American Movie
2 Truth Or Dare?
Notas iniciais
– Allyzinha, Allyzinha, isso é um shorts ou uma calcinha?
O comentário idiota do menino me fez ficar com raiva, então apenas peguei meu copo de suco e virei no mesmo.
– Tá maluca, garota? – perguntou o outro, jogando seu cabelo loiro para o lado.
Não respondi. Peguei o suco do Dallas e joguei em cima dele também.
POV Ally
Depois do intervalo, Dallas sugeriu que matássemos aula. Eu concordei, mesmo que um pouco relutante. Papai não iria gostar nada se descobrisse o que eu estava fazendo.
Minha vida pode parecer perfeita, tenho tudo o que quero e quando quero, mas ela, infelizmente, não é assim.
Meus pais se divorciaram quando eu tinha apenas 6 anos. Foi simplesmente a época mais traumática da minha vida. Minha mãe, Penny, vive na África, desde então, com minha tia Suzanne. Conversamos uma vez ao mês, geralmente no dia 15, ou seja, na metade do mês. Meu pai, Lester, ficou com todo o dinheiro na separação. Ele é empresário, um dos mais importantes dos Estados Unidos e, consequentemente, rico. O problema do meu pai é que o mesmo acredita que eu tenho de ser a filha perfeita: Boas notas, sem encrencas, namorado rico, amigos ricos.
Eu até que concordo com ele. Não acho que alguém como eu, deva namorar alguém como o Bob Verruga — um garoto nerd que faz Química Avançada comigo e tem uma verruga do tamanho de minha fortuna -, mas também não acho que deva desistir de um amor, por causa de dinheiro.
Quando levei minha amiga Cassidy em casa pela primeira vez, a primeira coisa que meu pai perguntou a ela foi seu sobrenome. A loira respondeu "Turner, Sr. Dawson. Encantada em te conhecer". Meu pai abriu um sorriso de satisfação tão grande que pensei que ele casaria com a Cassy.
Esse é um dos motivos do meu namoro com Dallas. Dallas Centineo é um garoto com cabelos e olhos castanhos, bem bonito. E rico. "Dal" não gosta de mim de verdade, eu vejo isso em seus olhos, mas mantemos um relacionamento baseado em status: Popularidade e Condição Financeira.
Desculpe, acabei esvaindo-me do assunto principal. Eu, Dallas, Cassy, Elliot e Kira resolvemos matar aula. Assim que o sinal tocou, todos os alunos entraram desesperados em suas salas, diferentemente de nós, que fomos para o pátio do colégio. Sentamos sob uma árvore e começamos a conversar sobre assuntos paralelos. Observei um vulto passar pelo bebedouro.
– O que foi aquilo? — perguntei aos meus amigos.
– Não vi nada, Ally — respondeu Cassy.
– Deve ter sido impressão sua, Ally — diz Elliot, abraçando a loira.
Os quatro continuaram a conversar animadamente, mas eu não conseguia me concentrar no que estavam falando. Olhei para o bebedouro e vi o vulto, mais uma vez.
– Tem alguém ali! — disse balançando Kira.
– Ally, não tem ninguém ali! Se acalma, garota!
Ignorei-a. Abri minha bolsa e comecei a procurar meu óculos. Assim que o encontrei, coloquei-o. Agora ficava mais fácil de enxergar.
– É o garoto do suco de uva! — gritei, quando consegui enxergar o menino.
– Tá, tá — disse Dallas, indiferente. Que menino mais chato!
– Dal, eu vou ao banheiro, tudo bem? — disse ao mesmo
– Tá, faz o que você quiser, Allycia.
Bufei, revirando os olhos. Levantei e caminhei até o garoto, mas parei ao perceber que o menino chorava.
– Está tudo bem? — perguntei preocupada.
"O que eu estou fazendo?" Perguntei a mim mesma. "Eu não me importo se ele está bem ou não!"
"That most people see me as ordinary
But if you look close you'll find I'm very
Interesting and hard to know
You can never tell where this might go
'Cause I'm not your average, average person
I don't know much, but I know for certain
That I'm just a little bit extra, extra
I'm just a little bit extraordinary"
– Extra Ordinary, Lucy Hale.
