American Gurls
27 Popstar.
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem do capítulo, e se acharem que eu mereço e quiserem que eu não demore pra postar dessa, deixem um comentário :)
Boa leitura, xoxo!
1º de junho
Logan
Após o fiasco da última festa de lançamento que Gustavo organizou que acabou tendo que ser transferida pra nossa super festa em Palm Woods, Gustavo resolveu aprender a lição e organizou uma super festa de lançamento do nosso novo CD. Quase todo mundo que era importante no mundo musical estava aqui, e grande parte dos nossos amigos de Palm Woods estava aqui também. Comida boa, música boa, tudo perfeito. Bem, quase perfeito, por que uma pessoa não pode vir: Barbara. Ela está muito enjoada por causa da gravidez, e pra completar ela pegou uma gripe forte. Ela queria vir para este evento nem que fosse de cadeira de rodas, confesso que eu queria ter uma cadeira de rodas para trazê-la, mas insisti para que ela ficasse de cama descansando. Então além de doente, ela ficou muito estressada por não poder vir. E tudo que eu queria era poder ficar ao lado de Barbara cuidando dela a noite toda, mas se eu faltasse a essa festa, Gustavo encomendaria meu caixão para amanhã de manhã.
Eu tentava ao máximo aproveitar a festa, mas era difícil sem a minha brasileira ruivinha dos olhos verdes, e ainda mais impossível porque eu e meus amigos tínhamos que receber os convidados. Porém, minha cabeça estava longe, em Palm Woods para ser mais exato, e eu só conseguia pensar em como a Barbara estava sozinha, doente, desamparada e grávida em casa.
Meus pés não paravam de balançar debaixo da mesa. Acho que nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida. Acho não, tenho certeza. Meu coração está aqui à mil para provar.
Eu estava na mesa junto com Camille e Drianna. Os garotos estavam com Gustavo recebendo os convidados. Kelly estava correndo para cima e para baixo cuidando para que tudo saísse perfeitamente. Era uma festa linda. As cores branco, vermelho e preto estavam em todos os cantos. Tudo muito iluminado, com o DJ deixando ninguém de cara feia. Estava acontecendo em um salão de festas bem grande, com sua entrada cercada por um jardim de arbustos altos e flores brancas e vermelhas. Havia algumas mesas aleatoriamente dispostas ao redor de uma pista quadrada de led, mas parte das pessoas preferiu ficar de pé conversando e bebendo alguma coisa. E à frente de tudo, centralizado, estava o palco onde o DJ estava tocando, e aonde Big Time Rush e o cantor do álbum demo vencedor iriam se apresentar. Só de olhar para o palco eu tinha calafrios. E eu estava localizada numa das mesas mais próximas dele, mas mesmo se eu tentasse desviar o olhar, eu quase sempre acabava trocando olhares ou com Griffin, que insistia em me olhar com um sorriso misterioso e levantar sua taça de champanhe a mim, ou para um dos meus “concorrentes”, que praticamente me rodeavam. Na mesa ao lado, estava a banda de rock feminina que me assustava com seu excesso de lápis de olho. Do outro lado, estava o garotinho de 12 anos que se declarava o próximo Justin Bieber. Como se só um não bastasse. E logo atrás de mim, estava Pablo, um moreno “caliente” que prometia “inovar” o mercado americano. Uma versão masculina da Shakira, na minha opinião. Algumas daquelas pessoas me olhavam com caras nada felizes, como se estivessem prontos para me fuzilar. Ou seja, eu não tinha escapatória, a cada minuto eu ficava mais nervosa.
Eu só queria que James estivesse aqui segurando a minha mão e me dizendo que dará tudo certo.
Pedi licença à Drianna e Camille pra ir ao banheiro, para ver se eu conseguia fugir daqueles olhares que estavam me deixando claustrofóbica. Tive que driblar as mesas e os garçons que passavam a todo instante com refrigerantes, sucos, champanhes, e pratos com os mais sofisticados aperitivos para conseguir chegar ao banheiro feminino.
