Notas iniciais
Oi gente desculpa pela demora. Tive uns problemas ai, e alem do mais esse capítulo foi dificil de escrever. Pessoal, eu sei que esses capítulos são meio fortes, mas eu prometo que vou compensar com um bem melhor. O próximo vai ser BEEEM feliz, Pov Logan e Barbara. E vocês já devem estar sentindo falta da Dria né? Eu também hahaha. Só peço que tenham calma, porque ela já está voltando com tudo. Boa leitura, e não esqueça de deixar o seu comentário no fim. Xoxo!

Playlist:

Not Like the Movies — Katy Perry

Speechless — Lady Gaga

The Lonely — Christina Perri

– ELEVATE A LITTLE HIGHER, LET’S TRHOW A PARTY IN THE SKY AND CELEBRATE!...

Com o susto, sento na cama de imediato, com o coração acelerado e a respiração falhando. O celular continua tocando, mas eu não tenho idéia de onde ele está. Podia jurar que o deixei em cima da cama. E eu tenho que lembrar de trocar a porcaria do toque, senão qualquer dia desse eu tenho um ataque ao acordar.

Levantei normalmente para procurá-lo, até que senti minhas pernas fraquejarem e tudo ao meu redor girar. Apoiei-me rapidamente a porta do guarda-roupa para não cair no chão e fechei os olhos com força, tentando fazer parar a tontura. Mas que merda tá acontecendo...?

O celular parou de tocar, o que foi um alívio pra mim. Abri os olhos e olhei em volta. De repente, algumas cenas do estranho sonho que tive de noite passaram pela minha cabeça. Sonhei que Diego me espancava e depois ele... Abusava de mim. Foi um pesadelo isso sim. E foi tão real que eu até estou me sentindo meio fraca.

Então o maldito telefone que começou a tocar novamente. Aquele toque estava me provocando dores de cabeça. Me apressei pra acha o celular, que curiosamente estava jogando no chão.

– A-alô? – Foi quando percebi que minha voz estava bem rouca. Devo ter gritado bastante durante o sonho.

– Jessi? O que aconteceu com a sua voz? – Era James, fazendo um sorrisinho brotar no meu rosto involuntariamente.

– Acho que foi porque eu tive um pesadelo e devo ter gritado demais, ou sei lá.

– Pesadelo? Deve ter sido assustador o bastante pra te deixar sem voz, não foi?

– E como... – Suspirei.

– Com o que você sonhou?

Senti que uma parte de mim queria contar pra James, mas a outra me impedia, como um bloqueio.

– Besteira, besteira. Mas é que… Parecia tão real. – Olhei pra baixo casualmente, então notei. Eu não estava usando meu pijama usual. Eu estava usando uma camisola velha. Parecia que eu tinha pegado a primeira roupa da gaveta e posto no corpo. Estranho… Não lembro de ter vestido isso. Segui meu olhar pelo chão e vi a blusa do meu pijama rasgada e meu short jogado num outro canto. Um arrepio correu dos meus pés a cabeça quando flashes do meu tal pesadelo surgiram em minha mente.

– Jessica? Jessica!

– O-oi James, desculpa.

– Você ficou calada de repente, o que foi?

– N-não foi nada. Eu só me distraí.

Ocasionalmente, parei meu olhar na minha cama. E, no lençol, haviam manchas de sangue.

Não pode ser.

– Eu tenho que desligar James, tchau. – Encerrei a chamada rapidamente sem nem ao menos esperar a resposta e desliguei o celular. Eu estava em choque demais para conversar. Então senti uma dor forte de cabeça, como se meu cérebro estivesse sendo espremido como uma laranja. Sentei na cama e elevei as minhas mãos à cabeça, respirando devagar pra fazer passar a dor. Mas não funcionava. As imagens da noite passada iam gradualmente fixando-se na minha memória.

Não, não pode ser. Não pode ter sido real. Foi tudo só um pesadelo. Só um pesadelo!

Sem pensar duas vezes, corri para meu banheiro, com um pouco de desequilíbrio por causa da tontura. Parei na frente do espelho meio ofegante e retirei a camisola e a roupa intima que estava aparentemente vestida do avesso.

Meu rosto estava bem machucado. Paralisei por um instante com o choque, pra depois criar coragem de olhar pro resto do meu corpo. Meu peito estava repleto de arranhões, havia marcas de agressão por toda a parte. Engoli a seco vendo todos aqueles hematomas no meu corpo. Com um pouco mais de coragem, desci minhas mãos ao longo da minha barriga e cheguei até a virilha, soltando um gemido de dor ao sentir meus dedos pressionarem a área dolorida.

Uma avalanche de lágrimas estava pronta pra cair, então apenas apoiei minhas mãos na pia e esperei elas descerem.

