American Movie
30 Let her go
Notas iniciais
Por favor, leiam as notas iniciais antes de iniciar a leitura do capítulo. Obrigada.
POV Ally
Abri os olhos devagar, sentindo algo pesar sobre mim. Pisquei algumas vezes e bocejei. Austin dormia calmamente. Com seu rosto em meu pescoço, eu podia sentir sua respiração quente. Seu braço era o que me rodeava.
– Bebê... – chamei-o.
– Hm – murmurou.
– Bebê, acorda – tentei mais uma vez.
– Não, mãe, não quero – resmungou.
Arregalei os olhos, surpresa.
– Austin.
– Ahn, quê? – o loiro se levantou em um sobressalto.
– Você falou da sua mãe.
– Eu o quê? – Austin ainda parecia muito confuso.
– Você disse Não, mãe, não quero – contei.
Austin encarou o cobertor e pareceu distante por um tempo. Depois, sorriu de canto e respondeu:
– Eu sonhei que ela estava me acordando... Mas fico feliz de ter sido você.
– Awn – murmurei, apaixonada.
– Porque seria bem assustador se minha mãe me acordasse, nas atuais circunstancias... – completou.
Bati de leve em seu peito, mas não deixei de rir. Tomei seus lábios em um selinho demorado e percebi que havia muito tempo que não nos beijávamos. Com toda confusão de ontem, mal pude passar um tempo com ele.
Ai, meu Deus. A confusão de ontem. Como eu queria que tudo não tivesse passado de um pesadelo estúpido. Mas não, era real. E assustadoramente assustador.
– Austin...
– Oi – murmurou entre o beijo que se formara.
– Eu vou embora – lembrei-o, sentindo uma pontada do coração.
Austin se afastou e colou nossas testas. Seus olhos estavam seu brilho e ele já não sorria mais.
– Eu sei. Vou sentir muito a sua falta, você sabe disso.
Suspirei, cansada.
– Que horas é o seu voo?
– Às quatro – respondi -, mas tenho que estar no aeroporto às duas. Você vai me levar, né?
Austin fechou os olhos com força e respirou fundo.
– Não queria estar lá para dizer adeus e te ver ir embora.
– Eu sinto muito. Você não precisa ir, se não quiser.
Austin sorriu, tristemente.
– Você me quer lá? – perguntou.
– Mais do que qualquer outra coisa.
– Então, sim, eu vou te levar.
POV Austin
Por que ele tinha que estar tão bonita?
Estávamos prestes a dizer adeus um ao outro e ela parecia ainda mais bonita, mesmo que não estivesse tão apresentável assim.
Minha morena usava uma calça de moletom cinza e uma blusa rosa-bebê, com os dizeres, Did You Miss Me?, também em cinza. Seu cabelo estava emaranhado, pois ela não o penteara mais cedo. Seus olhos castanhos estavam escuros, todos borrados de maquiagem.
E o meu coração estava apertado.
– Chamada para o voo 1734, com destino à Cidade do Cabo.
Allycia secou os olhos com as costas da mão. Encarei-a, sentindo meus olhos lacrimejarem. Penny sorriu tristemente e sussurrou:
– Temos que ir, filha.
– Não! – ela chorou, implorando. Lágrimas escorriam impiedosamente em sua face e ela mal conseguia falar, em meio aos soluços – Por favor, Austin, não me deixa.
Abri os braços, convidando-a a se aproximar. Ela me abraçou com força e chorou em meu peito. Ter de deixá-la fazia meu corpo querer expelir todas as lágrimas que eu retera até o momento.
– Por favor, Aus. Por favor... – implorou.
Engoli em seco. Eu não podia fazer nada, e isso me angustiava.
– Ally... – minha voz falhou. Deitei minha cabeça em seu ombro, secando minhas lágrimas em sua camisa – Eu gosto muito muito muito de você. Não quero te deixar ir – sussurrei, enquanto o choro vencia e derrubava minha resistência.
– Então não deixe, Aus. Fique comigo. Fique comigo pra sempre...
– Última chamada para o voo 1734, com destino à Cidade do Cabo.
Desesperei-me. Não, ela não podia ir. O que seria de mim sem ela? Eu já havia acostumado-me a acordar todos os dias com ela ao meu lado, a ir a sua casa nos finais de semana e a beijá-la toda vez que olhava para os seus lábios. Eu não podia deixar isso tudo terminar assim.
– Não é um adeus. É um até logo – ela afirmou, afastando-se de mim.
I won't give up on us
Even if the skies get rough
I'm giving you all my love
I'm still looking up
– Não é um término.
Cause even the stars, they burn
Some even fall to the earth
We got a lot to learn
God knows we're worth it
No I won't give up
Ela assentiu, engolindo o choro. Avançou em meus lábios, pela última vez, e adentrou o portão de embarque com sua mãe.
Dois meses depois...