Assim que entrei e vi que estava sozinha, foi como se eu pudesse respirar novamente. Apoiei minhas mãos na pia e encarei meu rosto mega maquiado, dando uma pequena arrumada na superfície do meu cabelo, que estava dolorosamente preso para cima com um coque. Eu estava com um visual bem despojado e chique, um estilo mais “jovem”, de acordo com o estilista que montou meu look. Modéstia parte, eu estava arrasando, e todos também adoraram meu visual de cantora pop.
"Cantora Pop". E pensar que tudo aconteceu tão rápido, eu mal tive tempo de respirar. Foi só eu piscar os olhos que eu já tinha canções para escrever, demos para gravar, coreografias para aprender, regras de como me comportar… Quando dei por mim, eu já havia me tornado praticamente em outra pessoa.
Ai, estou com tanto medo… Medo desse risco de tudo dar errado, de todos os dias de trabalho suado serem jogados no lixo, de essa roupa que eu estou vestindo não ter mais sentido nenhum, de o meu destino ser mesmo o de me tornar uma advogada. Voltarei pra casa com o rabo entre as pernas, ouvindo um sermão de meia hora dos meus pais dizendo “Eu sabia!” ou “Eu te avisei, Jessica Bittencourt”.
Tomei um susto quando escutei um barulho e em seguida uma descarga vindo de um dos boxes. Uma garota que devia ter a minha idade ou um ou dois anos mais velha saiu do box do meio. Ela tinha a pele clara que parecia ser feita de porcelana, longos cabelos loiros e ondulados, e pelo modo como se vestia, devia ser bem rica. A garota mirou seus olhos castanhos em mim com o cenho franzido e veio caminhando até a pia. Limitei-me a observá-la apenas pelo espelho.
- Ei, você é um dos cantores das demos. Jess. – Disse a garota. E Jess é o meu nome artístico. Eu insisti bastante para que fosse “Jessi”, mas os diretores de marketing disseram que o “i” do final era “muito informal e pouco moderno”. Fazer o quê, né? Tudo pela minha carreira.
- Como sabe?
Ela revirou os olhos.
- Intuição. – Ela disse, com uma carga pesada de ironia, e eu não entendi bem porque. Se eu não estivesse tão nervosa, eu daria uma bela resposta àquela loira oxigenada. – E aí, está ansiosa? – Perguntou quando começou a lavar as mãos.
A ponto de querer desabafar com uma estranha? Sim.
- Que nada. É só a oportunidade da minha vida que pode dar completamente errado e eu posso não realizar o meu grande sonho. Não tem pra quê ficar nervosa se as minhas passagens de volta pro Brasil já estão no bolso do paletó do Gustavo Rocque! – Falei com sarcasmo e nervosismo puro em minha voz. A garota franziu o cenho para mim outra vez enquanto ensaboava as mãos. – Desculpa. Eu estou muito ansiosa.
- Deu pra notar. – Ela terminou de lavar as mãos, e enquanto as enxugava com lenço de papel, disse: – Olha, não tem porque ficar tão nervosa. Você acha que é pior do que uma banda de garotas rockeiras, um garoto de 12 anos acha que é o próximo Justin Bieber, ou um cara que é mais bonito que eu?
Refleti por um instante.
- É, pensando por esse lado, eu não sou pior que eles. Não tão pior.
- Isso mesmo. – Ela jogou os lenços de papel no lixo antes de se virar para mim e dizer: – Você precisa ser mais confiante, Jess.
- Eu sei, eu tento ser, mas… – Encostei minhas costas na pia e dei um longo suspiro. – Mesmo depois de eu ter quase me matado de tanto trabalhar, tenho medo de dar tudo errado. Cantar e tocar são as únicas coisas que eu sei fazer e amo fazer. Se eu não conseguir essa chance hoje, já era. Eu não sou uma pessoa muito sortuda, sabe? – Tive um calafrio só de pensar em voltar ao estado depressivo em que eu estava antes.
