American Idiot
2 Jesus of Suburbia
Notas iniciais
A música desse, como podem ver, é Jesus of Suburbia. Vídeo original: http://www.youtube.com/watch?v=SA8v3B1SxR0&ob=av3e
Enjoy!
Não sou o que se pode chamar de “garoto perfeito”. Vivo nas ruas com meus amigos Bob e Ray, fumando ou inalando qualquer droga que achamos. Eu amo essa vida, é bem melhor do que ser um daqueles nerds que passam o dia inteiro em casa com o nariz enfiado nos livros e tudo o mais. “Você só vive uma vez” e tudo o mais, sabe? É bom ser louco e fazer essas merdas por aí.
Minha mãe reclama?
Claro que sim. Mas ela não pode fazer nada sobre isso, ela passa a maior parte do dia em casa, bebendo e apostando na loteria, com a esperança de que, um dia, ela vá ganhar e nós ficaremos ricos.
É patético.
Meu pai? Nunca o vi. O infeliz sumiu já faz anos e nunca deu as caras em casa. Não que eu me importe, claro, afinal, pelo que me contaram, ele batia na minha mãe e tudo o mais, portanto, nem quero mais ver a cara dele.
Pelo menos não tão cedo.
Resumindo tudo, sou o filho do amor e do ódio.
O Jesus dos Subúrbios.
Vivo em uma dieta baseada em refrigerante e ritalina. Eu sei que isso tudo é pecado e tudo o mais, mas quer saber? Foda-se a igreja. Ela foi quem causou a maior parte das guerras em nosso mundo, ela ajuda a alienar as mentes das pessoas... Enfim, vocês entenderam. Mas quer saber? Não há nada de errado comigo, é assim que eu tenho que ser nessa terra de faz-de-conta.
Continuando, minha vida é baseada em me apaixonar e me endividar com álcool e cigarros. Ah sim, e maconha também, pra me manter louco enquanto eu uso a cocaína de outra pessoa, geralmente de Bob ou de Ray.
De qualquer forma.
Um certo dia, minha vida começou a mudar bastante. E eu vou contar-lhes como.
Lá estava eu, calmamente andando pelo estacionamento da 7-11 onde eu fui ensinado, quando vi uma pichação no muro:
“Lar é onde o seu coração está”
O lema era uma mentira, pois os corações das pessoas não batem iguais.
Fiquei pensando nisso o caminho todo, tentando decifrar o que aquelas palavras queriam dizer. As pichações nas paredes dos banheiros, dos muros e das pilastras da 7-11 eram bem inteligentes, devo admitir. Pareciam escrituras sagradas em um Shopping Center.
Após alguns minutos, cheguei ao canto onde os punks se reúnem. Avistei Bob e Ray com algum novato no grupo, conversando animadamente. Cheguei por trás e cutuquei-os. Eles automaticamente pararam de conversar com o menino e se viraram para mim.
–Franks! Fala aí, cara! Como vai?
–Bem. E vocês?
–Também. – respondeu Ray, sorrindo – E aí, vamos lá.
Assenti e fui andando na frente. Ray e Bob se despediram do novato e me seguiram. Fomos até a pilastra número 5 (tínhamos numerado as pilastras. Em cada pilastra ficava um pequeno grupo), que era a nossa. Sentamo-nos ali, tirei algumas ervas do bolso e começamos a devanear sobre coisas sem sentido. Rimos, ficamos com os olhos vermelhos, nos batemos e começamos a gritar coisas aleatórias:
–EU NÃO LIGO SE VOCÊ NÃO LIGA! – gritou Bob em um ponto de nossa festinha. Eu e Ray nos entreolhamos e começamos a gritar a mesma coisa:
–EU NÃO LIGO SE VOCÊ NÃO LIGA!
–EU NÃO LIGO SE VOCÊ NÃO LIGA!
–TODO MUNDO É TÃO CHEIO DE MERDA! CRIADOS POR HIPÓCRITAS! – falei – CORAÇÕES RECICLADOS, MAS NUNCA SALVOS!
Os dois começaram a rir e eu os acompanhei, sentindo minha cabeça rodar e vendo pontinhos brilhantes em todos os lugares.
–NÓS SOMOS OS FILHOS DA GUERRA E DA PAZ! DE ANAHEIM ATÉ O ORIENTE MÉDIO!
Bob, que tinha o costume de falar de mim quando ficava drogado, disse:
–NÓS SOMOS AS HISTÓRIAS E OS DISCÍPULOS DO JESUS DOS SUBÚRBIOS!
–HAHAHAHHA! TERRA DO FAZ DE CONTA E VOCÊ NÃO ACREDITA EM MIM! HAHAHAHA EU NÃO LIGO! – gritei, rindo muito. Ray começou a gritar “Eu não ligo” enquanto eu apenas ria.
De repente, desmaiei.
Meu caro amado, você está ouvindo?
Não me lembro de uma palavra do que você estava dizendo.
Somos dementes ou eu estou perturbado?
O espaço que está entre o insano e a insegurança.
Oh, terapia, você pode preencher o vazio?
Sou retardado ou sou apenas muito alegre?
Ninguém é perfeito e eu permaneço sendo acusado pela falta de palavras.