POV Austin
Após o término do intervalo, eu caminhei até o pátio e sentei-me no chão. Peguei a foto que guardava em minha carteira. Nela, estavam meus pais abraçados, com um garotinho loiro sentado em um tapetinho de borracha no canto. Eu.
Por que minha vida tem de ser tão horrível? O que eu fiz para merecer isso?
– Eu devo ter grudado chiclete na cruz — disse para mim mesmo, rindo sem humor.
Eu sentia falta de meus pais. Eu apenas os queria comigo. Ou talvez, apenas queria um abraço ou um beijo, mas de todas as formas, são coisas que eu nunca vou ter.
Senti lágrimas brotarem de meus olhos e me senti fraco. Eu sou homem e homens não choram!
Rasquei a foto em minhas mãos, magoado. As lágrimas já caíam impiedosamente de meus olhos. Levantei-me do chão, caminhei até o lixo, que ficava ao lado do bebedouro, e joguei a foto fora.
– O que foi aquilo? — ouvi Allycia perguntar. Eu pensei em sair correndo dali e voltar para o meu quarto, mas eu não me importava com a presença dela. Quer me zoar? Que zoe! Minha vida já é o inferno mesmo!
Desliguei-me da discussão sobre o que era aquele "vulto" entre os populares e voltei a chorar, sentado no chão, em um canto da parede. Senti minha boca secar e pedir por água, então caminhei até o bebedouro e peguei um copo d'água.
– Tem alguém ali! — disse a menina mais uma vez.
Outra discussão sobre mim começou. Algo em torno de dois minutos depois, vi Allycia se aproximar. A garota parece ter notado que eu estava chorando e fez uma expressão surpresa. Ela usava grandes óculos e eu juro que nunca a havia visto com eles.
– Está tudo bem? — perguntou a mim
– Como se você se importasse.
– Eu estou perguntando se está tudo bem, não estou? Acho que me importo! — disse séria, mas parecia assustada com o que havia dito.
– Mas eu sei que não se importa. Quer saber, vá encher outra pessoa.
– Olha, garoto, eu estou aqui perguntando se você está bem, então dá pra deixar de ser grosso, caramba?!
– Não, não dá! — gritei — Por que se importa? Você não ama ver as pessoas sofrerem? Então, pronto! Está vendo de camarote! Agora me faz um favor e vê se vaza!
Allycia ficou quieta, ela pareceu finalmente ter se tocado.
– Eu nunca vi um garoto chorar... — admitiu um pouco vermelha.
– Sério?! Wow, isso é bem irônico vindo de uma garota que já fez todo colégio chorar.
– Allycia??! — ouvi alguém chamá-la.
– Eu tenho que ir. Espero que você melhore — disse a menina, parecendo derrotada — Tchau, Austin.
Olhei para a garota, um pouco impressionado. "Ela sabe o meu nome? Nossa! Achei que ela achava que eu me chamava Mônica..." Pensei ironicamente.
O sinal tocou novamente. Agora teríamos aula de Biologia, então levantei-me e caminhei até a sala 29.
"Hiding the tears in my eyes
'cause boys don't cry
Boys don't cry
I would tell you
That I loved you
If I thought that you would stay
But I know that it's no use
That you've already
Gone away"
– Boys Don't Cry, The Cure.
POV Ally
Nos dirigimos até a sala 29, pois teríamos aula de Biologia, mas, ao chegar lá, fomos avisados de que o professor João Carlos havia faltado e teríamos a aula livre.
– Que tal Verdade ou Desafio? — sugeriu Dallas.
Piper e Gavin, namorados, aceitaram no mesmo momento. Cassidy e Elliot, que também namoram, não gostaram muito da ideia, mas aceitaram. Bianca e Jackson, meio que ficantes, sorriram maliciosamente, assim como Fabricio e Carla, que também são ficantes. Fernando e Jackeline resolveram ficar se pegando em vez de jogar. Gabriella e Victor saíram da sala, assim que o professor os liberou.
Assim, formamos um pequena rodinha.
– Vai jogar, Mônica? — perguntou Dallas.
– Não — respondeu apenas, sem olhar para o mesmo.
– Austin, vem jogar — resolvi chamá-lo.
O garoto me olhou, incrédulo, mas logo suspirou derrotado.
– Está bem.