- Não é uma questão de sorte, queridinha, é de talento. – Apesar de haver sempre um ar de superioridade em sua voz, pelo visto essa loira oxigenada e podre de rica não era tão insuportável como eu imaginei. E eu nem sabia quem ela era. – Com licença. – Ela disse, passando por mim com um doce sorriso. Quando ela praticamente fora do banheiro, eu resolvi acabar o mistério.
- Ei! Espera, qual é o seu nome?
- É Mercedes. Mas me chame Mercedes Griffin. – Ela disse num tom autoritário, mas depois soltou o mesmo sorriso de antes, em seguida virou de costas para mim e foi embora em direção a sua mesa.
A filha do Arthur Griffin. Ai. Meu. Deus. A garota que escolhe o ganhador do contrato. Caraca! Eu acabei de conversar com a pessoa que tem meu futuro nas mãos. Como se fosse possível, eu consegui ficar mais nervosa do que antes. Eu estava tão concentrada encarando a mesa dos Griffrin que nem prestei atenção por onde eu andava. Acabei esbarrando em alguém que passava, e eu só não caí porque um certo otário latino me segurou nos braços. Infelizmente, eu não estou falado do Carlos.
- A moça bonita precisa ter mais cuidado por onde anda. – Disse Pablo, com uma voz sedutora, que não surtiu efeito algum em mim, a não ser o de desprezo. Meu sangue já fervia por estarmos próximos demais para o meu gosto.
- Ok, dá pra me largar? – Pedi sem muita delicadeza, empurrando minhas mãos contra o seu peito para que ele se afastasse de mim.
- Perdão, mas eu não poderia deixar uma mulher belíssima como você se espatifar no chão. – Ele disse, pegando na minha mão e a beijando. Livrei minha mão dele logo em seguida.
- Tá, e eu agradeço a sua gentileza, mas eu tenho mais o que fazer. – Falei com a dose mais pesada de desprezo possível. – Com licença. – Quando eu estava prestes a me afastar, Pablo me segurou pelo braço e chegou bem próximo ao meu ouvido.
- Hum… Eu adoro as bravinhas. – Sussurrou. Então eu me virei, fazendo a mesma expressão maliciosa que ele. Pousei minha mão sobre o peito dele antes de dizer:
- É mesmo? – Falei com um sorriso de canto, entrando no joguinho dele. – E sabe quem mais é bem bravo que eu? O meu namorado James Diamond, que tem o dobro do seu tamanho. Agora, por favor, dá licença que eu não tenho tempo pra um babaca como você. – Virei as costas para ele e, por coincidência, avistei os garotos ao longe. Corri como pude entre as mesas e os garços para chegar até eles. Ao me aproximar de James, eu o abracei e levantei o rosto para dar um selinho rápido nele.
- A gente já estava indo se sentar. Gustavo nos liberou de receber os convidados porque a maioria já chegou, finalmente. – James me disse aliviado enquanto caminhávamos abraçadinhos para a mesa onde estavam Dria e Camille. – Tem certeza de que não sente frio com essa roupa?
Eu ri. James vinha implicando com essa roupa desde que chegamos, porque o short era tão curto que acabava mostrando a “bochecha” da minha bunda.
- Deixa de ser chato. – Falei, dando um leve tapa no peito dele e depois puxando seu queixo para um breve beijo.
Quando estávamos todos juntos novamente – só faltava a Barbara aqui – foi que eu consegui relaxar e me distrair um pouco. Agora eu tinha para onde desviar o olhar: para os olhos de avelã do meu namorado.
Porém, meus minutos de paz duraram pouco quando Gustavo Rocque subiu no palco chamando Big Time Rush para se apresentar, e anunciando que logo em seguida Mercedes Griffin anunciaria quem ela escolheu para ganhar um contrato musical. A apresentação dos garotos conseguiu me distrair em alguns momentos, mas eu comecei a suar frio de tão nervosa. Faltava pouco para saber o que seria decidido da minha vida. Quando a performance acabou todos aplaudiram de pé. Os garotos desceram do palco e voltaram para a mesa com Kelly atrás deles enxugando seus rostos suados.
