American Gurls
31 I Need You.
Notas iniciais
Playlist:
Depois que Kendall foi embora, perdi a noção do tempo em que passei deitada na cama olhando para o teto, ainda sentindo o cheiro de Logan que estava impregnado em meu quarto. Eu havia decidido seguir aqueles conselhos, mas cadê a coragem pra colocar em prática? Kendall estava certo, disso eu tinha consciência. Eu não queria saber a verdade, ela estava bem na minha frente, mas eu me escondia dela, fingia que não estava vendo. Tudo por medo. Medo de me machucar, medo de perder o sossego, medo das coisas mudarem quando estava tudo quase se normalizando. Mas eu tinha que enfrentar, querendo ou não.
Saí para caminhar pelo parque de Palm Woods e tentar espairecer, mas de nada estava adiantando. Nem pensar em comprar um smooothie de morango me deixava menos ansiosa. Minha cabeça viajava em todas as suposições que eu criava, o que acabou me distraindo mais do que é seguro pra uma pessoa naturalmente desatenta como eu. Logo, não percebi uma bola de futebol americano voando em minha direção. Um grito de “cuidado!” me despertou e eu consegui desviar da bola a milímetros de distancia do meu rosto, mas a vida não descansou até conseguir me sacanear, pois como o reflexo me fez agir rápido demais, acabei tropeçando nos meus próprios pés quando desviei, e caí em cima de um arbusto. Ainda bem que eu não havia comprado o smoothie ainda.
– Barbara! Você se machucou? — Logan apareceu no meu campo de visão, com os cabelos suados jogados para trás e as bochechas vermelhas da corrida. O sol estava servindo de holofote atrás dele, iluminando-o como se fosse a aparição de um anjo. Devo ter morrido e agora estou no céu, certamente.
– Não, não. Eu tô bem. — De imediato ele me segurou pelas duas mãos e me ajudou a sair do arbusto.
– Tem folha no seu cabelo. — Disse, rindo. Acabei me deixando contagiar pela sua risada, porém também me deixei hipnotizar pelos seus olhos enquanto ele tirava as folhas do meu cabelo. Só acordei da hipnose quando Carlos, Kendall, James, Jessica e Drianna vieram até nós.
– Barbie, você tá bem? — Kendall perguntou, preocupado. Deixei passar o apelido que já estava ficando usual demais pro meu gosto.
– Tô ótima. — Falei, tirando as folhas da minha roupa.
– A Jessica acabou jogando forte demais, foi mal. — Disse James, porém não havia um sinal de arrependimento na expressão de séria de Jessica, o que me deu a leve impressão de que havia sido de propósito.
– E me desculpa, eu não sou muito boa em agarrar. — Lamentou Dria.
– Eu disse que era pra gente jogar hockey no apartamento. — Disse Carlos.
– Mas hockey é chato. — O mau humor na voz de Jessica pesou no ar.
– Não é! — Carlos rebateu, cruzando os braços.
– Não é, Carlos, mas a gente não pode arriscar quebrar a janela de novo. — Kendall explicou.
– E em vez disso quase quebramos a Barbara. — Carlos retrucou novamente.
– Eu estou bem, pessoal, podem voltar a jogar. Eu só estava indo comprar um smoothie.
– Ok, vamos logo. Dria vá pegar a bola! — Ordenou Jessica, virando as costas e marchando para o gramado. Depois de alguns "se cuida" dos meus amigos, eles a obedeceram. Mas Logan continuou parado, quase me fazendo quebrar meu autocontrole e pular em cima dele.
– Acho que um smoothie gelado vai fazer piorar sua saúde.
Gesticulei um "fazer o que?", e pela cara que Logan fez, isso foi para ele como um alfinete esquecido no tecido que sinto me furar quando tento tirar o figurino.
– Ok, se cuida. — Disse, enfiando as mãos nos bolsos e indo de volta para o jogo. Mesmo eu querendo tanto que ele ficasse.
Então senti um olhar pesado sobre mim. O olhar de reprovação de Kendall. Lembrei-me das palavras dele, de tudo que conversamos. Decidi largar a mão do meu orgulho por um momento, eu definitivamente não precisava dele agora.
– Logan! — Exclamei, chamando a atenção de quase todo mundo naquele parque. Quase me enterrei de vergonha, mas prossegui. Ele se virou para me olhar e eu me aproximei o suficiente pra não precisar gritar. — Você... Pode passar lá no meu apartamento mais tarde? Precisamos conversar.
