Notas iniciais
Oi gente! Estou postando esse capítulo bem rápido, já tenho que sair. Hoje tem um pov de uma pessoa que vocês não veem faz tempo! Este capítulo é só pra mostrar o pouquinho que Camille é capaz de fazer, muahahahaha.Amei ler os comentários de vocês, vocês são ótimos leitores! Ah, e mais uma coisa. Eu vou viajar, e não sei exatamente quando volto, então vou ficar sem postar por um tempo. Mas não sumam também! Quero saber o que vocês estão achando, e se possível, deixem sugestões. Boa leitura!Xoxo!

Quinta-feira

Yuki

– Onde está Camille? Ela tem uma cena agora! – Lewis estava estressado hoje. Revirei os olhos sem que ele visse, porque eu já sabia que iria sobrar pra mim. – Yuki! – Não disse?

– Já vou procurá-la, Sr. Scotten. – Eu disse, saindo do set de filmagens e indo em direção ao corredor dos camarins, que se encontrava vazio. Fui caminhando, e de longe vi que a porta do camarim de Camille estava entreaberta. À medida que fui me aproximando, pude escutar Camille falando no telefone, porém antes de bater, hesitei, e decidi não interrompê-la no momento. Involuntariamente, a conversa capturou minha atenção.

–… Finalmente eu consegui falar com você! Tá, ta, não quero saber se você estava ocupado, eu tenho uma coisa importante pra te falar. É, a sonsa enfim engravidou. Mas é claro que a vida dela tá arruinada, esse era o propósito de trocar as pílulas dela, né? E se eu bem conheço a Barbara, é agora que ela e Logan vão ficar mais juntos que nunca. Urgh. Ele não vai largar ela nesse momento. E é aí que tenho eu bolar uma ideia pra fazer eles se separarem. Então, se tudo der certo, Barbara vai virar uma mãe solteira, e finalmente vai sair do meu caminho… O quê? Não, não, tá louco? Pra que matá-la se eu posso ver ela sofrer?

Hã?!

Camille

De repente, alguém irrompeu pela porta me fazendo pular de susto.

– Mas que história é essa, Camille? – Disse Yuki, parada dentro do meu camarim. Desliguei o telefone imediatamente e o guardei no meu bolso antes de me levantar.

– Que história? Por um acaso você estava escutando minha conversa atrás da porta? – Forcei minha melhor cara de indignação e aborrecimento. – Você não tem educação, não?

– Não muda de assunto, Camille. Eu acho que já entendi tudo. Você é louca?

Agora fodeu. Eu estava sem saída. Nem minha melhor atuação me tiraria dessa situação. É, não tem jeito. Eu não queria, mas vou ser obrigada a mostrar a verdadeira eu à Yuki. Inspirei fundo o ar antes de explodir.

– Olha aqui, não se mete que isso é problema meu! — Exclamei, apontando o dedo para o rosto de Yuki.

– Isso é problema da Bárbara, isso sim! Por ter uma psicopata como “amiga". Qual é o seu problema? Porque você quer arruinar com a vida dela?

– Isso não te interessa. — Falei, ficando cara a cara com ela. — E eu acho bom você ficar fora do meu caminho.

– Senão o que? Eu não tenho medo de você não, garota! E eu acho bom você parar com essa sua ideia de doida, porque se você fizer alguma coisa com a Barbara, eu te entrego pra policia.

Ergui uma sobrancelha, incrédula. Ela realmente está querendo se meter no meu caminho? Ah, querida. Você não perde por esperar. Não falei mais nada, apenas passei por ela esbarrando propositalmente em seu braço, e caminhei com destino ao set. Discretamente tirei meu celular do bolso para mandar uma mensagem para o meu amigo com quem eu falava no telefone antes da Yuki chegar.

“Aconteceu um imprevisto. Tenho um servicinho extra pra você, te ligo depois."

Se essa japonesinha acha que pode se meter nos meus planos, ela está muito enganada.

Sexta-feira

Barbara

Sempre tenho um mal pressentimento quando Lewis marca reunião do nada. Deve ser porque eu não tenho boas lembranças de nenhuma dessas reuniões-relâmpago. Enquanto eu caminhava para a sala de reuniões, um filme de tudo que eu havia feito de errado que pudesse comprometer a minha carreira passou pela minha cabeça.

Ai. Meu. Deus. Será que Lewis descobriu que eu estou grávida? Mas como? Só contei à Camille. Será que ela contou para ele? Não pode ser, ela me prometeu de mindinho! Tomara que eu esteja errada. Só me resta rezar agora.

– Eu tenho uma notícia triste para dar a vocês. – Lewis começou a falar assim que todos estavam sentados. – Ontem a Yuki que todos vocês conhecem, ao sair do estúdio para pegar um ônibus… Foi atropelada por uma van. Quem dirigia não parou para prestar socorro, e as câmeras externas da Colossal viram que o veículo estava com a placa coberta… Yuki sofreu ferimentos muito graves, ela está viva, mas em coma.