Mercedes Griffin então subiu ao palco. Eu segurava tão forte a mão de James, que eu estava a ponto de quebrá-lá. Todos naquela mesa me mandaram olhares confiantes.
Seja confiante, Jessica, confiante.
- Está pronta para se apresentar, Jess? – James perguntou, dando ênfase em meu nome artístico. Olhei para ele mordendo meu lábio inferior inteiro de tão nervosa. Ele riu e me deu um beijo na testa. – Vai dar tudo certo, você vai ver.
Minhas atenções então foram voltadas para Mercedes Griffin, que começara a falar.
- Boa noite à todos. Meu nome é Mercedes Griffin, e eu sou responsável pela escolha do melhor álbum demo. Algum tempo atrás, esta decisão não era um motivo de grande evento. Algum tempo atrás esta decisão era tão insignificante que um macaco era quem a fazia. Mas muita coisa mudou de lá para cá. O mercado musical está cada vez mais competitivo, por isso temos que ir nos adaptando às suas novas exigências. Eu sou jovem, e sei bem que precisamos de um artista que consiga agradar a todos os jovens. Afinal, somos nós os jovens quem movimentamos grande parte desse mercado musical, não é? Por isso, digo que eu não preciso de mais um Justin Bieber. Já temos um, e ele é o suficiente. Digo que não preciso de uma banda de rock feminina, não é nada pessoal, vocês até que são fofinhas, mas infelizmente não agradam.
E assim, rápido e fácil, Mercedes Griffin destruiu o sonho de um garotinho e quatro garotas. O garotinho se segurou começou a chorar e foi embora com a mãe e as garotas ficaram indignadas e saíram quase virando a mesa. Passado isso, Mercedes continuou como se nada houvesse acontecido.
- Como a maioria das fã-bases são constituídas em sua grande parte por garotas, precisamos de um moreno forte de voz aveludada que faça todas as garotas de todas as idades desse país se apaixonem por ele, comprem seu CD e vão ao seu show.
E quando eu achei que já era, e já estava escondendo meu rosto na camisa do James para que ninguém visse quando eu começasse a chorar, Mercedes Griffin continuou seu discurso.
- Mas por outro lado, nosso mercado precisa de uma mulher de voz potente, que faça todo mundo enlouquecer com suas músicas, umas viciantes e que nos fazem ter vontade de levantar da cadeira e ir dançar, outras de letras verdadeiramente pensadas e que dão vontade de chorar de tão lindas. – Mercedes Griffin olhou para mim. De alguma forma, ela sorria para mim apenas com os olhos. Eu sorri de volta, tirando minha cabeça do ombro de James. – Senhoras, senhores, eu não tomei minha decisão. Então tive uma ideia: O verdadeiro cantor sabe se apresentar em público, então que tal se os dois cantores das demos incríveis que ouvi se apresentassem agora, para que eu pudesse enfim tomar uma decisão concreta?
Todos concordaram com a ideia.
- Se é assim, que o melhor cantor vença! – Houve aplauso geral, e Mercedes Griffin esperou que todos parassem para terminar. – E como sempre, as damas primeiros. – Ela disse olhando diretamente para mim, esboçando um sorriso no canto da boca. Enfim, ela deixou o palco.
O sentimento claustrofóbico agora era três vezes pior. Tive que respirar fundo várias vezes e tomar dois copos de água para me acalmar. Virou uma competição. Uma competição! Ai Deus. Não demorou nada para que Gustavo e Kelly surgissem atrás de mim e me arrancassem da mesa. Despedi-me com um olhar desesperado de James. Fui arrastada para trás do palco, onde havia uma porta que dava numa sala que funcionava como camarim. Meus dançarinos já estavam todos prontos, assim como as dançarinas de Pablo – que pareciam mais umas prostitutas –, que dava os últimos retoques na frente do espelho em sua cômoda. Alguém apareceu e retocou a minha maquiagem enquanto outro veio e pôs o microfone no meu rosto, prendendo-o pela a minha orelha e fixando um pequeno equipamento ligado ao microfone na parte de trás do meu short. Quando eu estava indo em direção aos degraus que davam no palco, Pablo veio até mim.