– C-claro. — Respondeu, deixando um pequeno sorriso escapar. Mordi o lábio para não deixar o meu escapar também.
– Até mais tarde então. — Virei-me e me afastei antes que tudo que eu estava sentindo ficasse estampado na minha testa pra todo mundo ler.
Desisti de comprar o smoothie, comprei uma limonada em vez disso. Era gelada pra minha gripe, mas tinha limão, ou seja, vitamina C, então tá tranquilo né? Tentei não tomar tão rápido pra não congelar meu cérebro dessa vez. Por fim, eu ainda estava tentando recapitular o que havia acontecido ainda pouco quando a porta do elevador do saguão abriu.
– Oi Barbara! Como você tá? — Perguntou Camille, sem a tristeza que havia em seu semblante na última vez que a vi, e me cumprimentou com um abraço apertado que eu me esqueci de retribuir.
– Bem. Bem melhor. — Forcei um sorriso.
– Fico feliz em ouvir isso. — Ela sorriu de volta. Depois de todas as informações que eu engoli nesse fim de semana, eu não conseguia mais olhar para Camille da mesma maneira. A imagem que eu tinha dela havia sido distorcida de várias maneiras, eu não sabia mais como consertá-la. — Eu estou indo ao supermercado, quer ir comigo?
Minha resposta ficou empacada no meio do caminho, pois eu não sabia qual dar. Eu vou ou não vou com Camille? Eu não estava muito confortável de estar perto dela, mas eu tinha que “manter os amigos perto e os inimigos mais perto ainda”. Quase ia me esquecendo de que Logan vai passar no meu apartamento mais tarde, eu não posso furar com ele na minha própria casa. É, passar um tempo com Camille vai ter que ficar pra outro dia.
– N-não vai dar.
– Por quê? — Perguntou, sem tirar aquele sorrisinho do rosto.
– Por que... — Conto a verdade ou não? Melhor não, melhor não entregar de bandeja que eu sabia que ela havia mentido pra mim e que daqui a pouco pretendo aceitar o meu namorado de volta. Mas eu também não tinha uma mentira pronta. Acho que vou misturar um pouco dos dois, a mentira com a verdade. — Logan vai passar no apartamento, ele disse que queria conversar. — Disse rolando os olhos.
– Oh. — Eu podia ter previsto que o sorriso de Camille iria sumir no mesmo instante. — Tudo bem, mas não cai na dele, viu? Ele vai dizer qualquer coisa pra te convencer. E não esquece: namorados vêm e vão, em qualquer lugar a gente arruma um, mas amizade é pra sempre.
– Eu sei, pode deixar. — Nos abraçamos e eu entrei no elevador, acenando para ela enquanto as portas se fechavam.
Será que é pra sempre mesmo, Camille? Isso é o que eu quero ver.
Tomei um longo gole de limonada que me subiu a cabeça em poucos segundos, cerrei os dentes pra não gritar de dor. Maldita limonada. Quando chegue ao meu lar doce lar, decidi tomar outro banho longo. Após isso, puxei fôlego e... E agora? O que eu faria quando Logan chegasse? Conversaria primeiramente sobre as minhas inquietações ou me renderia a ele logo? Cheguei a conclusão que era melhor conversar antes, uma conversa séria. Mas, meu coração queria uma coisa completamente diferente. Enquanto ele e o meu cérebro travavam uma briga, Logan apareceu. Ele abriu a porta devagar, colocando primeiro a cabeça para checar se eu estava ali e depois o resto do corpo para dentro do meu apartamento quando percebeu que eu não estava com cara de quem iria matá-lo.
– O-oi, Barbara. Queria falar comigo?
Imediatamente chutei a bunda do meu orgulho. Eu não queria mais discutir, brigar ou esclarecer nada. Eu só queria estar nos braços do meu namorado. Eu só queria paz. Levantei do sofá e com pressa fui até Logan, atirando-me nele, entregando-me de corpo e alma a ele novamente. Beijei sua boca com urgência de matar a saudade, apesar de só termos ficado um dia e meio separados. Mas me afastar dele era como se houvessem aberto um abismo entre nós. Logan pressionou mais seu corpo contra o meu com as mãos em minha cintura. O ardor, a paixão que sentíamos um pelo outro eram recíprocos. Naquele momento me arrependi amargamente de ter duvidado do amor de Logan.
