American Dream
27 Tears in heaven
Notas iniciais
Tudo estava acinzentado, um tom bem melancólico num dia chuvoso em Forest Lake. A cidade dos Carter's estava cheia de gente, todos com roupas escuras, o luto era visível. As pessoas estavam por todos os cômodos na sala. Rose, estava na cozinha conversando com algumas pessoas, muito abalada.
Na sala de estar estava Chloe, com um bebê no colo. Era Patrick, um bebê de oito meses. Era neto da vizinha que morava em frente sua casa. Enquanto a mãe da criança, a senhora Samantha conversava na cozinha com Rose, a dona da casa. Chloe tentava distrair a criança que tinha parado de chorar a pouco.
Katherine descia as escadas, era a primeira vez que ela estava no local. Sua mãe era uma antiga amiga de Vovó Mary. Kat conhecia bem a velha senhora. De vestido largo a mais baixa de todas as amigas de Luke, parecia está procurando o rapaz, ou apenas andando pela casa.
Jessie chorava, a texana estava no sofá, chorava desde a manhã, desde o funeral, ela estava só. Abraçada com um travesseiro em seu colo, ela parecia querer ficar só. Mas ela precisava de um abraço. Até uma pessoa sentar ao seu lado, era Evelyn. Que veio com um copo d´água e praticamente a forçou beber. Assim o fez. Ivy, colocou o copo numa pequena mesa que estava na frente das duas e abraçou a texana que se acolheu nos braços da ruiva.
A porta foi aberta por uma senhora, quem entrava era Sophia, em seguida de seu pai. O senhor Son Lee Kim, dona da loja de antiguidades e que agora estava reformando e virando uma loja de artigos musicais. A mais nova da família, Micheli não veio. Sofia entrava com uma cara triste. Lembrou-se que há uns anos atrás, ela era viciada nos biscoitos caseiros de vovó Mary. Parte da mesada/salário que recebia, sempre comprava os biscoitos. O senhor Son Lee, foi para a cozinha falar com Rose, apresentar suas condolências.
Vicky foi uma pessoa que não apareceu, mas seu pai, o ex prefeito da cidade sim, fez questão de aparecer e trazer flores para a dona da casa. Não ficou muito tempo, mas deu um cartão a Rose e disse que qualquer coisa que precisasse, ele iria providenciar.
Taylor, seus três irmãos e sua mãe estavam lá. Agora eram parte da família. A namorada de Luke estava sem ele. Ela ficava em seu quarto, olhando pela janela, olhava a rua que estava movimentada, pessoas chegavam e outras iam embora. Ela se perguntava aonde seu namorado estava.
Em Forest Lake era feriado, praticamente nenhuma loja abriu, não pelo fato de ser domingo, mas a cidade inteira chorou com a perda que tiveram. Era comum chover na cidade, mas, naquele dia estava uma chuva fraca mas duradoura. Choveria por um dia inteiro, sem nenhum trovão ou raio, com poucas nuvens negras no céu, apenas o suficiente para chover durante um dia inteiro.
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Não foi um sonho, não era o funeral de Luke. Era o funeral de Vovó Mary. Pois Luke, ele estava parado com seu carro perto da curva do diabo. Ele olhava o mar, com o carro estacionado perto do desfiladeiro, mais três metros a frente ele cairia para o desfiladeiro, e era impossível sobreviver as rochas que ficavam lá em baixo e as ondas que batiam forte contra as pedras.
Ele estava com carro desligado, apenas com o para-brisa que limpava o vidro contra a chuva. Ele olhava as ondas, o imenso mar azul. Seu rosto estava imóvel, era impossível decifrar o que se passava pela sua cabeça. Seus olhos esverdeados estavam vermelhos, tinha chorado a pouco, algo raro, mas totalmente compreensível.
Após alguns segundos de silêncio, onde só era possível ouvir o barulho das ondas e das gotas de chuva que batiam no teto e no capô do carro. Luke lentamente abria a pouca e falava uma frase.
— Aqui vai ser o fim de tudo.
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