- Moça bonita… Espero que entre nós não haja ressentimentos. – Disse apertando a minha mão ainda com o mesmo olhar malicioso. Olhei desentendida para ele. – Quando eu ganhar, espero que não haja ressentimentos entre nós dois. – Ele consertou sua frase e eu larguei a sua mão na hora.
- Se você ganhar. – Eu o corrigi, mas ele riu como se eu houvesse contado uma piada.
- É o que veremos. – E antes de me deixar em paz, eles fez questão de continuar: – Ah, e quando eu for famoso, eu deixo a gente fingir que somos amantes para que você ganhe um pouco mais de holofotes. Afinal, parece que o seu namorado não te proporcionou a fama que você tanto quer.
Tive vontade de chutar as bolas daquele cara, mas me controlei, e me assim que Pablo deu risada e virou as costas, eu mandei ele ir se foder em português. Eu não tinha pra quê perder tempo com esse babaca. Eu tinha que me concentrar na apresentação que eu estava prestes a fazer e ter certeza de que eu darei o máximo de mim, isso sim. Aí depois, vamos ver quem é que vai rir por último.
Mercedes Griffin apareceu nos nossos bastidores para nos desejar uma boa apresentação. Quando veio falar comigo, disse as mesmas palavras que havia dito à Pablo, mas acrescentou:
-… E não se esqueça de ser confiante. – Ela disse tocando o meu ombro. Logo depois foi para o palco para anunciar a minha entrada. Kelly e Gustavo me tiraram do camarim, me levaram até os degraus do palco e me mantiveram aguardando até a hora certa.
A música eu escrevi inspirada totalmente na série em que a minha melhor amiga é protagonista, até leva o mesmo nome. American Girl. Gustavo adorou, mas mesmo assim modificou algumas coisas. Pelo menos meu tempo perdido na frente da televisão me serviu de alguma coisa. Se alguém vier contestar dizendo que sou Brasileira, eu já terei a resposta na ponta da língua: “Ué, mas não moramos todos na América? Então eu também sou americana”. Sei que não cola, mas é o único argumento que tenho e essa é a melhor música animada do álbum demo. Passei duas semanas direto ensaiando coreografias com dançarinos, aquecendo a voz e me preparando para este grande dia. E agora chegou a hora.
Depois de escutar Mercedes Griffin falando brevemente de mim e de Pablo, ela chamou o meu nome. Ajustei o microfone preso na minha orelha e fiz um sinal da cruz antes que Gustavo e Kelly me dissessem um boa sorte em coro e me empurrassem degrau a cima. Senti minhas pernas tremendo quando eu enfim pisei no palco. Evitei olhar para o público naquele momento e só fiz o que eu tinha que fazer.
A introdução da música começou. Eu subi ao palco bebendo um copo de café Starbucks sem realmente ter nada dentro. Tudo parte da coreografia. Os dançarinos entraram pelo lado oposto do meu. Eu os encarei por um instante, atirei meu copo para um lado, e fui interagir com eles, puxando-os para a coreografia – que parecia mais ser uma peça de teatro – no centro do palco que começou no minuto em que comecei a cantar, com os nervos à flor da pele.