Dallas olhou com raiva para Austin, o que me fez rir fraco. O ciúmes no moreno era totalmente visível.
Elliot para Cassidy.
– Verdade, desafio, nota ou sabonete, amor? — perguntou à loira.
– Nota — respondeu.
– Nota para o meu beijo — disse rindo — de 0 a 10.
– 11 — respondeu rindo e o beijou.
Piper para Austin.
– Verdade, desafio, nota ou sabonete, Austin?
– Verdade.
– É verdade que você acha Ally bonita? — perguntou, interessando-me.
– Sim, é verdade — respondeu sem olhar para mim.
Austin para Ally.
– Verdade, desafio, nota ou sabonete?
– Desafio — respondi, sem medo.
– Te desafio a... hm... ficar com o Elliot.
Sorri de canto ao ver a cara de Dallas. Austin seguramente morreria hoje. Outra pessoa que não gostou do desafio foi Cassy.
Dei um singelo selinho em Elliot e lancei um olhar significativo para Austin de "não faça isso de novo".
Dallas para Austin (F*deu! — N/A Steacy, não ria!)
– Verdade, desafio, nota ou sabonete?
– Desafio — respondeu sem medo.
– Fique só de cueca. Até o fim do jogo.
Austin o olhou, de boca aberta.
– Ok. Eu fico — disse convencido, fazendo-me sorrir internamente — Mas só porque eu sei que você quer ver isso — piscou e começou a despir-se. Wow! Só Austin Mônica Moon quis ter corpo, hein!
Piper para Ally.
– Verdade, desafio, nota ou sabonete?
–Sabonete — respondi.
– Em que lugar do corpo do Austin você passaria o sabonete? Quero a verdade!! Ah, e não esquece que tem que passar a mão, hein!
Sorri vitoriosa.
– Peitoral — respondi e recebi um olhar irritado de Dallas.
– Um minuto no relógio... Valendo! — disse Piper.
Austin estava sentado no chão, com os pés esticados e encostado na parede. Sentei-me em seu colo e comecei a apreciar seu belo e definido abdômen. Mordi o lábio inferior ao sentir seu "amiguinho" responder aos meus toques. Infelizmente, um minuto passou voando, então logo sai do colo de Austin e voltei a jogar. Bianca admitiu estar namorando Jackson e Carla admitiu nunca ter beijado de língua.
O sinal tocou e então paramos de jogar. A próxima aula seria Física na sala 69.
– Ally, eu estou passando mal... Eu vou pro quarto, está bem? — disse Dallas me dando um selinho. Assenti.
No começo do ano, o diretor divide os quartos. Eu durmo no mesmo quarto de Dallas. Kira divide o mesmo ambiente que Elliot e Cassy, coitada! Piper dorme com Gavin. Bianca, com Jack. Carla, com Fabricio. Fernando, com Jackeline. Austin dividia com Trish e Dez, mas agora dorme sozinho. Gabriella, com Victor. Mathias, com Viviane. Annie, com Troy.
O diretor deixa que escolhamos os nossos companheiros com apenas uma regra: Não poderá haver trocas no meio do ano. Em algum horário não especificado da noite, o diretor vai até os quartos e faz a sua inspeção, para saber se nenhum aluno está "fazendo coisas erradas".
Peguei meu material e levantei-me, mas resolvi esperar Austin terminar de se vestir e acompanha-lo até a sala.
– Está parada ai por quê? — perguntou grosso.
– Estou te esperando!
– Não precisa ficar de babá só porque me viu chorar, entendeu?
Ignorei a estupidez do garoto e continuei esperando-o.
– Você não desiste, não?
– Não.
– Por que não vai ver se seu namoradinho está bem?
– Porque não estou afim.
– Você é sempre fria dessa jeito?
– Só com quem merece.
– Sério? Porque a dez minutos atrás você estava passando a mão em meu abdômen...
Parei de respondê-lo. Eu não tinha mais argumentos.
– A aula vai começar. Vamos logo — disse apenas.
"Every morning after
I'm the same disaster
Every time it's groundhog day
Tell me, have you moved on?
Am I just a sad song playing every night and day?
Say can you read between the lines I'm singing
Threw away the only chance I had with you
Maybe you'll always be the one I'm missing
All I've got left are the words that you said"
– Stay With Me, R5.
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