Apertei a corrente em minhas mãos, com força. A última e eterna lembrança que eu tinha de minha namorada entre meus dedos. Isso doía.
Well you only need the light when it's burning low
Only miss the sun when it starts to snow
Nos últimos dois meses, Ally e eu conversamos bastante. Nas duas primeiras semanas, passávamos o dia todo no telefone, trocando e-mails e mandando mensagens. Porém quando as contas de telefone chegaram, decidimos que teríamos que diminuir a frequência.
Only know you've been high when you're feeling low
Only hate the road when you're missin' home
Passamos então a trocar e-mails, o que era gratuito. Conversávamos uma vez por semana, através do telefone. E isso não era suficiente para acobertar a saudade que morava dentro de mim desde que ela partira.
Staring at the bottom of your glass
Hoping one day you'll make a dream last
But dreams come slow and they go so fast
Os e-mails passaram a serem enviados com menos frequência. Penny fez a matricula de Ally na nova escola, e isso tomou praticamente todo o tempo da morena. Cada um enviava apenas um e-mail para o outro, geralmente.
You see her when you close your eyes
Maybe one day you will understand why
Everything you touch surely dies
Eu estava exausto. Precisava da menina ao meu lado. E precisava que ela soubesse o que eu realmente sentia. Peguei, então, uma caneta entre os dedos e uma folha de papel.
Querida Ally,
Não tornarei esse texto formal, pois não quero cansá-la.
Eu nem sei se essa carta chegará mesmo até você, e é isso que me motiva a escrevê-la. Estou um pouco inseguro. Não sobre o que sinto, mas talvez sobre a sua reação.
No último e-mail que trocamos, você me perguntou como estava minha vida.
Minha vida?
Não sei. Só sei que ela virou de cabeça para baixo depois de tê-la encontrado naquele pátio, sozinha e chorando.
Falando nisso, desde aquele dia, já sabia que você se tornaria uma pessoa muito importante na minha vida. Sempre acreditei que dentro de uma pessoa ruim e desalmada existe uma carinhosa e com um coração gigante. E você me provou isso.
Não consigo acordar todos os dias, olhar para o lado e ver que você não está ao meu lado na cama.
Não consigo ter que desligar o despertador, porque era você quem fazia isso.
Não consigo abrir meu guarda-roupa e ver um lado todo vazio.
Não consigo olhar para a mesa dos populares e não te ver lá, porque mesmo daquele jeito metida e esnobe, eu sinto sua falta.
Não consigo tomar o suco de uva da cantina, pois me lembro de que um dia você o jogou em mim.
Não consigo passar em frente ao clube que você frequentava e não lembrar do dia em que jogamos e quase nos beijamos.
E à noite, não consigo dormir, porque sei que você não vai estar ao meu lado no dia seguinte para desligar o despertador, procurar uma roupa no armário, esnobar alguém, beber seu suco no almoço e levar-me para passear no clube, nos finais de semana.
Eu não consigo mais viver sem você.
Talvez isso te machuque, mas eu preciso dizer que se não tivesse te conhecido, muitas lágrimas teriam sido poupadas. Você foi a pessoa por quem eu mais chorei na vida.
Mas eu lhe garanto que cada lágrima que derramei por você me fortaleceu.
E antes que pense...
Não é uma carta de amor.
Pelo menos, não explicitamente.
Só queria dizer que desde que você se foi, eu não consigo olhar para alguma foto sua e não pensar que não te amo.
Com carinho,
Austin.
Coloquei todos os meus sentimentos em um envelope e levei ao correio.
Dez dias depois...
A carta talvez não tenha sido entregue, tentei convencer a mim mesmo. O pensamento de que Allycia recebera a minha carta e não me respondera machucava-me. Preferi acreditar então que a carta não chegara a ela.
Deitei na minha cama, exausto.
De: Austin
Para: Alls
Bebê?
De: Alls
Para: Austin
Estou aqui, diga.
De: Austin
Para: Alls
Estou com saudades. Minha cama parece tão vazia sem você comigo.
De: Alls
Para: Austin
Estou com saudades também. Muitas.
Suspirei, colocando o celular sobre a cômoda. Alguém bateu em minha porta e entrou em seguida. Levantei-me rapidamente.
– Diretor – cumprimentei-o, educadamente.
– Austin – ele sorriu – Chegou uma carta para você. Assine esse papel para mim, por favor.
Meu coração falhou uma batida. Teria Allycia respondido a minha carta ou o correio não teria conseguido enviá-la, e a devolvera?
Assinei o papel apressado e peguei o envelope entre os dedos. O diretor saiu do quarto, fechando a porta.
Encarei o envelope. O mesmo que eu usara para enviar a minha carta. As esperanças dentro de mim diminuíram. Abri o papel, sem nem conferir o remetente.
Era uma resposta.
Querido Austin,
Acho que te amo.
Para sempre sua,
Ally.
Only know you love her when you let her go,
And you let her go.
Fale com o autor