Em coma? Meu Deus do céu. Eu fiquei horrorizada assim como todo mundo, no entanto, bem no fundo, eu estava aliviada por não ser a noticia da minha gravidez. Logo me senti culpada por estar aliviada.

– E por enquanto, estamos sem ninguém para ocupar o cargo dela. Então eu peço para que vocês cooperem, cheguem no set na hora, e acabem com esse negocio de ficar batendo papo nos camarins, ok? – Nós apenas balançaram as cabeças positivamente. – Reunião encerrada. Todos para o set agora.

Apesar das palavras breves e frias, dava para ver nos olhos de Lewis que ele estava abatido. E assim como todos nós, ele rezava para que ela saísse desse coma e se recuperasse logo. Pelo visto, este dia de filmagem seria bem longo.

No final do dia quando as filmagens acabaram, decidi passar no hospital para visitar Yuki. Nós duas sempre fomos amigas, mas não muito próximas. Mesmo assim, o mínimo que eu poderia fazer é visitá-la neste momento difícil. Se fosse eu, acho que ela também faria o mesmo.

Como Camille quase sempre pega carona comigo para ir e voltar para Palm Woods, por pura preguiça de contratar seu próprio motorista, perguntei se ela se importaria de ir comigo. Ela concordou numa boa, pois também queria ver como Yuki estava. Chegando no hospital, a enfermeira nos encaminhou para o quarto em que Yuki estava internada. Ao entrar, me deu um aperto no coração ver aquela cena. A mãe de Yuki cochilando na poltrona enquanto segurava a mão de sua filha. Era um senhora magra, já devia ter mais de 50 anos, possuía as mesmas características orientais de Yuki, e tinha os cabelos negros com algumas mechas grisalhas e curtos na altura dos ombros.

– Sra. Hamel. – A enfermeira a acordou delicadamente, apesar disso a senhora acordou com um susto. – Essas garotas vieram visitar sua filha. Vou deixar vocês a sós. – Então ela se retirou rapidamente.

– Quem são vocês? – Perguntou Sra. Hamel com desconfiança, e seu sotaque japonês era perceptível.

– Somos colegas de trabalho de Yuki, e um pouco amigas também. Eu sou Barbara. – Eu fui apertar sua mão.

– E eu sou Camille. – E Camille fez o mesmo.

– Ah, vocês são daquela serie? – A desconfiança sumiu de seu rosto, dando lugar a um sorriso. – Yuki ama esse emprego...

– E todos estão sentindo falta dela lá. – Falei com sinceridade.

– Desculpa a pergunta… Mas como aconteceu mesmo? Lewis nos falou, mas foi tão breve que eu mal entendi. – Disse Camille, e a Sra. Hamel não pareceu se importar em explicar.

– A van a atropelou, como vocês sabem. Ela um traumatismo craniano grave, e ainda quebrou a perna. Por pouco ela não morreu. – Ela disse, dando um suspiro. – Agora ela está neste coma que eu não sei quanto pode durar…

Só aí eu fui parar pra notar o estado em que Yuki se encontrava. Engoli em seco. Praticamente seu corpo inteiro estava com machucados visíveis ou enfaixado. É, pode-se dizer que ela teve sorte por continuar viva.

– Oh. E Yuki só tem você de parente? – Camille perguntou interessada.

– Sim… Eu vim pros Estados Unidos quando eu tinha mais ou menos a idade dela. Toda a família dela está do Japão. O pai dela morreu há sete anos.

– Oh. – Camille e eu dissemos juntas. Isso sim era uma vida dura. Eu não sabia dizer se estava me arrependendo desta visita.

– Yuki vai acordar logo, tenha fé. – Eu disse com um sorriso reconfortante, e a Sra. Hamel sorriu de volta agradecendo.

– Ahm… Nós temos que ir agora, Barbara, já tá tarde. – Disse Camille.

– Ah é, mas voltaremos outro dia.

– Sim. – Nós duas nos despedimos da senhora e fomos embora para casa.

Durante todo o caminho, eu fiquei tocada pela resumida história de vida que a Sra. Hamel nos contou. Eu não parava de imaginá-la deixando o Japão tão jovem, com nada mais que sonhos em sua mala, e então chegando à América, maravilhada com tudo, e sem querer conhecendo o homem de sua vida, e com ele tendo uma bela filha. Tudo parece até um conto de fadas até certo ponto. Porém, não é bem assim que a vida funciona. Eu realmente rezava para que Yuki acordasse desse sono profundo. Perder as pessoas que amamos deve ser péssimo.

Ao chegar no meu apartamento, enchi Logan de beijos e abraços no sofá. Eu o queria do meu lado pra sempre, não sei o que seria de mim se eu o perdesse. Acho que eu morreria. Por fora talvez eu continuasse viva, mas por dentro, eu seria um grande e enorme vazio.