American Psycho
9 You’re Gonna Go Far, Kid
Notas iniciais
And a good disguise
Hit them right between the eyes.
Arthur acordou e encarou o teto. Sua cabeça pulsava e ele podia sentir o estômago doer, como se tivesse comigo algo estragado. Tentou levantar-se e sentiu a cabeça rodar. Conhecia bem aquela sensação: estava de ressaca. Colocou uma mão na cabeça e gemeu de dor.
Apesar do mal-estar, ele observou o ambiente ao redor. Percebeu que estava em uma cama de casal. Os lençóis estavam revirados e havia dois travesseiros nela. Olhou para frente e notou alguns móveis, um armário pequeno de madeira e um sofá. Também notou o frigobar do lado esquerdo da cama e um criado mudo com um abajur em cima, no lado direito. Concluiu que estava em um hotel. Suas roupas estavam espalhadas pelo chão e ele olhou todo o cômodo, pousando o olhar sobre a porta do banheiro. Podia ouvir o som do chuveiro aberto.
Uma náusea abateu-se sobre ele e o detetive deitou-se na cama novamente. Tentou permanecer imóvel para evitar a sensação de enjoo, mas a sua mente não tinha descanso. Refez todos os passos da noite anterior. Tinha ido a uma boate gay numa tentativa de se aproximar mais de Theodore. Tinha bebido e... O que havia acontecido depois? Ah, sim... Theodore e ele haviam...
Ouviu a porta do banheiro abrir e olhou devagar para o lado. Theodore saiu com uma toalha em volta da cintura e outra na cabeça, enxugando os cabelos loiros que ainda estavam úmidos.
Ao vê-lo, Arthur franziu as sobrancelhas e as lembranças o atingiram rapidamente. Sentiu a maçã do rosto esquentar e disfarçou o constrangimento olhando para o lado.
Theodore estava indo em sua direção, o que fez Arthur tentar se levantar rapidamente, mas arrependeu-se em seguida. Sentiu-se enjoado novamente e apoiou-se na parede. Theodore o olhava com curiosidade, mas o detetive evitava olhar para o rosto do outro. Quando enfim se sentiu um pouco melhor, levantou-se da cama e caminhou até o banheiro. Lá, ele sentou na tampa do vaso e colocou o rosto entre as mãos. Sentia-se enjoado ainda e sua cabeça estava doendo um pouco. Suspirou e levantou-se, indo em direção ao chuveiro.
Ao entrar, ligou o chuveiro e deixou a água quente escorrer pelo seu corpo. Fechou os olhos e começou a analisar a situação. Não lembrava como havia chegado até aquele hotel. A última coisa que recordava era do clube e dos dois transando. Ainda estava em Manchester? Que hotel era aquele? E, mais importante, como Theodore havia trazido os dois até ali? Controlou o enjoo e decidiu banhar-se primeiro.
Ao sair do boxe, ele começou a prestar atenção em coisas que ele não tinha reparado antes. Pegou uma das toalhas e observou. Ela era branca, de algodão e em baixo havia o logo do hotel bordado no tecido. Arthur reconheceu aquele hotel. Isso significava que eles estavam em Manchester ainda. Olhou mais e notou que não via as roupas de Theodore em parte alguma. Não se lembrava de tê-las visto com ele, nem no quarto. Aquilo era muito estranho.
Uma batida no quarto chamou sua atenção.
-Arthur, você está bem?
O detetive franziu o cenho. Tinha que lidar com Theodore agora.
Enrolou a toalha na cintura e abriu a porta. Observou o jovem do outro lado e percebeu que ele já estava vestido. Usava as mesmas roupas da noite anterior. Passou por ele sem dizer nada e observou o quarto novamente. Alguns pertences de Theodore estavam em cima do criado mudo. Arthur não se lembrava de tê-los visto ali. Seus próprios pertences encontravam-se ali também.
Começou a recolher as suas coisas e notou que ele não parava de observá-lo. Começou a se vestir e a olhar o outro por canto de olho.
-Esse é o jeito de tratar alguém que passou a noite com você, Arthur? – disse Theodore.
Arthur continuou de costas para o outro e disse:
-Eu não sabia que você era tão sensível pela manhã, Theodore. – disse o detetive, abotoando a calça.
