou, preocupada com Hisashi.

— Eu prefiro nem comentar, sensei. Eu te disse que tinha motivos para temer ela. O que eu temia, acabou de acontecer. — Reclamou ele, cruzando os braços e simplesmente mastigando o picolé.

— Ah, você é sem graça. Nem mesmo uma brincadeira você aguenta… — A ruiva argumentou para cima do moreno, que acabou se irando.

— Brincadeira?! Você simulou que eu estivesse--

— Opa, opa, opa! Cherry-kun, vai com calma, senão a classificação etária da CERO dessa história vai ter de passar de D pra Z.* — Interrompeu Hijiri, prevendo o perigo que se aproximava. Hibiki-sensei, do contrário, se avermelhou levemente e se indignou.

— O que? O que você tá falando? – Questionou o garoto.

— De qualquer forma… foi mal… pela brincadeira sem graça.

— Aquilo não é brincadeira que se faça…

— Eu sei… — Ela então o fitou com um olhar de arrependimento, algo adorável demais para resistir, o que contrastava com sua personalidade ousada. — Me perdoa?

— H-Hijiri… — Yuuki chamou sua atenção, seu olhar um pouco desconfiado da moça. Ao tentar olhar para a professora, ela parecia o olhar com desprezo, com quem o dissesse “Perdoe logo, ela é só uma criança.”

Sem muita escolha, tornou seu olhar para a ruiva, e suspirando de ressentimento, a perdoou. Todavia, por mais que ele a tenha perdoado, ele sabia de sua fama de ser ousada, e não seria aquela carinha bonita que o faria deixar de desconfiar dela futuramente.

— Obrigada, Cherry-kun! Por conta da sua gentileza… — E sem dar tempo de ele reagir direito, o abraçou pelo pescoço e aplicou um beijo em sua bochecha, deixando tanto ele quanto a professora estupefatos pela coragem da menina. Ele de pronto a afastou de si.

— V-Você… o que você…

— É só um agradecimento por ter me perdoado. — Ela ressaltou, com um sorriso de moleca em seu rosto.

— Primeiro, a Akane… depois, Megumi… e agora você? Afinal, o que há de tão especial em mim pra tudo isso? — Hisashi, sem entender nada, perguntou.

— Talvez você só seja irresistível, apesar de parecer alguém bem comum, Cherry-kun. — Comentou a ruiva, se levantando do banco, e ele também. — Bom, eu vou indo então, tudo bem? Foi bem legal passar esse tempinho com vocês!

— C-Claro… — Ele respondeu, ainda levemente avermelhado, um pouco avoado em sua mente.

— Até uma outra vez, Sensei, Cherry-kun.

Ambos então se despediram dela e a viram ir embora. Yuuki, que estava em um transe por conta do ocorrido anteriormente, ficou paralisado, até sentir uma mão em seu ombro: era a sensei.

— Podemos passar em um lugar, antes de ir pra casa? Sinto que você deve algumas explicações… — O olhar nada amigável da mulher parecia passar muito bem a mensagem que se era esperado da mesma.

— S-Sensei… eu posso explicar tudo--

— Claro que pode. Você vai ser um bom garoto e vai explicar tudo na delegacia, tudo bem?

— Não, sensei, você entendeu erra--

— Você vai explicar na delegacia, não vai? — O tom de voz dela agravou-se, assim como o apertar em seu ombro, impondo sobre Yuuki sua mensagem de forma bem clara. Ele não teve outra escolha senão cooperar com sua professora, enquanto ambos iriam para a delegacia mais próxima.

Notas finais
*Nota: CERO é a organização responsável pela classificação etária no Japão. Traduzindo o que Hijiri havia dito: A história poderia passar de Classificação D (o mais próximo do nosso +16) para Z (o equivalente a +18)