Não pode ser verdade. Não... Talvez tudo isso seja fruto da minha imaginação, talvez eu ainda esteja sonhando! É isso! Sem nem pensar duas vezes, comecei a esfregar as mãos sobre os machucados do peito, na esperança de apagá-los como borracha. Olhei-me novamente no espelho. Ainda estavam lá. Mas... E se eu jogar água? Pode funcionar. Meu desespero era tão grande que eu tentaria qualquer coisa. Fui para debaixo do chuveiro agoniada, girando a válvula e deixando a água gelada se espalhar por toda a minha pele. Esfreguei as mãos sobre os machucados novamente, mas vi que eles não estavam sumindo. E nem iriam.

As lágrimas se misturavam com a água que caia do chuveiro. Os sons de choros, gradualmente se transformando em soluços roucos, se misturavam com o barulho da água se chocando contra o chão. E meu pesadelo se misturou com a realidade. Agora eu tenho certeza, aquilo foi real. Só não quero acreditar. Eu me recuso a acreditar.

Sai do banheiro apenas enrolada na toalha, nem me importei em trocar de roupa, apenas sentei na cama e abracei os joelhos. Então, de repente, tudo ficou mais claro pra mim. Todas as cenas, desde a hora em que Diego chegou, até o momento em que resolvi fechar os olhos pra não ver mais nada... Todas essas cenas passaram pela minha cabeça como um filme. Um filme de terror.

O choro não cessava, o que fazia minha garganta doer. Acho que perdi a noção do tempo, parecia que eu estava ali a horas. Mas não fazia diferença. Eu nunca vou me esquecer mesmo. Nem amanhã, ou semana que vem, ou mês que vem, ou ano que vem... Nunca.

Escutei um barulho um tanto quanto estrondoso vindo da minha barriga. Fome. Eu não como desde... A ultima vez que conversei com James pelo computador. Há quase dois dias atrás. Enxuguei as lágrimas, criei forças pra levantar e peguei uma roupa velha pra vestir no meu armário. Sai do meu quarto e desci as escadas devagar pra não ficar tonta, e fui até a cozinha. Quando cheguei ao cômodo, havia um papel de caderno dobrado, escrito “LEIA” na frente em cima da mesa. A curiosidade venceu por um momento, e me atrevi a pegá-lo para ler.

Primeiramente, desculpe.

Talvez você esteja certa, eu sou um monstro. Eu não sei o que deu em mim. Mas não espero que me perdoe, porque no fundo, bem no fundo, eu queria fazer aquilo. Eu só peço que mantenha o que aconteceu em segredo. Eu te imploro, Jessica, não conte pra ninguém. E em troca eu prometo que não vou mais aparecer na sua vida. Vou sumir. Você nunca mais vai ter notícias minhas, e aí vai ser como se eu nunca tivesse existido. Tenho certeza que é tudo que você mais quer agora, não é? Afinal, você me odeia.

Então espero que cumpra sua promessa, e eu cumprirei a minha. Mas caso contrário, eu saberei onde te encontrar.

Adeus, Jessica.

Com amor,

Diego.

Senti uma avalanche de ódio devastando meu corpo, e quase que automaticamente, picotei a folha de papel em pedacinhos.

– EU TE ODEIOO! – Gritei para as paredes, ouvindo minha voz ecoar pelo espaço.

Ah, ele que eu guarde segredinho?! É isso mesmo? Ele me estupra e ainda quer que eu guarde segredo? Só pode ser brincadeira.

Se bem que... A proposta é tentadora. Afinal a única coisa que eu quero agora é manter distância daquele monstro. Nunca mais quero ver a cara dele, nem num tribunal. Mas... O que eu irei dizer pros meus pais? Eles com certeza vão ficar preocupados quando chegarem e me verem nesse estado. E o que eu direi aos meus amigos... Ao James? Ah... Na hora eu invento alguma coisa. Agora eu vou comer alguma coisa, a dor no meu estômago já está insuportável.

Fui até a geladeira e vi que só haviam algumas sobras de pizza. Mas que droga, não vejo a hora de meus pais chegarem dessa bendita viagem. Não aguento mais comer comida congelada. Coloquei a pizza num prato no microondas. Enquanto esperava, sentei à mesa, admirando os papeis picados. As cenas da noite passada voltaram a minha mente, eu tentava me distrair com outras coisas, mas não deu certo. Eu sinto que vou enlouquecer se guardar isso pra mim. Mas eu não posso me dar ao luxo de contar isso pra alguém… E arriscar ver Diego novamente. E sabe-se lá o que ele pode fazer nessa próxima vez. Pelo visto não tem jeito. Por mais que doa, eu tenho que ficar calada. Pro meu bem.