-Vejo que alguém acordou de mau humor. Engraçado, porque ontem você me parecia bem feliz.
Arthur terminou de se vestir e virou-se. Queria evitar aquele assunto o quanto fosse possível.
-Como viemos parar aqui? – disse, finalmente olhando para Theodore.
Theodore sorriu e aproximou-se. Apesar de a aproximação deixar o detetive um pouco desconfortável, não se afastou nem impediu que Theodore ficasse tão perto.
-Você estava gemendo alto e pedia para eu fazer coisas com você. Achei melhor irmos para um hotel, assim poderia realizar suas fantasias. – disse Theodore.
Arthur fechou os olhos e sentiu o corpo arrepiar-se. A pesar de não se lembrar de muitas coisas, aquilo estava gravado em seu corpo. Sim, havia experimentado uma noite de grande prazer, mas não era hora de lembrar sobre aquilo. Quando ia abrir a boca para protestar, ouviu o celular tocando. Lançando um último olhar para Theodore, Arthur foi até o criado mudo e pegou seu celular, atendendo em seguida.
-Kirkland — disse.
-Detetive, precisamos de você. – disse uma voz que Arthur reconheceu como sendo a do seu amigo Kiku.
-O que aconteceu, Kiku?
-Foi encontrado o corpo de uma jovem morta com as mesmas características do “assassino de senhoritas”
Arthur arregalou os olhos e encarou Theodore, que o olhava com curiosidade. Aquilo fazia cair por terra a suspeita que ele tinha dele. Estiveram juntos a noite toda. Era quase impossível ir até Manchester e voltar em tão pouco tempo.
-Detetive? Arthur? Alô?
Aquilo o acordou de seus pensamentos.
-Me desculpe Kiku. Você estava dizendo...
-Precisamos de você agora. O endereço é...
Arthur anotou mentalmente o endereço e desligou o celular.
- O dever te chama novamente, Arthur? – ele ouviu Theodore dizendo.
Arthur disfarçou a confusão que sentia há pouco tempo e, fingindo naturalidade, disse:
-Foi encontrado outro corpo com as mesmas características do “assassino de senhoritas”.
Apesar de a informação ser confidencial, o detetive a revelou a Theodore na intenção de observar a sua reação ao ouvir aquilo. Infelizmente, não conseguiu a reação que desejava. O jovem continuava o encarando da mesma forma.
-É mesmo? Parece que enquanto estávamos nos divertindo ele acabou fazendo mais uma vítima – disse Theodore.
Arthur corou levemente e desviou os olhos. Por que ele insistia em frisar sempre aquilo? O detetive recolheu o resto de suas coisas e tirou algumas notas da carteira, entregando a Theodore.
-Para pagar a estadia – disse, estendendo as notas na direção do outro.
Theodore sorriu e disse:
-Não é preciso. Já fiz o check-out.
-Mesmo assim, eu insisto. – disse o detetive.
-Arthur, nós passamos a noite juntos e agora você quer me pagar? Não acha isso um pouco estranho?
O detetive franziu as sobrancelhas, irritado. Theodore realmente sabia ser irritante. Colocou as notas de volta na carteira e guardou a mesma no bolso de trás.
-Então, até mais. – disse o detetive que se dirigiu até a porta.
-Arthur... – chamou Theodore.
-Sim?
-Eu não ganho um beijo de despedida?
O detetive não deu o trabalho de virar-se e disse:
-Não dê uma de sentimental agora, Theodore. Tenho certeza que sabe o significado de uma noite de sexo. – e com isso saiu deixando um sorridente jovem para trás.
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Arthur dirigiu por todo o caminho de volta pensando naquele assassinato. Antes de entrar no hotel, verificou o horário que ambos haviam entrado: três da manhã. Haviam ficado no hotel durante todo aquele tempo e teve a confirmação da recepcionista disso. Isso dava a Theodore um álibi e consequentemente um problema, por que quanto mais Arthur pensava naquilo, mais ele achava que faltava algo.