I fell in love in a 7/11 parking lot
Me apaixonei em um estacionamento que abre das 7 às 11
Sat on the curb drinking slurpees
Sentei no meio-fio bebendo raspadinha
We mixed with alcohol
Que misturamos com álcool
We talked about all our dreams
Falamos sobre todos os nossos sonhos
And how we would show ‘em all
E como mostraríamos para todo mundo
Whoa-oh-oh
I told him I got a plan and I’m gonna dominate
Disse a ele que eu tinha um plano e vou dominar
And I don’t need any man to be getting in my way
E não preciso de nenhum homem no meu caminho
But if you talk with your hands
Mas se você falar com suas mãos
Then we can negotiate
Então podemos negociar
Whoa-oh-oh
Pisquei para James e vi ele dar gargalhada. Nesta próxima parte, fiz questão de dançar olhando especialmente para ele durante uns versos.
I just keep moving my body, yeah
Eu apenas continuo mexendo meu corpo
I’m always ready to party, yeah
Estou sempre pronta para festejar
No, I don’t listen to mommy, yeah
Não, eu não escuto minha mãe
I never say that I’m sorry
Eu nunca peço desculpas
Eu estava conseguindo relaxar mais, sentia-me menos robótica com os movimentos agora. Preparei-me para um refrão cheio de explosões de fogos de artifícios e dançarinos dando saltos mortais.
I am an american girl
Sou uma garota americana
Hot blooded and I’m ready to go
Sangue quente e pronta para ir
I’m loving taking over the world
Estou adorando dominar o mundo
Hot blooded, all american girl
Sangue quente, garota americana por inteiro
Whoa
I was raised by a television
Fui criada pela televisão
Every day is a competition
Todo dia é uma competição
Put the key into my ignition
Coloque a chave na minha ignição
Oh-way-oh
Sentei na beira do palco balançando minhas pernas pra fora, observando todas as pessoas de pé batendo palmas no ritmo da música. E quase de cara com a mesa dos Griffin e a minha.
I wanna see all the stars and everything in between
Quero ver todas as estrelas e tudo entre elas
I wanna buy a new heart out of a vending machine
Quero comprar um coração novo em uma máquina de venda
‘Cause it’s a free country, so baby, we can do anything
É um país livre, então amor, podemos fazer qualquer coisa
Whoa-oh-oh
Levantei num salto para voltar para o centro do palco e fazer a coreografia com meus dançarinos enquanto eu tirava minha jaqueta meio sensualmente.
I just keep moving my body, yeah
Eu apenas continuo mexendo meu corpo
I’m always ready to party, yeah
Estou sempre pronta para festejar
No, I don’t listen to mommy, yeah
Não, eu não escuto minha mãe
I never say that I’m sorry
Eu nunca peço desculpas
Na próxima explosão, a platéia foi à loucura e eu joguei minha jaqueta no ar.
I am an american girl
Sou uma garota americana
Hot blooded and I’m ready to go
Sangue quente e pronta para ir
I’m loving taking over the world
Estou adorando dominar o mundo
Hot blooded, all american girl
Sangue quente, garota americana por inteiro
Whoa
I was raised by a television
Fui criada pela televisão
Every day is a competition
Todo dia é uma competição
Put the key into my ignition
Coloque a chave na minha ignição
Oh-way-oh
Fui até as back-up singers para cantar junto delas, passando o braço envolta do ombro de uma.
You know we’re gonna shine so bright (oh we’re gonna shine so bright)
Você sabe que brilharemos tão intensamente (oh brilharemos tão intensamente)
Oh baby gonna go all night (oh we’re gonna go all night)
Oh amor, continuaremos a noite inteira (oh continuaremos a noite inteira)
You know we’re gonna shine so bright (oh we’re gonna shine so bright)
Você sabe que brilharemos tão intensamente (oh brilharemos tão intensamente)
Oh baby gonna go all night
Oh amor, continuaremos a noite inteira
Corri de volta ao centro do palco. Foram mais fogos, mais luz, mais brilho.
I am an american girl
Sou uma garota americana
Hot blooded and I’m ready to go
Sangue quente e pronta para ir
I’m loving taking over the world
Estou adorando dominar o mundo
Hot blooded, all american girl
Sangue quente, garota americana por inteiro
I am an american girl
Sou uma garota americana
I was raised by a television
Fui criada pela televisão
Every day is a competition
Todo dia é uma competição
Put the key into my ignition
Coloque a chave na minha ignição
Oh-way-oh
À esse ponto, eu me sentia confiante o suficiente para deixar a canção nas mãos das back-up singers para que eu pudesse minha voz variar nas mais altas notas.