– Eu te amo. Muito. — Eu disse, segurando seu rosto para que olhasse pra mim. — Eu nunca devia ter duvidado que você me ama também, me perdoa, por favor.
– Esquece isso. Passou. — Disse ele, encostando sua testa na minha e passando-me segurança em sua fala.
Os beijos voltaram ainda mais intensos, mas de certa forma calmos. Aos poucos uma trilha de nossas roupas se formou até o quarto. Meu corpo inteiro queimava. Essa chama se alastrava por mim e não podia ser contida.
Unimos nossos corpos como um só quando Logan sentou-se na cama e eu sentei sobre seu membro em seguida. Enquanto Logan deixava marcas roxas de seus beijos por todo o meu peito e seios, eu arranhava suas costas de prazer e subia e descia nele ritmicamente. As suas mãos grandes e macias manuseavam meu corpo, tocando cada centímetro de pele, como se eu fosse um livro em braile e apenas dessa forma ele pudesse desvendar meus pensamentos, meus medos, minha história, apesar de ele já conhecer cada palavra, cada vírgula e cada ponto de cor. Do começo ao fim, ele me lia e relia incansavelmente.
Após um longo período que durou pouco para a saudade que eu sentia, atingimos o êxtase juntos como há muito não acontecia. Beijamo-nos com calma e ternura, saboreando o outro como nunca antes. Por fim, saí do colo de Logan e me acomodei ao seu lado da cama, com o cotovelo e a mão servindo de apoio do rosto para poder admirar seu corpo suado e seu rosto sereno.
Porém, a paz do ambiente se esvaeceu quando me lembrei das acusações de Camille sobre Logan. A maneira como ela mentiu ainda inquietava. E todas aquelas acusações de Logan... Não era hoje que eu iria ter paz.
– Ei, o que foi? — Logan notou minha mudança. — Você ficou séria de repente.
– É que... Eu estava pensando. Camille é realmente tudo que você me disse? Ou você só disse aquilo dela porque você não gosta dela?
– Eu não acredito que depois disso você ainda não acredita em mim. — Disse frustrado. Ele fez a menção de levantar, mas eu o segurei pelo braço.
– Eu acredito em você, Logan! Eu só não consigo entender...
– Barbara — Interrompeu-me, prendendo minha atenção. — Eu ouvi da boca dela. Ela me disse que não gosta de você, que só finge sua amiga. Não posso te dar nenhuma prova disso, mas te dou minha palavra. Eu nunca mentiria pra você.
Suspirei. A ficha estava entalada na minha garganta, só mais um pouco de água e ela cairia.
– Quando ela te disse isso?
– Ano passado. Eu e você não estávamos juntos na época, mas a gente já tinha se envolvido. Camille tentou me seduzir e... Enfim. — Cortou a própria fala, como se quisesse que aquela parte não chegasse aos meus ouvidos. Eu mesma não queria que chegasse. — Acabou falando mais do que devia.
E aquilo foi a água que eu precisava para fazer a ficha desentalar e cair. Caiu como uma rocha gigante. Aquela era a verdade, eu tinha que confiar em Logan e abrir os olhos para a realidade. Camille é falsa, e tentou acabar com meu relacionamento.
– O que eu faço agora?— Eu me sentia completamente perdida. Como proceder quando se percebe que sua melhor amiga é uma mentirosa?
– Bem, primeiro você tem que pedir desculpas à Jessica, ela está com raiva de você não sei por quê.
Oh, Jessica. Ela estava certa sobre Camille e tentou me alertar e eu fui uma grande bacana.
– Eu sou tão estúpida... Ela foi a primeira a me avisar que Camille é uma mentirosa profissional, mas eu defendi Camille e a gente brigou. — Eu não precisava aprofundar os detalhes. Após alguns instantes refletindo, lembrei-me das palavras de Kendall. "Mantenha os amigos perto e os inimigos mais ainda." Se Camille me odeia mesmo, enfrentá-la sem provas não resultaria em nada, só em mais ódio da parte dela. Eu precisava desarmar ela. Desmascará-la. Eu precisava... De um plano.
– Já sei o que fazer. E vou precisar da sua ajuda.
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