Seus pensamentos vagaram por aquilo até chegar a Londres. Já na cidade, passou em uma loja de conveniência e comprou um maço de cigarros. Fazia tempo que não fumava e seu organismo estava sentindo falta da nicotina. Abriu o maço e pegou um dos cigarros e o acendeu com seu isqueiro. Entrou no carro, colocando a mão esquerda que segurava o cigarro para fora e dirigiu com a direita. Dirigiu até o local onde foi encontrado o corpo da jovem. Como sempre, o lugar já estava rodeado de pessoas, entre elas civis e repórteres. Arthur estacionou o carro e, ao sair, apagou o cigarro na sola do sapato, jogando a bituca em uma lata de lixo que estava por perto. Passou pelas pessoas, ignorou a imprensa e passou por debaixo pela faixa amarela que tinha escrito “não ultrapasse”.
Ao passar, os policias que já estavam presentes, o cumprimentaram e ele percebeu olhares em sua direção. Estranhou aquilo, mas logo sua dúvida foi tirada.
- Finalmente largou as roupas de velho e decidiu vestir-se normalmente, Kirkland?
Com um “tsk”, Arthur virou-se. Sentiu a irritação tomando conta de si. Por causa da correria para chegar logo ao local havia esquecido das roupas que usava e foi lembrado justamente pela última pessoa que ele queria ver.
-Eu poderia te chutar para fora da polícia por isso, Beilschmidt.
-Você não conseguiria – respondeu o alemão – Alguém maravilhoso como eu jamais sairia da corporação.
Gilbert aproximou-se do detetive e o olhou de cima para baixo.
-Vejo que alguém andou se divertindo noite passada.
Arthur revirou os olhos e disse:
-Acho que você tem mais o que fazer do que ficar analisando minhas roupas.
-Tudo bem – disse Gilbert – Mas eu achei que você iria querer saber sobre essa marca no seu pescoço.
Institivamente, a mão do detetive foi até a base do seu pescoço. Arthur sentiu as bochechas esquentarem e ele deu as costas, envergonhado. Aproximou-se de Kiku e disse:
-Tem... algo no meu pescoço?
O amigo o olhou sério e disse:
-Não.
Arthur corou ainda mais e encarou o alemão que sorria, divertido, para ele.
“Um dia ainda mato aquele bastardo.” – pensou, enquanto ouvia o relatório dos outros policias.
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Alfred tinha seguido sua rotina normal naquele dia. Foi para o hotel White House, cuidou da papelada, como bom gerente que era, e agora estava livre para fazer o que bem entendesse. Saiu do hotel, no final da tarde, e foi a pé até o local do último crime. O local ficava a quatro quarteirões do hotel.
Chegando até o local, notou que a rua ainda estava fechada e podia-se observar a faixa amarela escrita “Não ultrapasse”. Alfred andou um pouco e aproximou-se de algumas pessoas que passavam por ali. Fingiu que não sabia o que havia ocorrido e perguntou a situação a elas. Disseram-no que o serial killer que estava assombrando Londres havia feito mais uma vítima. Sorriu e despediu-se educadamente. Não fora ele quem matara aquela mulher, estava muito ocupado com o detetive. Provavelmente deve ter sido algum assassino de segunda mão que aproveitou os seus atos para poder safar-se.
Começou a andar pelas ruas e perdeu-se em seus pensamentos. Em sua mente, começou a pensar o que faria com a próxima vítima. A ideia ia crescendo em sua cabeça e ele imaginava todos os métodos. Pensou em seu machado e imaginou-se a mutilando, separando os membros inferiores e superiores. Aquilo o divertia e ele continuou imaginando mais. O que faria com o resto do corpo? Deixá-la-ia sangrando até a morte? Não. Alfred desejava vê-la sofrer mais. Pensou em colocar sal grosso nas feridas. O sal iria estancar temporariamente o sangue, evitando uma morte por hemorragia, mas o que mais o deixava excitado era imaginar os gritos de dor que iria ouvir.
Sentiu um baque no ombro esquerdo e com certa irritação, virou-se. Alguém havia trombado com ele no meio da rua. Tentou voltar aos seus pensamentos.
O que poderia fazer com aquele pedaço de carne? Poderia esfaqueá-la ou decepar sua cabeça... Não conseguia se decidir. Pensou em queimá-la vivo. Já havia feito isso antes com alguns animais, apesar do cheiro da gordura queimada o desagradar.