Então as lágrimas começaram a cair com uma força incontrolável. Apoiei minhas mãos sobre a mesa pra tentar me acalmar e controlar as lágrimas, mas eu tinha muito ódio preso dentro de mim. E eu precisava descontar em algo. Então eu ignorei completamente quando o microondas apitou, percebi que pensar naquelas coisas me deixaram completamente sem fome. Então corri para o meu quarto. Chegando lá, eu estava determinada a me livrar de tudo que me lembrasse de Diego. Todas as fotos eu rasguei, apaguei. Os presentes foram todos destruídos de alguma forma. Mas minha raiva estava indomável. Não era suficiente. Joguei tudo que havia em cima da mesa de estudo no chão. Aquilo realmente ajudava a aliviar um pouco.

Abri meu guarda roupa e fiz o mesmo, e no fundo dele pra minha surpresa achei um urso panda de pelúcia, meu animal favorito. Mas logo pensei ser outro presente de Diego e não pensei duas vezes antes de arrancar-lo a cabeça. No momento em que fiz isso, um cartão colorido que estava amarrado no pescoço do panda consequentemente caiu no chão. Minhas atenções se voltaram pra o cartão lacrado, onde estava escrito na frente “feliz aniversario!”. Ate ai tudo bem, se não estivesse escrito em inglês. Larguei as duas partes urso no chão para pegar o papel colorido do chão e o abri.

Hi Jessi!

17 years old? You’re almost a real woman! Hahaha! I’m just kidding. Now, being serious, I’d like to wish you a happy birthday, and that all your dreams come true. You’re a wonderful girl and I’m so glad I had the chance to meet you.

I’m really really sorry I can’t go to Brazil, but one day I’ll visit you, ok? It’s a promise, and you know I always keep my promisses. I’m giving you this panda bear ‘cause… I know how much you love pandas. So... I guess that’s it. And if you haven’t noticed yet, I don’t know what to write in these kind of cards, so I’m trying my best here.

I miss you Jessica.

Xoxo, JD.

Oi Jessi!

17 anos? Você já é quase uma mulher de verdade! Hahaha! Brincadeira. Agora, falando sério, eu gostaria de te desejar um feliz aniversário, e que todos os seus sonhos se realizem. Você é uma garota maravilhosa e eu estou muito feliz por ter tido a chance de te conhecer.

Eu realmente sinto muito por não poder ir aí pro Brasil, mas um dia eu vou te visitar ok? Isso é uma promessa, e você sabe que eu sempre cumpro as minhas promessas. Eu estou te dando esse urso panda porque... Eu sei o quanto você gosta de pandas. Então... É isso. E se você não percebeu ainda, eu não sei o que escrever nesses tipos de cartão, então estou fazendo meu melhor aqui.

Eu sinto sua falta Jessica.

Xoxo, JD.

Merda. Foi James quem me deu o presente, e eu o destruí. Só por causa da minha revolta estúpida. Minha agonia era tanta que tentei até juntar as duas partes do urso como duas peças de quebra cabeça. Mas isso era impossível. Frustrada, sentei no chão ainda em lágrimas, abraçando a cabeça e o corpo de meu urso panda. Em meio de todos aqueles presentes, aquele era o único que importava. Então me lembrei de quando o recebi. Era o dia do meu aniversario e Diego havia prometido me levar pra comemorar. O pacote do sedex chegou de tardinha, eu abri e fiquei super feliz, mas nem tive tempo de ler o cartão, pois Diego havia chegado. Pensei que, se ele visse aquele urso, ficaria furioso de ciúmes, então achei melhor guardá-lo. E desde então o urso ficou ali, guardado, esperando eu lembrar que em meio a todos aqueles outros, só ele estaria ali pra mim quando eu precisasse.

James… Eu nem dei explicações antes de desligar em sua cara hoje cedo. E nem darei. Mas percebi que manter um segredo de James seria quase impossível, afinal eu conto absolutamente tudo pra ele. James iria perceber que eu iria estar agindo diferente e com certeza iria desconfiar que tinha alguma coisa errada, e na primeira oportunidade, eu falaria a verdade e estragaria tudo. Do jeito que eu conheço ele, seria capaz de pirar. Ou fazer coisa pior, do tipo vir pra cá pro brasil. Não, não, não. Isso não pode acontecer. Então creio que a única solução é… Parar de falar com James? Ah não. Isso é mais impossível ainda… No entanto… É pro meu próprio bem. Talvez só por uns tempos. Só enquanto minha vida se normaliza. É isso. Não deve ser tão difícil parar de falar com uma pessoa virtualmente.

O problema é se a minha vida nunca mais voltar a ser o que era antes.