(I am an american girl
Sou uma garota americana
Hot blooded and I’m ready to go
Sangue quente e pronta para ir
I’m loving taking over the world
Estou adorando dominar o mundo)
I’m taking over
Estou dominando
I am an american girl!
Sou uma garota americana!
Parei com o punho fechado no alto, suor pela todo o corpo, e um enorme sorriso no rosto. Não sei de onde veio essa energia em mim, só sei que deu tudo certo. Os dançarinos saíram da posição de estátua e se posicionaram ao meu lado, fazendo uma corrente com as mãos e agradecendo com uma reverência ao público que gritava, assobiava e batia palmas enlouquecido. Aquela seria a performance que eu faria se o resultado já houvesse sido dado, e eu sentia que eu já havia mesmo ganhado. A sensação era incrível. Então eu tive a absoluta certeza de que é tudo isso que eu quero pra minha vida. Eu quero estar no palco e entreter as pessoas com a minha música. É isso que eu amo, e mesmo se eu não conseguir agora… Eu não vou desistir desse sonho. Nem que eu bata na porta de todos os produtores musicais do país.
Após Gustavo e Kelly me parabenizarem e enxugarem todo o suor do meu rosto eu voltei para a minha mesa. Todos disseram que foi incrível, e que eu já tinha ganhado isso. Tenho que confessar, depois dessa performance, tanto a minha confiança quanto a minha auto estima foram lá em cima. Espero que continuem lá.
Chegou a vez de Pablo se apresentar. Seu nome foi anunciado por Mercedes e a música começou ao mesmo tempo em que ele apareceu no palco com suas dançarinas/prostitutas. Como se fosse automático, todas as mulheres piraram com ele. Até Camille disse “Ele é MUITO gato” do meu lado. Eu tentava não ligar muito, mas quase todo mundo estava amando a performance. Pablo tinha uma desenvoltura no palco, uma energia surreal. Sem falar que a voz dele era perfeita. Meu astral estava lá embaixo de novo e eu estava dando este contrato como perdido novamente, quando Pablo entrou na coreografia com as dançarinas, só que elas foram para um lado e ele foi para o lado oposto, esbarrando numa dançarina. O problema foi que com o baque com a dançarina, que até teve que ser segurada pela outra que estava atrás para não cair no chão, o microfone de rosto se chocou contra o queixo dele. O curioso foi que ele resmungou de dor, mas não saiu nas caixas de som. As caixas de som continuaram tocando a voz dele, como se ele não houvesse parado de cantar. Ao perceber isso todo mundo se entreolhou, e Pablo desentortou o microfone e voltou a “cantar” nele como se nada houvesse acontecido. Pablo estava fazendo playback.
Ao fim da sua apresentação, a platéia não estava mais animada e eufórica. Quase ninguém bateu palma. Pablo se retirou do palco, e a próxima coisa que eu vi foram os seguranças o conduzindo para fora daqui. Foi tudo tão rápido, que quando dei por mim Mercedes estava em cima do palco com uma expressão séria.
- Bem, senhoras e senhores. Espero que isso sirva de lição para nós. Às vezes um rosto e um corpo bonitinho podem enganar. – Então, bipolarmente, a expressão dela mudou para uma com um sorriso. – Agora sabemos quem merece esse contrato de verdade. A garota com presença de palco, e uma voz incrível de verdade. Eu sinto que ela ainda irá bem longe. Por favor, uma salva de palmas para a próxima popstar, Jess!
Notas finais
E se o link da roupa da jessica: http://24.media.tumblr.com/1946d69ed227656b9b9930e9cbf69047/tumblr_mruxd9lQ6u1rn6865o1_500.png
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