Continuou perdido naquela fantasia e quando percebeu, seus pés o levaram até um pub chamado “All White”. Havia algumas pessoas fumando do lado de fora e o pub parecia estar cheio. Seu sangue estava fervendo e ele ansiava por matar novamente, mas não queria chamar muita atenção. Teria que se satisfazer de outro jeito.
Entrou e observou o local, olhando todas as pessoas que se encontravam ali. Notou duas mulheres sentadas perto do bar, que aparentemente estavam sozinhas. Aproximou-se das duas e sorriu. Iria se divertir muito naquela noite.
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Eram 18:00hrs, quando o detetive ouviu a campainha tocar. Estava concentrando olhando o grande painel em sua parede e por isso assustou-se com o barulho. “Quem poderia ser?” indagou-se. Não estava muito a fim de receber visitas, pois estava muito concentrado com seu trabalho. Deu uma última olhada no painel e caminhou até a porta. "Já vai” disse, ouvindo a campainha tocar novamente. Ele atendeu a porta e surpreendeu-se ao ver o amigo ali.
- Olá, Arthur – disse Kiku.
- Ah, oi. Não esperava vê-lo aqui.
-Eu estava de passagem pela região e pensei em passar aqui para ver como você estava.
-Ah... claro. Quer entrar?
-Claro.
Kiku entrou no apartamento do detetive o esperou no corredor. Ao ver o amigo aproximar-se, ele entregou seu casaco e ambos dirigiram-se para a sala. Como sempre, havia uma bagunça de papeis e restos de comida instantânea. Quando foi a última vez que viu o amigo comer alguma coisa que não fosse macarrão?
-Gostaria de beber alguma coisa? Chá, água ou...
-Chá está bom.
Começou a preparar o chá e enquanto a água esquentava aproximou-se do amigo, sentando no sofá.
-E então, qual motivo da sua visita?
-Nada demais. Só queria saber como você estava.
Arthur arqueou as sobrancelhas. Conhecia bem o amigo e sabia que sempre havia algo por trás de suas intenções.
-É mesmo? Bem, como você pode ver, eu estou bem.
-Pude perceber pela bagunça.
Arthur massageou as têmporas. Já sabia onde aquilo ia dar.
-De novo isso? Quantas vezes eu tenho que lhe dizer que eu não tenho tempo para ficar perdendo com besteiras.
-Arrumar a sua casa e comer comida de gente, não é perder tempo.
-Escuta, eu... – foi interrompido pelo apito da chaleira, que indicava que a água tinha fervido. – Só um instante.
Arthur desligou o fogão e pegou a chaleira com cuidado, despejando seu conteúdo em dois copos. Pegou os saquinhos de chá e os abriu, colocando cada um em seu respectivo copo.
-Aqui – disse, entregando o copo ao amigo. – Como eu ia dizendo...
-Ahhh, que maravilha. Apesar de preferir os chás do Japão, é incrível como os ingleses sabem fazer chá.
Arthur encarou o amigo, zangado. Sabia muito bem que ele estava mudando de assunto de propósito.
-Escuta, se você veio discutir sobre chá sinto que não poderei atender suas expectativas. Tenho muito trabalho a fazer.
O japonês tomou outro gole do chá e, calmamente, disse: Sim, sim, eu sei. Não acha que devia sair um pouco? Todos foram para o pub no fim do expediente, só você que voltou para casa.
-Eu não estou com paciência para pubs, tudo que eu preciso está aqui. – tomou um gole do chá e ambos ficaram em silêncio.
-E então, Arthur, quando vai me contar sobre a sua noitada?
O detetive engasgou com o chá e tossiu por um momento. Não esperava aquela abordagem tão direta do amigo.
-Eu... – tossiu – Eu não... bem... –não sabia por onde começar. Estava querendo esquecer um pouco sobre o que aconteceu com Theodore.
-Eu sei que você passou a noite fora. Pela manhã, fui à sua casa, porém não o encontrei. Por isso o telefonema.
O rosto do detetive corou um pouco e ele procurou as palavras. Por fim, contou ao amigo sobre Theodore, como eles haviam se encontrado no clube de xadrez, a partida de futebol até chegar à boate Cruz 101. Contou também sobre suas desconfianças em cima de Theodore. Kiku ouvia todo com atenção e não fazia nenhum comentário. Era típico de sua natureza escutar até o fim. Quando contou sobre como tentou aproximar-se mais de Theodore para poder investiga-lo de perto, sentiu-se um idiota. Havia feito o que não devia: dormir com o suspeito.