E essa é a minha melhor desculpa.
Acordei com dor de cabeça, como sempre. Meus olhos doíam e Ray e Bob estavam jogados ao meu lado, sorrindo.
De quem era a voz doce que eu havia ouvido enquanto estava desmaiado? Nunca havia ouvido antes, mas era tão linda... Não queria parar de ouvi-la nunca mais... Haveria um jeito de ouvi-la de novo sem ter que passar por toda essa dor de cabeça depois?
Bufei em descontento. Olhei em volta. A bebida havia acabado e o fumo também. Os grupos todos estavam apagados e eu era o único acordado. Comecei a devanear sobre minha vida. Ela era...
Inútil.
Era baseada em fumar, beber e desmaiar. Mais nada.
Comecei a pensar em minha mãe...
... Eu acabaria que nem ela.
Era como viver e não respirar. Morrer na tragédia.
Eu precisava correr. Fugir para encontrar aquilo em que eu acredito, deixar para trás esse furacão de mentiras chamado “Televisão”, “Igreja” e, principalmente, “América”. Não posso continuar vivendo nessa cidade que não existe.
Cutuquei Bob e Ray, que resmungaram, mas acordaram.
–Levantem as bundas daí. Nós vamos para a cidade.
–Vamos? Por quê? – indagou Ray, se sentando imediatamente.
–Admitam, nossas vidas são uma merda, tudo o que fazemos é beber e fumar!
–É, e eu estou feliz com essa vida, muito obrigado, Frank. – resmungou Bob, se sentando também.
–Vamos lá, por favor! – implorei – Pelo menos vamos explorar a cidade! Nós podemos acabar achando alguma coisa legal por lá! Por favor!
–Eu topo. – disse Ray, dando de ombros – Não custa nada, né? Acho que mais uma falta na escola não vai fazer diferença, principalmente para mim.
Sorri.
–E você, Bob?
Ele suspirou.
–Sei não...
–Tá com medo, Robert? – provoquei-o.
Ele me lançou um olhar gélido.
–Não me chama de Robert, filho da puta.
–Robert! Robert! Robert! Roooooooooobert!
–CALA A BOCA, FRANK! EU VOU, QUE MERDA!
Só aí ele percebeu a merda que tinha falado.
–Ok! – sorri – Só vou pegar algumas coisas lá em casa e nós vamos. Ray, segura o Bob, antes que ele fuja.
–Pode deixar. – ele piscou enquanto segurava o braço de Bob. Levantei-me, ignorando os gritos do loiro, e fui até em casa, encontrando minha mãe no mesmo estado de sempre: assistindo TV, com um cigarro em uma das mãos e uma garrafa de cerveja em outra. Ela me olhou com o mesmo olhar de nojo e perguntou:
–Qual o seu problema?
–Sua cara. – retruquei, sentando-me no sofá.
–Ah. Bom, deve ser fácil se sentar aí e bancar o rei de um monte de merda. – replicou minha mãe.
–Monte de merda é exatamente o que é esse lugar. Esse lugar que você chama de “lar” é o que é um nojo. E sabe qual é a pior parte disso tudo? Você vem aqui toda manhã, com a mesma cara de nojo.
Ela riu sarcasticamente.
–Que tipo de olhar?
–Você me olha como se eu fosse o perdedor.
–Ah. – ela ficou em silêncio. Continuei falando.
–E você se senta aqui com a droga dos seus bilhetes de loteria... E pensa que “Ah, talvez, talvez amanhã tudo vá mudar!”. Você nunca vai ganhar a loteria...
–Já acabou? – interrompeu-me ela – Quem te deu o direito de começar a fazer merda? Quem você é? Jesus, sentado nesse sofá, me condenando pelos meus pecados e eu sou a perdedora? Isso faz de você o filho de uma perdedora, seu idiota.
Bufei e virei um prato de plástico em cima dela, me levantando do sofá. Subi as escadas e enfiei várias coisas dentro de uma mochila: dinheiro, roupas, celular, etc.. Minha mãe, que havia subido as escadas junto comigo, me observava, com seu cigarro na mão. Ignorei-a e pus meu casaco, passando por ela, sem me importar. Entrei no carro e dei a partida. Foi só aí que notei minha mãe, novamente. Ela estava parada na frente do carro e me olhava severamente. Suspirei fundo e saí do carro mais uma vez. Ela me abraçou. Não retribuí o abraço, simplesmente fiquei parado entre os braços dela.
–Tome cuidado. – sussurrou ela roucamente. Não respondi, simplesmente a empurrei para longe e entrei no carro de novo. Ela bateu na janela do meu carro e eu a abaixei.
–Eu não sinto vergonha, não vou me desculpar... Quando não há um lugar em que você possa ir. – disse ela – Pare de fugir da dor quando você é transformado em vítima...
Dei um pequeno aceno para ela, era mais um “tchau” do que um “sentirei sua falta”.
–Contos de mais um lar quebrado... – sussurrei.
Are you leaving home?!
Notas finais
Bom... Espero que tenha ficado bom '---'
E também espero que o senhor Nancy Boy apareçam por aqui -q Deixa de frescura e vem ler essa merda porque eu quero te ameaçar aqui também -q
Parei.
Bom...
Beijo.
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