-E agora, com essa nova morte, eu cheguei a pensar que ele fosse inocente, porém o laudo mostrou que aquela morte e as associadas ao “assassino de senhoritas” são diferentes. O assassino foi descuidado e deixou a arma a alguns metros do local. Sem falar que não havia sinal de nenhuma espiral no corpo. Foi uma tentativa frustrada de imitar os assassinatos.
Kiku manteve-se em silêncio. Terminou seu chá e levantou-se, indo em direção ao quarto do outro. Arthur fez o mesmo e ambos seguiram para o cômodo. Chegando lá, a primeira coisa que podia ser vista era o painel na parede. Nele continha várias fotos e recortes de jornais. As fotos eram das vítimas e suas espirais. Os recortes eram matérias sobre o psicopata desde que começou a sua matança por Londres. Havia uma fotografia de alguns suspeitos, mas a de Theodore destacava-se no meio delas. Um mapa encontrava-se ali também e várias linhas vermelhas conectavam os locais onde as vítimas foram encontradas. A escrivania do detetive estava cheia com papeis e anotações.
O japonês observou tudo aquilo e disse:
-Posso ver que você está levando isso a sério, mas só tenho um conselho para te dar: cuidado.
Arthur encarou o amigo e disse:
-Não se preocupe. Eu sei no que estou me metendo.
Kiku suspirou e disse:
-Espero que sim. Lembre-se, a morte de Peter aconteceu há muitos anos atrás e você sabe muito bem como terminou essa história.
Arthur cerrou os dentes. Por que ele sempre tinha que se lembrar disso?
-Isso já foi há muito tempo também. Eu paguei pelo meu erro.
O detetive caminhou um pouco e encarou o painel, bem na parte onde estava a foto de Theodore. Sua mente travava uma grande batalha Afinal, Theodore era inocente ou não? “Sinto que estou perdendo algo” – pensou. Por fim, virou-se e disse:
-Kiku, se você realmente quer me ajudar, tenho um plano. Estava pensando e decidi que iremos colocar escutas na casa de Theodore.
Pela primeira vez, naquela noite, Kiku demostrou perturbação. Seu rosto sereno deu lugar a um mais preocupado.
-Arthur! Você sabe que isso é proibido. Não temos um mandato oficial. Se descobrirem o que você fez. Você vai para cadeia!
-Não temos escolha, além do mais, eu sei que você pode me ajudar nisso. É só falar com seu primo que é juiz...
-Não! Isso iria por em risco a carreira de Yong Soo. Não posso pedir para que ele faça isso. Escute Arthur, essa sua obsessão só vai te levar a ruina. Esqueça Theodore. Não há nada que ligue ele a os assassinatos.
-Temos aquelas amostras de DNA...
-Que não levaram a ninguém.
Arthur fechou os olhos e respirou fundo. Sabia que não ia ser fácil convencer o amigo a aceitar aquele pedido, mas ele tinha que continuar. Aproximou-se dele e colocou as mãos nos dois ombros do japonês.
- Eu preciso da sua ajuda! Só um mês, é tudo que lhe peço. Nem mais, nem menos.
KIku encarou o amigo e não deixou de preocupar-se. Conhecia aquele olhar, ele não iria desistir até conseguir o que queria. Mesmo que tivesse que ir para cadeia. Por fim, deu-se por vencido.
-Está bem. Um mês apenas. Mais que isso e você irá para cadeia.
Arthur sorriu e agradeceu. Agora tudo que teria que fazer era colocar as escutas e esperar para ver no que ia dar.
“Espero que dê tudo certo”, pensou.
Tinha que dar.
Continua...
Notas finais
Gente, mil desculpas, mas a vida apareceu no meu caminho e... bem, não tive muito tempo para atualizar.
Sei que passou 1 ano, mas eu nunca deixei de escrever. Sempre que podia, escrevia um pedacinho até, finalmente, terminar esse capítulo. A história está chegando no seu clímax e eu estou empolgado por voltar a escrever.
Novamente, mil desculpas.
Espero que gostem desse capítulo.
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